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domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE DEMANDAM ATENÇÃO — CONTINUAÇÃO

PODEMOS ESCOLHER O QUE PLANTAR, MAS SOMOS OBRIGADOS A COLHER O QUE PLANTAMOS.

Fiquei devendo uma explicação sobre o motivo de abordar este tema, que claramente foge ao "trivial variado" do blog. Vamos a ela — como diz o ditando, antes tarde do que nunca.


Os brasileiros falam mal e escrevem ainda pior. Isso se deve não só à péssima qualidade do ensino público (que já viu dias melhores) como também ao fato de os estudantes não cultivarem o saudável hábito da leitura, além de rabiscarem garranchos nas redes sociais numa linguagem espúria e repleta de abreviações. 


Não bastassem os indefectíveis erros de digitação, derrapadas na concordância verbal, nominal e de gênero são tão recorrentes quanto trocas de "s" por "z" (deslise), "ç" por "ss" (passoca), "ch" por "x" (xuxu), "g" por "j" (viajem), acréscimos e supressões indevidas — abisurdo, prostação —, vícios de linguagem — pra mim fazer — e pleonasmos viciosos — subir pra cima, entrar pra dentro —, entre outros.

 

Não seria de esperar que um aluno do ensino médio a tivesse a familiaridade de um Drummond ou um Vinicius com a inculta e bela Flor do Lácio, mas 30% de analfabetos funcionais entre a população de 15 a 64 anos e 12% entre os que completaram o ensino superior é o fim da picada. Por outro lado, se apedeutas e desletrados são mais fáceis de manipular, por que os governantes populistas investiriam na alfabetização básica da população? 


Manter o rebanho ignorante é sopa no mel para quem se alimenta da ignorância, se reelege distribuindo esmolas e governa com promessas vazias, slogans publicitários e programas que amarram em vez de emancipar. Afinal, povo instruído lê, desconfia, questiona, não se contenta com pão velho e circo medíocre, nem tampouco troca o voto por um saco de cimento, um vale-gás ou uma selfie com seu bandido de estimação. 


Infelizmente, o povinho de merda que o Criador escalou para povoar este arremedo de republiqueta de bananas repete a cada dois anos o erro que Pandora cometeu uma única vez, daí tantos políticos incompetentes, corruptos, que lucram com a miséria alheia travestindo assistencialismo de justiça social. Mas isso é outra história.

 

O que me levou a publicar esta trilogia sobre "dicas de português" aqui no Blog foi o uso recorrente de uma construção sintática que consiste em deslocar o sujeito para o início da frase, de maneira destacada, seguido de um pronome que o retoma — por exemplo: Mamãe, ela ficou de passar aqui mais tarde; meu avô, ele está velho demais para sair de casaDiferentemente do abjeto gerundismo, essa "deslocação topicalizante" não constitui erro gramatical. E não é exatamente uma novidade, já que aparece na literatura brasileira do século XIX e é comum no francês (mon père, il est malade) e no inglês (my dog, he is always barking), embora seja evitada no português europeu. 


Dito isso, voltemos às as dicas do ponto onde paramos no post de segunda-feira, mas não sem, antes, dedicar algumas linhas à abjeta política tupiniquim:


"Ninguém embarca em um navio se sabe que vai naufragar", lecionou Arthur Lira, hoje ex-imperador da Câmara, ensinando a Lula que não se deve confundir apoio congressual com apoio eleitoral. Sucessor e pupilo de Lira, o deputado Hugo Motta perorou: "Capitão que vê barco ir em direção ao iceberg e não avisa não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria de IOF teria muita dificuldade de ser aprovada no Parlamento". De quebra, criticou o discurso palaciano de que o objetivo é promover a justiça tributária.

Motta realmente avisou que o IOF não passaria, mas acenou com um prazo para o governo colocar uma alternativa sobre a mesa — que iria até a volta do recesso parlamentar. Dias depois, pôs Lula em rota de colisão com o iceberg ao pautar o decreto do IOF, que foi derrubado na Câmara e, duas horas depois, no Senado, em votação simbólica.

O Centrão está tratando o governo como um Titanic e se comportando como um navio que abandona os ratos, como se não houvesse representantes dos seus próprios partidos na Esplanada dos Ministérios. Lula, por seu turno, cutuca a onça com vara curta ao recorrer ao STF  e adotar o discurso dos "ricos contra os pobres", apresentando-se mentirosamente como defensor dos depauperados e reforçando a imagem (verdadeira) de que o Congresso cede ao lobby dos poderosos. 

Ambos parecem ignorar o enorme buraco nas contas públicas, que, se não for tapado — e tudo indica que não será —, produzirá um formidável apagão orçamentário em nome da disputa eleitoral e política. 


Coadunar-se — Verbo pronominal (essa decisão não se coaduna com a Constituição).

 

Cólera — Use como substantivo feminino em todas as acepções.

 

Comparecer — No sentido de apresentar-se em determinado lugar pessoalmente, pode ser transitivo indireto ou intransitivo (compareceu ao encontro na hora marcada; mesmo estando atarefado, não deixa de comparecer).

 

Comunicar — A regência culta é comunicar algo a alguém (o professor comunicou sua decisão aos alunos).

 

Congratular — Com o sentido de felicitar, é transitivo direto, não se conjuga de forma reflexiva nem exige qualquer preposição (congratulo Vossa Excelência pela sábia decisão). 

 

Componente — Como substantivo, pode ser usado nos dois gêneros (assim como agravante, atenuante, acompanhante, personagem, etc.)

 

Cônjuge — É substantivo masculino, ou seja, não existe a cônjuge.

 

Consistir — A regência tradicional é com a preposição em (a cirurgia consistirá numa incisão feita no tórax; o desafio consiste em identificar o problema a tempo de resolvê-lo).

 

Constar de / constar em — A regência tradicional é constar em, embora constar de também seja admissível.

 

Cumpre ressaltar / cumpre assinalar — Expressões que, a exemplo de vale assinalar, convém notar devem ser evitadas, pois nada acrescentam ao sentido do texto.

 

Dado / visto / haja vista — Os particípios dado e visto têm valor passivo e concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem (dados o interesse e o esforço demonstrados; dadas as circunstâncias; vistas as provas apresentadas). Já a expressão haja vista, com o sentido de uma vez que, é invariável: O carro vale o preço pedido, haja vista sua excelente conservação.

 

Décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro, etc. — Sem hífen.

 

Declinar — Transitivo direto ou indireto no sentido de recusar, refutar, rejeitar (declinou o convite ou declinou do convite).

 

Demais / de mais — Em uma só palavra, significa excessivamente; acompanhado de artigo — os demais — equivale a os outros, os restantes; escrito separado, contrapõem-se a de menos; e a expressão nada de mais é usada como sinônimo de inabitual.

 

Dentre — Usa-se apenas quando a frase exige a preposição de, ou seja, quando tem o sentido de do meio de (retirei um livro dentre muitos na estante). Nos demais casos, use-se simplesmente entre (apenas um entre nós sobreviverá).

 

Deparar — No sentido mais usual — de encontrar de maneira inesperada —, pode ser pronominal ou não (deparou com a mulher no saguão do hotel ou deparou-se com a mulher no saguão do hotel).


Dequeísmo — É o uso inadequado da expressão de que quando a proposição não é exigida pela regência do verbo, substantivo ou adjetivo. Trata-se de um vício de linguagem bastante comum, mas que deve ser evitado principalmente na escrita formal. Exemplos: acredito de que ele está certo (o correto é que ele está certo); desconfio de que ele está mentindo (prefira que ele está mentindo). Convém também evitar o que em expressões como no sentido de, a fim de, com o fito de, com a finalidade de, etc.

 

Desagradar — É transitivo direto ou transitivo indireto no sentido de causar reação desfavorável,  regendo a preposição a (o prato desagradou os comensais; a chuva desagradou aos banhistas).

 

Desobedecer — A regência tradicional exige a preposição a, ou seja, desobedecer a alguém ou a alguma coisa.

 

Despercebido — Passar sem ser notado é passar despercebido (e não desapercebido, que significa despreparado, desprovido).

 

Devido a — Sempre com a preposição a.

 

Dia a dia — Sem hífen.

 

Doutor — O Manual de Redação da Presidência da República restringe essa forma de tratamento a pessoas que tenham concluído curso de doutorado. Nos demais casos, senhor confere a desejada formalidade às comunicações.

 

Dupla negativa — Ao contrário do que ocorre em inglês, a dupla negação é aceitável em português: não encontrou ninguém, não deixou nada fora do lugar, etc.

 

Em detrimento — Exige a preposição de (em detrimento das negociações, e não em detrimento às negociações).

 

Em face de — Quando equivale a diante de, use a preposição de (evite dizer face a ou frente a).

 

Eminente – Significa importante; não confundir com iminente, que significa algo que deve acontecer em breve.

 

Em mão / em mãos — Os dicionários registram ambas as formas como sinônimas; portanto, pode-se entregar algo em mão ou em mãos.


Etc. — Embora a expressão já inclua a conjunção e (et coetera), o uso ou não da vírgula antes dela é uma questão de preferência ou estilo de escrita, não havendo uma regra rígida que determine sua obrigatoriedade.


Continua... 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 24ª PARTE

A GRANDE DIFERENÇA ENTRE A GENIALIDADE E A ESTUPIDEZ É QUE A GENIALIDADE TEM LIMITES.

Para aceitar novas hipóteses sobre a natureza da realidade, precisamos abandonar a visão de que tudo gira em torno de nós. 

Multiverso de Nível 4 propõe que os multiversos de níveis anteriores integrem uma única estrutura matemática infinita, com pelo menos quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), geometrias distintas e leis físicas completamente diferentes das que conhecemos. Já a Teoria dos Multiversos nos desloca de qualquer posição central ou privilegiada, deixando claro que nosso universo — e nós mesmos — não somos especiais.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O Gênesis não conta, mas, ao ser acusado de favorecer a porção de terra que se tornaria o Brasil, Deus respondeu: “Esperem para ver o povinho de merda que eu vou colocar ali.” Essa passagem pouco conhecida fornece pistas valiosas para quem se pergunta se este país tem jeito. Afinal, esperar o quê de um eleitorado que repete a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade? Um povo despreparado até para votar em assembleia de condomínio tende a ser ludibriado por qualquer demagogo — e o demagogo que mente melhor vence as eleições.
Em momentos distintos da ditadura militar, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o risco de misturar brasileiros e urnas em pleitos presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas como contestá-los, se lutamos tanto por eleições diretas e elegemos Collor, Lula, Dilma e Bolsonaro?
Todo mundo mente, mas o problema é quando o mentiroso acredita nas próprias mentiras. Confrontado com o mensalão e, mais adiante, com o petrolão, Lula disse que “não sabia de nada”. E um presidente que não sabe o que está acontecendo bem debaixo de suas barbas ou é conivente, ou é incompetente.
Em 2022, a cinco dias do segundo turno, Lula prometeu que, se eleito, seria presidente de um mandato só. Mal se aboletou no trono e já deixou claro que pretende disputar a reeleição.
No final do ano passado, com a popularidade em queda e uma hemorragia cerebral, ventilou que dependeria do cenário político e de sua saúde. Passado o susto, prometeu cumprir as promessas que não honrou — e passou a fazer novas, mirando um horizonte que vai muito além do fim do seu mandato. Em fevereiro, produziu a seguinte pérola: “Quando terminar o meu mandato, vocês vão dizer: ‘Lulinha, Lulinha, fica, porque nós precisamos de um presidente que goste de nós’”, disse.
Em abril, o petista capitaneou o evento “O Brasil dando a volta por cima”, orquestrado pelo marqueteiro Sidônio Palmeira para vender a ideia de que, nos primeiros dois anos, foi preciso reconstruir o que Bolsonaro destruiu. Prometeu que, até 2030 (não por acaso o último ano de um eventual quarto mandato), todas as crianças brasileiras estarão alfabetizadas até o segundo ano. Discursando na inauguração de um campus da Universidade Federal Fluminense, disse que “precisou um torneiro mecânico sem diploma universitário governar este país para ser o presidente que mais fez universidades na história”.
Visando conquistar a simpatia da classe média, o mandatário de meio-expediente mascateia medidas populistas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a ampliação da faixa de renda do “Minha Casa, Minha Dívida”, além de assumir a paternidade de programas eleitoreiros como o Bolsa Família, Mais Médicos e Samu. Age como candidato, não como presidente. Usa dinheiro público para tentar se reeleger. Nos últimos meses, esteve quatro vezes em Minas Gerais e viajou para São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pará — todos estados entre os dez maiores colégios eleitorais do país.
Internamente, os líderes de esquerda não trabalham com outra opção que não seja Lula. Mesmo no PT, onde várias correntes se digladiam pelo comando do partido em julho, o candidato é Lula. Mas querer nem sempre é poder — sobretudo quando o que se quer é o poder. 
Nas pesquisas para o segundo turno, ele aparece atrás de Bolsonaro, da ex-primeira-dama e do governador bolsonarista de São Paulo, além de ostentar a maior rejeição: 51,9% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, e 57,4% desaprovam seu governo.
Lula deve anunciar oficialmente o que todo mundo já sabe em julho, logo após a eleição interna do PT. Até lá, terá de pegar em lanças para mudar o humor do eleitorado. E de nada adianta citar o PIB e outros dados macroeconômicos quando a alta no preço dos alimentos leva o povo à inevitável conclusão de que o país piorou.

Dentro da comunidade científica, alguns defendem que um extraordinário equilíbrio cósmico levou o Big Bang a produzir um universo ajustado às condições necessárias para nossa existência, enquanto outros sustentam que existem inúmeros universos físicos e que nós habitamos aquele cujas leis permitiram o surgimento da vida. Muitos argumentam que não há como comprovar a existência de um número infinito de universos-bolha, já que, por definição, eles seriam independentes do nosso. No entanto, detectá-los talvez seja apenas uma questão de tempo; afinal, a ciência já derrubou inúmeras barreiras antes, e não há razão para acreditarmos que essa seja intransponível.

Algumas teorias encontram maior aceitação, mas, como bem disse Carl Sagan sobre a busca por vida extraterrestre, "ausência de evidência não é evidência de ausência". Muito do que era ficção há um ou dois séculos se tornou realidade, e o mesmo pode acontecer com ideias que hoje nos parecem especulativas. A história da ciência está repleta de exemplos de pioneiros ridicularizados em sua época, como Nicolau Copérnico, que desafiou o geocentrismo, Joseph Lister, que revolucionou a medicina com a desinfecção, e Alfred Wegener, que propôs a teoria da deriva continental. 
Todos foram desacreditados até que o tempo provasse que estavam certos.

Estudos sobre a mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos ao nosso podem existir no mesmo espaço-tempo, e que, à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo paralelo. Outra teoria sobre multiversos sustenta que nosso universo é uma bolha, e que existem inúmeros universos-bolha semelhantes, imersos em um mar energizado e em eterna expansão.

Nenhuma dessas teorias conseguiu prever com precisão em que tipo de universo estamos inseridos, mas todas elas sugerem que devemos manter a mente aberta.

Continua...