quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O SISTEMA BINÁRIO E A ÁLGEBRA BOOLEANA

O ESPERANTO É A LÍNGUA UNIVERSAL QUE NÃO SE FALA EM LUGAR NENHUM.

Computadores só entendem linguagem de máquina: mesmo quando trabalhamos com textos, figuras, músicas, vídeos, animações e comandos operacionais, eles manipulam e processam os dados na forma de zeros e uns (para mais detalhes, clique aqui e aqui).

O sistema binário (que é a base para a Álgebra Booleana) opera com apenas dois algarismos (0 e 1), embora seja possível codificar qualquer valor decimal dividindo-o sucessivamente por dois, marcando zero quando o resultado for exato e um se sobrar resto e, ao final, lendo esses zeros e uns de trás para diante, como se vê na figura acima, onde o decimal 45 resulta no binário 101101 (para saber mais, clique aqui).

Observação: Se você tem interesse nesse tema, não deixe de ler os artigos sobre Lógica Digital e Álgebra Booleana de Benito Piropo – um dos mais respeitados colunistas de informática do Brasil –, começando por este aqui. Se não for a sua praia, as considerações a seguir e as informações adicionais para as quais remetem os links que eu incluí no texto são suficientes para dar uma ideia elementar.

A Lógica Digital se baseia em operações onde VERDADEIRO e FALSO são os únicos valores possíveis, de modo que, para tomar decisões, o computador simplesmente gera equações lógicas e as resolve com auxílio das operações NOT, AND, OR, NAND, NOR e XOR. Para facilitar a compreensão, vou simplificar um exemplo usado pelo Mestre Piropo, no artigo cuja leitura eu sugeri linhas atrás:

Imagine que você resolve ir à praia, mas somente no caso de não chover. Então, a decisão (ir à praia) depende da condição (estar chovendo), o que resulta na equação lógica (vou à praia) = [NOT (estar chovendo)], onde o valor da condição (estar chovendo) pode ser verdadeiro ou falso. Se não chover, teremos (Está chovendo) = (FALSO), portanto [NOT (está chovendo)] = [NOT (FALSO)] = VERDADEIRO, e o resultado será (vou à praia) = VERDADEIRO (decisões mais complexas dependem da combinação de valores de duas ou mais condições, mas isso já é outra conversa).

O ideal seria seguir discorrendo sobre transistores e a possibilidade de combiná-los para criar dispositivos capazes de emular operações lógicas e tomar decisões, mas isso exigiria detalhar alguns aspectos básicos de eletrônica digital, o que foge aos propósitos e possibilidades desta postagem.

Um bom dia a todos e até a próxima.

A MORTE, A DEMAGOGIA E O PROSELITISMO POLÍTICO

Durante o velório da esposa, no último sábado, Lula proferiu um discurso emocionado, regado a lágrimas. É compreensível. Mesmo que a ex-primeira-dama já tivesse soprado sua 66ª velinha, fosse hipertensa, portadora de um aneurisma, sedentária e fumante, sua morte foi inesperada. Mas o imprevisto costuma ter voto decisivo na assembleia dos acontecimentos. E como a vida segue para quem fica, o show tem de continuar. Mais do que ninguém, o molusco abjeto sabe disso ― e se aproveita disso, como veremos mais adiante.

A imprensa concedeu ampla cobertura à desgraça que se abateu sobre o Clã Lula da Silva. Nas redes sociais, mensagens de solidariedade, pêsames e congêneres dividiram espaço com posts publicados por gente que não morre de amores por Lula, pelo PT ou por dona Marisa. Alguns resvalaram do mau gosto para o grotesco, o que é indesculpável, mas ainda assim compreensível.

Militantes de esquerda em geral e puxa-sacos em particular relembraram a infância pobre da falecida, que estudou somente até a 7ª série, começou a trabalhar aos 9 anos, enviuvou do primeiro marido aos 20, liderou a marcha pela libertação do segundo ― preso durante as greves do ABC no fim da década de 70 e começo da de 80 ―, costurou a primeira bandeira do PT, apoiou o comandante da ORCRIM nas campanhas; enfim, pintaram-na como uma Amélia melhorada, com a inteligência de Marie Curie, a abnegação de Madre Teresa, a têmpera de Margaret Thatcher e a fleuma de Hillary Clinton (no episódio Monica Lewinsky).

Curiosamente, porém, ninguém mencionou que essa “quintessência da virtude” deixou patente ― bem antes de o escândalo do mensalão vir à tona ― a notória incapacidade petista de separar o público do privado, mandando plantar no gramado do Alvorada um canteiro de flores vermelhas no formato da estrela símbolo do partido. Tampouco foi lembrado que ela ― muito convenientemente ― teria “fechado os olhos” (aqui metaforicamente) para o affair do marido com Rosemary Noronha (entendeu agora o que eu quis dizer com a “fleuma de Hillary”?).

Rose ― como a “segunda-dama” era chamada pelos puxa-sacos do sapo barbudo ― foi apresentada ao então líder sindical Lula pelo “cumpanhêro” José Dirceu. O “caso” teria começado na década de 90, mas só viria a público em 2012, quando a PF deflagrou a Operação Porto Seguro. Nesse entretempo, a moçoila acompanhou “O Chefe” ― ou “Deus”, como costumava se referir ao então presidente ― em pelo menos 32 viagens oficiais. Seu nome não constava do manifesto de voo e o casal não compartilhava a mesma suíte, naturalmente, mas ela ficava nos melhores hotéis, comia do bom e do melhor em restaurantes estrelados e, segundo Leo Pinheiro, recebia R$ 50 mil por mês da OAS (também a pedido do petista, o empreiteiro incluiu o marido da figura na folha de pagamento da empresa).

Quando a história ganhou notoriedade, o repórter Thiago Herdy e o jornal O Globo entraram na Justiça com um pedido de quebra do sigilo dos gastos de Rose no cartão corporativo da Presidência, mas o STJ empurrou a coisa com a barriga. Em 2014, quando o movimento “Volta, Lula” ganhou corpo, Dilma ― que “fez o diabo” para se reeleger ― ameaçou divulgar as despesas da concubina real, levando o petralha a recuar.

Observação: Segundo o jornalista Cláudio Humberto, do site Diário do Poder, os gastos com cartões corporativos no período de 2003 a 2015 somaram R$ 615 milhões (mais de R$ 51 milhões por ano), enquanto que, no último ano do governo FHC, a conta foi de “apenas” R$ 3 milhões. A farra chegou a tal ponto que um alto funcionário do Ministério das Comunicações chegou a pagar duas mesas de sinuca com o cartão corporativo, que também foi usado por seguranças da “primeira-família”, em SBC, para pagar equipamentos de musculação e materiais de construção para Lurian, filha de Lula.

Em setembro de 2013, o jornalista Augusto Nunes publicou em sua coluna: 

"Neste sábado, Lula completará 288 dias de silêncio sobre o escândalo que protagonizou ao lado de Rosemary Noronha. Ele parece ainda acreditar que o Brasil acabará esquecendo as bandalheiras que reduziram a esconderijo de quadrilheiros o escritório da Presidência da República em São Paulo. No mais cruel dos dias para quem tem culpa no cartório, a edição de VEJA tratará de reiterar que a memória da imprensa independente não é tão leviana. As revelações contidas nas quatro páginas tornarão mais encorpada e mais cinzenta a pilha de perguntas em busca de resposta. Por exemplo: quem está bancando os honorários do oneroso exército de advogados incumbido de livrar de punições judiciais a vigarista de estimação do ex-presidente? Num depoimento à Polícia Federal, Rose não conseguiu explicar como comprou o muito que tem com o pouco que ganha. De onde vem o dinheiro consumido pela tropa de bacharéis que cobram em dólares americanos? Lula sabe”. Segue um excerto da matéria: A discrição nunca foi uma característica da personalidade de Rosemary Noronha. Quando servia ao ex-presidente em Brasília, ela era temida. Em nome da intimidade com o “chefe”, fazia valer suas vontades mesmo que isso significasse afrontar superiores ou humilhar subordinados. Nos eventos palacianos, a assessora dos cabelos vermelhos e dos vestidos e óculos sempre exuberantes colecionou tantos inimigos — a primeira-da­ma não a suportava — que acabou sendo transferida para São Paulo. Mas caiu para cima. Encarregada de comandar o gabinete de Lula de 2009 a 2012, Rose viveu dias de soberana e reinou até ser apanhada pela Polícia Federal ajudando uma quadrilha que vendia facilidades no governo. Ela usava a intimidade que tinha com Lula para abrir as portas de gabinetes restritos na Esplanada. Em troca, recebia pequenos agrados, inclusive em dinheiro. Foi demitida, banida do serviço público e indiciada por crimes de formação de quadrilha e corrupção. Um ano e meio após esse turbilhão de desgraças, no entanto, a fase ruim parece ter ficado no passado. Para que isso acontecesse, porém, Rosemary chegou ao extremo de ameaçar envolver o governo no escândalo."

Voltemos ao discurso emocionado de Lula no velório da esposa. Ao se referir à investigação contra eles no âmbito Lava-Jato, sua insolência disse que ambos foram vítimas de injustiça, que a esposa morreu “triste com a maldade que fizeram com ela”, e que espera que “os facínoras que fizeram isso com ela um dia peçam desculpas” e blá, blá, blá. Confira um trecho do comício:

Se alguém tem medo de ser preso, este que está aqui, enterrando sua mulher hoje, não tem. Não tenho que provar que sou inocente. Eles que precisam dizer que as mentiras que estão contando são verdadeiras. Marisa foi mãe, foi pai, foi tia, foi tudo; eu e ela nunca brigamos. Marisa nunca pediu um vestido, um anel. Eu vou continuar agradecendo à Marisa até o dia que eu não puder mais agradecer, o dia em que eu morrer. Espero encontrar com ela, com esse mesmo vestido que eu escolhi para colocar nela, vermelho, para mostrar que a gente não tinha medo de vermelho quando era vivo, e não tinha medo de vermelho quando morre”.

Tocante? Para os sentimentaloides, talvez; para mim, não. E, pelo visto, nem para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado, para o economista e colunista Rodrigo Constantino, para a jornalista Joice Hasselmann ― que sintetizou de maneira irreprochável, neste vídeo de 6 minutos, o que eu penso da desfaçatez do viúvo que transformou esquife em palanque (e foi aplaudido pelos micos amestrados de costume) ― e tantos outros que leram nas entrelinhas a monstruosidade moral de um safardana nauseabundo, capaz de usar o AVC da mulher para fazer proselitismo político.

Não dá para ter dó de um desqualificado dessa catadura.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

ADOBE ― ATUALIZAÇÕES NECESSÁRIAS

O TERCEIRO SEXO JÁ ESTÁ QUASE EM SEGUNDO.

No início deste ano, a Adobe liberou atualizações de segurança para os seus serviços Flash Player, Adobe Reader e Acrobat, corrigindo vulnerabilidades críticas.

O update do Flash Player corrige 13 falhas ― que poderiam levar à execução remota de código e burlar restrições de segurança ―, embora a empresa afirme desconhecer a existência de algum exploit que se aproveite dessas brechas. Então, se você é usuário do Windows, Mac ou Linux, faça o upgrade para a versão 24.0.0.194 (os plug-ins do Chrome, Edge e IE serão atualizados automaticamente por meio dos mecanismos de updates dos próprios navegadores).

Os updates do Adobe Reader e do Acrobat corrigem 29 vulnerabilidades ― que poderiam levar a execução arbitrária de código ―, mas, da mesma forma como no Flash, o fabricante nega ter conhecimento de algum exploit que as explore, conquanto recomende enfaticamente o upgrade para a versão 15.023.20053 (do Reader DC e do Acrobat; Se você ainda usa os Acrobat XI e Reader XI, faça o upgrade para a versão 11.0.19, mas considere a possibilidade de substituí-los o quanto antes pelas opções mais recentes).

Observação: Devido a seu sandbox de segurança, que dificulta a implementação de exploits, o Adobe Reader e o Acrobat deixaram de ser alvo da bandidagem digital, mas o Flash continua sendo largamente explorado, com ataques de dia zero e exploits integrados em ferramentas de ataques baseadas na web.

Barbas de molho, pessoal.

O QUE APENAS SE PARECE NÃO É IGUAL ― Por Ricardo Noblat

Na política, o que apenas se assemelha muitas vezes vira idêntico, análogo, tal qual. Assim como o fato (cuja realidade pode ser comprovada) dá lugar à versão – ou a mais de uma. Tudo depende do gosto do freguês, que pode ser aquele que compra, mas também o que vende habitualmente a determinada pessoa, ou grupo de pessoas.

É prerrogativa do presidente da República criar e extinguir ministérios, e nomear ministro quem bem quiser, desde que habilitado. Comparar o que fez Dilma ao promover Lula a chefe da Casa Civil com o que fez Temer ao promover Moreira Franco a ministro da Secretaria Geral é confundir “feijoada com paio” com Cid Sampaio ― dou por dispensável explicar o que seja feijoada com paio. Quanto a Cid Sampaio, ele foi um político da extinta União Democrática Nacional (UDN) que governou Pernambuco entre 1959 e 1963.

Lula foi promovido a ministro porque corria o risco de ser preso pelo juiz Sérgio Moro. Ele já era investigado formalmente pela Polícia Federal e, 12 dias antes, havia sido levado coercitivamente para depor. Vazaram áudios que deixaram claro que a nomeação tinha como objetivo protegê-lo da primeira instância da Justiça de (Moro, no caso), garantindo-lhe o privilégio de só prestar conta ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em um dos áudios, na véspera da posse, Dilma informou a Lula que um emissário lhe entregaria cópia do ato da nomeação que ele deveria assinar e que já fora assinado por ela. Por quê? Porque de posse do ato, se o japonês da Polícia Federal batesse à sua porta nas próximas horas, 

Lula poderia escapar de ser preso alegando que já era ministro.
O japonês não apareceu. Lula tomou posse no dia seguinte. Mas ela acabou anulada pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Moreira Franco está no governo desde que Temer substituiu Dilma para que ela respondesse fora do cargo ao processo de impeachment. Continuou no governo depois que Temer sucedeu a Dilma em definitivo. Sabe-se que é citado em delação ainda não divulgada, mas por ora é só. Delação não é processo, é meio de prova. Pode dar ensejo ou não a uma denúncia. Somente se a denúncia for aceita é que ele se tornará réu.

Lula já foi denunciado cinco vezes. E é réu em cinco processos que estão nas mãos de Moro. A única coisa que se pode dizer é que Moreira ganhou o direito a foro especial que Lula tentou ganhar, mas que perdeu. É fato que processo no STF demora mais a andar do que processo sob o comando de Moro. Em compensação, não é de Moro a última palavra. Cabe recursos. No STF, não cabe. A última palavra é dele.
De volta ao mundo da política: posso achar que Temer fez de Moreira ministro para protegê-lo de Moro. Mas só posso achar. Nada de ilegal há nisso. Quanto à moral... O conceito de moral na política é outro.

Para concluir, segue o clipe de vídeo em que Joice Hasselmann sintetiza - em pouco mais de 5 minutos, e de maneira irretocável - exatamente o que eu penso do molusco safardana que usou esquife como palanque e o AVC da mulher como ferramenta para proselitismo político (e foi aplaudido pelos micos amestrados de sempre e mais um bando de imbecis sentimentaloides).



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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

CONFIAR DESCONFIANDO

A IGUALDADE PODE SER UM DIREITO, MAS NUNCA SERÁ UM FATO.

A Internet nasceu como um experimento militar, mas acabou se tornando uma ferramenta utilíssima para os mais variados fins. A Web reúne bilhões de páginas, e, através delas, a gente acessa um universo de informações sobre praticamente tudo que se pode imaginar. Mas nem tudo que se lê ou vê na Web é confiável, como tampouco o é aquilo que a mídia divulga ou que ouvimos de parentes, amigos, colegas de trabalho.

O ser humano não inventou a mentira. Ela existe desde que o mundo é mundo e está presente na natureza, como comprova o gambá que se finge de morto, o camaleão que muda de cor e o inseto que se disfarça de planta, por exemplo. Mas é inegável que o Homem a tenha aprimorado a tal ponto que muitos fazem dela um meio de vida, como é o caso de golpistas, vigaristas e assemelhados.

O conto do vigário não nasceu com a Web, mas foi aprimorado no “mundo virtual”, onde pessoas mal-intencionadas se valem da “engenharia social” para explorar a empatia, a comiseração, a ingenuidade e, por que não dizer, a ganância de suas vítimas em potencial. O golpe ganhou esse nome porque o malandro pedia à vítima que cuidasse uma mala ou sacola, supostamente cheia de dinheiro, que teria recebido de um vigário ― daí o termo “vigarice” ― enquanto ia tratar de um assunto urgente. E para reforçar a credibilidade do engodo, pedia ao “pato” uma quantia em dinheiro ou um objeto de valor como garantia. Claro que quem desaparecia era o golpista, deixando a vítima com um monte de jornal velho ou qualquer outra coisa sem valor. 

Outro golpe velho como a serra, mas que é ressuscitado na Web de tempos em tempos, é do suposto príncipe (ou ditador, dependendo da versão) de um país africano qualquer, que envia um email dizendo ter sido preso injustamente e oferecendo uma polpuda recompensa ao destinatário, caso ele lhe adiante o dinheiro da fiança. Em outro famoso 171 ― aplicado de forma recorrente em salas de bate-papo virtual ―, o malandro troca mensagens com diversas vítimas em potencial, escolhe a mais adequada (não faltam corações solitários em chats online), avança com a relação até fase das juras de amor eterno e aí sugere um encontro tête-à-tête e pede o dinheiro para a passagem ― o vigarista invariavelmente “mora em outra cidade” e está “momentaneamente descapitalizado”, mas promete devolver o dinheiro no segundo encontro, e blá, blá, blá. O resto você já pode imaginar: a vítima fica sem o dinheiro e com o coração partido, ao passo que o espertinho volta às salas de bate-papo com outro nickname (apelido) para escolher seu próximo alvo.

A Web está coalhada de mentiras, mas ainda assim, segundo um estudo do Reuters Institute, 46% dos americanos usam redes sociais como fonte de informação ― e 14% afirmam que elas são sua fonte principal. No Brasil, os números são ainda maiores: 72% e 18%, respectivamente, o que denota o perigo de manter o Facebook, o Google e o Twitter em territórios sem lei. Por outro lado, controlar o que é publicado esbarra numa questão delicada: a censura.

Observação: Mesmo que a maioria dos autores e replicadores de notícias falsas queira apenas alavancar a audiência de seus sites espúrios para faturar com anúncios, sempre há extremistas e os ideológicos que se aproveitam do número potencial de leitores para propagar o ódio, o preconceito e a baixaria política (volto a essa questão numa próxima oportunidade).

Igualmente perigosos (ou ainda mais perigosos) são os malwares ― nome que designa softwares maliciosos, como vírus, trojans, spywares e assemelhados), mas isso já é assunto para a próxima postagem.  Abraços a todos e até lá.

SOBRE A REELEIÇÃO DE RODRIGO MAIA E SMARTPHONE SER “TREM DO CAPETA”

A eleição de Eunício Oliveira para a presidência do Senado e a reeleição de Rodrigo Maia para a da Câmara deram a Temer uma base parlamentar forte e coesa. Com cerca de 400 deputados, o peemedebista não tem desculpa para não aprovar as reformas e deixar sua marca na história como “o cara que recolocou o Brasil nos trilhos do crescimento”, como afirmou mais de uma vez que gostaria de ser lembrado. No Senado, a situação é ainda melhor: Até o PT fez acordo para ficar na Mesa. Claro que, em alguns pontos, Temer terá de negociar, de abrir mão de alguma coisa, mas isso é regra do jogo no presidencialismo de coalizão. Claro, também, que a Lava-Jato pode abalar essa base ― o recesso do Judiciário terminou, Sergio Moro voltou das férias, as delações dos 77 da Odebrecht foram homologadas e outras que estão por vir têm potencial para atingir em cheio o núcleo do poder. Enfim, vamos aguardar.

A reeleição de Rodrigo Maia foi alvo de diversas ações na Justiça. Para muitos juristas e palpiteiros de plantão, o deputado ascendeu à presidência da Casa em julho do ano passado para concluir o mandato de Eduardo Cunha, e o regimento interno proíbe reeleição na mesma legislatura. Ou seja, como o mandato dos atuais deputados vai até 2018, Maia, em tese, só poderia voltar a ocupar a presidência a partir de 2019, caso viesse a se reeleger deputado. Maia se defendeu afirmando ter sido eleito para um “mandato-tampão” e, por ter ocupado a presidência por um período menor do que o previsto no regimento, não estaria enquadrado na regra que impossibilita a reeleição. Sua posição foi avalizada pelo relator da CCJ da Câmara, Rubens Pereira Junior, para quem “inexiste “vedação expressa” que impeça a candidatura, já que a situação “excepcional” de mandato-tampão não é prevista na Constituição. Os deputados Jovair Arantes, Rogério Rosso, André Figueiredo e Júlio Delgado recorreram ao STF para barrar o pleito (além dessa, pelo menos outras três ações naquela Corte contestaram a eleição), mas o ministro Celso de Mello rejeitou os pedidos e liberou a candidatura de Rodrigo Maia ― embora a decisão seja meramente liminar; dependendo da decisão do plenário, a eleição ainda pode vir a ser anulada (isso se chama Brasil, minha gente).

Por último, mas não menos importante: O deputado peemedebista mineiro Fábio Ramalho, eleito vice-presidente da Câmara, foi um dos primeiros a chegar à festa de comemoração, em um restaurante chique às margens do Lago Paranoá. O parlamentar, que usa dois celulares simplórios, sem conexão com a Internet, por entender que “smartphone é trem do capeta”, creditou sua vitória aos concorridos jantares que costuma oferecer toda quarta-feira a deputados do baixo e do alto clero. Fiel a seus hábitos, ele deixou cedo o restaurante, pois as panelas já estavam no fogo em seu apartamento funcional, onde, diferente do ambiente sofisticado da comemoração de Rodrigo Maia, sua “festa da vitória” se deu em mesinhas espalhadas pela sala, ao som da dupla sertaneja Jorge e Mateus, num vídeo exibido na TV. Em vez de camarões, filés e profiteroles com sorvete do cardápio da festa do Democratas, ele serviu feijão tropeiro, porco assado, linguiça de porco com pimenta e pé de moleque trazidos de Malacacheta. À curiosidade dos jornalistas sobre a fama de que seus jantares ofereciam bem mais do que leitão à pururuca, o político com jeitão mineiro do interior jurou que seus convidados são quase sempre homens. Como dizia o velho Jack Palance, “acredite se quiser”...

Observação: Para quem não se lembra, na legislatura anterior o vice era Waldir Maranhão ― aquele que assumiu interinamente a presidência com o afastamento de Eduardo Cunha e tentou anular a votação do impeachment da anta vermelha. Pelo jeito, a Câmara trocou um cachaceiro por um putanheiro.

Antes de encerrar, vale lembrar que prosseguem as investigações sobre a morte do ministro Teori Zavascki. Confira abaixo um trecho da conversa entre o piloto e a torre de controle do Aeroporto de Paraty (vale lembrar que não existe aeroporto em Paraty, apenas um modesto campo de pouso que nem torre de controle tem; portanto, o vídeo é uma piada - talvez de humor negro, mas com um triste fundo de... enfim, assista e tire você mesmo suas próprias conclusões).


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domingo, 5 de fevereiro de 2017

EDSON FACHIN NA RELATORIA DA LAVA-JATO


A morte trágica de Teori Zavascki se tornou ainda mais trágica porque ele era o relator dos processos da Lava-Jato no STF. Não fosse por isso, seria pranteada por parentes e amigos, algumas autoridades compareceriam ao funeral e o dito ficaria pelo não dito. No entanto, mesmo quando o imprevisto tem voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, a vida precisa seguir seu curso e o show tem de continuar.

Passada a estupefação inicial, causada pela inesperada e imponderável fatalidade, a ministra Carmen Lucia determinou aos assessores do colega falecido que retomassem os trabalhos e, dias depois, homologou ela própria as delações dos 77 da Odebrecht ― mulher de fibra, essa mineira de Montes Claros, bem diferente da conterrânea de Belo Horizonte que foi penabundada da presidência da Banânia no ano passado. Enfim, feita a homologação, restava decidir a questão da relatoria da Lava-Jato no Supremo. Tecnicamente, quem ocupasse a vaga de Zavascki herdaria também os casos que estavam sob seus cuidados. Mas isso aqui é Brasil e, na prática, a teoria é outra, para o bem ou para o mal.

A indicação de ministros do Supremo é prerrogativa do presidente da República. No entanto, Michel Temer preferiu esperar a definição da relatoria, e assim deu-se início a mais um folhetim tupiniquim, com direito a opiniões as mais variadas, muitas vezes oferecidas pomposamente por apedeutas que jamais leram um único artigo da Constituição. Depois de muito disse-que-disse, o ministro Luiz Edson Fachin acabou mudando de Turma, ocupando o lugar de Zavascki e assumindo a relatoria das ações da Lava-Jato. Simples assim ― ou nem tanto.

Desde o início desse monumental imbróglio, cogitaram-se diversas possibilidade, tais como Carmen Lucia avocar para si a relatoria da Lava-Jato ― como já havia feito com homologação da Delação do Fim do Mundo ―, nomear o novo relatar mediante um acordo costurado nos bastidores com os demais ministros ou realizar um sorteio entre todos os 9 magistrados remanescentes ou somente entre os integrantes da 2ª Turma, da qual fazia parte Teori Zavascki. Fosse como fosse, tudo se resolveria na última quarta-feira, dia em que o Supremo voltaria do recesso de quase 40 dias. Só que não.
Ao fim e ao cabo, a solução foi um pouco de cada coisa e saiu na quinta-feira, 2, depois que o novato da Corte foi transferido da primeira para a segunda Turma ― foi preciso obter a concordância dos demais ministros, já que no STF, como nos quartéis, antiguidade é posto. Aí, sim, realizou-se o tal “sorteio” e... Surpresa: deu Edson Fachin na cabeça!

Observação: Fachin foi nomeado para o Supremo em meados de 2015, durante o mandato da anta vermelha. À época, muitos criticaram seu suposto “menosprezo pelo preceito constitucional que garante a propriedade privada no Brasil” e seus laços afetivos com o desprezível MST. Houve até quem dissesse que a indicação do magistrado para o Supremo fazia parte de uma estratégia de Dilma e do PT para melar a Lava-Jato, que o indicado havia se comprometido a conceder um determinado habeas corpus que abriria espaço para a anulação de todas as delações premiadas, e assim por diante. Mas Fachin deu a volta por cima com decisões que, se não foram unânimes no plenário, não tiveram contestação óbvia. Assim, o fato de ele ser o novo relator da Lava-Jato, se não foi a melhor solução, pode ter sido a “menos pior”. Até porque o decano Celso de Mello já havia dito que declinaria da relatoria caso fosse o escolhido, e os demais componentes da segunda turma são Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski (precisa dizer mais alguma coisa?).

Como diz um velho ditado, “cachorro mordido por cobra tem medo de linguiça”. Depois de ver tanta coisa “acabar em pizza”, em conchavos espúrios e “acordões” estarrecedores, não é de estranhar que o brasileiro tenha visto com desconfiança o resultado desse “sorteio”. Houve quem dissesse que Carmen Lucia havia “mexido os pauzinhos”, e coisa e tal. Prova disso foi a enxurrada de posts nas redes sociais a propósito do tema. Muitos davam como certa a escolha de Lewandowski (cujas decisões favoráveis ao PT e aos petralhas são notórias, para dizer o mínimo), ao passo que outros apostavam em Gilmar, e outros, ainda, em Toffoli (que, vale lembrar, foi citado por Leo Pinheiro num acordo de delação premiada que acabou barrado por Rodrigo Janot depois que a notícia foi publicada pela revista Veja).

O fato é que, na impossibilidade de Celso de Mello assumir a relatoria da Lava-Jato, a maioria esperava que Fachin fosse o escolhido. Sorte nossa? Talvez. A postura de Fachin chega a lembrar a do finado Teori, que preferia falar nos autos a dar entrevistas e fazer pré-julgamentos. Mas ele é o mais novo membro da Corte e a maneira como irá proceder é uma incógnita. Seja como for, o sorteio foi realizado com a ajuda de um algoritmo que, dentre outras variáveis, levou em conta a quantidade de processos a cargo de cada magistrado, de maneira a evitar que o “vencedor” ficasse sobrecarregado. Assim, Fachin levou vantagem no sorteio (se é que se pode considerar “vantagem” herdar um “abacaxi” dessa magnitude).     

Observação: Segundo o Jornal Nacional, o sorteio foi realizado numa sala do terceiro andar do edifício-sede do Supremo, na presença da presidente ministra Carmen Lucia e mais quatro funcionários. Apenas os integrantes da 2ª Turma foram considerados. Seus nomes foram distribuídos numa “régua”, onde cada um tinha 20% de chances. Depois, foi feito um ajuste que levou em conta o número de processos a cargo de cada participante, aspecto que favoreceu o novato da Turma e, em menor medida, o ministro Gilmar Mendes (que, por acumular o cargo de Presidente do TSE, recebeu menos processos que seus pares. Mas o gabinete que Fachin herdou ficou um ano sem receber processo algum ― período entre a aposentadoria de Joaquim Barbosa e a indicação de seu substituto pela ex-presidanta vermelha) ― e, portanto, havia, realmente, mais chances de o novato ser sorteado.

Resumo da ópera: Para o bem ou para o mal, Fachin é o relator da Lava-Jato no STF. Como ele vai desempenhar essa função, aí já é outra história. No geral, no entanto, as opiniões têm sido favoráveis. Alguns palpiteiros veem com preocupação o fato de ele ter sido indicado para a Corte pela mulher sapiens de pouco saudosa memória, mas Joaquim Barbosa foi indicado por Lula e ganhou notoriedade como relator do Mensalão, notadamente por seus embates contra Ricardo Lewandowski ― a quem ele acusou diversas vezes de atuar mais como defensor dos petralhas do que como julgador da ação. Fachin é tido como insuscetível a ideologias partidárias, avesso a comentários, discreto na vida social e mundana e pouco afeito a protagonismos midiáticos. Já demonstrou ter consciência de que não foi indicado ao STF para fazer favores, mas para julgar segundo as leis (como comprovou ao relatar ação do PCdoB contra o rito fixado por Eduardo Cunha para a tramitação do impeachment da nefelibata da mandioca). Também decidiu que o réu Renan Calheiros não podia assumir a Presidência da República, mas defendeu a manutenção de seu mandato e do cargo de presidente do Senado. Também abraçou a tese de que condenados em segunda instância devem aguarda na prisão o julgamento de eventuais recursos. Quando, como plantonista durante um recesso do Judiciário, Lewandowski mandou soltar José Vieira da Silva, prefeito de Marizópolis condenado em segunda instância, alegando ser preciso “prestigiar o princípio da presunção de inocência”, Fachin cassou a liminar e mandou o político de volta para a prisão, respaldando-se na “necessidade de se preservar a estabilidade dos entendimentos fixados em decisões do Supremo.

ALEA JACTA EST!



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sábado, 4 de fevereiro de 2017

A NOVELA DA MORTE DA EX-PRIMEIRA-DAMA

Sempre achei essa história de velório, funeral e o escambau um exercício de masoquismo inenarrável (ou de sadismo, dependendo do ponto de vista). Guardadas as devidas proporções, o mesmo se aplica a prolongar artificial e indefinidamente a “vida” de pacientes em estado vegetativo, desenganados, em situação irreversível e indubitavelmente terminal ― especialmente no caso de septuagenários, octogenários e por aí afora. Digo isso por experiência própria, porque enfrentei situações assim com familiares bem próximos. Sei que essa postura me faz ser visto como uma pessoa fria, desalmada, mas eu chamo a isso pragmatismo.

Passando ao tema da postagem, desde ontem que foi constatada a ausência de atividade cerebral na ex-primeira-dama Marisa Letícia. A família até autorizou a retirada de órgãos para doação e informou que o velório aconteceria no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na grande São Paulo, mas a novela continua: segundo notícias recentes, somente hoje, sexta-feira, que a finada será submetida a dois exames para comprovar sua morte cerebral. O primeiro deve acontecer logo mais, às 12h, e o segundo, por volta das 18h. Esses exames fazem parte do protocolo de avaliação de morte cerebral e são obrigatórios para que se prossiga com a doação de órgãos. Fico pensando se essa situação não seria bem outra se dona Marisa tivesse sido levada para um nosocômio do SUS em vez de internada no Sírio-libanês (um dos hospitais mais caros do Brasil), mas isso já é outra história.

ObservaçãoA propósito, li num site qualquer que “Mesmo não tendo sido oficializada a morte, família confirma velório no ABC” ― vejam como a forma de noticiar um fato pode dar margem a interpretações dúbias; no caso em tela, de que vão enterrar a mulher viva mesmo.

Para atualizar o relato: Na noite de quinta, o comandante da ORCRIM recebeu a visita do presidente da Banânia, que chegou ao hospital por volta das 22h, acompanhado de Eunício OliveiraRenan CalheirosEdison LobãoCássio Cunha LimaHenrique MeirellesJosé SerraMoreira Franco e José Sarney. Todos foram enfaticamente hostilizados pela turba que se concentrava diante do hospital. Aliás, se a PF tivesse deflagrado uma nova vertente da Lava-Jato naquela noite, o Sírio-Libanês seria o lugar ideal para fazer algumas prisões.

Enfim, a desgraça une, como se costuma dizer. Resta saber se Temer irá visitar Lula na cadeia, quando for a hora, ou se a recíproca acontecerá caso se confirmem as denúncias de práticas nada republicanas por parte do ex-vice de Dilma e hora presidente da República. Mas isso também é outra história.

Nas redes sociais, houve manifestações de solidariedade ao Clã dos Lula da Silva, mas também não faltaram politizações do tema. O próprio molusco abjeto atribuiu a morte da mulher à tensão decorrente das acusações na Lava-Jato, e outros imbecis chegaram a acusar diretamente o juiz Sergio Moro ― vejam vocês o ponto a que chega a ignorância do povinho escolhido para habitar este país. Aliás, segundo uma velha anedota, o Criador foi acusado de protecionismo ao favorecer o Brasil, que é, indiscutivelmente, um país privilegiado, e, para botar água na fervura da oposição, Deus resolveu povoar aquele território abençoado com... Bom, deixa pra lá.     

Entre as mensagens mais polêmicas, houve quem comemorasse, quem escrevesse coisas como “aqui se faz, aqui se paga”, e quem insinuasse interesses políticos na morte da ex-primeira-dama. Um meme compartilhado à exaustão pelas redes acusa Lula de “capitalizar com a tragédia”. Eu, de minha parte, vou acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e noticiar os fatos. Já deixei clara minha posição sobre a morte não alterar os atos cometidos na vida pregressa nem anular suas consequências como num passe de mágica. Para mim, fiduma vivo não vira santo, vira fiduma morto (labora em favor do desinfeliz apenas o fato de nos ter livrado de sua incomodativa presença). Mas ressalto que essa minha maneira de ver as coisas não necessariamente tem a ver com a morte da ex-primeira dama ou expressa minha opinião sobre o ocorrido.

Abraços a todos e até a próxima.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

A INTERNET CAIU? APP DO GOOGLE PARA ANDROID SALVA E RECUPERA BUSCAS QUANDO O SINAL VOLTA

SE NUMERICAMENTE ÉS MAIS FRACO, PROCURA A RETIRADA.

A partir de agora, o Google vai armazenar offline as pesquisas dos internautas e restabelecer os resultados, em caso de perda de sinal, tão logo a conexão seja restabelecida.

O recurso é disponibilizado mediante uma atualização do aplicativo de buscas do Google para o sistema móvel Android e promete facilitar a vida de quem padece com conexões instáveis ou irregulares.

Segundo a empresa, a novidade não impactará o consumo de bateria nem a franquia de dados do usuário (que chega a ser ridícula em alguns planos 3G/4G).

As informações são do portal IDG NOW!



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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

COMO EXTRAIR A TRILHA MUSICAL DE CLIPE DE VÍDEO ― CONVERSOR ONLINE

MULHER E LIVRO, EMPRESTOU, VOLTA ESTRAGADO.

O KaZaA foi criado em 2001 pela BlueMoon Interactive e se popularizou rapidamente entre os internautas que curtiam música. Ele reunia os usuários numa enorme rede P2P (peer-to-peer ou ponto a ponto, isto é, sem um servidor central), facilitando o compartilhamento de músicas, filmes e até games. O grande problema era a lentidão (principalmente quando poucos usuários dispunham do arquivo que muitos desejavam baixar, sem mencionar que, naquela época, usava-se a hoje obsoleta conexão discada) e os riscos de infecção por vírus, trojans, spywares e outros códigos maliciosos, já que tanto o KaZaA quanto seus concorrentes eram largamente explorados pelos ciber malfeitores de plantão.

Hoje em dia, não faz muito sentido usar essas coisas, até porque o streaming é bem mais prático. Além disso, igualmente mais prático é você localizar um clipe de vídeo no YouTube com a música que deseja baixar para o seu PC e, em vez de fazer o download do clipe e assisti-lo sempre que quiser ouvir a faixa musical, convertê-lo em arquivo .MP3, baixá-lo, incluí-lo em suas playlists ou mesmo copiá-lo para um pendrive ou para seu smartphone, por exemplo.

Embora haja diversas opções de suíte de edição de vídeo para download na Web (dias atrás, aliás, a gente conversou sobre a excelente VIDEO CONVERTER ULTIMATE PRO), instalar um aplicativo dedicado, ainda que gratuito, me parece um exagero quando a ideia é apenas extrair a trilha sonora de um clipe de vídeo e salvá-la no PC. Para isso, há excelentes ferramentas online, que executam essa tarefa de forma simples e rápida, diretamente do navegador e, o que é melhor, sem que você precise incomodar o escorpião que carrega no bolso.

Para situações como essa, eu já sugerir (diversas vezes) o excelente conversor oferecido em http://www.youtube-mp3.org/. No entanto, diz um velho ditado que “quem tem dois tem um, e quem tem um não tem nenhum”, e agora há pouquinho, quando precisei extrair a trilha de um clipe do YouTube, fui convidado a tentar mais tarde, pois havia uma manutenção em andamento.  Por conta disso, é sempre bom você ter um plano B, que para mim, no caso, é o excelente https://www.onlinevideoconverter.com/pt. Fica a sugestão.


SOBRE O SIGILO DA MÃE DE TODAS AS DELAÇÕES

Após ter homologado a Delação do Fim do Mundo, a ministra Carmen Lucia deve definir o novo relator dos processos da Lava-Jato no Supremo, o que deve ocorrer nesta quinta-feira (esperava-se que ocorresse ontem, mas não rolou, conforme veremos mais abaixo).

No pedido que encaminhou ao STF ― para que a homologação das delações dos 77 da Odebrecht fosse tratada com urgência ― Rodrigo Janot não fez menção explícita à questão do sigilo, de maneira que a presidente da Corte não o suspendeu (se o tivesse feito, seria ainda mais criticada por quem achava que a homologação deveria ficar por conta do sucessor de Zavascki, a quem caberia também a relatoria dos processos da Lava-Jato, sem embargo de isso retardar o andamento dos trabalhos e conceder mais fôlego aos quase 200 políticos acusados de práticas pouco republicanas pelos delatores ― seleta confraria composta pelo presidente Temer e seus dois predecessores, além de ministros e ex-ministros, governadores e ex-governadores e congressistas de diversos partidos políticos.   

Claudio Lamachia, presidente da OAB, é favorável à suspensão do sigilo. Para ele, além de ser melhor a sociedade tomar logo conhecimento dos fatos delatados, colocar as cartas na mesa serviria para arrefecer as inevitáveis teorias conspiratórias e evitar “vazamentos seletivos”. Demais disso, ao pairar como a Espada de Dâmocles sobre o núcleo do Governo Federal, essa indefinição retarda a aprovação de medidas importantíssimas para o Brasil, como as reformas política, trabalhista e da Previdência (como diz um velho ditado, “a incerteza que esvoaça desgraça mais que a própria desgraça”).

Cabe ao procurador-geral de República decidir se pede o fim do segredo de justiça agora ou se espera a definição do novo relator da Lava-Jato no Supremo. Anteontem, ele que “não é hora” de fazer comentários sobre a homologação, mas, durante encontro com senadores e deputados federais no mês passado, afirmou que pediria a retirada do sigilo tão logo as delações dos 77 da Odebrecht fossem homologadas. Fontes da PGR acreditam que o ideal seria ele apresentar o pedido ao novo relator, cujo nome deve ser conhecido ainda hoje.

Voltando à relatoria da Lava-Jato, parece que Carmen Lucia ainda quer ouvir todos os ministros da corte sobre o “pedido de mudança apresentado por Edson Fachin” (da mesma forma que no exército, antiguidade é posto no STF, e como a nomeação de Fachin foi a mais recente, ela quer saber se alguém mais da Primeira Turma tem interesse em mudar para a Segunda). Vale lembrar que a presidente pode realizar o sorteio apenas entre os ministros da Segunda Turma ou estendê-lo a todos os 9 magistrados que restaram com a morte de Zavascki (a presidente não se inclui, naturalmente). Vale lembrar também que não existe no regimento um artigo que permita a um ministro escolher um caso, mas nada o impede de declinar da relatoria de um processo ― no contexto atual, o decano Celso de Mello já adiantou que não aceitaria relatar a Lava-Jato (segundo ele, por motivos de saúde).

Embora seja controversa, a possibilidade de Carmen Lucia definir ela própria a situação existe; o que não existe (pelo menos até onde eu consegui apurar) é um precedente nesse sentido. Mas para tudo tem uma primeira vez. Aliás, em recente entrevista à imprensa, o ministro Marco Aurélio Mello sinalizou que Fachin sucederá a Zavascki na relatoria da Lava-Jato. Mas melhor ainda seria a presidente avocar para si essa relatoria como fez com a homologação da Delação dos 77 da Odebrecht ― e ponto final.

Enfim, na primeira sessão do Supremo em 2017, quando esperava-se que seria decidida questão que versa sobre a possibilidade ― ou não ― de réus em ações penais ocuparem cargos que os coloquem na linha sucessória presidencial (como os de Presidente da Câmara Federal e do Senado), o julgamento da APDF 402, que já havia sido interrompido no ano passado por um pedido de vistas de Dias Toffoli (quando a maioria dos magistrados já havia votado pelo impedimento), foi a vez de Gilmar Mendes pedir vista do processo e adiar ― novamente ― a decisão final. 

Em novembro de 2016, o adiamento favoreceu o Cangaceiro das Alagoas, que semanas mais tarde se tornou réu numa ação penal em trâmite no STF. Para quem não se lembra, Renan afrontou o Judiciário, recusando-se a receber a notificação que o afastava do cargo, e com isso pariu-se uma jabuticaba jurídica que criou a figura do “meio senador”. Agora, como Rodrigo Maia têm chances reais de permanecer na presidência da Câmara por mais dois anos e Eunício Oliveira já foi confirmado presidente do Senado, seria bom que tivéssemos essa definição o quanto antes. Nem Maia nem Oliveira são réus em ações penais (ainda). Mas ambos foram citados na delação do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho. Se forem denunciados pela PGR e o STF aceitar as denúncias, a decisão os afetará diretamente ― vejam vocês que ironia: como não temos vice-presidente, quem assumiria o comando na ausência de Temer seria Carmen Lucia, ou seja, teríamos novamente uma mulher no comando da Banânia).

Observação: Antes de a votação ser interrompida, cinco ministros haviam decidido que réus não podem assumir a linha sucessória da presidência e têm de ser afastados também dos cargos parlamentares, enquanto outros três deliberaram pelo afastamento da linha sucessória, mas sem a perda do mandato nos cargos eletivos pelo voto popular.

Para encerrar: O estado de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia permanecia inalterado até o início da tarde de ontem (ou seja, ela continuava em coma induzido), mas o quadro se agravou no decorrer do dia e já se fala que é irreversível. Na última segunda-feira, por ocasião de sua primeira manifestação pública e presencial sobre a situação da ex-primeira dama, o molusco abjeto afirmou a simpatizantes que “a pressão e a tensão fazem as pessoas chegarem ao ponto que a Marisa chegou”. Pobre alma.

Em tempo:

Deu no ANTAGONISTA: De um profissional com quase quarenta anos de vida em tribunais, sobre o sorteio que Carmen Lucia fará para definir o novo relator da Lava-Jato:

"Quando um juiz aceita o lugar de outro, ele herda todos os processos sob análise no novo gabinete. Se Fachin aceitou ocupar o posto de Teori, deveria ser automaticamente o novo relator da Lava-Jato. Pelo regimento do STF, inclusive, o sorteio só ocorreria 'diante de grave risco de perecimento da causa'. Não há esse risco: Teori morreu durante as férias forenses, Carmen homologou as delações da Odebrecht. Se Teori estivesse vivo e em férias, ela também decidiria as questões urgentes do gabinete dele. Acabaram as férias, Fachin assumiu o gabinete de Teori. Não há risco para a Lava-Jato ou para qualquer outro processo. Isto pode causar a nulidade dos processos."

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ATUALIZAÇÕES:

MORTE CEREBRAL DE MARISA LETÍCIA LULA DA SILVA

Exame realizado nesta manhã no Hospital Sírio-Libanês constatou não haver atividade cerebral em Marisa Letícia, que se encontrava internada na UTI desde a semana passada, devido a um AVC. O ex-presidente Lula já autorizou a doação de órgãos do corpo da mulher, cujo coração continua batendo. Tecnicamente, não se poderia falar em morte cerebral antes de um protocolo de exames, mas a equipe do doutor Roberto Kalil Filho não deverá realizá-los, pois considera esse procedimento dispensável no caso da ex-primeira-dama. O médico já havia informado na última madrugada que o quadro da paciente havia deteriorado e se tornado “irreversível”.

FACHIN PASSA PARA A 2ª TURMA DO STF E É O NOVO RELATOR DA LAVA-JATO

Após a formalização da transferência de Edson Fachin para a 2ª Turma do STF, o ministro passou a ser o novo relator dos processos da Lava-Jato na Corte. Fachin era um dos ministros mais próximos a Teori Zavascki e não escondeu sua emoção no enterro do colega.
O ministro ascendeu ao STF por indicação de Lula, mas seu nome só foi confirmado no governo de Dilma. Em meio a turbulências políticas no governo da petista, o ministro enfrentou dura resistência no Senado, mas, ao chegar ao Tribunal, frustrou a expectativa dos apoiadores e advogados da presidanta ao proferir um voto considerado “muito rigoroso” na sessão que definiu o rito do julgamento do impeachment da mulher sapiens.

MORO CONDENA JOÃO SANTANA, MONICA MOURA E MAIS QUATRO NA LAVA-JATO

Em sentença publicada nesta quinta-feira, o juiz Sérgio Moro condenou a 8 anos e 4 meses de prisão o marqueteiro João Santana e sua esposa, Monica Moura, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Na mesma ação, originada pela 23ª fase da Lava-Jato (codinome Acarajé), também foram condenados o operador Zwi Skornicki ― a 15 anos, 6 meses e 20 dias por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, e organização criminosa; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto ― a 10 anos, por corrupção passiva; o ex-diretor da Sete Brasil João Carlos de Medeiros Ferraz ― a 8 anos e 10 meses, por corrupção passiva e organização criminosa; e o ex-gerente da Petrobras Eduardo Costa Vaz Musa ― a 8 anos e 10 meses, por corrupção passiva e organização criminosa. João Santana, vale lembrar, foi marqueteiro nas campanhas presidenciais dos ex-presidentes petralhas Lula e Dilma. O magistrado também determinou um novo mandado de prisão preventiva contra João Vaccari Neto, que já está preso no Complexo Médico-Penal de Pinhais, em Curitiba. Ao contrário dos demais, Vaccari não poderá recorrer em liberdade caso consiga revogar a prisão anterior.