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sexta-feira, 10 de março de 2017

O APETITE PANTAGRUÉLICO DO FIREFOX POR MEMÓRIA RAM

O ÚLTIMO RECURSO DO PERDEDOR É NÃO ESTAR ERRADO.

Não é de hoje que eu venho dizendo que a maioria dos principais navegadores é muito parecida em termos de recursos e funções, o que leva a escolha do aplicativo para o campo das preferências pessoais.

Há coisa de um lustro que o MS IE passou a coroa e o cetro para o Google Chrome, que mantém a liderança desde então, seguido de longe pelo Mozilla Firefox. Todavia, uma queixa recorrente dos usuários do líder e do vice-líder remete à lentidão ― decorrente do alto consumo de memória dos browsers.

Numa sequência de postagens que eu publiquei no mês passado, vimos que é possível contornar esse problema ― que não é exatamente um defeito, mas sim uma característica do produto ― no Chrome com a instalação do plugin “Great Suspender”, que, depois de determinado tempo de ociosidade, “adormece” as tabs (abas) abertas, minimizando o consumo de memória. Para o Firefox, todavia, não existe uma extensão equivalente (pelo menos até onde eu sei), e, para piorar, a raposinha armazena em cache as últimas cinco páginas visitadas em cada tab ― pressupondo que o usuário fatalmente voltará a visitar as mesmas páginas (ou a algumas delas). E como tem gente que abre dezenas de abas durante uma sessão de navegação e não se preocupa em fechá-las quando não são mais necessárias, a conclusão é óbvia (sem mencionar que nem sempre basta fecha as tabs para forçar o navegador a devolver toda a memória que ele havia alocado; às vezes isso só acontece quando se reinicia o programa, e olhe lá).

Enfim, se, como eu, você utiliza regularmente o Firefox e se ressente do alto consumo de RAM (coisa que você pode acompanhar pelo Gerenciador de Tarefas do Windows, mas é melhor fazer com um gerenciador de memória ― como o do Advanced System Care, que desfragmenta a RAM, agiliza o acesso aos dados e recupera o espaço que alguns softwares malcomportados insistem em comprometer), é bom saber que pequeno truque para minimizar esse problema: batas digitar about:config na barra de endereços do Firefox, teclar Enter, clicar em “Eu aceito o risco”, digitar browser.sessionhistory.max_total_viewer no campo Localizar, dar um clique direito sobre a entrada em questão, selecionar Editar e, na caixa de diálogo, alterar o valor de -1 para 0, confirmar em OK e reiniciar o navegador.

Se, por alguma razão, você não ficar satisfeito com o resultado, repita os mesmos passos e reverta a configuração ao status quo ante. Simples assim.

VAMOS FATURAR?

Barack e Michelle Obama firmaram contrato com a tradicional editora Penguin Random House. Em troca de módicos US$ 30 milhões (cada um), eles vão escrever suas lembranças dos tempos em que ocuparam a Casa Branca.

Quando foi afastada da presidência, Janete ― a anta vermelha, senhora dos ventos e grande-chefa-toura-sentada ― aventou a possibilidade de publicar suas memórias. Fica aqui a dica, já que certa vez ela disse que é capaz de escrever melhor do que fala (pior seria impensável).

Outro que poderia se interessar pela ideia é Eduardo Cunha, que também aventou a possibilidade de publicar dois livros (?!) ― o primeiro, ainda em 2016. Parece que a ideia mixou, talvez por conta da delação dos 77 da Odebrecht, cujo conteúdo deve ser ainda mais bombástico do que os podres que o ex-presidente da Câmara poderia contar.

Lula, o senhor das palestras milionárias, fica de fora. Primeiro, porque ele orgulha de jamais ter lido um livro ― e provavelmente não se daria bem como escritor. Contratar um ghost writer está fora de cogitação, naturalmente: na cabeça do, seria preciso matar o cara quando a obra ficasse pronta, para evitar que que ele contasse seus segredinhos sujos.

Por outro lado, a julgar pelas denúncias de corrupção envolvendo o deus pai da petelândia, sua insolência já deve estar com as burras cheias. E considerando o que o espera depois que as cinco ações penais em que ele figura como réu (por enquanto), mais dinheiro não faria mesmo muita diferença. Quá, quá, quá!

E como hoje é sexta-feira:



Confira minhas atualizações diárias sobre política em www.cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/

terça-feira, 13 de setembro de 2016

WINDOWS RESOURCE PROTECTOR ― O SALVADOR DA PÁTRIA

O PUDOR É A MAIS AFRODISÍACA DAS VIRTUDES.

Para evitar alterações indevidas em seus arquivos de sistema, o Windows conta com uma proteção que só permite modificações “legítimas”. Assim, se algum dos arquivos protegidos for modificado de maneira “não autorizada”, o Windows Resource Protector  (que se chamava Windows File Protector nas edições anteriores ao Server 2008/Vista) recupera automaticamente a versão original a partir de cópias que o Windows mantém numa pasta oculta.

Não obstante, isso não garante que algum arquivo do sistema não possa ser corrompido. Então, se você suspeita que eventuais alterações indevidas venham prejudicando o funcionamento do seu PC, faça logon como administrador, clique em Iniciar > Executar, digite “sfc /scannow” (sem as aspas) e tecle ENTER

Repare que surgirá uma janela do prompt de comando com a mensagem “Iniciando verificação de arquivos. O processo levará alguns minutos para ser concluído”. Ela não mostra muita coisa, mas permite que você acompanhe o andamento da verificação, que leva pelo menos 15 minutos ― vá tomar um café, ou coisa parecida, pois usar o PC concomitantemente só retarda a conclusão do processo.

Observação: Nas edições mais antigas do Windows, a ferramenta exigia que a mídia de instalação do sistema fosse devidamente introduzida na leitora óptica, mas isso deixou de ser necessário a partir do Windows Vista.

Ao final, a tela de prompt exibirá uma mensagem com o resultado. Se alguma alteração indevida tiver sido detectada, o arquivo modificado será substituído por uma cópia de sua versão original assim que você reiniciar o computador.

Bom dia a todos e até mais ler.

Em tempo: Dada a importância do tema, resolvi não esperar até o final da semana para publicar aqui no Blog o texto a seguir, que acabo de postar na minha comunidade de política:


TCHAU, QUERIDO!

Contrariando as expectativas dos mais pessimistas e superando escandalosamente as previsões mais otimistas, Cunha foi cassado por 450 votos a 10, numa “lavada” histórica e, convenhamos, inesperada, considerando que havia uma movimentação nos bastidores visando ao adiamento da votação e/ou abrandamento da pena, além da possibilidade de um grande número de parlamentares com rabo preso não comparecer à sessão, favorecendo “seu bandido preferido”. Mas apenas 42 deputados faltaram e só 9 se abstiveram de votar (a soma dá 511, e não 513, pois o presidente da Casa não vota ― e nem tampouco Eduardo Cunha, naturalmente).

Cunha é o segundo presidente da Câmara cassado ― o primeiro foi Ibsen Pinheiro ― e o terceiro desde quando o voto para este tipo de sessão passou a ser aberto. Os outros foram o petista André Vargas e o peemedebista Natan Donadan.

Depois de quase um quarto de século da vida pública, Cunha ganhou projeção no segundo governo de Lula e atingiu o ápice no ano passado, ao assumir a presidência da Câmara. Nos últimos 20 meses, todavia, ele passou de presidenciável a cassável, mentiu copiosamente, postergou por quase um ano o que viria a ser o processo de cassação mais longo da história da Câmara e ainda tentou a derradeira ― mas infrutífera ― cartada na sessão de ontem.

À media que as manobras regimentais foram rechaçadas e as tentativas de transformar a cassação em mera suspensão caíram por terra, a condenação tornou-se mais do que previsível, embora o fato de 88% de seus pares terem apoiado sua cassação foi surpreendente. Em discurso, Cunha afirmou que “pagou o preço” por dar seguimento ao processo de impeachment de Dilma e culpou o PT pela decisão, que, além da perda do mandato, o torna inelegível até janeiro de 2027.

Embora tenha contribuído para a deposição da grande-chefa-toura-sentada-impichadaaspecto que salientou antes, durante e depois da votação ―, a verdade é que Cunha só deu seguimento ao processo depois que todas as tentativas de negociar um “toma-lá-dá-cá” com o PT fracassaram. Demais disso, não se sabe o que teria acontecido se outro deputado presidisse a Câmara; dependendo de quem fosse, talvez a gente tivesse se livrado da sacripanta petralha bem antes.

Além do mandato e dos direitos políticos, Cunha perdeu também a prerrogativa a foro privilegiado. Agora, da mesma forma que Lula e Dilma, ele está sujeito a ser investigado e julgado pela Justiça Penal como qualquer cidadão comum, e não faltam indícios e acusações sua participação no Petrolão, sem mencionar que duas ações penais no Supremo e outras investigações que o relacionam ao esquema devem migrar para a esfera do juiz Sergio Moro ― a menos que, por razões processuais, um ou outro caso que envolva investigados com foro direito a foro especial fiquem no STF.

Como salientou Reinaldo Azevedo, em sendo verdade bem menos da metade do que se diz sobre Cunha, ele acabará na cadeia ― e, a depender do que decida o Supremo em breve, já a partir da condenação em segunda instância ―, o que faz dele um provável candidato à delação premiada.
Enfim, Cunha caiu, mas promete levar consigo nada menos que 150 deputados, um senador e um dos ministros mais próximos a Temer. Daí se infere que tanto o impeachment da anta petralha quanto a cassação do peemedebista são apenas um pequeno passo em direção à moralização da política tupiniquim, que, em última análise, necessitaria de ampla reforma e, por que não dizer, do afastamento de quase todos os integrantes do Congresso Nacional, além de governadores, prefeitos, vereadores de praticamente todos os partidos. Ou seja: se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão.


Resumo da ópera: Entre ausências, nãos e abstenções, restaram 59 parlamentares ao lado do ex-deputado, sabe-se lá se por amizade ou medo. Mas só vale a pena ele "abrir o bico" no âmbito de uma delação; do contrário, estará criando novos inimigos sem obter benefício algum em troca, e burro, convenhamos, Cunha não é. 

quinta-feira, 16 de junho de 2016

EIKE BATISTA, CUNHA, LULA E DILMA ― E VIVA O BRASIL!

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, no processo mais longo de sua história, decidiu aprovar, na última terça-feira, o parecer favorável à cassação do mandato de Eduardo Cunha, que presidia a casa até ser afastado pelo STF, no início do mês passado (vale salientar que ele só perderá definitivamente o mandato se pelo menos 257 dos 512 parlamentares que compõem o plenário da Câmara votar nesse sentido, daqui a 3 semanas, mas isso já é outra história).

A notícia em apreço teve grande repercussão na mídia, merecendo até mesmo destaque pelo “Plantão da Globo”, que interrompeu a novela das 19h para dar conta do voto decisivo, dado por Tia Eron, que assim conquistou seus 15 minutos de fama. Segundo a Folha, a deputada baiana atacou colegas que criticaram seu sumiço, afirmando não ter sido "abduzida", que estava se resguardando e que iria resolver “o problema que os homens não conseguiram resolver”.

Em seu discurso final, o relator ponderou que os parlamentares estavam diante do maior escândalo que aquele colegiado já julgou, uma trama para mascarar uma sucessão de crimes, uma verdadeira “laranjada”. Eduardo Cunha, por seu turno, continua alegando inocência, afirmando que vai recorrer da decisão, que as tais contas na Suíça não são dele e blá, blá, blá ― com uma cara-de-pau tão acintosa quanto a de Dilma, que se diz injustiçada e afirma que só “pedalou” para manter os projetos sociais do seu nefasto governo, e de Lula, que tempos atrás se autodeclarou “a alma viva mais honesta do Brasil”. Enfim, um acinte capaz de dar enjoo até mesmo a porcos da Tasmânia!

Como dito linhas atrás, esse assunto foi abordado pelos principais jornais ― e certamente terá desdobramentos que me levarão a retomá-lo nas próximas semanas ―, razão pela qual não vou perder meu tempo nem cansar o leitor com detalhes desnecessários. Em vez disso, vou relembrar um assunto que também mereceu destaque na mídia, no final do ano passado, protagonizada pela bancarrota de Eike Batista, que personificou de forma lapidar a ascensão e a queda da economia brasileira nos últimos anos.

A trajetória do criador do império EBX está umbilicalmente ligada ao desempenho da era Lula-Dilma, e seu fracasso espelha o modelo de gestão petista na condução das finanças públicas. Como o leitor deve estar lembrado, o empresário passou de aspirante a homem mais rico do mundo ― ao mesmo tempo em que o Brasil assomava como potencial gigante da economia mundial ― a um exemplo do que não fazer: mentir, esconder, mascarar.

O homem que chegou a ser chamado de “orgulho do Brasil” por Dilma hoje enfrenta, dentro e fora do país, cobranças de dívidas, denúncias de crimes contra o mercado financeiro, de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha. No início do ano passado, seu patrimônio negativa atingia a marca de R$1 bilhão, devido a manobras equivalentes às pedaladas da sacripanta afastada.

Mais do que apenas uma história malsucedida, a derrocada de Eike Batista entrará para os manuais de administração como uma lição a ser diariamente estudada. O tombo do antigo Midas tupiniquim causou prejuízos a milhares de investidores ― incluindo o BNDES ― e quebrou centenas de empresas fornecedoras. Somente o ITAÚ viu R$2,4 bilhões virarem fumaça com o derretimento do império EBX. No total, o estrago causado por Eike chegou a R$29,2 bilhões!

Se vivesse num país sério, o ex-bilionário estaria muito provavelmente atrás das grades. Como Lula e Dilma, vale lembrar. Mas isso já é outra história e fica para outra vez.

(Com informações extraídas de um artigo de Hugo Cilo, editor de negócios de IstoÉ Dinheiro).    

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A LAVA-JATO BATE À PORTA: DESTINO DE LULA ESTÁ NAS MÃOS DE MORO (e as últimas sobre a votação do impeachment da moribunda)

Conforme venho fazendo desde o último final de semana, replico mais uma postagem que publiquei na comunidade CENÁRIO POLÍTICO TUPINIQUIM. 

Afinal, vivemos tempos estranhos neste pobre país, onde a presidente não governa, o vice governa sem ser presidente e o próximo nome da sucessão, agora afastado do cargo e do mandato, é a própria encarnação do desgoverno. 

Fica o convite, a quem interessar possa, para visitar a comunidade (http://cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/) e, se calhar, participar (basta fazer um rápido cadastro, informando o nome, um endereço de email e uma senha).


A LAVA-JATO BATE À PORTA: DESTINO DE LULA ESTÁ NAS MÃOS DE MORO (e as últimas sobre a votação do impeachment da moribunda)
A LAVA-JATO BATE À PORTA: DESTINO DE LULA ESTÁ NAS MÃOS DE MORO (e as últimas sobre a votação do impeachment da moribunda)
4ª Vara Criminal de São Paulo enviou para a 13ª Vara Federal de Curitiba os autos do processo que apura se o chefão da petralhada cometeu crime de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Como o ministro Gilmar Mendes havia suspendido sua nomeação para a Casa Civil, Lula não tem mais direito a foro privilegiado, e a partir de agora caberá ao juiz Sergio Moro decidir se acata ou não o pedido de prisão de sua insolência.
Os promotores do Ministério Público de São Paulo Cássio ConserinoJosé Carlos BlatFernando Henrique Moraes de Araújo afirmam ter colhido dezenas de depoimentos que comprovam que o famoso tríplex no Guarujá era “destinado” ao ex-presidente e sua família. Dentre os depoentes, figuram o zelador, a porteira e diversos moradores do condomínio, funcionários e ex-funcionários da OAS, e o próprio Léo Pinheiro, dono da empreiteira que terminou a obra e bancou a decoração luxuosa da unidade com que presenteou o ex-presidente.
Além de Lula, forma indiciados também sua mulher, Marisa Letícia, e o filho Fábio Luiz.
Mas não é só: segundo matéria publicada na FOLHA, o Procurador Geral da República decidiu enviar ao Supremo pedido de abertura de inquérito para investigar Dilma e Lula no âmbito da Lava-Jato. O pedido é embasado na delação do senador Delcídio do Amaral, que acusou o “casal 20” de tentar interferir na operação (vale lembrar que já foi iniciada a sessão em que o plenário do Senado deverá decidir sobre a cassação do mandato de Delcídio; para acompanhar ao vivo, clique aqui).
Ainda segundo a FOLHA, também está na mira de Janot o ministro da Educação,Aloizio Merdandante, por tentar impedir a delação de Delcídio (eis aí mais um que deve perder em breve o direito a foro privilegiado, pois um dos primeiros atos de Michel Temer como presidente interino, após o afastamento da presidanta ― a ser decidido pelo plenário do Senado em votação prevista para amanhã ― será exonerar todos os ministros do atual governo que não se demitirem espontaneamente.
Vale lembrar que o esbirro José Eduardo Cardozo voltou a bater às portas do Supremo. Segundo Reinaldo Azevedo postou ainda há pouco em seu blog, a petralhada já estava preparada para recorrer contra a decisão de Renan Calheiros, que ignorou o ato absurdo do presidente interino da Câmara e deu sequência ao processo de impeachment. Todavia, no início da madrugada desta terça, Maranhão, em resumidas quatro linhas, revogou o próprio ato ― levado a efeito, vale frisar, ao arrepio do parecer da área jurídica da Câmara, o que deixa clara a ideia de conspiração combinada com Cardozo e com o governador do Maranhão, Flávio Dino.
Frustrado em seu intento, Cardozo votou à prancheta da impostura, alegando desta feita que Cunha praticou “desvio de poder” quando, lá nos primórdios, aceitou a denúncia contra Dilma. O advogado-geral da União faz de conta que a decisão não foi referendada por 367 deputados, que tudo não passou de uma disputa entre Dilma e Cunha e que essa questão já foi objeto de uma Ação Direita de Inconstitucionalidade movida pelo PCdoB, na qual o governo já foi derrotado. A propósito: no rito originalmente proposto pelo próprio Cunha, CONTRA O QUAL O GOVERNO RECORREU POR INTERMÉDIO DO SEU ALIADO —, a decisão inicial do presidente da Câmara seria submetida a plenário se os parlamentares decidissem recorrer. Enfim, foi o Supremo, ao redefinir o rito, quem bateu o martelo e determinou tratar-se de decisão monocrática: isto é, cabia a Cunha e ponto final! Foram nada menos de duas liminares nesse sentido: uma de Teori Zavascki e outra de Rosa Weber.
Essa ação não obsta o encaminhamento do processo no Senado, a não ser na improvável hipótese de uma liminar do Supremo mandar suspendê-lo. Trata-se apenas do PT a afrontar, mais uma vez, as instituições, recorrendo a todas as chicanas jurídicas para tentar deslegitimar o que, além de legal, é absolutamente legítimo. Mas não chega a surpreender. Ou o partido não teria se constituído, nas palavras da Procuradoria-Geral da República ao se referir aos autores do petrolão, numa verdadeira organização criminosa. E organizações criminosas não apreciam o triunfo da lei.
A conferir.

ATUALIZAÇÃO

Conforme eu disse num dos posts que publiquei hoje cedo na comunidade CENÁRIO POLÍTICO TUPINIQUIM, a sessão plenária do Senado que decidirá o futuro de Dilma começou com quase uma hora de atraso, já que só houve quórum quando 41 senadores se fizeram presentes.

Na abertura dos trabalhos, Renan Calheiros deu voz aos senadores da base do governo, mas recusou os cinco recursos que os esbirros da presidanta apresentaram contra o impeachment ― embora isso tenha atrasado em uma hora o início dos discursos: a primeira oradora inscrita, a senadora gaúcha Ana Amélia, só subiu à tribuna por volta das 11h18; se todos os 68 parlamentares inscritos usarem cada um os 15 minutos a que têm direito, a sessão dever avançar madrugada adentro.

A petralha Gleisi Hoffmann subiu à tribuna para repetir o batido ramerrão de que “a elite deste país tenta novamente chegar à Presidência sem o voto", citando ainda "os vícios que maculam" o processo contra Dilma.  A senadora petralha chegou a pedir a suspensão dos trabalhos até que o ministro Teori Zavascki deliberasse sobre a ação impetrada pela AGU para melar a votação, mas Renan lembrou que a Câmara dos Deputados decidiu pela admissibilidade do processo e disse que o Senado deve cumprir o que lhe manda a Constituição, e não esperar uma decisão do Supremo. 

Já o senador Cássio Cunha Lima criticou o pronunciamento de Gleisi ― que, segundo ele, foi uma defesa prévia de Dilma, e José Agripino endossou ― e criticou o que chamou de "procrastinação".


Agora são 13h25. Vamos continuar acompanhando.  

sábado, 7 de maio de 2016

A NOVELA EDUARDO CUNHA

ISSO AQUI É UMA FACHADA DE IGREJA COM FUNDO DE CABARÉ. É UMA SURUBA, ISSO AQUI 
(Vinicius Gurgel, deputado federal, durante reunião do Conselho de Ética da Câmara, semanas atrás, onde se discutia a situação do presidente da Casa).

Reproduzo a seguir a postagem que publiquei ainda há pouco na minha comunidade de política na Rede .Link (veja o URL dessa e das minhas outras duas comunidades no topa da coluna à direita). Comentários (e visitas in loco) serão bem-vindos.
Bom sábado a todos e um ótimo final de semana. Voltamos na segunda - ou em qualquer momento em edição extraordinária.  

A NOVELA EDUARDO CUNHA
A NOVELA EDUARDO CUNHA
Malgrado as tentativas de obstrução dos senadores governistas, o relatório do Senador Antonio Anastasia foi aprovado, e agora será votado pelo plenário da Casa ― na próxima quarta-feira (11) ―, onde basta maioria simples para determinar o pronto afastamento da presidanta incompetenta.
Na avaliação do jornalista Reinaldo Azevedo, o afastamento de Cunha foi positivo para o futuro governo Temer ― aliás, para qualquer presidente da República, mesmo um aliado, é melhor ter um Cunha fraco do que um forte. Mas é inegável que estamos diante de um fato inédito ― aspecto para o qual quase todos os ministros do STF, dentre os quais Teori ZavasckiDias ToffoliGilmar Mendes e Celso de Mello chamaram a atenção.
ObservaçãoEm abono dessa tese, vale relembrar que Delcídio do Amaral, preso por ter sido flagrado tentando obstruir a Justiça e a investigação da Lava-Jato, conservou o seu mandato (um político pode ir para a cadeia e não perder o mandato, como vimos acontecer durante o julgamento do “mensalão”. Então, como suspender o mandato de quem não foi preso?
Em entrevista à FolhaEloísa Machado ― professora do curso de direito da FGV e coordenadora do projeto “Supremo em Pauta”, que estuda o tribunal ― afirma que uma decisão dessas tem enorme impacto no sistema político; afinal, todos os deputados que são réus serão afastados ou isso só vale para Cunha?
Zavascki vinha evitando tratar da Ação Cautelar movida pela PGR, talvez porque soubesse do risco que ela trazia. Mas aí surgiu a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) da Rede, que caiu nas mãos de Marco Aurélio. Rápido no gatilho, ele conseguiu pautar a matéria com Ricardo Lewandowski, argumentando que a permanência de Cunha na Câmara feria preceitos fundamentais, e que, uma vez réu, ele não poderia estar na linha sucessória. Só que nada disso está na Constituição. Armava-se, assim, um palco para Marco Aurélio questionar as decisões de Cunha, incluindo o primeiro ato de aceitação da denúncia que resultou no impeachment. Zavascki houve por bem conceder, então, a sua liminar, que cuidou menos da questão da linha sucessória do que dos atos que, no entendimento do ministro, o presidente da Câmara tomou para obstruir a investigação. Mas o palanque foi desfeito, Cunha foi afastado da Câmara e não preside mais a Casa, o que, em si, é bom. Do ponto de vista institucional, porém, estamos um pouco mais enrolados.
Segundo O ANTAGONISTA, a jornalista Eliane Cantanhêde é da mesma opinião: a antecipação da suspensão de mandato de Cunha foi uma forma de Zavascki evitar um golpe de Lewandowski e Marco Aurélio Mello contra o impeachment. Leiam o que ela escreveu no Estadão:
"A decisão de Teori Zavascki de afastar o deputado Eduardo Cunha foi amadurecida durante a madrugada e teve por objetivo desativar uma bomba preparada pelos ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello, que, segundo análises de juristas, poderia implodir o impedimento de Dilma e a posse do vice. Lewandowski Mello puseram em votação a ADPF de autoria da Rede de Sustentabilidade, que pedia o afastamento de Cunha e determinava ― segundo interpretação de vários ministros ― a anulação de todos os seus atos no cargo, dentre os quais o acatamento do pedido de impeachmentZavascki se irritou, e outros membros da Corte estranharam que Mello tenha aceitado relatar a ADPF da Rede, quando o natural seria que a enviasse para ele,Zavascki, que relata o caso Cunha desde dezembro. E as suspeitas pioraram quando Mello acertou com Lewandowski a suspensão de toda a pauta do dia no plenário para se concentrar nessa ação."
Ao decidir pelo afastamento de Eduardo Cunha com base no processo aberto pelaPGRZavascki tirou o objeto da ação da Rede ― ainda segundo Cantanhêde, se o ele não é mais deputado, não há como julgá-lo como tal.
Mas Ricardo Lewandowski é Ricardo Lewandowski, e Marco Aurélio Mello se esforça para ser o Renan Calheiros do STF. E viva o povo brasileiro!