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segunda-feira, 3 de março de 2025

COMO ORGANIZAR ÍCONES DE APPS

FAZER O MELHOR NEM SEMPRE É SUFICIENTE; ÀS VEZES É PRECISO FAZER O QUE É PRECISO.

Toda bagunça tem uma ordem que lhe convém, mas organizar os aplicativos de acordo com a categoria facilita o uso do celular. Até porque cada usuário possui, em média, 80 aplicativos instalados, mas usa menos de dez no dia a dia. 

Criar essas pastas é simples, e agrupar Instagram, Facebook e Xwitter numa pasta e reunir calculadora, gravador de voz, bloco de notas e cronometro em outra, por exemplo, não só libera espaço na tela como facilita a localização dos aplicativos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O caminho para o inferno brasileiro começou a ser pavimentado depois que Deus transformou o Caos em ordem, criou o dia e a noite, separou as terras das águas, criou as plantas, as aves, os peixes e então cometeu a maior de todas as burradas. Mais adiante, acusado de protecionismo por conta do tratamento dispensado à porção global que se tornaria o Brasil, o Criador sentenciou: "Vocês vão ver o povinho de merda que eu vou colocar lá". Dito e feito. 
Desde a redemocratização — com exceção de 1994 e 1998 —, o tal povinho de merda tem elegido governos demagogos e populistas em troca de promessas vazias que minaram a igualdade de oportunidades e arruinaram a meritocracia. Os resultados dessas escolhas são a existência de um Estado ineficiente, caro e disfuncional, a predominância do capitalismo de Estado e a participação insignificante desta banânia no comércio mundial. 
Enquanto Lula 3 se equipa para deixar um rombo fiscal monstruoso, taxa de juros nas alturas, inflação alta e o Imposto sobre Valor Agregado mais alto do mundo, esse esclarecidíssimo eleitorado assiste bovinamente ao jogo entre Lula x Bolsonaro, torcendo, quando muito, para que um salvador da Pátria entre em campo em 2026.
A missão da geração passada foi restaurar a democracia, e a da atual é garantir que o Brasil volte a crescer de maneira sustentável. Mas isso só acontecerá se a récua de muares não deixar a política nas mãos de governos populistas, que esgrimem as "virtudes" do nacional-estatismo, tratam a economia de mercado como um mal necessário e sabotam a competitividade econômica. 
Crescimento econômico sustentável não traz votos no curto prazo, mas ajuda a recuperar a esperança no Brasil e deixar um país melhor para as próximas gerações.


No Android, tocar nos três pontinhos à direita de Pesquisar apps e em Criar pasta permite escolher o nome da pasta antes de selecionar os apps que ficarão dentro dela, mas também é possível fazer como no iOS, ou seja, arrastar o ícone de um app em direção a outro para que uma pastinha contendo os dois ícones seja criada (se quiser, pouse o dedo sobre a pasta, toque em Editar e dê a ela um nome que faça sentido para você).

Por ser um sistema de código aberto, o Android é mais "personalizável" que o iOS. Se você pousar o dedo num ponto vazio da tela, poderá escolher temas, mudar a aparência de ícones, criar widgets para os apps na tela inicial, personalizar a tela de bloqueio e por aí afora. Outra diferença entre os dois sistemas é a possiblidade de acessar as configurações e habilitar a opção Instalar apps desconhecidos para instalar apps fora da Google Play Store — mas tome muito cuidado com APKs modificados, pois eles potencializam o risco de infecção por malware

O Android facilita o gerenciamento de arquivos — basta conectar o celular a qualquer PC para enviar ou trocar mídias, fotos, vídeos e até pastas inteiras, ao passo que quem usa o iPhone que não tem um Mac precisa instalar o iTunes no Windows — e o uso simultâneo de dois aplicativos — abra um app qualquer, toque nos três traços, selecione o app que ocupará a parte superior da tela e toque no ícone do outro programa, que será aberto na parte inferior. 

Já o Modo Convidado permite compartilhar o celular com outras pessoas mantendo mensagens, arquivos de mídia, contatos, apps financeiros e dados sensíveis fora do alcance delas. Para habilitá-lo, toque em Configurações > Sistema > Vários usuários > Convidado > Mudar para convidado e crie o novo perfil, que dará acesso apenas aos apps pré-instalados de fábrica.

Observação: Os fabricantes de celulares recebem do Google o sistema puro (AOSP) e criam interfaces de usuário personalizadas, com recursos e funções que variam conforme a marca e o modelo do aparelho. Se alguns recursos são estiverem disponíveis, é porque o fabricante do aparelho não o disponibilizou — caso do Modo Convidado, que a Samsung, que só oferece esse recurso nos tablets Galaxy. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

PROCURAM-SE OS CULPADOS


Golpes de Estado pressupõem lideranças, mas ninguém se responsabilizou pela versão tabajara da invasão do Capitólio, mediocremente executada por um bando de fanáticos estimulados por Jair Messias Bolsonaro, e que só malogrou porque não teve o apoio incondicional dos militares, das PMs e da PF.
 
Bloqueios em rodovias e acampamentos montados defronte a quarteis do Exército eram sinais evidentes de que a merda estava prestes a bater no ventilador, mas foram ignorados ou relativizados. Lula disse que houve uma tentativa de golpe de Estado", que os invasores foram orientados por Bolsonaro (que sabia de tudo e, por isso, continua escondido na cueca do Pateta), que "alguém de dentro do palácio" abriu as portas para os vândalos, que o serviço de inteligência do governo "não existiu"... e que é contra a instalação de CPI para apurar o episódio.
 
A presidência caiu no colo de Bolsonaro porque vivemos num arremedo de projeto de banânia, onde o "nós contra eles", semeado pelo lulopetismo corrupto há quase meio século, produziu o bolsonarismo boçal. No entanto, a emenda feita para evitar a volta do ladrão à cena do crime (palavras do vice Geraldo Alckmin, a quem falta vergonha na cara, mas sobra conhecimento de causa) saiu pior que o soneto. E quem entrega a chave do galinheiro às raposa abdica do direito de reclamar do sumiço das galinhas.
 
Isso explica por que um ex-presidente corrupto foi descondenado, teve a ficha imunda lavada e foi reinserido no tabuleiro da sucessão presidencial, mas o fato de um sacripanta desprezível ser venerado por milhões de fanáticos — não que os sectários do demiurgo de Garanhuns sejam gente melhor, mas isso é outra conversa — continua sendo um mistério. 
 
Milhões de pessoas supostamente esclarecidas parecem não entender que um ataque ao Estado de Direito foi desfechado no último dia 8, a despeito de a barbárie ter sido transmitia ao vivo e em cores pela televisão. No entanto, boa parte do povinho de merda que o Criador colocou neste país de merda se declara negro para roubar o lugar de alguém num concurso; que, ao votar, faz invariavelmente as piores escolhas; que dá ouvidos a imbecis que desacreditam as vacinas; que cobre o focinho com a bandeira nacional e depreda o patrimônio público a golpes de picareta, e por aí segue a procissão. Para essa gentalha, até a realidade é relativa.
 
Devido a suas declarações golpistas (que Arthur Lira e Augusto Aras ignoraram solenemente), Bolsonaro encabeça a lista dos responsáveis pelos ataques do dia 8. Lideranças do PL defendem seu retorno ao Brasil, por considerarem que a demonstração de apoio popular — 58 milhões de votos — seria sua melhor defesa, mas o sociopata genocida deve continuar escondido na cueca do Pateta. 
 
Pensando bem, dizer que vivemos em um país de merda é elogio.

sábado, 9 de outubro de 2021

NÃO PODE DAR CERTO

 

"Tem de dar certo" é conselho de mãe de miss. Mas a expressão "dar certo" é usada também com a acepção de "produzir bons resultados". E foi com esse sentido em mente que eu intitulei esta sequência sobre o país do futuro que nunca chega porque tem um longo passado pela frente.

Tudo começou milhões de anos antes de Cabral — falo do navegante português, não do ex-governador carioca que por algum motivo continua preso (o fato de ter sido condenado a 400 anos de prisão não é motivo para mofar na cadeia; não no Brasil). 

Depois de transformar o Caos em ordem, criar o dia e a noite, separar as terras das águas, criar as plantas, as aves, os peixes, o Criador fez no sexto dia a maior de todas as burradas: “Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão”, disse o Senhor das Esferas. E ao ver que "tudo era bom (?!)", Ele abençoou e santificou o sétimo dia e nele descansou. 

Comenta-se que, ao ser acusado de protecionismo devido ao tratamento dispensado à porção global que se tornaria o Brasil, Deus respostou: "vocês vão ver o povinho de merda que eu vou colocar lá". A meu ver, isso resume de maneira lapidar a história da nossa republiqueta de bananas. Mas nunca é demais relembrar alguns aspectos insólitos dessa tragicomédia, a começar pela chegada da esquadra de Cabral ao litoral do que estava destinado a ser a costa da Bahia.

Registram os livros de História que, aos 22 dias do mês de abril do Anno Domini 1.500, depois de ter sido desviada de seu destino original (Calicute, nas Índias Ocidentais), não se sabe ao certo se por uma tempestade ou uma calmaria, a esquadra cabrália aportou na costa brasileira. Em epístola endereçada a D. Manuel, "O Venturoso", comunicando a "descoberta" de terra brasilis, o escriba Pero Vaz de Caminha anotou que "em se plantando tudo dá", e aproveitou o ensejo para rogar a sua majestade que intercedesse em favor do marido da filha, inaugurando a corrupção em solo tupiniquim, ainda que na forma de nepotismo.

O Brasil foi colônia portuguesa até o início do século XIX, quando a família real, ameaçada pelo Tratado de Fontainebleau, mudou-se de mala e cuia para o Rio de Janeiro, depois de uma breve escala em Salvador (BA). Em 1822, D. Pedro I proclamou a independência, e dali a 67 anos o marechal Deodoro da Fonseca pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista, apeou o monarca e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo, protagonizando o primeiro dos muitos golpes de Estado que se sucederiam a partir de então.

Ao longo da história republicana do Brasil, ao menos quatro presidentes renunciaram — Deodoro da Fonseca, em 1891; Getúlio Dornelles Vargas, em 1945; Jânio da Silva Quadros, em 1960; e Fernando Affonso Collor de Mello, em 1992. Dos cinco que foram eleitos pelo voto direto desde o fim da ditadura militar, Collor e Dilma foram expulsos de campo antes do final do jogo. 

O pseudo caçador de marajás foi alvo de 29 pedidos de impeachment — mas nunca foi chamado de genocidaItamarFHCLula e Temer foram agraciados com 4, 27, 37 e 33 pedidos de impeachment, respectivamente, mas concluíram seus mandatos sem jamais ser chamados de genocidas. Madame foi alvo de 68 pedidos — e acabou penabundada porque estava quebrando o país —, mas ninguém jamais a acusou de genocídio.

Desde que se tornou um\ República, o Brasil amargou 38 presidentes (o número varia de 35 a 44, dependendo de como é feita a contagem). De 1926 para cá houve 25 mandatários, mas somente quatro dos que foram eleitos pelo voto popular concluíram seus mandatos — Eurico Gaspar DutraJuscelino KubitschekLula Fernando Henrique. Seriam seis se Collor e Dilma não tivessem ingressado na seleta confraria dos depostos, onde já se encontravam Washington LuísJúlio PrestesGetúlio Vargas, Carlos Luz, João Goulart.

Fosse esta banânia um país que se desse ao respeito e o mandatário de turno já teria sido devidamente despejado e internado. Pedidos de impeachment não faltam: em fevereiro, quando o deputado-réu Arthur Lira assumiu a presidência da Câmara, havia 60 petições protocoladas em desfavor da permanência do motoqueiro fantasma no Palácio do Planalto. Atualmente, são cerca de 140 — e contando.

Continua...

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

É O CRIME DA MULA PRETA!

O Genesis não conta, mas, ao ser acusado de protecionismo em relação à porção de terra que viria a ser o Brasil, Deus disse: "Esperem até ver o povinho de merda que eu vou colocar aí"

Esse fato é pouco conhecido, mas demonstra que perde seu tempo quem espera discernimento de lulopetistas — vermelhos, cegos, desmemoriados, com a cabeça cheia de merda, que andam para trás e vivem nas costas do Brasil — e bolsonaristas — bando de imbecis travestidos de militantes e comandados por um imbecil travestido de presidente. 

E mais: num eleitorado em que a maioria dos 150 milhões de votantes não têm nenhum preparo para escolher nada, qualquer farsante bem treinado para mentir mais que os outros vence as eleições.  

A mentira nasceu com o homem, provavelmente quando Caim negou ter matado Abel. De lá para cá, todo mundo mente. Porém, quando alguém começa a mentir a si mesmo e a acreditar nas próprias mentiras, aí a vaca vai para o brejo. A mentira dominou a cena no Mensalão e no Petrolão. "Eu não sabia" foi a campeã das mentiras. A partir de Donald Trump — egresso do show business, onde ficção e realidade se misturam —, as mentiras foram institucionalizadas e rebatizadas de fake news. Mas até para mentir é preciso talento.

 

No debate da Band, o assunto "corrupção", essencial nesta campanha, surgiu, finalmente, aos olhos da população. Na “sabatina” da Globo, o apresentador agiu como assessor de imprensa (ou advogado criminal) de Lula. Em vez de perguntar sobre aquele que foi o maior surto de corrupção da história do Brasil, fez um manifesto a nação dizendo que "o senhor não deve nada à justiça". Até o entrevistado pareceu surpreso. 

 

No programa da Band, porém, Lula foi colocado diante da necessidade de falar sobre a incomparável roubalheira do seu governo — e deu-se muito mal. Sem a indulgência plenária que ganhou na "sabatina" global, o petista teve de responder sobre a desesperada, maciça e indiscutível corrupção na Petrobras, as delações premiadas, as provas materiais da ladroagem, o dinheiro roubado que foi devolvido, e por aí afora. Não explicou nada, é claro, pois é impossível explicar o que não tem explicação. Como faz sempre que não pode dizer nada em seu favor, o ex-presidiário fugiu do assunto. 

 

Perguntavam de corrupção, e Lula respondia dizendo que abriu "dezessete universidades". Falavam na delação do ex-ministro Palocci, e ele dizia que "acabou com a fome" no Brasil. A certa altura, disse que foi  "absolvido por todos os tribunais deste país e até pela ONU" — mais uma dessas mentiras com teor de 100% de pureza. 


Lula não foi absolvido de absolutamente nada. Foi apenas "descondenado", na decisão mais desvairada da história da justiça brasileira, por um ministro que foi advogado do MST, militou na campanha presidencial de Dilma e ganhou dela toga e cargo no Supremo.

 

Na "sabatina" da Globo, que durou 40 minutos, o presidente candidato à reeleição faltou com a verdade em pelo menos 20 oportunidades — média de uma mentira a cada dois minutos. No debate da Band, mesmo tendo falado por bem menos tempo que falou no JN, o "mito" se superou, emplacando 30 mentiras ao eleitorado.  

 

Lula quer atravessar essa campanha sem falar de corrupção; diz que o agronegócio é "fascista", que a classe média "gasta demais" e que vai trazer de volta o imposto sindical — mas de ladroagem, mesmo, nem um pio. O problema, pelo que mostrou o debate na Band, é que ele pode ficar em silêncio — mas os outros vão falar. Mentiras em que se percebe a falsidade não colam. Só mentiras sinceras convencem. Lula leva vantagem porque mente melhor, acredita em suas mentiras — chegando mesmo a se debulhar em lágrimas. Bolsonaro mente mal, embora convença seu gado. Mas não deve ser subestimado.

 

E o que fez a Justiça Eleitoral diante desse descalabro? Nada. Mas, no último dia 3, o TRE-PR apontou uma série de irregularidades supostamente cometidas pelo ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, que é candidato ao Senado pelo Paraná. 


O pedido partiu da coligação partidária que apoia o PT nas eleições deste ano. As legendas sustentaram que diversos materiais impressos da campanha violam a legislação eleitoral. Em seu despacho, a juíza anotou que, no Twitter, no Instagram e no site oficial da campanha, Moro "sequer menciona o nome dos suplentes, em absoluta inobservância à legislação eleitoral", e salientou a "evidente a desconformidade entre o tamanho da fonte do nome do candidato a senador relativamente a dos suplentes” (referindo-se aos banners publicados pelo candidato nas redes). 


ObservaçãoA assessoria de Moro negou a irregularidade e disse que a equipe jurídica do ex-juiz pedirá a reconsideração da decisão liminar. Em suas redes sociais, Moro afirmou que não se intimidará e que repudia "a tentativa grotesca de me difamar e de intimidar minha família".
 

A magistrada apontou ainda que a logomarca do candidato apresenta a palavra "MORO" em evidência e em tamanho "muito superior a 70% do nome dos suplentes, sendo imperiosa a remoção dos conteúdos que veiculam propaganda irregular, nas URLs indicadas no documento", bem como irregularidades no conteúdo dos programas veiculados no horário da propaganda eleitoral gratuita. Por outro lado, ela argumentou que a ordem de imediata suspensão da veiculação da propaganda "não se mostra passível de acolhimento, tanto pelo fato de que não se sabe o conteúdo que será veiculado, não cabendo às emissoras a realização do controle prévio, quanto pela possibilidade de regularização do material".

 

Ainda de acordo com o TRE-PR, o material passível de apreensão é "tão somente aquele indicado na presente decisão, arquivado em Secretaria e comprovadamente em desconformidade com a legislação". Se mantiver as propagandas em desconformidade com a Lei Eleitoral, Moro será obrigado a pagar uma multa diária de R$ 5 mil.

 

Triste Brasil.

terça-feira, 9 de julho de 2024

SOBRE A REVOLUÇÃO E OS ERROS DO PASSADO


REPETIR OS ERROS DO PASSADO ESPERANDO UM RESULTADO DIFERENTE É A MELHOR DEFINIÇÃO DE INSANIDADE QUE EU CONHEÇO.


O período oligárquico e a política do "café com leite" tiveram fim em 1930 — ano em que Julio Prestes foi eleito presidente e Getúlio Vargas deu um golpe de Estado. Enfraquecida, a elite paulista exigiu maior participação nas decisões da união. O ditador gaúcho negou e nomeou um interventor pernambucano para o estado de São Paulo. Isso acendeu o pavio da Revolução Constitucionalista de 1932, que hoje comemora o 92º aniversário. Como não receberam apoio das demais unidades federativas (noves fora Mato Grosso), os paulistas se renderam após três meses de conflito armado, mas nem tudo foi em vão: São Paulo ganhou um interventor paulista e civil e uma nova carta magna foi promulgada (e vigeu até 1937, quando o Estado Novo mudou as regras do jogo).

Observação: Vargas ascendeu ao poder em três ocasiões distintas, duas por golpe e uma pelo voto popular. Depois de apear Washington Luís e pôr fim à República Velha em 1930, o ditador gaúcho deu um autogolpe (1937), instaurou o Estado Novo e se manteve no poder até 1945, quando foi deposto por um golpe militar. Reconduzido à presidência pelo esclarecidíssimo eleitorado tupiniquim em 1951, o tiranete foi suicidado, digo, suicidou-se com um tiro no peito em 24 de agosto de 1954. Sua carta-testamento terminava com a seguinte frase: "Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História".

Dizem as más-línguas que brasileiro é igual a papel higiênico: quando não está no rolo, está na merda. Com efeito. O povinho de merda que o Criador escalou para esta banânia vive entre a cruz e a caldeirinha, ignora a primeira regra dos buracos, pula da frigideira para o fogo e deste, de volta para aquela. Em 2018, para evitar a vitória de uma marionete de presidiário, o sapientíssimo, guindou ao Planalto o misto de ex-militar e parlamentar medíocre que logo escancarou o viés ditatorial e as pretensões golpistas. 

Em 2022, livrar-se do dejeto da escória da humanidade era impositivo, mas reconduzir ao poder um ex-corrupto descondenado era opcional. E deu no que deu. Assim que tomou posse, Lula criou dezenas de novos ministérios para acomodar aliados de ocasião e nomeou antigos comparsas para as demais pastas. Do palanque, prometeu governar para todos, deixar o país nos trinques e pendurar as chuteiras; no trono, com ares de salvador da pátria, ameaçou concorrer à reeleição "para evitar que trogloditas voltem a governar o país". Se ainda caminhar entre os vivos em outubro de 2026, o macróbio petista estará com 81 anos — a mesma idade que Joe Biden tem hoje. Será que Lula nunca ouviu falar em Efeito Orloff?  
 
Escusado detalhar a sucessão de desditas do desgoverno em curso. Passados 18 meses da coroação, o reizinho segue atribuindo ao "infiltrado de Bolsonaro" a culpa por todas as mazelas que o acometeram desde as 10 pragas do Egito. Parece que não aprendeu nada em suas duas gestões anteriores nem nos 580 dias de férias compulsórias que gozou em Curitiba. "Dirige" o país com um olho no retrovisor e outro nas urnas, o que o torna é incapaz de ver o reflexo do verdadeiro culpado no espelho. 

A Selic a 10,5% a.a. é um problema, nas não uma novidade para Lula: sob sua indigesta sucessora, a taxa passou de 14% a.a. E o problema não é Campos Neto, mas o déficit público, o cenário internacional, a escalada inflacionária e, principalmente, a aversão do presidente ao corte de gastos. 

As contas do reino continuam na enfermaria, mas, indagado sobre o dólar, o sua majestade preferiu falar em "arroz e feijão", substituir as pauladas no chefe do BC pela renovação do compromisso retórico com a responsabilidade fiscal e autorizar Haddad a passar na lâmina R$ 25,9 bilhões do Orçamento de 2025. Isso não resolve o problema, mas ajuda a baixar a febre, até porque, até poucos dias atrás, sua alteza dizia não saber se seria mesmo necessário cortar despesas.
 
Contribuíram para o recuo tático os conselhos de economistas companheiros, que alertaram o reizinho para os efeitos inflacionários da alta do dólar na taxa de juros e, sobretudo, nos humores do eleitorado. Ficou entendido que sua popularidade em 2026 depende da prosperidade que o ministro da Fazenda for capaz de entregar, mas truques novos não ornam com burros velhos, e nosso xamã continua achando que o pescoço de Campos Neto é um ótimo degrau para chegar ao coração da maioria endividada. 

Observação: Eu não era fã de Haddad quando ele foi o poste de Lula na prefeitura de Sampa nem (muito menos) quando se sujeitou ao papel de boneco de ventríloquo do então presidiário mais famoso do Brasil. Minha opinião não mudou, mas reconheço seu empenho em convencer o chefe a não guerrear contra a razão.
 
Depois que "falcatruas" no leilão de arroz puseram a pique seu projeto de autopromoção, Lula tenciona se valer da regulamentação da reforma tributária para propor outra medida populista, qual seja a isenção de impostos sobre a "carne dos pobres". Isso pode até parecer lindo e justo partindo do candidato que prometeu a volta da picanha e da cervejinha do fim de semana, mas faltou explicar como fazer, na prática, para taxar picanha e filé e isentar "pé de frango" e "carne de pescoço".
 
Interromper os cortes na Selic foi uma decisão unânime do Copom. Nem mesmo os diretores indicados por Lula sucumbiram à pressão, já que guardam na memória a crise econômica que teve início quando Dilma forçou uma redução artificial dos juros. Repetir o erro teria um impacto negativo em suas reputações (presidentes da República vêm e vão, mas diretores do BC precisam zelar por suas carreiras). Começa agora o difícil teste de Gabriel Galípolo como futuro presidente da instituição, que terá de se equilibrar entre decisões técnicas, mercado desconfiado e um mandatário populista e intervencionista.
 
Falando em intervencionismo, Lula disse que o STF "não pode se meter em tudo". O cenário já era
nebuloso por ocasião do Gilmarpalooza — 12 empresas que participaram do evento em Lisboa tinham processos em andamento no Supremo. Apenas três ministros (Nunes Marques, Cármen Lúcia e Luiz Fux) declinaram do convite. Gilmar Mendes desdenhou do gasto de R$ 1,3 milhão com passagens, hospedagem e outros mimos a pelo menos 78 pessoas, entre servidores, políticos, seguranças, ministros de Estado e membros do Poder Judiciário. 

Observação: Segundo o portal UOL, algumas togas criticaram internamente o encontro. A mesma reação ocorreu nos anos anteriores, mas nunca foi tão forte quanto neste, e, segundo as pesquisas de opinião pública, metade dos brasileiros diz não confiar no Supremo e em seus ministros.
 
Torçamos para que a democracia que resistiu aos arroubos golpistas de Bolsonaro seja resiliente o bastante para sobreviver a Lula e ao ativismo da cúpula do Judiciário. Mas o que garante essa resistência não é a ação de uns poucos "iluminados", e sim a imprensa independente, as organizações não governamentais, as entidades formadas pelas empresas privadas e a vigilância constante da opinião pública — que barraram o desastroso leilão do arroz estatal e o projeto do Aborto na Câmara.

Triste Brasil.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

NUMA DISPUTA DE MENTIRAS, VENCE QUEM MENTE MELHOR


O Genesis não conta, mas Deus foi acusado de protecionismo em relação à porção de terra tempos depois se tornaria o Brasil. Em resposta, disse o Criador: “Esperem até ver o povinho de merda que eu vou colocar lá”. 

Esse fato é pouco conhecido, mas demonstra de maneira lapidar que é perda de tempo esperar discernimento de lulopetistas — vermelhos, cegos, desmemoriados, com a cabeça cheia de merda, que andam para trás e vivem nas costas do Brasil. Ou de bolsonaristas — um bando de imbecis travestidos de militantes e comandados por um imbecil travestido de presidente.

As duas fações se merecem. Se retroalimentam. São mais parecidas do que costumamos imaginar. A diferença é a "entidade" que cada qual venera. Em sua mentalidade tacanha, essa escumalha acha que políticos devem ser cultuados, quando na verdade devem ser cobrados e, como fraldas (e pelos mesmos motivos), trocados regularmente.

Saramago ensinou que a cegueira é uma questão pessoal entre as pessoas e os olhos com que elas nasceram, e que a cegueira mental produz credulidade desmedida. Mas nem a finada Velhinha de Taubaté acreditaria em Lula ou em Bolsonaro — quanto ao candidato da terceira via, ninguém acredita sequer na sua existência.

A mentira nasceu com o homem, provavelmente quando Caim negou ter matado Abel. De lá para cá, todo mundo mente. Porém, quando alguém começa a mentir a si mesmo e a acreditar nas próprias mentiras, aí a vaca vai para o brejo.

Durante o julgamento do Mensalão, diante do cinismo e das mentiras dos acusados, Nelson Motta escreveu uma crônica com o título de “Minto, logo existo”. Mas o que se mentiu de lá para cá superou em muito suas previsões mais pessimistas. A mentira dominou a cena no Petrolão e na Lava-Jato. “Eu não sabia” foi a campeã das mentiras.

A partir de Donald Trump — egresso do show business, onde ficção e realidade se misturam —, as mentiras foram institucionalizadas e rebatizadas de fake news. Ele teve a conta no Twitter suspensa, mas Elon Musk já prometeu devolver-lha. Antes de Trump, as mentiras públicas eram poucas. Nixon foi um ponto fora da curva: mentiu tanto num país de cultura protestante, onde faltar com a verdade é crime, que se viu obrigado a renunciar. Clinton foi impichado não por ter um caso com a estagiária, mas por mentir para o Congresso.

Mas até para mentir é preciso talento. Mentiras em que se percebe a falsidade não colam. Só mentiras sinceras convencem. Lula leva vantagem porque mente melhor, acredita em suas mentiras — chegando mesmo a se debulhar em lágrimas. Bolsonaro mente mal, embora convença seu gado. Mas não deve ser subestimado.

As pessoas só acreditam no que querem acreditar. Uma crônica de Luís Fernando Veríssimo deixa isso claro. E a reproduzo a seguir, ainda que ela nada tenha que ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação no Leste Europeu ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Confiram:

O sujeito estava voltando para casa como fazia todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos — idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas que a vida ainda pode surpreender com um bilhete de loteria premiado ou um pneu furado. Naquele dia, venceu o pneu. O homem encostou o carro no meio-fio e se preparou para a batalha contra o macaco, que provavelmente não funcionaria. Mas funcionou, e ele conseguiu trocar o pneu. Quando já estava fechando porta-malas, sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. No afã de apanhá-la, ele a chutou, e ela mergulhou num bueiro. Desolado, o homem limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e foi para casa pensando no que diria à mulher. Imaginou-se entrando em casa e respondendo às perguntas antes mesmo de a mulher as fazer.

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. A aliança desaparecendo no bueiro.

— Que coisa — diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível.

— Pois é. Eu...

— SEU CRETINO!

— Meu bem...

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história que só um imbecil engoliria.

— Mas meu bem...

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha! — E ela sairia de casa, com as crianças, sem sequer ouvir as explicações.

Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro, correu para o quarto e bateu a porta. Reapareceu dez minutos depois. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que, com bom-senso, eles a venceriam.

O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi terminar de fazer o jantar.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE DEMANDAM ATENÇÃO — CONTINUAÇÃO

PODEMOS ESCOLHER O QUE PLANTAR, MAS SOMOS OBRIGADOS A COLHER O QUE PLANTAMOS.

Fiquei devendo uma explicação sobre o motivo de abordar este tema, que claramente foge ao "trivial variado" do blog. Vamos a ela — como diz o ditando, antes tarde do que nunca.


Os brasileiros falam mal e escrevem ainda pior. Isso se deve não só à péssima qualidade do ensino público (que já viu dias melhores) como também ao fato de os estudantes não cultivarem o saudável hábito da leitura, além de rabiscarem garranchos nas redes sociais numa linguagem espúria e repleta de abreviações. 


Não bastassem os indefectíveis erros de digitação, derrapadas na concordância verbal, nominal e de gênero são tão recorrentes quanto trocas de "s" por "z" (deslise), "ç" por "ss" (passoca), "ch" por "x" (xuxu), "g" por "j" (viajem), acréscimos e supressões indevidas — abisurdo, prostação —, vícios de linguagem — pra mim fazer — e pleonasmos viciosos — subir pra cima, entrar pra dentro —, entre outros.

 

Não seria de esperar que um aluno do ensino médio a tivesse a familiaridade de um Drummond ou um Vinicius com a inculta e bela Flor do Lácio, mas 30% de analfabetos funcionais entre a população de 15 a 64 anos e 12% entre os que completaram o ensino superior é o fim da picada. Por outro lado, se apedeutas e desletrados são mais fáceis de manipular, por que os governantes populistas investiriam na alfabetização básica da população? 


Manter o rebanho ignorante é sopa no mel para quem se alimenta da ignorância, se reelege distribuindo esmolas e governa com promessas vazias, slogans publicitários e programas que amarram em vez de emancipar. Afinal, povo instruído lê, desconfia, questiona, não se contenta com pão velho e circo medíocre, nem tampouco troca o voto por um saco de cimento, um vale-gás ou uma selfie com seu bandido de estimação. 


Infelizmente, o povinho de merda que o Criador escalou para povoar este arremedo de republiqueta de bananas repete a cada dois anos o erro que Pandora cometeu uma única vez, daí tantos políticos incompetentes, corruptos, que lucram com a miséria alheia travestindo assistencialismo de justiça social. Mas isso é outra história.

 

O que me levou a publicar esta trilogia sobre "dicas de português" aqui no Blog foi o uso recorrente de uma construção sintática que consiste em deslocar o sujeito para o início da frase, de maneira destacada, seguido de um pronome que o retoma — por exemplo: Mamãe, ela ficou de passar aqui mais tarde; meu avô, ele está velho demais para sair de casaDiferentemente do abjeto gerundismo, essa "deslocação topicalizante" não constitui erro gramatical. E não é exatamente uma novidade, já que aparece na literatura brasileira do século XIX e é comum no francês (mon père, il est malade) e no inglês (my dog, he is always barking), embora seja evitada no português europeu. 


Dito isso, voltemos às as dicas do ponto onde paramos no post de segunda-feira, mas não sem, antes, dedicar algumas linhas à abjeta política tupiniquim:


"Ninguém embarca em um navio se sabe que vai naufragar", lecionou Arthur Lira, hoje ex-imperador da Câmara, ensinando a Lula que não se deve confundir apoio congressual com apoio eleitoral. Sucessor e pupilo de Lira, o deputado Hugo Motta perorou: "Capitão que vê barco ir em direção ao iceberg e não avisa não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria de IOF teria muita dificuldade de ser aprovada no Parlamento". De quebra, criticou o discurso palaciano de que o objetivo é promover a justiça tributária.

Motta realmente avisou que o IOF não passaria, mas acenou com um prazo para o governo colocar uma alternativa sobre a mesa — que iria até a volta do recesso parlamentar. Dias depois, pôs Lula em rota de colisão com o iceberg ao pautar o decreto do IOF, que foi derrubado na Câmara e, duas horas depois, no Senado, em votação simbólica.

O Centrão está tratando o governo como um Titanic e se comportando como um navio que abandona os ratos, como se não houvesse representantes dos seus próprios partidos na Esplanada dos Ministérios. Lula, por seu turno, cutuca a onça com vara curta ao recorrer ao STF  e adotar o discurso dos "ricos contra os pobres", apresentando-se mentirosamente como defensor dos depauperados e reforçando a imagem (verdadeira) de que o Congresso cede ao lobby dos poderosos. 

Ambos parecem ignorar o enorme buraco nas contas públicas, que, se não for tapado — e tudo indica que não será —, produzirá um formidável apagão orçamentário em nome da disputa eleitoral e política. 


Coadunar-se — Verbo pronominal (essa decisão não se coaduna com a Constituição).

 

Cólera — Use como substantivo feminino em todas as acepções.

 

Comparecer — No sentido de apresentar-se em determinado lugar pessoalmente, pode ser transitivo indireto ou intransitivo (compareceu ao encontro na hora marcada; mesmo estando atarefado, não deixa de comparecer).

 

Comunicar — A regência culta é comunicar algo a alguém (o professor comunicou sua decisão aos alunos).

 

Congratular — Com o sentido de felicitar, é transitivo direto, não se conjuga de forma reflexiva nem exige qualquer preposição (congratulo Vossa Excelência pela sábia decisão). 

 

Componente — Como substantivo, pode ser usado nos dois gêneros (assim como agravante, atenuante, acompanhante, personagem, etc.)

 

Cônjuge — É substantivo masculino, ou seja, não existe a cônjuge.

 

Consistir — A regência tradicional é com a preposição em (a cirurgia consistirá numa incisão feita no tórax; o desafio consiste em identificar o problema a tempo de resolvê-lo).

 

Constar de / constar em — A regência tradicional é constar em, embora constar de também seja admissível.

 

Cumpre ressaltar / cumpre assinalar — Expressões que, a exemplo de vale assinalar, convém notar devem ser evitadas, pois nada acrescentam ao sentido do texto.

 

Dado / visto / haja vista — Os particípios dado e visto têm valor passivo e concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem (dados o interesse e o esforço demonstrados; dadas as circunstâncias; vistas as provas apresentadas). Já a expressão haja vista, com o sentido de uma vez que, é invariável: O carro vale o preço pedido, haja vista sua excelente conservação.

 

Décimo primeiro, décimo segundo, décimo terceiro, etc. — Sem hífen.

 

Declinar — Transitivo direto ou indireto no sentido de recusar, refutar, rejeitar (declinou o convite ou declinou do convite).

 

Demais / de mais — Em uma só palavra, significa excessivamente; acompanhado de artigo — os demais — equivale a os outros, os restantes; escrito separado, contrapõem-se a de menos; e a expressão nada de mais é usada como sinônimo de inabitual.

 

Dentre — Usa-se apenas quando a frase exige a preposição de, ou seja, quando tem o sentido de do meio de (retirei um livro dentre muitos na estante). Nos demais casos, use-se simplesmente entre (apenas um entre nós sobreviverá).

 

Deparar — No sentido mais usual — de encontrar de maneira inesperada —, pode ser pronominal ou não (deparou com a mulher no saguão do hotel ou deparou-se com a mulher no saguão do hotel).


Dequeísmo — É o uso inadequado da expressão de que quando a proposição não é exigida pela regência do verbo, substantivo ou adjetivo. Trata-se de um vício de linguagem bastante comum, mas que deve ser evitado principalmente na escrita formal. Exemplos: acredito de que ele está certo (o correto é que ele está certo); desconfio de que ele está mentindo (prefira que ele está mentindo). Convém também evitar o que em expressões como no sentido de, a fim de, com o fito de, com a finalidade de, etc.

 

Desagradar — É transitivo direto ou transitivo indireto no sentido de causar reação desfavorável,  regendo a preposição a (o prato desagradou os comensais; a chuva desagradou aos banhistas).

 

Desobedecer — A regência tradicional exige a preposição a, ou seja, desobedecer a alguém ou a alguma coisa.

 

Despercebido — Passar sem ser notado é passar despercebido (e não desapercebido, que significa despreparado, desprovido).

 

Devido a — Sempre com a preposição a.

 

Dia a dia — Sem hífen.

 

Doutor — O Manual de Redação da Presidência da República restringe essa forma de tratamento a pessoas que tenham concluído curso de doutorado. Nos demais casos, senhor confere a desejada formalidade às comunicações.

 

Dupla negativa — Ao contrário do que ocorre em inglês, a dupla negação é aceitável em português: não encontrou ninguém, não deixou nada fora do lugar, etc.

 

Em detrimento — Exige a preposição de (em detrimento das negociações, e não em detrimento às negociações).

 

Em face de — Quando equivale a diante de, use a preposição de (evite dizer face a ou frente a).

 

Eminente – Significa importante; não confundir com iminente, que significa algo que deve acontecer em breve.

 

Em mão / em mãos — Os dicionários registram ambas as formas como sinônimas; portanto, pode-se entregar algo em mão ou em mãos.


Etc. — Embora a expressão já inclua a conjunção e (et coetera), o uso ou não da vírgula antes dela é uma questão de preferência ou estilo de escrita, não havendo uma regra rígida que determine sua obrigatoriedade.


Continua...