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sábado, 23 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — MEDIUNIDADE, PSICOGRAFIA E LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

HÁ MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUPÕE NOSSA VÃ FILOSOFIA.

Em 1616, por ordem do papa Paulo V, o cardeal Roberto Belarmino notificou Galileu sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando o heliocentrismo.

O teólogo carmelita Antonio Foscarini escreveu um texto em defesa de Galileu e submeteu-o a Belarmino, que ofereceu a seguinte resposta (a tradução é do livro Galileu, pelo copernicanismo e pela Igreja, de Annibale Fantoli). 

Belarmino nos ensinou a nunca desprezar as evidências. Se alguma evidência não orna com algum trecho bíblico, dizia ele, é porque a interpretação da Bíblia possivelmente está errada.

Fica o recado para quem acredita que Deus criou o mundo em 23 de outubro de 4004 a.C., como escreveu o arcebispo irlandês James Ussher no livro The Annals of the World (1658), na vida eterna e outros mitos religiosos que carecem de comprovação. Por outro lado, não faltam indícios de que a consciência sobrevive à marte, sugerindo que ela não reside no cérebro, como a maioria de nós imagina.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os R$ 134 milhões pedidos a Vorcaro são suficientes para bancar blockbusters hollywoodianos de primeiríssima grandeza, mas não bastam para encobrir 5% das desculpas esfarrapadas dos filhos do refugo da escória dos golpistas. 
Embora o primogênito concorra ao Planalto e zero três — ou Dudu Bananinha, como queiram — seja candidato a suplente no Senado, cada frase desses excrementos é um novo gambá retirado da cartola.
No domingo, Bananinha disse ao "parça" Paulo Figueiredo que "Dark Horse" não é caro para os padrões de Hollywood, a despeito de 15 das últimas produções vencedoras do Oscar terem custado menos do que os R$ 61 milhões arrancados de Vorcaro antes da liquidação do Banco Master. 
No sábado, o filho mais velho do presidiário acusou o governo do ex-presidiário de tentar enterrá-lo vivo — como se precisasse de ajuda para jogar terra em cima de si mesmo. Nem sinal do contrato. Nenhum esclarecimento sobre os rumos que o dinheiro tomou depois de entrar no fundo texano gerido por um advogado de Bananinha.
Ao negar as suspeitas da PF, o deputado cassado foragido disse que não precisaria do dinheiro de Vorcaro para se manter nos Estados Unidos, pois mordeu R$ 2 milhões de uma coleta que seu pai realizou entre os devotos via Pix. Ou seja: esse pedaço de esterco realizou no autoexílio americano o sonho de 11 em cada 10 brasileiros: viver com um dinheiro que recebe regularmente sem precisar trabalhar.
A essa altura, nem se bebessem detergente Ypê os irmãos conseguiriam reduzir o fedor que emana de suas cartolas.

Quando se trata de EQMs, mediunidade, psicografia, lembranças de vidas passadas e premonições, uma experiência empírica vale mais que 10 de segunda mão. Na falta dela, acrescento aos exemplos anteriores o caso da cantora Pam Reynolds, que a equipe médica precisou "matar" para remover um aneurisma na base do cérebro e depois "trazer de volta à vida". 


Esse caso é particularmente emblemático porque a morte clínica da cantora foi induzida e monitorada de perto do início ao fim. A temperatura corporal foi reduzida para 10 °C, os pulmões pararam de funcionar, o coração deixou de bater, o sangue parou de circular e os aparelhos deixaram de registrar qualquer atividade cerebral.


Apesar disso, Pam relatou que viu o próprio corpo e a sala de cirurgia, que seus sentidos estavam mais aguçados, que enxergou tudo com clareza e que ouviu nitidamente as conversas de médicos e enfermeiras, embora seus olhos estivessem cobertos com fita adesiva e seus ouvidos, tampados com protetores auriculares. 


Pam contou ainda que foi conduzida por uma "força invisível" até um grande ponto de luz, que foi recebida afetuosamente por um tio já falecido, e que a experiência foi tão agradável que o tio precisou “empurrar seu espírito de volta ao corpo”. Todos os integrantes da equipe médica reconheceram sua morte clínica, que foi comprovada pelos dados coletados durante a cirurgia. 


As conversas relatadas foram compatíveis com o que realmente foi dito durante a operação, e os instrumentos usados para abrir o crânio de Pam foram descritos por ela com minúcia e exatidão. Mesmo não havendo como comprovar o encontro com o tio falecido, tudo indica que ela visitou a terra dos pés juntos, e o fato de sua consciência permanecer ativa enquanto o corpo estava morto é uma evidência (embora não seja uma prova cabal) da existência de vida após a morte.

 

Outro caso digno de nota é o do geólogo suíço Albert Heim, que passou por uma EQM causada por uma queda em 1871. Ele relatou que experimentou uma grande expansão de sentidos, como se ouvisse e enxergasse muito melhor, disse que sentiu o tempo passar mais devagar e uma profunda aceitação da morte iminente. Os mais de 30 relatos semelhantes de colegas montanhistas que ele publicou no estudo Notes on Death from Falls coincidiam com sua própria experiência, e alguns traziam novos elementos, como ver a vida passar rapidamente diante dos olhos e ouvir músicas tocando no vazio.


Um levantamento semelhante conduzido pelo cardiologista Pim van Lommel em 2001 revelou que a maioria dos 344 entrevistados que sobreviveram a perdas cardiorrespiratórias teve consciência de que havia morrido, viu o corpo de um ponto externo e encontrou parentes já falecidos. A pergunta que se coloca é: até que ponto uma pessoa que relata uma experiência como essa está morta de verdade? 


Até meados do século passado, declarava-se a morte física 15 minutos depois da parada cardiorrespiratória, mas o advento dos respiradores artificiais tornou esse critério obsoleto, e a partir de então o fim da vida passou a ser associado à morte cerebral. Quando o sangue para de circular no cérebro, os neurônios começam a morrer, e o corpo deixa de funcionar. A questão é que casos como o de Pam Reynolds, Albert Heim e tantos outros levam a outra perspectiva.


Após ouvir relatos de supostas experiências post mortem, o médico e professor Sam Parnia, responsável pela unidade de tratamento intensivo do hospital da Universidade de Stony Brook (EUA), teorizou que o cérebro uma espécie de computador que processa um sistema operacional externo (a consciência, ou a "alma", como preferem os religiosos), e não a origem da consciência em si. Para determinar se a consciência continua presente depois que toda a atividade cerebral cessa, ele criou o projeto AWARE (sigla em inglês para “consciência durante a ressuscitação”), que documenta experiências de pós-morte em hospitais dos EUA e da Europa. 


Num de seus principais experimentos, Parnia mandou posicionar placas em salas cirúrgicas de 25 hospitais de modo que ficassem visíveis para alguém flutuando perto do teto, mas ocultas de quem estivesse de pé ou deitado. Assim, se alguém voltasse de uma morte clínica e contasse o que estava escrito nos cartazes, ficaria comprovado que a consciência sobrevive à morte do corpo.


Os resultados preliminares apresentados em um encontro da Associação Americana do Coração, em 2013, não foram conclusivos: dos 152 sobreviventes entrevistados, somente 37% descreveram lembranças do período crítico, dois viram alguma coisa que remetesse a EQMs e apenas um relatou eventos verificáveis, como instrumentos cirúrgicos, mas não falou nada sobre os cartazes. 


Na prática, a maior contribuição de Parnia para o debate tem sido o prolongamento do período de ressuscitação. Pacientes do hospital da Universidade de Stony Brook têm 33% de chance de resistir a paradas cardíacas — mais que o dobro da média nacional. Para alcançar esses números, o médico adotou medidas como resfriar o corpo de pacientes e manter alta a oxigenação no sangue enquanto o coração está parado, de modo a retardar ao máximo a morte das células cerebrais em decorrência da falta de oxigênio. 


Processos semelhantes permitiram que o jogador de futebol Fabrice Muamba fosse ressuscitado mais de uma hora depois de sofrer uma parada cardíaca em pleno gramado, em 2012. No livro O que Acontece Quando Morremos, Parnia cita o caso de uma japonesa que esteve morta por mais de três horas e, graças ao resfriamento do corpo e oxigenação artificial do cérebro, voltou à vida sem apresentar sequelas.


Embora não se saiba ao certo se a mente continua a existir depois que o cérebro desliga, um estudo feito em 2013 pela Universidade de Michigan monitorou o cérebro de ratos que tiveram a morte induzida e descobriu que, nos primeiros 30 segundos contados a partir da parada cardíaca, as cobaias tiveram um aumento significativo de atividade cerebral. Isso explicaria as visões e sensações descritas por pessoas clinicamente mortas que foram reanimadas, já que o corpo poderia lançar uma última cartada para se defender e permanecer vivo.

 

Há registros de EQMs em todas as partes do mundo. Menos de 20% delas evocam sensações ruins. As principais discrepâncias se devem a diferenças culturais: cristãos tendem a ver anjos ou o próprio Jesus em suas espiadas no além, índios americanos costumam mencionar encontros com animais mitológicos, e melanésios que visitam o outro lado relatam encontros com feiticeiros.


O indiano Vasudev Pandey, dado como morto em 1975 devido à febre tifoide, contou que foi recebido do outro lado por Yamaraja (não confundir com Iemanjá), mas foi mandado de volta quando o deus da morte ao perceber que ele não era o morto certo.


Seja como for, o além parece ter mais relatos de campo do que a ciência gostaria de admitir. Morrer continua sendo inevitável; entender o que acontece depois é que anda atrasado no cronograma.


Continua…

sábado, 5 de julho de 2025

SALVE-SE QUEM PUDER!

O ASNO SE CONHECE PELAS ORELHAS, E O TOLO, PELA LÍNGUA.

Sétimo filho de um casal de lavradores (sem contar outros quatro que não "vingaram"), Luiz Inácio da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945 num casebre depauperado do sítio Várzea Comprida, em Caetés (então município de Garanhuns - PE). A mãe, D. Lindu, não foi assistida por uma parteira (a comadre corpulenta caiu do jegue a caminho do sítio) nem pelo marido, Aristides, que havia "retirado" dois meses antes, deixando esposa grávida e levando a reboque uma prima adolescente de D. Lindu, que ele havia engravidado. 


Lula só conheceu o pai aos cinco anos, quando Aristides voltou de visita à terra natal e, no embalo, engravidou D. Lindu de uma menina — que seria registrada como Ruth porque o cartorário achou Sebastiana um nome muito feioAos sete anos, o projeto de petista foi mordido na barriga por uma jumenta, e só não morreu porque alguém enfiou uma peixeira no pescoço do animal (esse episódio consta do livro Lula, o Filho do Brasil, de Denise Paraná, que foi base da cinebiografia homônima).

 

Aristides era um homem rude e ignorante, que bebia muito e tratava melhor seus 20 cachorros do que a mulher, as amantes (ele teve várias) e os 25 filhos que espalhou pelo Brasil afora antes de morrer de cirrose e ser sepultado numa vala comum do cemitério da Consolação, sem túmulo, sem epitáfio e sem despedidas dos filhos e das viúvas. Por ser analfabeto, ele ditava para o primogênito — que morava com ele e a prima da mulher — cartas nas quais dizia que a vida em Vicente de Carvalho estava difícil e que D. Lindu deveria permanecer no Nordeste. Numa dessas cartas, no entanto, o menino incluiu um trecho dizendo que o pai queria que a mãe e os irmãos viessem morar com eles. 

 

Castigada pelo seca de 1952, D. Lindú vendeu o barraco e seus parcos pertences, reuniu a filharada, sacolejou 13 dias num caminhão "pau-de-arara", desembarcou no Brás (bairro da capital paulista) e seguiu de trem rumo à baixada santista, onde o marido morava com a concubina. O reencontro se deu na antevéspera do Natal, mas não foi nada caloroso. Aristides passou a dividir a semana entre as duas famílias, mas tratava D. Lindu e os filhos nas patas do coice. 


Depois de ser espancada com uma mangueira de jardim, ela subiu a serra (literalmente) e passou a morar nos fundos de um boteco na Vila Carioca (bairro da zona sul da capital paulista). Lula ainda morou algum tempo com o pai, mas se juntou à mãe na capital, onde trabalhou como auxiliar de tinturaria, engraxate e office-boy até se formar torneiro mecânico pelo Senai e conseguir emprego numa metalúrgica — onde perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente de trabalho até hoje mal explicado. 


Depois de seis meses desempregado, Lula foi contratado pela Villares. Instigado pelo irmão Frei Chico (que era ateu, comunista, e se chamava José Ferreira da Silva), iniciou sua trajetória sindicalista. Foi sob sua liderança que o ciclo de greves em prol da recomposição salarial dos metalúrgicos teve início. Em 1969, casou-se com Maria de Lourdes da Silva, que contraiu hepatite e foi submetida a uma cesariana de emergência da qual nem ela nem o bebê sobreviveram. Em 1974, ano em que casou com Marisa Letícia, Lula já era pai de Lurian, fruto de um caso com a enfermeira Míriam Cordeiro. Desse casamento nasceram Fábio Luiz, Sandro Luíz e Luiz Cláudio a mulher já tinha um filho do primeiro casamento, que Lula adotou formalmente). 


Como dirigente sindical, Lula participou de assembleias e reuniões em várias cidades — e até no Japão a convite da Toyota. Foi cassado em 1979, mas recuperou o cargo com o fim da greve. Em abril de 1980 — mesmo ano da fundação do PT —, passou 31 dias detido no DOPS por incitar greves, mas não foi torturado. A primeira bandeira do partido foi costurada por Marisa, que pouco apareceria nas campanhas eleitorais do marido até 2002. Ela morreu em 2017, vítima de um aneurisma cerebral, cinco meses antes de Moro sentenciar Lula no caso do triplex no Guarujá. 


Lula dizia ter ojeriza à política e aos políticos, mas deixou o chão de fábrica em 1972, ao se tornar dirigente sindical, e abandonou o batente de vez quando fundou o partido que "faria política sem roubar nem deixar roubar". Desde então, dedicou-se à "arte da política" e desfrutou dos confortos que o poder e o dinheiro podem proporcionar. Sempre cultivou a imagem de operário honesto e defensor da justiça social, mas trocou a pinga vagabunda e os cigarros baratos por vinhos premiados, uísques caríssimos e charutos de cem dólares assim que encontrou quem pagasse a conta. Em conversa com o empreiteiro Emílio Odebrecht, o general Golbery do Couto e Silva (vulgo "Bruxo") teria dito que Lula posava de esquerdista, mas não passava de um bon vivant. 


Na primeira eleição presidencial direta desde 1960, o xamã petista foi derrotado por Collor. Em 1994 e 1998 Fernando Henrique foi eleito em primeiro turno. Em 2002, quando faltaram ao tucano de plumas vistosas novos coelhos para tirar da velha cartola, Lula finalmente conseguiu se eleger — e se reeleger em 2006, a despeito do escândalo do mensalão. Em janeiro de 2011, transferiu a faixa para seu "poste" e deixou o Palácio com o ego inflado e a popularidade nas alturas. Em 2012, a despeito de boa parte da alta cúpula petista ter ido parar na cadeia, o chefe sequer foi indiciado na ação penal 470

 

Observação: Durante um jantar regado a Romanée-Conti — vinho da Borgonha que custa US$ 25 mil a garrafa —, Lula tirou uma baforada da cigarrilha cubana (acesa pelo diligente vassalo Delúbio Soares) e se vangloriou: "Sem falsa modéstia, companheiros, eu elejo até um poste para governar o Brasil." E elegeu mesmo. Mas a criatura fez o diabo para se reeleger em 2014, e o criador, sem o manto da Presidência e escudo do foro privilegiado, foi condenado em 2017 e preso em 2018. 


Com a candidatura barrada pelo TSE e o "companheiro" Jaques Wagner declinando do o papel de fantoche, Lula escalou Fernando Haddad para representá-lo no pleito de 2018, mas o ex-prefeito paulistano perdeu para Bolsonaro no segundo turno por 55,13% a 44,87% dos votos válidos. E o resto é história recente: apesar da concorrência acirrada, Bolsonaro sagrou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza. Ao longo de sua aziaga gestão, foi alvo de mais de 140 pedidos de impeachment (todos engavetados por Rodrigo Maia e Arthur Lira) e dezenas de denúncias por crimes comuns (que o antiprocurador-geral Augusto Aras matou no peito). 


Como que antevendo a necessidade de defenestrar Bolsonaro em 2022, o STF libertou o então presidiário mais famoso do Brasil — como um delegado que determina a soltura de um ladrão detido pela Guarda Civil Metropolitana sob o pretexto de que o flagrante caberia à PM — e anulou suas suas duas condenações (que somavam quase 25 anos de prisão e haviam transitado em julgado no STJ) e o reabilitou politicamente. De vota ao tabuleiro eleitoral, a "alma viva mais honesta do Brasil" derrotou o refugo da escória da humanidade, no segundo turno, por uma diferença de 1,8% dos votos válidos.


Como aspirante a golpista, Bolsonaro conseguiu ser pior do que foi como presidente. Embora continue sendo o maior exponente da direita radical, as manifestações em seu favor vêm encolhendo: a mais recente, em 28 de junho, reuniu 12,4 mil pessoas no pico do ato — contra 44,5 mil em abril e 185 mil em fevereiro. Mesmo estando inelegível até 2030 e na iminência de ser condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e grave ameaça contra o patrimônio da União, e deterioração de patrimônio tombado, segue entoando a velha cantilena da perseguição política e posando de candidato ao Planalto, enquanto articula com a banda podre do Congresso uma improvável anistia.

 

Com o país polarizado (cerca de 80% dos eleitores divididos entre nhô-ruim e nhô-pior) e a popularidade do pseudo "Parteiro do Brasil Maravilha" em queda livre, o cenário eleitoral permanece uma incógnita. Pesa contra o macróbio a idade, a saúde precária e o desgaste com o eleitorado. Por outro lado, por ele nunca ter deixado crescer uma arvorezinha que pudesse fazer sombra em seu quintal, a esquerda carece de um "plano B". 


A situação do capetão-golpista é ainda pior: somam-se às pendências judiciais as sequelas da facada que levou em setembro de 2018, a crescente perda de apoio e o discurso de palanque cada vez menos convincente. Ainda assim, e a despeito das candidaturas alternativas à direita — como as de Ronaldo Caiado e Gusttavo Lima —, sua força gravitacional mantém os governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, orbitando a seu redor.

 

Candidatos à reeleição têm a máquina pública e o erário a seu favor, e Lula vem gastando bilhões (dinheiro dos nossos impostos) em projetos assistencialistas para tentar se manter competitivo. Mas o clima com o Congresso azedou de vez — como demonstrou a derrubada do decreto que aumentava o IOF. Isso sem mencionar que o próximo presidente, seja ele quem for, terá de dar nó em pingo d'água para manter o país adimplente. Em entrevista à TV Bahia, ele disse que pretende conversar com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para resgatar a "normalidade política nesse país", mas a governabilidade idealizada por ele não depende mais de acertos com os chefes da Câmara e do Senado, mas de acordos miúdos com cada um dos 513 deputados e dos 81 senadores, numa evidencia clara de que o presidencialismo de coalizão está agonizante — e o pior é que não há nada melhor à vista.

 

Nem à direita nem à esquerda tem interesse num embate cujo desfecho é imprevisível. Lula diz estar candidatíssimo, mas já não tem certeza se vale a pena tentar a reeleição, e Bolsonaro precisa decidir o que fará quando e se for condenado (o que deve acontecer entre setembro e outubro). Até o início de 2026, esquerda e direita devem seguir em ritmo de morde e assopra, com governo e oposição ensaiando ataques e recuso conforme a direção dos ventos. Nenhum dos lados está pronto para uma guerra em que um passo em falso pode dar vantagem ao adversário. 


A ressurreição do slogan "nós contra eles" representa uma guinada de Lula à esquerda, e pode afugentar os eleitores nem-nem (nem Lula nem Bolsonaro) que levaram o levaram ao Planalto pela terceira vez. Mas alguma coisa profundamente anormal precisa acontecer para salvar o país e o orçamento, e a única luz visível no horizonte é o reflexo da lua sobre o iceberg em direção ao qual o Titanic tupiniquim segue a toda velocidade. 


Salve-se quem puder. 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

CONSCIÊNCIA E VIDA APÓS A MORTE (PARTE V)

A PALAVRA IMPOSSÍVEL FOI CRIADA POR ALGUÉM QUE DESISTIU.
 
Quando se trata de EQMs, mediunidade, psicografia, lembranças de vidas passadas e premonições, uma experiência empírica vale mais que dez de "segunda mão". Na falta dela, acrescento aos exemplos anteriores o caso de Pam Reynoldsque a equipe médica precisou "matar" para remover um aneurisma na base do cérebro, em 1991, e depois "trazer de volta à vida", porque essa era a única maneira de fazer a cirurgia. 

Esse caso é particularmente emblemático porque a "morte" da cantora americana foi induzida e monitorada de perto pela do início ao fim. A temperatura corporal foi reduzida para 10 °C, os pulmões pararam de funcionar, o coração deixou de bater, o sangue parou de circular e os aparelhos não registravam qualquer atividade cerebral. 

Apesar disso, Pam relatou que viu o próprio corpo e a sala de cirurgia, que seus sentidos estavam mais aguçados, que enxergava tudo com clareza e que ouvia nitidamente as conversas de médicos e enfermeiras (embora seus olhos permaneceram cobertos com fita adesiva e seus ouvidos, tampados com protetores auriculares). 

Pam contou ainda que foi conduzida por uma "força invisível" até um grande ponto de luz e recebida afetuosamente por familiares já mortos — entre os quais um tio muito querido. A experiência foi tão agradável que ela não queria mais ir embora. Para que voltasse a viver — e pudesse contar a história —, foi preciso que o tio "empurrasse" seu espírito de volta ao corpo. 

Todos os integrantes da equipe médica reconheceram a morte clínica da paciente, que também foi comprovada pelos dados coletados durante a cirurgia. As conversas relatadas foram compatíveis com o que realmente foi falado durante a operação, e os instrumentos usados para abrir o crânio da paciente foram descritos pela paciente com minúcia e exatidão. 

Mesmo não havendo como comprovar o encontro com o tio falecido, tudo indica que ela visitou a "terra dos pés juntos", e o fato de sua consciência permanecer ativa enquanto o corpo estava morto é uma evidência (ainda que não uma prova cabal) da existência de vida após a morte.
 
Em 1871, um queda levou o geólogo suíço Albert Heim a uma EQM. Trazido de volta à vida, ele relatou uma grande expansão de sentidos, como se ouvisse e enxergasse muito melhor. Disse que sentiu o tempo "passar mais devagar" e uma "profunda aceitação" da morte iminente. 

O episódio despertou a curiosidade de Heim, que coletou mais de 30 relatos semelhantes de colegas montanhistas e os publicou no estudo Notes on Death from Falls. Todos coincidiam com sua própria experiência, e alguns traziam novos elementos, como ver a vida passar rapidamente diante dos olhos e ouvir músicas tocando no vazio.

Nos anos 2000, um levantamento semelhante, conduzido pelo cardiologista Pim van Lommel, revelou que a maioria dos 344 sobreviventes de perdas cardiorrespiratórias entrevistados teve consciência de que havia morrido, vira o corpo de um ponto externo, túneis ou luzes e se encontrou parentes já falecidos. 

A pergunta que se coloca é: até que ponto uma pessoa que relata uma experiência como essa está "morta" de verdade? 

A resposta fica para o próximo capítulo. 

sábado, 23 de julho de 2022

O DESEMPREGADO QUE DEU CERTO (TERCEIRA PARTE)



Marisa Letícia Lula da Silva morreu no dia 3 de fevereiro de 2017, aos 66 anos, vítima de um aneurisma. Embora ela fosse hipertensa, sedentária e fumante, sua morte foi inesperada. Durante o velório, o viúvo proferiu um discurso emocionado, regado a lágrimas, e a imprensa concedeu ampla cobertura à desgraça que se abateu sobre o Clã Lula da SilvaNas redes sociais, mensagens de solidariedade, pêsames e congêneres dividiram espaço com posts publicados por gente que não morria de amores por Lula, pelo PT e pela própria ex-primeira dama. Alguns resvalaram do mau gosto para o grotesco, o que é indesculpável, mas, ainda assim, compreensível.


Militantes de esquerda em geral e puxa-sacos em particular relembraram a infância pobre da falecida, que estudou somente até a 7ª série, começou a trabalhar aos 9 anos, enviuvou do primeiro marido aos 20, liderou a marcha pela libertação do segundo, costurou a primeira bandeira do PT, apoiou o chefão da ORCRIM nas campanhas; enfim, pintaram-na como uma Amélia melhorada, com a inteligência de Marie Curie, a abnegação de Madre Teresa, a têmpera de Margaret Thatcher e a fleuma de Hillary Clinton (no episódio Monica Lewinsky).

Curiosamente, ninguém mencionou que a finada deixou patente a notória incapacidade petista de separar o público do privado ao mandar plantar, no gramado do Alvorada, um canteiro de flores vermelhas no formato da estrela símbolo do partido. Tampouco foi lembrado que ela ― muito convenientemente ― teria “fechado os olhos” (aqui metaforicamente) para o affair do marido com Rosemary Noronha (entendeu agora o que eu quis dizer com a “fleuma de Hillary”?).

 

Rose, como a “segunda-dama” era chamada informalmente, foi apresentada a Lula pelo guerrilheiro de araque José Dirceu. O “caso” teve início na década de 90, mas só veio a público em 2012, quando a PF deflagrou a Operação Porto Seguro. Nesse meio tempo, a moçoila acompanhou “O Chefe” ― ou “Deus”, como ela costumava se referir a ele ― em pelo menos 32 viagens oficiais. Seu nome não constava do manifesto de voo e ela não compartilhava com Lula a mesma suíte, mas ficava nos melhores hotéis, comia do bom e do melhor em restaurantes estrelados e, segundo Leo Pinheiro, recebia R$ 50 mil por mês da OAS (também a pedido do petista, o empreiteiro teria incluído o marido de Rose na folha de pagamento da empresa).

 

Quando a história ganhou notoriedade, o repórter Thiago Herdy e o jornal O Globo entraram na Justiça com um pedido de quebra do sigilo dos gastos da dita-cuja no cartão corporativo da Presidência, mas o STJ empurrou a coisa com a barriga. Em 2014, quando o movimento “Volta, Lula” ganhou corpo, Dilma ― que prometeu “fez o diabo” para se reeleger ― ameaçou divulgar as despesas da concubina real, forçando o petralha a recuar.

 

Segundo o jornalista Cláudio Humberto, editor do blog Diário do Poder, os gastos com cartões corporativos no período de 2003 a 2015 somaram R$ 615 milhões (mais de R$ 51 milhões por ano), ao passo que no último ano do governo FHC a conta foi de “apenas” R$ 3 milhões. A farra foi tamanha que um alto funcionário do Ministério das Comunicações chegou a pagar duas mesas de sinuca com o cartão corporativo — que também foi usado por seguranças da “primeira-família” para pagar equipamentos de musculação e materiais de construção para Lurian, filha de Lula


Em setembro de 2013, o jornalista Augusto Nunes publicou em sua coluna: "Neste sábado, Lula completará 288 dias de silêncio sobre o escândalo que protagonizou ao lado de Rosemary Noronha. Ele parece ainda acreditar que o Brasil acabará esquecendo as bandalheiras que reduziram a esconderijo de quadrilheiros o escritório da Presidência da República em São Paulo. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, a edição de VEJA tratará de reiterar que a memória da imprensa independente não é tão leviana. As revelações contidas nas quatro páginas tornarão mais encorpada e mais cinzenta a pilha de perguntas em busca de resposta. Por exemplo: quem está bancando os honorários do oneroso exército de advogados incumbido de livrar de punições judiciais a vigarista de estimação do ex-presidente? Num depoimento à Polícia Federal, Rose não conseguiu explicar como comprou o muito que tem com o pouco que ganha. De onde vem o dinheiro consumido pela tropa de bacharéis que cobram em dólares americanos? Lula sabe”. Segue um excerto da matéria: A discrição nunca foi uma característica da personalidade de Rosemary Noronha. Quando servia ao ex-presidente em Brasília, ela era temida. Em nome da intimidade com o “chefe”, fazia valer suas vontades mesmo que isso significasse afrontar superiores ou humilhar subordinados. Nos eventos palacianos, a assessora dos cabelos vermelhos e dos vestidos e óculos sempre exuberantes colecionou tantos inimigos — a primeira-da­ma não a suportava — que acabou sendo transferida para São Paulo. Mas caiu para cima. Encarregada de comandar o gabinete de Lula de 2009 a 2012, Rose viveu dias de soberana e reinou até ser apanhada pela Polícia Federal ajudando uma quadrilha que vendia facilidades no governo. Ela usava a intimidade que tinha com Lula para abrir as portas de gabinetes restritos na Esplanada. Em troca, recebia pequenos agrados, inclusive em dinheiro. Foi demitida, banida do serviço público e indiciada por crimes de formação de quadrilha e corrupção. Um ano e meio após esse turbilhão de desgraças, no entanto, a fase ruim parece ter ficado no passado. Para que isso acontecesse, porém, Rosemary chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo."

 

No discurso emocionado que proferiu no velório da esposa, Lula disse que ele dona Marisa foram foram vítimas de injustiça, que a mulher morreu "triste com a maldade que fizeram com ela" e que ele espera que "os facínoras que fizeram isso um dia peçam desculpas". Confira um trecho do comício:

 

Se alguém tem medo de ser preso, este que está aqui, enterrando sua mulher hoje, não tem. Não tenho que provar que sou inocente. Eles que precisam dizer que as mentiras que estão contando são verdadeiras. Marisa foi mãe, foi pai, foi tia, foi tudo; eu e ela nunca brigamos. Marisa nunca pediu um vestido, um anel. Eu vou continuar agradecendo à Marisa até o dia que eu não puder mais agradecer, o dia em que eu morrer. Espero encontrar com ela, com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela, vermelho, para mostrar que a gente não tinha medo de vermelho quando era vivo, e não tinha medo de vermelho quando morre”.

 

Neste vídeo, a jornalista e hoje deputada federal Joice Hasselmann resumiu em 6 minutos, de maneira irreprochável, o que pensava da desfaçatez do viúvo que transformou esquife em palanque e foi aplaudido pelos micos amestrados de costume — conquanto muita gente tenha lido nas entrelinhas a monstruosidade moral de um safardana nauseabundo, capaz de usar a morte da mulher para fazer proselitismo político.

 

Continua...