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sexta-feira, 20 de março de 2026

ENTRE A CRUZ E A CALDEIRINHA

EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO PRECISAREIS PUNIR OS HOMENS.

O mercado de smartphones vive um cenário curioso. De um lado, as fabricantes anunciam atualizações de sistema que chegam a sete anos; de outro, o hardware dos aparelhos deixou de acompanhar o fôlego do software, sobretudo depois que o aumento no preço das memórias e processadores voltados para IA forçou as marcas a priorizar dispositivos intermediários com configurações chinfrins e acabamento cada vez mais simples.


A grande armadilha de 2026 é a potência: um smartphone topo de linha de 2022 ainda oferece mais desempenho que um bom intermediário de 2025 — aparelhos premium de dois anos atrás foram construídos com titânio ou alumínio reforçado, ao passo que os modelos médios de 2026 utilizam materiais mais simples para manter o preço competitivo diante da alta dos semicondutores.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Com as pesquisas de opinião evidenciando o desgaste que o escândalo do caso Master provocou na imagem do STF, o ex-presidiário "descondenado" que pugna por um quarto mandato presidencial no país do futuro que tem um imenso passado inglório pela frente tenta conter um dos principais focos da crise articulando nos bastidores a aposentadoria antecipada de Dias Toffoli — cujos ombros ele próprio cobriu com a suprema toga, em 2009, como forma de agradecer os "valiosos serviços prestados" ao PT. 
O Supremo não é a única instituição que terá problemas se Vorcaro abrir o bico. Mesmo porque uma eventual delação pode levar o escândalo para dentro do Palácio do Planalto, tendo em vista os contratos celebrados entre empresas ligadas ao Master e o governo da Bahia, então comandado pelo hoje ministro ministro Rui Costa — que diz ter “preocupação zero” com eventuais denúncias, mas não custa lembrar que Bolsonaro disse mais de uma vez que estava cagando para a CPI da Covid, e hoje cumpre pena na Papudinha.
Lulinha afirmou que está disposto a depor no inquérito que apura supostas irregularidades nos descontos do INSS. Seu advogado disse que "há zero chance" de prisão se ele retornar ao Brasil. As investigações sobre suas relações com o Careca do INSS podem dar em nada, mas nada virou um pepino que ultrapassa tudo na estratégia dos opositores do xamã petista, que podem usar as evidências que pesam contra o filho na campanha eleitoral do pai. 
Formado em biologia e tendo atuado como monitor do zoológico de São Paulo, o Ronaldinho dos negócios caprichou na escolha do nome da empresa que abriu em janeiro na Espanha: "Synapta" remete a um tipo específico de pepino-do-mar que tem o formato de serpente e frequenta as profundezas lodosas do Oceano Pacífico.
Lulinha, Lulão, aliados e advogados precisam sincronizar seus passos. Quando Bibo Pai disse que "se tiver filho meu metido nisso, será investigado", uma testemunha já havia cochichado para a PF a suspeita de que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do Careca. A defesa só deu as caras quando veio a público que Lula depositou R$ 9,7 milhões na conta do filho . 
Os advogados admitiram que Lulinha viajou a Portugal na companhia do Careca e com as despesas pagas pagas por ele. Sobre a Synapta, ssustentam que a empresa se destina a "negócios futuros". Lula deveria considerar a hipótese de convidar seu rebento para ministrar um seminário no PT sobre a arte do empreendedorismo — um setor no qual o petismo tem dificuldades para prospectar votos.

No setor de câmeras, o marketing alardeia a alta resolução para esconder a falta de recursos ópticos reais — sem lentes telefoto dedicadas, os celulares dependem apenas do corte digital, o que gera imagens com ruído. Em outras palavras, um topo de linha antigo ainda entrega fotos superiores devido aos sensores maiores e processadores de imagem mais potentes.

A promessa de prolongar as atualizações também deve ser vista com cautela, pois nada garante que o hardware de um Moto G75, por exemplo, suporte o Android 19 de forma fluida em 2029, pois o excesso de recursos do sistema pode tornar a experiência lenta em componentes que já nasceram limitados.

Para quem busca o melhor custo-benefício, a recomendação técnica aponta para o mercado de seminovos ou recondicionados. Modelos como o iPhone 15 Pro, o Galaxy S24 Ultra ou o Motorola Edge 50 Ultra oferecem uma experiência de uso muito mais consistente do que os lançamentos médios atuais, além de manterem o suporte de segurança em dia e contarem com o desempenho necessário para rodar as inovações de software futuras sem engasgos.

Note que:


1 — Atualizar o Android é crucial para garantir a segurança e o acesso a novos recursos, mas a decisão depende do estado do aparelho e das prioridades de desempenho do usuário. 


2 — Para saber se há atualizações disponíveis, toque em Configurações e em Atualização de software (ou Sobre o telefone). Se houver, faça um backup de seus arquivos e garanta que o aparelho disponha de pelo menos 75% de bateria e conexão Wi-Fi. E tenha em mente que as atualizações costumam exigir vários gigabytes de armazenamento (memória interna do aparelho).


3 — Atualizações de segurança corrigem brechas e protegem os dados contra hackers e golpes, ao passo que upgrades de versão do sistema garantem que aplicativos modernos de bancos e redes sociais (como o WhatsApp) continuem funcionando. Mas se o aparelho for antigo, e o hardware, limitado, o sistema pode ficar lento e/ou a bateria pode durar menos após a atualização. 


4 — Grandes atualizações (como mudar do Android 15 para o 16) podem conter erros iniciais, razão pela qual é recomendável esperar alguns dias para ver relatos de outros usuários — como diz um velho ditado, os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito.


Boa sorte.

segunda-feira, 9 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 82ª PARTE

O REAL NÃO ESTÁ NA SAÍDA NEM NA CHEGADA, MAS NO MEIO DA TRAVESSIA.

Compreender o tempo como ele realmente é pode ser tão letal quanto dobrá-lo, e talvez por isso não existam provas, vestígios e testemunhas confiáveis, apenas histórias mal contadas, registros truncados e um estranho fenômeno: toda vez que alguém tenta provar que o experimento nunca existiu, novos indícios surgem, como se o próprio tempo conspirasse para manter viva a lembrança de quem ousou desafiá-lo.

Igualmente emblemático é o caso do OOPArt — acrônimo de Out Of Place Artefact — encontrado em 2008 dentro de uma tumba da Dinastia Ming que ficou selada por mais de 400 anos. A caixa do artefato que não poderia estar ali exibia a inscrição Swiss, e os ponteiros marcavam 10h06. Para os entusiastas do insólito, trata-se de uma “prova irrefutável” da passagem de um viajante do tempo; para os céticos, a ausência de relatórios arqueológicos, publicações acadêmicas e imagens confiáveis indicam fraude.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lulinha ficou tão isolado que precisa parar de andar sozinho se quiser evitar as más companhias. Davi Alcolumbre, presidente do Senado, confirmou a votação da CPI do INSS que quebrou o sigilo bancários do "Ronaldinho dos negócios", e a bancada governista desistiu de resistir: "A gente luta para vencer, mas aceita quando perde", disse Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso. 

Deve-se a resignação ao fato de o ministro André Mendonça ter autorizado em janeiro a PF a invadir as contas bancárias e o Imposto de Renda de Lulinha, dada a suspeita de que ele recebeu dinheiro do Careca do INSS, operador do assalto contra os aposentados.

O Planalto passaria atestado de burrice se continuasse erguendo barricadas numa CPMI que deve terminar em 28 de março. O filho do pai já havia recebido um chega-prá-lá: "Se tiver filho meu metido nisso, será investigado." Haddad também tomou distância: "Lulinha não participa do governo, não conheço a sua vida."

Sem apoio no Congresso e com a PF dentro das suas contas, o primogênito de Lula logo estará cantarolando versos do clássico de Cazuza "Maior Abandonado".


Numa foto tirada durante a reabertura da ponte South Fork em British Columbia (Canadá), em 1941, um indivíduo se destaca na multidão pelos cabelos desalinhados, óculos escuros de armação grossa e cardigã aberto sobre uma camiseta estampada. Para os conspirólogos de turno, o Hipster de 1941 — como ele ficou conhecido — e outra pessoa segurando o que parece ser uma câmera portátil moderna são viajantes do tempo; para os céticos, óculos escuros como aqueles eram vendidos nos anos 1920, camisetas com logotipos esportivos já existiam e a Kodak fabricava câmeras portáteis desde os anos 1930. 

 

No início dos anos 2000, um internauta chamado John Titor alegou ter vindo de 2036 em busca de um computador IBM 5100, necessário, segundo ele, para depurar programas antigos e evitar o efeito 2038. O modelo em questão havia sido lançado em 1975 e retirado do mercado em 1982, de modo que a alegação fazia sentido. Além disso, a IBM reconheceu o “desaparecimento misterioso” de uma unidade dotada de uma interface que dava acesso a todos os códigos da empresa.


Titor detalhou seus deslocamentos temporais, disse que o CERN descobriria as bases para a viagem no tempo em 2001 e que as máquinas do tempo criadas para transportar pequenos objetos seriam adaptadas para coisas grandes e seres humanos. Postou desenhos esquemáticos e uma foto de sua "unidade de deslocamento no tempo de massa estacionária alimentada por duas singularidades duplamente positivas girando no topo".


A guerra civil que ele revelou que aconteceria em 2004 não aconteceu, a exemplo da Terceira Guerra Mundial, que teria início em 2015 e dividiria os EUA em cinco países. Mas a doença da vaca louca aporrinhou pecuaristas e a China realmente mandou um homem ao espaço em 2003. 


Em março de 2001, após discorrer durante meses sobre a política norte-americana e assuntos como saúde e tecnologia, Titor desapareceu dos fóruns, deixando uma frase misteriosa — traga uma lata de gasolina com você para quando seu carro morrer na estrada — e diversas perguntas sem resposta.


Em 2009, o jornal britânico Daily Telegraph publicou que o suposto viajante do tempo era uma ficção criada pelos irmãos Larry e John Haber. Um detetive norte-americano encontrou um registro de marca com o nome de John Titor Foundation, onde Larry figurava como presidente, mas cuja sede não passava de uma caixa postal no estado da Flórida.


Para os teóricos da conspiração, as previsões de Titor não falharam, apenas deram a abertura temporal para que ele as corrigisse a tempo de não ocorrerem. O próprio Titor avisou que alguns eventos poderiam não acontecer, pois o modelo Everett-Wheeler da física quântica estava certo: sua viagem ao passado criaria duas linhas do tempo; a original, vivida por ele, e outra, paralela, surgida após sua viagem ao passado. 


Ninguém reconheceu ser o autor da brincadeira e muitas questões levantadas por Titor jamais foram esclarecidas. Se sua narrativa for mesmo uma fraude, quem a criou sabia muito bem do que estava falando.


Observação: A Interpretação de Muitos Mundos (IMM) postula que todo resultado possível de uma decisão quântica ocorre em um universo paralelo e resolve o paradoxo do avô, segundo o qual alguém que voltasse ao passado e matasse o próprio avô se tornaria uma pessoa diferente em outra linha temporal, já que não poderia existir na dele.


A literatura antiga também guarda descrições que parecem ter brotado de mentes com visão privilegiada do futuro. Os Contos das Mil e Uma Noites estão repletos de tapetes que voam, gênios que habitam lâmpadas mágicas, cavernas com portas de pedra se abrem por comandos de voz e outros prodígios tecnológicos que passariam a existir dali a milhares de anos.


Sherlock Holmes ensinou que “uma vez descartado o impossível, qualquer coisa que sobre, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade”, e o princípio da parcimônia, que “se houver múltiplas explicações possíveis para o mesmo fato deve-se escolher a que apresenta o menor número possível de variáveis e hipóteses com relações lógicas entre si”. 


Na esteira desse raciocínio, a explicação mais racional é que a ficção sempre antecipou tecnologias. Foi o que faz Júlio Verne ao imaginar submarinos atômicos e viagens à Lua quase um século antes de se tornarem realidade. Mas quando a previsão vem de milênios atrás, a tentação de interpretá-la como memória do futuro fica ainda maior. 


Resumo da ópera: A maioria de nós tende a enxergar padrões, a reinterpretar o passado com lentes modernas e a acreditar em histórias que reforçam nosso desejo de escapar das amarras do tempo. O grosso das “provas” não resiste a uma investigação séria, mas a versão fantasiosa é mais divertida de contar. Entre “os egípcios terem trabalhado duro durante três décadas” e “um viajante do tempo trazer um laser portátil para cortar os blocos de pedra”, a segunda versão rende mais cliques e muito mais histórias para contar.


Continua...

sábado, 29 de julho de 2023

ALÔ, ALÔ, RESPONDE... (PARTE 3)

SE VOCÊ CONHECE O INIMIGO E CONHECE A SI MESMO, NÃO PRECISA TEMER O RESULTADO DE CEM BATALHAS.

 

É compreensível que Bolsonaro procure se manter em cena como um contraponto de Lula (estranho seria o imbrochável insuportável e momentaneamente inelegível não posar de vítima). Mas causa espécie o atual inquilino palaciano suar o paletó para favorecer o adversário com uma pacificação marcada pela agressividade tóxica. 

Semanas atrás, o presidente se referiu ao antecessor como "titica"; dias atrás, foi chamado de "jumento" por aquele que, no quartel, atendia por "cavalão". Com essa troca de coices, um faz o jogo do outro (e os dois enchem os pacovás deste humilde escriba, que está até os tampos de relinchos e zurros). Num cenário convencional, o santo de pés de barro desligaria o capetão da tomada, mas, como candidato prematuro à re-re-re-reeleição, parece interessado em manter viva a ameaça bolsonarista que pavimentou seu retorno ao Planalto. 

Domingos atrás, o retirante que virou presidiário e passou a ex-corrupto por um supremo prodígio de magia subiu no palanque para incitar os 'cumpanhêro': "Vocês têm que tá preparado(sic), nós derrotamo(sic) o Bolsonaro, mas não derrotamo(sic) os bolsonarista (sic)ainda. Os maluco(sic) tão na rua xingando as pessoa (sic)." Olha só quem fala.

O chefe do clã das rachadinhas e mansões milionárias está mais próximo da cadeia do que da urna, mas, a pretexto de 'dizer pra eles que queremos que este país volte a ser civilizado', o pai do Ronaldinho dos Negócios bate palmas para o antipetismo dançar. 

Num cenário em que Lula hesita em retirar titica dos lábios e Bolsonaro demora a enxergar no espelho a cor de burro quando foge de meia dúzia de inquéritos criminais, resta defender a fauna nacional. O excremento da galinha, quando usado como adubo, ajuda a produzir alimentos em pequenas propriedades rurais. O jumento trabalha em silêncio nos fundões do Nordeste sem exigir nada em troca. Se falassem a língua dos humanos, galinha e jumento escarneceriam: Inclua-nos fora dessa! 

***

Numa sequência sobre relógios de pulso, eu destaquei que a impermeabilidade varia conforme o modelo, que a classificação "3 ATM" ou "30 m" garante proteção contra pingos chuva e respingos de água da torneira, e que a prática de esportes aquáticos e mergulho requer a notação 30 ATM — ou 300 m, ou 1000 ft. No que tange a smartphones, smartwatches e companhia, as classificações IP67 e IP68 também não garantem que os gadgets sejam "à prova d'água". 


O termo IP — de a "ingress protection" — indica a impermeabilidade a água e poeira (note que em alguns modelos é preciso vedar as entradas do carregador e do fone de ouvido com tampões de borracha ou silicone). O primeiro número vai de 1 a 6 e remete à resistência à poeira, e o segundo, que vai de 1 a 8, à impermeabilidade a água e outros líquidos (7 indica que o aparelho pode ser mergulhado em água doce, a 1 m de profundidade, por até 30 minutos, enquanto 8 amplia o tempo e aumenta a profundidade para algo entre 1,5 m e 6 m, conforme o fabricante). 


Observação: Evite entrar com o celular na piscina ou no mar. Se a ideia for tirar fotos, proteja o aparelho com uma capinha à prova d'água e redobre os cuidados se a classificação for IP52 ou IP53. Os fabricantes recomendam não imergir o aparelho em água de forma intencional.


A Apple tornou o iPhone à prova d'água em 2016, e a versão 14 conta com a proteção IP68. Em tese, o aparelho pode ficar submerso em água doce por 30 minutos, a uma profundidade de até 6 metros, mas para isso é preciso que a vedação interna esteja muito bem ajustada. A exemplo de outros fabricantes, a Maçã deixa claro que danos provocados por água ou outros líquidos não serão cobertos pela garantia


Em tempo: O iOS 17 começará ser liberado em algum momento do segundo semestre de 2023. Os iPhones que já não suportam upgrades continuarão funcionando, mas não darão acesso às novidades anunciadas pela Apple. 


Continua...

quarta-feira, 3 de junho de 2020

DECIFRA-ME OU TE DEVORO



Quando ouvimos falar em “esfinge”, logo nos vem à mente a estátua faraônica (literalmente), com corpo de leão e rosto humano, que espreita há mais 40 séculos as pirâmides de Quéops, Quéfren e Mikerinos, em Gizé. ("Gizé" vem do árabe al-Jizzah e significa “o vale” ou “o platô”).

Para os propósitos desta abordagem, porém, interessa dizer que na mitologia grega as esfinges têm pernas de leão, asas de pássaro e rosto de mulher, e são tidas como traiçoeiras e impiedosas.

A versão que integra o elenco da tragédia Édipo Rei, do dramaturgo Sófocles (496-406 a.C.), foi enviada para Tebas pela deusa Hera, e propunha a todos que passavam pela estrada que levava a Tebas o seguinte enigma: "Que criatura tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três à tarde?

Quem não soubesse a resposta era prontamente estrangulado — e muitos o foram, até que Édipo decifrou a charada: "É o ser humano! Engatinha quando bebê, anda sobre dois pés quando adulto e recorre a uma bengala na velhice". 

Furiosa, a esfinge se suicidou, atirando-se de um despenhadeiro.

Édipo ficou mais conhecido entre nós porque o neurologista e psiquiatra Sigmund Freud batizou de Complexo de Édipo o conjunto de desejos amorosos e hostis que meninos podem alimentar em relação à própria mãe. Isso porque, na tragédia de Sófocles, nosso herói matou o pai, Laio, para se casar com a própria mãe, Jocasta.

A telenovela Mandala, exibida pela Rede Globo em 185 capítulos (entre outubro de 1987 e maio de 1988) foi inspirada na tragédia retrocitada, e tinha como tema a luta do homem contra o próprio destino. A trama foi ambientada no Rio de Janeiro, e os primeiros 16 capítulos tinham como pano de fundo a renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, e a Campanha da Legalidade, organizada para assegurar a posse de João Goulart

Na sequência, uma estudante de sociologia filiada ao partido comunista chamada Jocasta (personagem de Giulia Gam) se apaixona por um colega de faculdade chamado Laio (Taumaturgo Ferreira), que vivia a custas da mesada do pai e não fazia nada sem antes consultar o guru Argemiro (Marco Antônio Pâmio). Os dois se envolveram, a moça engravidou. Argemiro jogou os búzios e previu que o filho de Laio odiaria o pai e teria uma relação amorosa com a mãe. Laio tentou convencer Jocasta a abortar, mas não teve sucesso, e com a ajuda do guru urdiu um plano envolvendo a enfermeira da maternidade, que concordou em raptar a criança e... enfim, basta clicar aqui para ler uma breve resumo do desenlace.

No âmbito da Filosofia, o termo enigma (do vocábulo latino aenigma, que provém do grego ainíssesthai de ainos, que significa "falar com sentidos ocultos") designa um "problema impossível de resolver" — não por exceder nossos meios de conhecimento nem por razões unicamente lógicas, mas por estar mal colocado. Segundo o filósofo austríaco Ludwig Joseph Johann Wittgenstein, o enigma não passa de um jogo ou uma ilusão, existindo apenas para os que se deixam enganar por ele. 

Findo este (não tão) breve preâmbulo, a ideia era traçar um paralelo entre o Enigma da Esfinge e Jair Messias Bolsonaro, que não tem corpo de leão nem cara de mulher, mas desafia mandalas, búzios e cartas de tarô com sua sociopatia, egolatria e pitadas de narcisismo e messianismo — que, nunca é demais lembrar, não implicam déficit cognitivo; o presidente sabe muito bem o que faz e, portanto, pode e deve ser responsabilizado por seus atos.
   
Pensei também em embasar esta matéria com exemplos pontuais, e para isso revisitei centenas de postagens publicadas desde o primeiro turno das eleições de 2018, quando a parcela desinformada e descerebrada do eleitorado descartou o bebê junto com a água da bacia, ou seja, varreu da disputa, juntamente com o bizarro elenco de feira de horrores travestido de postulante à Presidência, duas ou três opções que talvez fizesse mais sentido a gente experimentar.

Depois de considerar o espaço que esse detalhamento ocuparia, quão grande ficaria esta postagem e tão cansativa seria sua leitura, resolvi recomendar a quem interessa possa que faça como eu fiz. Para facilitar a navegação através das quase 5.000 postagens publicadas, recorra ao campo "Arquivos do blog", que fica parte inferior da coluna à direita.

Observação: O despreparo do eleitorado impingiu à parcela pensante da população duas singelas alternativas para impedir que o patético bonifrate que se prestou ao ridículo papel de preposto do criminoso de Garanhuns se aboletasse no Palácio do Planalto: aliar-se aos igualmente patéticos bolsomínions ou engrossar as fileiras dos 42 milhões de brasileiros que anularam o voto, votaram em branco ou se abstiveram de votar. Não dá para dizer como estaríamos se o resultado tivesse sido outro, mas certamente não teríamos um projeto de psicopata no comando desta Nau de Insensatos.

O que foi dito nos parágrafos anteriores explica a vitória do capitão, mas não seu comportamento lunático, suas constantes agressões à imprensa, caneladas nos presidentes da Câmara e do Congresso e boladas nas costas de aliados — que resultaram na substituição, compulsória ou a pedido, de ministros do quilate de Gustavo Bebianno, Floriano Peixoto, Santos Cruz, Henrique Mandetta, Sergio Moro e Nelson Teich, e na ruptura com os deputados federais Joice Hasselmann e Alexandre Frota e a deputada estadual Janaína Paschoal, entre outros. 

Observação: Curiosamente, ministros como a pastora evangélica que viu Jesus na goiabeira — e, na célebre reunião ministerial de 22 abril, defendeu a prisão de prefeitos e vereadores — e o da Educação, que não sabe escrever e não tem educação — e que defendeu na mesma reunião a “prisão de vagabundos, a começar pelos ministros do STF” —, parecem ser “imexíveis”, como diria o sindicalista que o ex-presidente caçador de marajás de araque nomeou ministro do Trabalho e Previdência em sua desditosa gestão (abortada pelo primeiro impeachment presidencial da Nova República), e que foi obrigado a exonerar devido a  pasmem!  suspeitas de corrupção!

Ao longo dos últimos 17 meses, Bolsonaro abandonou uma a uma suas principais bandeiras de campanha  como a do combate à corrupção e punição dos corruptos, fossem eles quem fossem, e a do repúdio à velha política do toma lá, dá cá.

No primeiro caso, relembro a entrevista concedida pelo capitão à Bloomberg, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. Questionado sobre as suspeitas de rachadinha no gabinete do primogênito na Alerj (o célebre Caso Queiroz), o presidente respondeu, litteris: "Se por acaso Flávio errou e isso ficar provado, eu lamento como pai. Se Flávio errou, ele terá de pagar preço por essas ações que não podemos aceitar".

Palpiteiros de plantão aplaudiram a retidão do mandatário, mas eu mantive um pé atrás. No post de 24/01/19 eu disse que “seria bom, só para variar, que não viéssemos a assistir uma reprise do episódio em que Lula, questionado sobre a ascensão financeira do primogênito Lulinha, referiu-se ao pimpolho como ‘Ronaldinho dos negócios”. E foi tiro e queda.

A polarização político-ideológica que o molusco abjeto instituiu com seu nefando "nós contra eles" criou legiões de anormais que acreditam naquilo que querem acreditar. Para os petistas, vale a versão, não o fato, daí a patuleia reverberar narrativas absurdas, sem pé nem cabeça, construídas sob medida pelos marqueteiros dos partidos para fins eminentemente proselitistas. Seu fanatismo é tamanho que até hoje essa caterva acredita que Lula foi condenado sem provas e preso injustamente. O que não chega exatamente a surpreender: se esse bando de pacóvios não consegue achar a própria bunda usando as duas mãos e uma lanterna, tampouco encontrariam provas contra seu amado líder. Nem mesmo se elas saltassem dos autos e lhes mordessem o nariz.

ObservaçãoNão faltam provas contra o molusco nas ações sobre o triplex e sobre o sítio, como reconheceram, inclusive, os desembargadores do TRF-4 e os ministros do STJ que julgaram os recursos do criminoso.

Por mal dos nossos pecados, os bolsomínions agem da mesma maneira (ou até pior) que a militância vermelha. No que tange à reunião ministerial de 22 de abril, por exemplo, essas toupeiras não veem absolutamente nada que sequer sugira a mais remota intenção do "mito" de interferir na PF. Mas bastaria que tirassem a venda do fanatismo e colocassem os óculos do bom senso para que concluíssem que se alguém está mentindo nessa história, esse alguém não é o ex-ministro Sergio Moro.

Observação: Não sei com certeza o que têm na cabeça os sectários de Lula e os puxa-sacos do capitão sem luz, mas suspeito que seja uma substância de cor amarronzada, consistência pastosa e cheiro bastante desagradável. É certo que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas é igualmente certo que, às vezes, elas são. Como dizia o próprio Freud, “às vezes um charuto é só um charuto”.

Da gravação da tal reunião, salta aos olhos que Bolsonaro confunde governar com guerrear e confirma ad nauseam sua disposição de “interferir mesmo” quando ações desagradem a ele, à família e aos amigos. E o louvor ao combate fica patente não só como retórica política, mas também no sentido literal.

O vídeo desnudou um presidente conduzindo uma reunião ministerial com sangue nos olhos, explicitamente temeroso de não concluir o mandato, exortando o povo a “se armar”, a fim de enfrentar os que ele, Bolsonaro, acusa de pretender implantar uma “ditadura” no país. No que tange a seus vassalos, disse o general da banda: “Quem for elogiado pela Folha, pelo Globo, pelo Antagonista, está fora”, deixando claro que a ele não importa a qualidade do trabalho do auxiliar, mas a disposição de servi-lo de maneira cega.

Embora não tenha citado nomes, Bolsonaro fez referências claras ao Congresso e ao Judiciário quando falou, de maneira depreciativa, “esse pessoal aqui do lado” (da Praça dos Três Poderes), e ao dizer que falaria “na linha do Weintraub” logo depois de o ministro da deselegância ter dito que. se dependesse dele, “mandava pôr esses vagabundos todos na cadeia, a começar STF”.

Nem é preciso que o vídeo contenha a tal “bala de prata”, que justifique o processo de impedimento, para que se veja um presidente violento, interessado em impor suas convicções pessoais como políticas de governo, intolerante com o contraditório e bastante indulgente com propostas heterodoxas na administração pública.

Bolsonaro ficou calado quando o ministro Ricardo Salles propôs a derrubada de regulamentações “de baciada” enquanto “a imprensa está ocupada com a Covid-19”, e tampouco se manifestou quando a ministra que viu Jesus na goiabeira disse que seu gabinete pegaria pesado quando terminasse a pandemia, ameaçando mesmo “prender governadores e prefeitos”, devido à aplicação de medidas de isolamento social.

O vídeo pode não ser suficiente para embasar um impeachment formal (embora existam provas e provas, como veremos numa próxima postagem, quando tratarmos do “standard de prova”), mas dá e sobra para provocar seu impedimento moral no ofício de bem governar. O que me leva a encerrar com a seguinte anedota:

Dois amigos iam pela calçada quando se depararam com uma “obra canina”.
— Será que é merda? — perguntou um deles.
— Não sei — respondeu o outro. — Mas que parece, parece.
O primeiro se aproximou do troçulho, examinou-o atentamente e disse:
— Tem jeito de merda.
Tocou levemente o estrabo, levou o dedo ao nariz, fungou e diagnosticou:
— Tem cheiro de merda.
Ainda em dúvida, lambeu o dedo e só então sentenciou:
— Também tem gosto de merda! Então deve ser merda!
E o outro disse:
— Se é assim, ainda bem que não pisamos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

A INDECÊNCIA QUE POSA DE INOCÊNCIA



Legislativo e Judiciário já estão em clima de recesso de final de ano — o que é no mínimo imoral: considerando a situação que o país atravessa, deixar para fevereiro assuntos de grande relevância, como as reformas pós-Previdência e a autorização para a prisão de condenados em segunda instância, é uma irresponsabilidade. Mas incluir no Orçamento a proposta aprovada pela Comissão Mista do Congresso, que aumenta consideravelmente o valor do fundão eleitoral em relação ao ano passado, é cuspir na cara do contribuinte tupiniquim, que é obrigado a sustentar calado essa verdadeira farra do boi.

Chegou-se a cogitar um valor de quase R$ 4 bilhões para financiar as campanhas eleitorais no ano que vem, mas, diante da indignação popular, suas insolências valeram-se do velho truque do bode, reduzindo a mordida R$ 2,5 bilhões. Assim, lucrariam meio bilhão de reais e confirmariam que enxergam no povo brasileiro um bando de idiotas. Ao final, o texto que foi aprovado noite de ontem destina R$ 2 bilhões para o fundo eleitoral, prevê R$ 1.031 para o salário mínimo e estima em até R$ 124 bilhões o déficit das contas públicas.

Nunca é demais lembrar que uma coisa é viabilizar eleições e outra, bem diferente, é sustentar partidos e respectivos candidatos.

***
O cangaceiro das Alagoas sonha em ver na cadeia o procurador federal Deltan Dallagnol. Renan, um prontuário ambulante disfarçado de parlamentar, é estimulado pela simpatia dissimulada de um bando de colegas de Dallagnol, pela omissão covarde de cardeais do MPF e pelo apoio ostensivo da bancada suprapartidária dos cafajestes. Mas a prisão do coordenador da Lava-Jato no Paraná é tão viável quanto a substituição do Exército por tropas de cangaceiros chefiados por Fernando Collor.

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Sobre a investigação de Lulinha pela Lava-Jato, disse Lulão: “O espetáculo produzido pela Força Tarefa da Lava Jato é mais uma demonstração da pirotecnia de procuradores viciados em holofotes que, sem responsabilidade, recorrem a malabarismos no esforço de me atingir, perseguindo, ilegalmente, meus filhos e minha família”. Na versão do picareta dos picaretas, foi por coincidência que a Oi, amparada no critério da meritocracia, doou mais de 130 milhões de reais ao "Ronaldinho dos Negócios" pouco antes de seu papai presidente ter assinado o decreto que permitia à empresa fazer exatamente o que queria.

Um e-mail de 13 de novembro de 2007, incluído pela Lava-Jato na representação que fundamentou as buscas da operação da semana passada, revela muito sobre como funcionava a rede de proteção que mantinha — não com muito sucesso, diga-se — a vida de luxos de Fábio Luís Lula da Silva no anonimato. Em mensagem batizada de “Mocó dos Pica-Pau”, endereçada a Kalil Bittar e Jonas Suassuna, o "menino de ouro", preocupado com o apartamento que estava prestes a alugar em São Paulo por R$ 7 mil reais, pede que todas as contas relacionadas ao imóvel sejam registradas no nome da Gol, empresa de Jonas Suassuna

Para justificar o repasse, Lulinha usa os porteiros do prédio: “Como eu disse ao Jonas, na semana passada, acho ruim tudo relacionado ao apartamento ficar em meu nome. Não é nada demais, mesmo porque eu atualmente tenho condições de arcar com os custos do mesmo, mas quando as contas começam a chegar em meu nome, em menos de uma semana os porteiros se comunicam, que contam para as empregadas, que contam para os vizinhos, que estudam em frente, que contam para deus e o mundo, ou seja, vai ser um inferno”. Na mesma mensagem, o ex-catador de bosta de elefante deixa claro que “o Jonas concordou comigo que podemos fazer tudo em nome da Gol”.

A Lava-Jato separa um capítulo da investigação para detalhar quantas mordomias semelhantes ao apartamento foram bancadas pelo sócio de Lulinha. Compras de toda natureza estão listadas na investigação. “A percepção de benefícios por Fábio Luís, assumidos e pagos por Jonas Suassuna, remonta o ano 2007. E-mails apreendidos comprovam que desde esta época Jonas, com o auxílio de Kalil Bittar, foi responsável por custear despesas de locação em imóvel ocupado por Fábio Luís, da ordem de 7.000 reais por mês”, registram os investigadores. A mensagem, por reveladora, mostra que Lulinha só conseguiu dinheiro depois do milagre da Gamecorp. Mostra também que não era só Lula que usava amigos para esconder a vida de bacana em São Paulo.

Observação: A PF chegou a pedir, em representação que culminou na Operação Mapa da Mina, fase 69 da Lava Jato, a prisão temporária de Lulinha e dos empresários Kalil Bittar e Jonas Suassuna, sócios do grupo Gamecorp/Gol. O documento foi apresentado à 13.ª Vara Federal do Paraná em junho de 2018, mas só foi analisado pela juíza substituta Gabriela Hardt em setembro passado, após manifestação do MPF. Hardt negou o pedido, levando em consideração o tempo decorrido desde a representação e também acolhendo o parecer da força-tarefa no Paraná, de que não havia necessidade de decretação de reclusão dos investigados. Curiosamente, a mídia "cumpanhêra" não fez alarde dessa decisão, ao contrário do que fez quando o TRF-4 anulou uma sentença em que a magistrada reproduziu, como se fossem seus, argumentos do MPF, copiando peça processual sem indicação da fonte (note que essa decisão não remete a processo da Lava-Jato).
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Por último, mas não menos afrontoso: Felipe Santa Cruz — que também parece ter especial predileção por menosprezar a inteligência alheia — saiu-se com a seguinte pérola: “Estou convencido e vou falar uma coisa dura: quem segue apoiando o governo é porque tem algum desvio de caráter”. Na valiosa opinião do presidente da OAB, só não tem desvio de caráter quem, como ele próprio, segue apoiando Lula, Dilma e o resto da quadrilha que saqueou o país por 13 anos consecutivos.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

SOBRE O PAU DE ARARA E OS FILHOS DO PAI, DA MÃE E DO CAPETA



Após um hiato de 26 dias sem postar, o pitbull presidencial voltou às redes sociais no domingo 8, quando publicou um meme do chefe de cozinha turco Salt Bae, e na terça subsequente, para compartilhar um vídeo do grupo Os Mateadores cantando a música "Cadela de baia". Mas o mais intrigante foi uma frase em código Morse que não fazia o menor sentido (vide figura ilustração).

Entrementes, Bolsonaro pai, de passagem pelo Tocantins, afirma  que colocará no pau de arara ministros de seu governo que se envolverem em casos de corrupção. Como é de praxe, a mídia logo classificou a frase de efeito do capitão como "uma declaração polêmica", e os teóricos da conspiração entraram em polvorosa, pois o dislate foi proferido às vésperas do 51.º aniversário do AI-5.

Observação: Para quem não sabe, no pau de arara os pulsos do torturado eram amarrados aos tornozelos. Antes do início da sessão de suplícios, a vítima é pendurada pelos joelhos, de cabeça para baixo, num pau roliço, e ficava à mercê dos algozes.

Ao longo de todo este ano, a mídia enalteceu um ex-presidente corrupto, decarréu e duplamente condenado, e perseguiu implacavelmente o "mito" dos bolsomínions. Diante dessa caça à bruxas, não espanta que capitão destile sua hostilidade contra jornalistas e veículos que publicam críticas a ele, seu governo, sua prole e seus ministros. A Folha, que se tornou sua inimiga figadal ao noticiar a suspeita de uso de disparos em massa de mensagens de WhatsApp contra Haddad e, mais adiante, ao publicar as primeiras denúncias sobre o uso de candidaturas laranjas pelo PSL, chegou a ser excluída de uma licitação do governo.

Na outra margem desse caudaloso rio de merda, o ex-presidiário de Curitiba nem bem deixou a cadeia e subiu num palanque improvisado para vituperar acusações irresponsáveis contra a Rede Globo e despejar toda sorte de ameaças vazias contra "os inimigos do povo", levado ao delírio a chusma de esquerdopatas que se reuniu defronte à sede da PF em Curitiba e, no sia seguinte, diante do Sindicato dos Metalúrgicos de ABC para beber seus ensinamentos. Mais adiante, já na capital do seu estado de origem (num hotel de luxo da praia da Boa Viagem, o bairro mais chique da cidade, é claro), o criminoso de Garanhuns acrescentou ao bolo fecal que serviu à patuleia ignara de adoradores o seguinte troçulho: "(...) Nós não vendemos ódio, vendemos amor, paixão. É muito coração nessa história”.

Observação: Na edição revista e atualizada de sua "caravana pelo Brasil", só bateram os cascos para o petralha os integrantes da tropa asinina mortadeleira. Do restante dos populares, o que mais se ouviu foi: “Lula, ladrão, teu lugar é na prisão”. E isso no coração do Nordeste, onde,  dos “institutos de pesquisa de opinião”, o enganador vermelho sempre diz que tem 120% de popularidade.

Para não espichar demais esse assunto na penúltima semana de 2019, acrescento apenas que, para mim, o que Lula fala e merda são a mesma coisa. Mas Bolsonaro discursa como se não enxergasse corrupção em seu entorno, mesmo havendo na Esplanada dos Ministérios três denunciados, dois investigados e até um condenado. Esses ministros estão pendurados na folha de pagamento da União, não no pau de arara, e desfilam pelos gabinetes de Brasília como se nada pesasse contra eles. Durma-se com um barulho desses!

Sobre a nova novela cujo primeiro capítulo foi ao ar na última semana com a fase 69 da Lava-Jato focando Lulinha, o notável ex-catador de bosta de elefante que, graças ao papai presidente, tornou-se da noite para o dia o "Ronaldinho dos negócios", falarei numa próxima oportunidade.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

FILHOS? MELHOR NÃO TÊ-LOS — OU: FILHO DE LULA, LULINHA É!


FILHOS? MELHOR NÃO TÊ-LOS. MAS SE NÃO OS TEMOS, COMO SABÊ-LO?

A frase acima abre o POEMA ENJOADINHO, de Vinicius de Moraes, (que você pode apreciar clicando aqui). Mas nem tudo é poesia na política nem flores no jardins do Palácio do Planalto.

Três dos cinco filhos de Jair Bolsonaro têm mandato. Zero um é senador, zero dois, vereador e zero três, deputado federal, mas ficam sob as asas do presidente como pintinhos de uma galinha, e são tão barulhentos quanto. E zero quatro — ou Bolsokid, como Jair Renan se apresenta — deve se juntar aos irmãos em breve. Que Deus nos ajude.

Flávio Bolsonaro está tão afundado no caso Queiroz quanto os destroços do Titanic na costa de Newfoundland, no Canadá. As investigações foram suspensas por uma estapafúrdia liminar do togado supremo que preside os demais togados, mas o plenário fechou esse guarda-chuva ao deliberar pela constitucionalidade de troca de dados entre o UIF (antigo Coaf) e a Receita Federal com o Ministério Público sem prévia autorização judicial. 

Semanas atrás, o primogênito do capitão-super-herói da luta contra a corrupção votou a favor do aumento do fundo eleitoral de R$ 1,7 para R$ 3,8 bilhões. Cuspiu na cara dos 4 milhões de brasileiros que o elegeram senador. "Foi por engano, e agora não dá para voltar atrás”, justificou-se o senador distraído. Pode uma coisa dessas? Ele acha que sim. Mas isso demonstra que, além de compactuar com as gangues partidárias do Congresso, o sujeito ainda nos tem na conta de burros.

Observação: Pressionados pelo governo, líderes do Congresso já admitem reduzir a verba para R$ 2,5 bilhões. Em reunião nesta terça-feira, 10, para fechar acordo sobre votações no Legislativo até o fim do ano, os parlamentares ouviram que o novo valor não enfrentaria resistência por parte de Jair Bolsonaro.

Mudando o foco para Fabio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, (que, por sinal, detesta o apelido), e os sócios dele, Fernando Bittar, Kalil Bittar e Jonas Suassuna (tutti buona gente), que são alvos da 69ª fase da Lava-Jato. Há anos que se tem conhecimento de que a ascensão profissional/patrimonial do "Ronaldinho dos Negócios" é, no mínimo, suspeita. Até o criminoso de Garanhuns ser eleito presidente, seu primogênito trabalhava como catador de bosta de elefante no zoo de São Paulo. Com o papai no Planalto, esse gênio das finanças abriu uma firmeca de tecnologia chamada Gamecorp, travestiu-se de empreendedor bem sucedido e amealhou um patrimônio considerável.

O menino-prodígio mora num apartamento registrado em nome de Jonas Suassuna — o mesmo que figura como um dos donos do folclórico Sítio Santa Bárbara, em Atibaia. Nunca houve contrato formal assinado entre eles, apenas o repasse de umas poucas mensalidades de R$ 15 mil, que, segundo os investigadores, “não contemplavam todos os meses do período de maio de 2014 fevereiro de 2016, assim como eram em valor inferior à estimativa realizada pelo fisco federal para valor do aluguel do imóvel” (que em 2016, foi estimado em R$ 40 mil mensais).

Impulsionado pelo grupo telefônico Oi/Telemar, cuja fusão com a Brasil Telecom foi azeitada graças à benevolência do governo durante o reinado de Lula, o filho do pai se tornou um próspero empresário. Segundo a força-tarefa de Curitiba, a boa vontade de Brasília resultou em repasses injustificados da telefônica para a firma de Lulinha que somaram R$ 132 milhões entre 2004 e 2016. Por uma dessas doces coincidências, dois dos sócios do Bill Gates tupiniquimBittar e Suassuna— se juntaram para comprar o sítio em Atibaia que era desfrutado pelo ex-presidente lalau. Foi nesse sítio que a Odebrecht e a OAS despejaram verbas roubadas da Petrobras para financiar os confortos do petralha — e que rendeu uma pena de mais de 17 anos na recente sentença condenatória de segunda instância.

Lula, o pai, foi libertado após amargar um ano e sete meses de cana. Só continua livre porque o Supremo derrubou por 6 votos a 5 a regra que permitia a prisão de condenados em segunda instância. O sucesso da Lava-Jato era atribuído a três novidades: 1) A corrupção passara a dar cadeia; 2) O medo da prisão potencializara as delações; 3) As colaborações judiciais impulsionaram as descobertas. Esse círculo virtuoso foi interrompido pela suprema banda-podre. Assim, é improvável que Lulinha passe na cadeia temporada semelhante à que foi imposta ao pai. Não por falta de material, mas porque a Lava-Jato, agora aleijada, arrasta-se pela conjuntura sem meter medo. O supremo retrocesso reintroduziu no processo penal brasileiro dois vocábulos nefastos: prescrição e impunidade.

Para assistir a um vídeo onde o assunto é abordado forma bem-humorada, clique aqui.