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domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

GANHANDO ESPAÇO NO CELULAR SEM DESINSTALAR APLICATIVOS

TUDO É FÁCIL PARA QUEM SABE.

A telefonia móvel começou a ser desenvolvida em meados do século passado, quando os Laboratórios Bell (EUA) criaram um sistema interligado por antenas (chamadas de “células”, daí o termo “celular”) e a sueca Ericsson apresentou o Mobile Telephony A, que pesava 40 kg e precisava ser acomodado no porta-malas dos carros. 


Em 1973, a americana Motorola lançou o DynaTAC 8000X, que media 25 cm x 7 cm e pesava cerca de 1 kg. Em 1979, a telefonia celular entrou em operação no Japão e na Suécia; em 1983, a americana AT&T implantou uma tecnologia na cidade de Chicago — que não prosperou devido ao gigantismo dos aparelhos e à baixa autonomia da bateria (que durava 30 minutos, mas levava mais de 10 horas para recarregar).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ser picado pela mosca azul e comprar a PEC da Reeleição não tornou Fernando Henrique menos parecido com um estadista (talvez o único da história desta republiqueta bananeira), mas seu mea culpa tardio não reverteu os efeitos nefastos do ato: da mesma forma que as flechas não voltam ao arco, as cagadas não voltam ao ânus do cagão, mesmo que, em alguns casos, devessem lhe ser enfiadas goela abaixo. Mas isso é outra conversa.

Durante a campanha de 2022, a exemplo do que fez Bolsonaro em 2018, Lula prometeu acabar com o instituto da reeleição. Bolsonaro entrou para a história como o primeiro presidente que não conseguiu se reeleger, e Lula, como o primeiro a conquistar o terceiro mandato.

Embora devesse pendurar as chuteiras chulezentas, Lula quer porque quer o quarto mandato (que Deus, o diabo ou ambos nos livrem dessa desgraça). Com a popularidade descendo pelo ladrão (sem trocadilho), o molusco de nove dedos tem feito o impossível para reconquistar o apoio da recua de muares que se contrapõe ao gado bolsonarista.

Rodeado por dois grupos desde que o Senado o humilhou, o demiurgo de Garanhuns é aconselhado pela turma do "vai pra cima" a retaliar Davi Alcolumbre — artífice da derrota histórica imposta ao xamã petista pela rejeição da indicação de Béssias para o STF — e pela turma do "deixa disso" a agir com calma e prudência para não botar fogo no pouco que resta de governabilidade palaciana.    

Lula segue a cartilha segundo a qual não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte — dias depois da derrota inédita, sinalizou que não tardaria a tirar da cartola outro nome para o Supremo. Os operadores mais exaltados do governo querem que o pato-manco constranja Alcolumbre com a indicação de uma jurista negra, ao passo que os contemporizadores avaliam que ele deveria negociar o nome com o próprio Alcolumbre. 

Submetido à divisão interna, o pai dos pobres, mãe dos ricos e camelô de empreiteiros corre o risco de gastar mais tempo e energia falando do que enfrentando o problema. Ainda não se sabe qual será a solução, mas, como o capetão-golpista durante a pandemia de Covid, não existe nada tão ruim que não possa piorar.


O telefone celular desembarcou no Brasil em meados dos anos 1980, mas só se popularizou depois da privatização das TELES — até então, habilitar uma linha era trabalhoso, demorado e caro, faltavam células (antenas), sobravam “áreas de sombra”, o preço das ligações era proibitivo e o usuário era cobrado até pelas chamadas recebidas. Mas não há nada como o tempo para passar.


A livre concorrência propiciou a venda de aparelhos a preços subsidiados, a gratuidade nas ligações entre números da mesma operadora e as linhas “pré-pagas”. Com o lançamento do Apple iPhone, os fabricantes concorrentes tornaram seus produtos capazes de acessar a Internet e rodar aplicativos, e assim os telefoninhos inteligentes se tornaram verdadeiros microcomputadores de bolso.


A exemplo dos desktops e notebooks, os smartphones são controlados por um sistema operacional (Android ou iOS, embora haja outros menos expressivos) e precisam de fartura de memória RAM e espaço interno para funcionar adequadamente. 


A escolha da marca e modelo é uma questão de preferência pessoal, mas a configuração recomendada inclui um processador veloz de última ou penúltima geração, entre 8 GB e 12 GB de memória RAM e 256 GB a 512 GB de armazenamento interno (lembrando que o SO e os apps pré-instalados ocupam boa parte desse espaço) e bateria de 5 mil mAh ou superior.


Observação: Se você planeja ficar com o celular por 3 anos ou mais, escolha um modelo com 512 GB, já que as atualizações futuras do sistema e o cache dos aplicativos crescem exponencialmente ao longo do tempo. 


Quanto mais memória e espaço interno tiver o aparelho, mais caro ele será. Alguns modelos baseados no Android permitem ampliar a capacidade de armazenamento via cartão de memória, mas remendo é sempre remendo. Existem aplicativos que se propõem a recuperar espaço, mas a maioria deles simplesmente automatiza a limpeza do cache dos aplicativos (que o usuário pode fazer manualmente se souber o caminho das pedras).


No caso do Android, um recurso disponibilizado pela Play Store arquiva parte dos aplicativos pouco utilizados, reduzindo em até 60% o espaço que eles ocupam. Os ícones continuam sendo exibidos e, quando necessário, restauram os apps automaticamente em poucos segundos. 


Esse recurso é ideal quando se tem pouco espaço disponível, pois dispensa o usuário de remover os aplicativos ociosos e reinstalá-los manualmente quando e se precisar deles. Para ativá-lo, toque no ícone da Play Store, depois na sua foto de perfil, vá em Configurações, selecione Geral, habilite a opção Arquivar apps automaticamente e reinicie o celular.

domingo, 5 de abril de 2026

CARNE MACIA E SUCULENTA

NA COZINHA VOCÊ PODE GRITAR, SUAR E XINGAR E AINDA SER CHAMADO DE CHEF DE ALTA GASTRONOMIA. 

Comi os melhores bifes da minha vida nos anos 1960/70, no sítio da minha avó, que ficava numa bucólica cidadezinha próxima à divisa entre São Paulo e Minas Gerais. 

Muitos anos depois, perguntei à velha senhora qual era o segredo da suculência e do sabor daqueles bifes. Ela respondeu: Vá até o matadouro e traga um pedaço de patinho ou coxão mole fresquinho, e eu faço bifes iguais aqueles de que você tanto gostava

Em outras palavras, o “x” da questão era o frescor da carne — que vinha embrulhada em jornal, ainda pingando sangue.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Quando ainda era inquilino do Planalto, Bolsonaro comentou que não há nada tão ruim que não possa piorar. E estava coberto de razão.. No caso dele, a reeleição furou, o golpe falhou e a condenação chegou. No caso do cenário político tupiniquim, a pré-campanha presidencial deste ano está ainda mais repugnante e vomitativa do que as de 2018 e 2022.

Após ser chamado de 'Opala velho', Lula disse que não se ofendeu com a metáfora de Flávio Bolsonaro porque 'o Opala dele é o pai, que está no desmanche'. Apenas 48 horas depois do troco, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias se exibiu na feira de antiguidades da CPAC como um modelo seminovo do bolsonarismo que já vem com defeitos de fábrica — entre eles um GPS que sincroniza todos os movimentos com os interesses da Casa Branca.

Estatisticamente empatados nas pesquisas, os dois principais postulantes ao Planalto disputam os votos do eleitorado independente de centro, que definirão o tira-teima. Na bica de completar 81 anos (se chegar até lá), o petista se comparou a um "Opala turbinado". Mas chega a sua sétima disputa presidencial com a popularidade no vermelho, desafiado a combinar as cenas de vitalidade física que exibe em vídeos postados nas redes sociais com novidades capazes de lhe conceder o ambicionado quarto mandato.

Autoproclamado "bolsonarista moderado", o primogênito do refugo da escória da humanidade não consegue dissociar a jovialidade dos seus 44 anos de idade da fuligem retórica do genitor — que inclui desprezo pela liturgia democrática, negligência com a soberania nacional e idolatria por um trumpismo que está em declínio até nas pesquisas de institutos norte-americanos e nas ruas dos Estados Unidos. 

Começa mal a campanha presidencial. Convém aos favoritos qualificar a prosa. Hoje, o debate tem a profundidade de um pires. Pode ser atravessado por uma formiga com água na altura das canelas. A discussão produz muita fumaça, não sai do lugar e derrama óleo queimado no chão.

Num eventual segundo turno, antipetistas e antibolsonaristas perguntarão a seus botões se vale a pena comprar um carro usado na mão de Lula ou de Flávio. Numa disputa assim, vigora não a preferência pelos candidatos, mas a rejeição. Como em 2018 e 2022, o eleitor corre novamente o risco de barrar uma alternativa indesejada sem eleger um presidente capaz de unir a sociedade em torno de um projeto de país que faça nexo. 

Aqui em Sampa, comprar carne direto do matadouro está fora de questão. Os açougues de bairro estão em extinção, e carne "resfriada" vendida nos supermercados é mosca branca de olho azul. O que eles comercializam é carne descongelada, esbranquiçado, sem graça e praticamente intragável se a gente não carregar no temperos (sal, pimenta, cebola, alho, salsa, cebolinha, orégano e páprica, por exemplo). 

Observação: A cor da carne deve ser vermelho-brilhante, não escura ou roxa. A gordura deve ser branca ou levemente amarelada (gordura muito amarela significa que a carne é de vaca velha), a fibra, curta, e o toque, firme, sem qualquer sensação pegajosa.

Tem gente que transforma medalhões de filé em postas borrachudas e gente que monta "churrasquinhos de gato" de dar água na boca. De qualquer modo, você obtém melhores se tirando a carne da geladeira cerca de 30 minutos antes do preparo, de modo a evitar o choque térmico que tende a enrijecer as fibras e impedir o cozimento uniforme.

A alcatra é uma peça extraída da parte traseira do boi, e dá origem a vários cortes populares — sendo a maminha e a fraldinha os mais reconhecidos e apreciados. A maminha tem textura macia e sabor agradável; a fraldinha é mais fina e tem fibras espaçadas, mas não deixa a desejar em sabor e maciez quando bem preparada. Com o preço da picanha nas alturas, ambas são boas opções para churrasqueiros de fundo de quintal. 

Para quem não se importa de gastar um pouco mais, o contrafilé vai bem tanto em bifes fritos quanto assado na grelha. O segredo é cortar os bifes com pelo menos 2 dedos de altura e não remover toda a gordura ao limpar a peça (além de evitar o ressecamento da carne, essa gordura é muito saborosa).  

Usado corretamente, o sal realça o sabor e a preserva a suculência da carne. Bifes e grelhados rápidos devem ser temperados poucos minutos antes de irem ao fogo. Já pedaços maiores e cortes mais duros devem ser salgados com antecedência ou marinados durante algumas horas.

Observação: Para preparar uma marinada simples e eficiente, lave e seque bem um vidro com tampa (dos de palmito ou maionese resolvem). Coloque cachaça, azeite, alho esmagado, cheiro-verde picado, ervas frescas (alecrim ou tomilho), sal grosso, feche bem e agite por alguns segundos até homogeneizar. Em seguida, acomode a carne numa vasilha, despeje a marinada, massageie por alguns minutos, transfira para um saco próprio ou para uma vasilha plástica com tampa e deixe na geladeira de véspera, virando a carne de tempos em tempos. Se o tempo de marinada for menor, assegure-se de que a carne fique totalmente coberta pelo molho.

Evite furar a carne com o garfo ou apertá-la com uma espátula, pois isso faz com que o suco interno escape, deixando-a seca e dura, mesmo que o ponto esteja correto. Se não dispuser de uma pinça culinária, improvise com um pegador de salada, mas é importante virar a carne somente quando ela estiver bem selada — quanto menos você mexer, melhor será a textura final.

Depois de tirar a carne do fogo, deixe-a descansar para que os sucos internos se redistribuam. Bastam 2 ou 3 minutos para bifes e de 5 a 10 minutos para peças maiores — que devem ser mantidas perto do braseiro para não esfriar. Igualmente importante é cortar a carne no sentido contrário ao das fibras — cortar no sentido errado é garantia de esforço mandibular desnecessário.

No churrasco, cortes menores devem ficar a cerca de 20 cm da brasa; peças inteiras, a pelo menos 40 cm; e a costela, a uns respeitáveis 70 cm. Isso vale tanto para o espeto quanto para a grelha. Cupim, costela e outros cortes mais duros exigem tempo. Já picanha, maminha e fraldinha podem — e devem — ser servidas mal passadas. Frango e porco, evidentemente, precisam estar bem passados.

Observação: Vale lembrar que as peças de picanha têm entre 900 g e 1,3 kg (mais que isso significa que uma parte é coxão duro); as de fraldinha, entre 800g e 1,2 kg; as de maminha, entre 900 g e 1,5 kg; e as de contrafilé, entre 4 e 6 kg.

Tão importante quanto respeitar as características de cada corte e o gosto dos comensais é não deixar a carne passar do ponto. Além de perder maciez e suculência, o excesso de calor aumenta a concentração de HPA (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) e APA (Aminas Policíclicas Aromáticas), que são saubstâncias associados ao surgimento de células cancerígenas. 

No fogão, use panelas ou frigideiras de ferro fundido e fundo grosso, bem aquecidas em fogo alto. Quando o utensílio começar a fumegar, regue com um fio de óleo e frite os bifes individualmente, virando uma única vez e temperando com alho, sal e pimenta durante a fritura. Para bifes mal passados, bastam 2 ou 3 minutos de cada lado; ao ponto, cerca de 5 minutos; bem passado, de 7 a 8 minutos. Mais do que isso fará com que o interior da carne perca a cor rosada e a suculência vire apenas uma vaga lembrança.

Resumo da ópera: Carne boa não pede firula, pede respeito ao corte, ao fogo e ao tempo — sobretudo ao tempo. O resto é performance: termômetro digital, sal do Himalaia, foto para rede social. E se ainda assim alguém insistir que carne boa é bem passada (tipo sola de sapato), sirva-lhe as brasas da churrasqueira com ketchup, batata frita e uma certidão de óbito do boi.

Desejo uma feliz Páscoa a todos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

MENTIRAS QUE SOAM VERDADEIRAS

É MELHOR UM FIM HORROROSO DO QUE UM HORROR SEM FIM.  

A maioria de nós já ouviu dizer que avestruzes enterram a cabeça na areia quando estão assustados, que preguiças são preguiçosas, que porcos são sujos, que golfinhos estão sempre sorrindo, que elefantes nunca esquecem, que Lula foi absolvido e que Bolsonaro foi condenado injustamente. Só que nada disso é verdade. 


No que tange aos avestruzes, as fêmeas colocam a cabeça no buraco que usam como ninho para virar os ovos várias vezes durante o dia — se realmente enterrassem a cabeça para não ver o perigo, como diz a lenda, as pobres aves morreriam asfixiadas. 


As preguiças se movem devagar porque seu metabolismo as obriga a economizar energia, e como não andam sobre as solas dos pés, mas se arrastam com suas longas garras, sua locomoção nas árvores e no solo é lenta e desajeitada. Por outro lado, elas se movem velozmente na água e dormem cerca de 10 horas por dia — bem menos que os gatos e outros animais domésticos.


Os porcos são animais naturalmente asseados. Eles defecam longe de onde comem, dormem e acasalam, mas, como não conseguem suar, refrescam-se chafurdando na lama — o que lhes dá a aparência de sujos. Por outro lado, é impossível manter-se limpo quando se vive confinado num chiqueiro pequeno, superlotado e imundo.


Os golfinhos são brincalhões e parecem sorrir porque o formato de suas mandíbulas cria essa ilusão. Mas são incapazes de mudar de expressão, e podem ser surpreendentemente desagradáveis e traiçoeiros, chegando a atacar outros mamíferos marinhos e até pessoas quando se sentem ameaçados.


Os elefantes possuem o maior cérebro entre os mamíferos terrestres. Seu lobo temporal — extremamente desenvolvido — permite memorizar cheiros, vozes, lugares, hierarquias, vínculos familiares e comandos de voz. Eles são capazes de reconhecer outros elefantes — e até humanos — após décadas de separação, bem como de manter relações complexas dentro da manada, que a matriarca conduz por rotas migratórias antigas, guiada por lembranças de locais com água e comida.


Assim como afirmar que “os elefantes não esquecem” é uma simplificação poética embasada na ciência, dizer que os eleitores brasileiros fazem, a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade, é uma simplificação poética embasada na mitologia grega.


Celebrizada pelo jornalista Ivan Lessa, a máxima segundo a qual os brasileiros esquecem, a cada 15 anos, o que aconteceu nos últimos 15, ilustra a quintessência da falta de memória — ou de preparo — do nosso eleitorado. Aliás, em momentos distintos da ditadura, Pelé e o ex-presidente João Figueiredo alertaram para o risco de misturar brasileiros e urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas como contestá-los, se lutamos tanto pelo direito de votar para presidente e elegemos gente como Lula, Dilma e Bolsonaro?


Em 135 anos de história republicana, 35 brasileiros foram alçados à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado. Em agosto de 1961, a renúncia de Jânio Quadros ladrilhou o caminho para o golpe de 1964, que depôs João “Jango” Goulart do Palácio do Planalto e deu início a duas décadas de ditadura militar.


Em 1989, depois de 29 anos sem votar para presidente e podendo escolher entre Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola — de um cardápio com mais de 20 postulantes — a plebe ignara preferiu despachar Collor e Lula para o segundo turno. O caçador de marajás de mentirinha derrotou o desempregado que deu certo por 683.920 a 215.177 votos válidos, provando que memória histórica e senso crítico não são pré-requisitos para exercer o direito de voto.


Collor foi empossado em março de 1990 e penabundado em dezembro de 1992. Em 1994, graças ao bem-sucedido Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, elegeu-se presidente no primeiro turno. Picado pela “mosca azul”, comprou a PEC da Reeleição.


Como quem parte, reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas renovou seu mandato no ano seguinte — novamente no primeiro turno. Mas não há nada como o tempo para passar. Em 2002, sem novos coelhos para tirar da velha cartola, não conseguiu eleger seu sucessor: Lula derrotou José Serra por 61,27% a 38,73% dos votos válidos.


Em 2006, apesar do escândalo do mensalão, o petista venceu Geraldo Alckmin por 60,83% a 39,17% dos votos válidos. Em 2010, visando manter aquecida a poltrona que tencionava disputar dali a quatro anos, fez eleger um “poste” — Dilma Rousseff —, que pegou gosto pelo poder, fez o diabo para se reeleger, entrou em curto-circuito e foi desligada em 2016, pondo fim a 13 anos e fumaça de lulopetismo corrupto.


Com o impeachment da mulher sapiens, Michel Temer passou de vice a titular do cargo. Num primeiro momento, a troca de comando pareceu alvissareira. Depois de mais de uma década ouvindo garranchos verbais de um semianalfabeto e frases desconexas de uma destrambelhada que não sabia juntar sujeito e predicado, ter um presidente que sabia falar — até usando mesóclises — foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba. Mas há males que vêm para o bem e bens que vêm para pior.


O prometido “ministério de notáveis” revelou-se uma notável agremiação de corruptos, e a “ponte para o futuro”, uma patética pinguela. Depois que sua conversa de alcova com Joesley Batista veio a lume, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido por sua tropa de choque.


Escudado das flechadas de Janot pelas marafonas da Câmara, o nosferatu que tem medo de fantasma concluiu seu mandato-tampão como pato manco e transferiu a faixa para um mix de mau militar e parlamentar medíocre travestido de outsider antissistema, que se tornou o pior mandatário tupiniquim desde Tomé de Souza.


Para provar que era amigo do mercado e obter o apoio dos empresários, o estadista que sempre acreditou em Estado grande e intervencionista e lutou por privilégios para corporações que se locupletam do Estado há décadas, foi buscar Paulo Guedes..


Para provar que era inimigo da corrupção e obter o apoio da classe média, o deputado adepto das práticas da baixa política, amigo de milicianos, que em sete mandatos aprovou apenas dois projetos e passou por oito partidos diferentes, todos de aluguel, foi buscar Sérgio Moro. 


Para obter o apoio das Forças Armadas, o oficial de baixa patente, despreparado, agressivo e falastrão, condenado por insubordinação e indisciplina e enxotado da corporação, foi buscar legitimidade numa penca de generais saudosos da ditadura.


Bolsonaro obrigou Moro a reverter uma nomeação, tomou-lhe o Coaf, forçou-o a substituir um superintendente da PF e esnobou seu projeto contra a corrupção. O ex-juiz fingiu que não viu, tentou negociar e, por fim, desembarcou do governo para tentar salvar o pouco prestígio que lhe restava.


Bolsonaro desautorizou Guedes, interferiu em seu ministério, sabotou seus projetos e, com o Centrão, enterrou de vez a agenda econômica. A maneira como gerenciou a pandemia de Covid foi catastrófica. Os crimes comuns e de responsabilidade cometidos pelo aspirante a genocida só ficaram impunes graças à leniência de Rodrigo Maia e Arthur Lira, que presidiram a Câmara durante sua gestão, e à cumplicidade de Augusto Aras, seu antiprocurador-geral.


Bolsonaro jamais escondeu a admiração pela ditadura militar e a vocação para o autoritarismo. Em 2019, poucos meses após a posse, reconheceu que não nasceu para ser presidente, mas para ser militar, embora tenha passado menos anos no Exército do que na política e, ao longo de 27 anos no baixo clero da Câmara, tenha apresentado 172 projetos, relatado 73 e aprovado apenas dois.


Na eleição de 2014, ao ver o poste de Lula derrotar o neto corrupto de Tancredo, Bolsonaro resolveu disputar a Presidência “com a cara da direita”. Ignorado pelo PP, que apoiou a campanha de Dilma, lançou seu ultimato: “Ou o partido sai da latrina ou afunda de vez”. Graças à Lava-Jato, a sigla afundou de vez. Graças à sua pregação antipetista, Bolsonaro renovou seu mandato como deputado mais votado do Rio de Janeiro, saltando de 120,6 mil votos em 2010 para 464,5 mil em 2014.


Derrotado em 2022 graças à sua nefasta gestão, Bolsonaro pôs em marcha a tentativa de golpe que lhe rendeu a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão, além do pagamento de multa e indenização. O acórdão publicado na terça-feira (22) abriu o prazo de cinco dias para a interposição de embargos de declaração e de 15 dias para embargos infringentes.


Os embargos de declaração servem apenas para pedir esclarecimentos sobre o texto do acórdão — nada de rediscutir o mérito. Já os embargos infringentes permitiriam um novo julgamento no plenário, mas o Supremo já decidiu em outros casos que eles só são admissíveis quando há pelo menos dois votos favoráveis à absolvição — condição que, adivinhe, não se aplica à condenação do ex-presidente. Ele cumpre prisão domiciliar desde agosto e pode ser enviado ao Complexo Penitenciário da Papuda antes do final do ano.


Há males que o tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar dos anos. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2 e, como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio quer, porque quer, disputar a reeleição em 2026 — para nossa alegria (risos nervosos).


Vale lembrar que o ministro Fachin tomou a decisão teratológica de anular as condenações de Lula em caráter eminentemente processual. Como o mérito não foi analisado, o ex-presidiário não foi absolvido. Em outras palavras, o ministro agiu como um delegado que manda soltar um criminoso porque ele foi preso em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana, e não pela Polícia Militar. Mesmo assim, o macróbio eneadáctilo alega que foi inocentado — e sua claque amestrada acredita.


As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males — o que só se justificaria se não houvesse outra opção. Tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu, porque sofre do pior tipo de cegueira, que é a mental.

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Reza uma velha (e filosófica) anedota que quando Deus estava distribuindo benesses e catástrofes naturais pelo mundo recém-criado, um anjo apontou para o que seria futuramente o Brasil e perguntou: Senhor, por que brindas essa porção de terra com clima ameno, praias e florestas deslumbrantes, grandes rios e belos lagos, mas não desertos, geleiras, vulcões, furacões ou terremotos? E o Criador respondeu: Espera para ver o povinho filho da puta que vou colocar lá.


Resumo da ópera:


Bolsonaro foi eleito em 2018 graças ao antipetismo, mas a emenda ficou pior que o soneto. Sua nefasta passagem pelo Planalto resultou na “descondenação” de Lula e culminou com seu terceiro mandato, que vem se revelando pior do que os anteriores. E a possibilidade de ele se reeleger é assustadoramente real, mesmo porque, ironicamente, seu maior cabo eleitoral é Bolsonaro — e seus filhos despirocados, claro.


Se Sérgio Moro não tivesse trocado a magistratura pelo ministério da Justiça no desgoverno do capetão, é possível que a Lava-Jato ainda estivesse ativa e operante, e Lula ainda estivesse cumprindo pena em Curitiba, na Papuda ou no diabo que o carregue. Tanto ele quanto Bolsonaro são cânceres que evoluíram para metástases e, portanto, se tornaram inoperáveis. Mais cedo ou mais tarde, a Ceifadora livrará o Brasil desse mal. Até lá, a abjeta polarização seguirá a todo vapor — a menos que uma “terceira via” surja e se consolide ao longo do ano que vem.


Políticos incompetentes e/ou corruptos que ocupam cargos eletivos não brotam nos gabinetes por geração espontânea; se estão lá, é porque foram eleitos por ignorantes polarizados, que brigam entre si enquanto a alcateia de chacais se banqueteia e ri da cara deles — e dos nossos, de brinde.


Einstein teria dito que o Universo e a estupidez humana são infinitos, mas salientou que, no tocante ao Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana deveria ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta e pendurada no hall de entrada do Congresso.


Não há provas de que boas ações produzam bons resultados. A lei do retorno é mera cantilena para dormitar bovinos, mas insistir no mesmo erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço, e más escolhas inevitavelmente geram péssimas consequências — como temos visto a cada eleição presidencial desde 2002.


Triste Brasil.