sexta-feira, 8 de julho de 2016

SMARTPHONES ― TRAVAMENTOS, ETC. (CONTINUAÇÃO)



DEUS NÃO ESTÁ NAS RELIGIÕES, MAS SIM NO CORAÇÃO DE CADA UM DE NÓS.

Da mesma forma que os desktops, notebooks e a maioria dos dispositivos computacionais, os smartphones utilizam memórias de diversos tipos. E também como os PCs convencionais, é na memória RAM que são carregados o sistema operacional, os aplicativos em execução e os demais arquivos (fotos, vídeos, músicas, etc.) abertos pelo usuário. Portanto, quando for comprar um smartphone, se seu dinheiro não puder bancar o modelo com a maior quantidade de RAM disponível, ao menos fuja daqueles que não ofereçam pelo menos 1 GB.

memória interna, que corresponde ao HD do PC, armazena de forma “persistente” ― não confunda com “permanente” ― o sistema operacional e seus componentes, os aplicativos instalados, sua agenda de contatos, fotos, vídeos, ringtones, faixas musicais etc. Por isso, não faça economia nesse quesito, já que boa parte do espaço declarado pelos fabricantes (4 GB, 8 GB e assim por diante) vem ocupado pelo software instalado no aparelho. Um modelo com 4 GB de memória interna costuma dispor de apenas 2 GB livres; um de 8 GB, algo em torno de 5,5 GB; e um de 16 GB, talvez uns 12 GB.

Observação: Parte da memória interna é reservada para emails, agenda de contatos, SMS, aplicativos etc. Não fosse assim, o usuário poderia esgotar inadvertidamente o espaço livre com músicas, por exemplo, e ficaria impedido de adicionar novos contatos ou receber mensagens de texto, também por exemplo.

Há aparelhos que permitem a adição de um cartão de memória, desobrigando o usuário de recorrer ao armazenamento na nuvem ou descarregar constantemente suas fotos, vídeos e outros arquivos volumosos no PC ou num HD USB. Todavia, muitos não oferecem esse recurso, como é o caso dos produtos da Xiaomi, que desembarcou no Brasil em meados do ano passado com o ambicioso propósito de oferecer smartphones de qualidade a preços mais acessíveis que a concorrência, mas devido à situação do país, já está pensando em fazer as malas. Segundo o presidente da empresa chinesa ― que também aposta no fim das baterias removíveis ―, os cartões de memória são extremamente propensos a apresentar falhas e todo tipo de mau funcionamento.

Note que isso não acontece somente com aparelhos “baratos”, como comprovam os ambicionados ― e caríssimos ― iPhones, da Apple, e versões top de linha da Motorola e da Samsung, apenas para citar os mais notórios. E a explicação é a ganância dos fabricantes, que não têm como justificar um aumento significativo no preço de seus produtos pela pura e simples inclusão de um slot para cartão, mas podem cobrar 100 ou 200 dólares a mais por alguns gigabytes extras de memória interna.

Observação: Se você é fã da marca da maçã e tenciona comprar um iPhone, escolha uma versão adequada às suas necessidades: no iPhone6, por exemplo, a memória interna vai de 16 GB a 128 GB; no iPhone7, que será lançado aqui pelas nossas bandas no final do ano, ela será de 256 GB na versão top. Mas tenha em mente que o preço aumenta proporcionalmente à quantidade de espaço.

Para piorar, mesmo que seu telefone permita usar um cartão de memória, o Android quase nunca deixa você mover aplicativos ou instalá-los diretamente no cartão. Assim, mesmo contando com vários gigabytes ociosos de memória externa, continua faltando espaço na interna, e, em casos extremos, você só consegue adicionar novos apps depois de desinstalar outros tantos.

A propósito: há quem condene a instalação de programas no cartão, mesmo que o aparelho/sistema permita essa configuração, pois a memória interna costuma ser mais rápida do que a externa. Todavia, eu fiz essa experiência e não notei redução alguma no desempenho, antes pelo contrário: o ganho de espaço na memória nativa deixou o aparelho mais ágil. 

E como hoje é sexta-feira:

Dois amigos que há muito não se viam resolveram pôr a conversa em dia, e logo ficou claro que, enquanto um só obteve fracassos desde que deixou o colégio, o outro foi muito bem-sucedido em tudo que empreendeu. A certa altura, lembrando-se de que as respectivas esposas faziam aniversário dali a alguns dias, o fracassado perguntou ao afortunado:
― O que você vai dar à patroa no aniversário dela?
― Um chuveiro de brilhantes e um BMW ― responde o outro.
― Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?
― Simples. Se o tamanho do aro não servir, ela pega o BMW, vai até a  joalheria e manda ajustar. E você, o que vai dar para a dona da pensão?
― Uma camiseta do PT e um vibrador.
― Explique.

― Simples. Se não gostar da camiseta, ela que vá se foder!


Continuamos na próxima postagem. Bom final de semana a todos.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

SMARTPHONE TRAVANDO OU REINICIANDO ALEATORIAMENTE? NINGUÉM MERECE!

QUANDO UM BURRO FALA, O OUTRO BAIXA A ORELHA.

Quem utiliza computadores sempre está sujeito a travamentos e reinicializações aleatórias, e como os smartphones nada mais são do que computadores de pequeno porte, a conclusão é óbvia. É certo que muita coisa melhorou desde os tempos do Windows 9X, mas software é software e ninguém está livre de um probleminha ou outro, de quando em vez. No entanto, se esse aborrecimento é recorrente, aí a porca torce o rabo.

Deixando de lado os PCs convencionais e focando os diligentes telefoninhos, uma solução funcional, conquanto radical, consiste em reverter o aparelho às configurações de fábrica. No entanto, além de não haver garantias de que essa medida irá realmente solucionar o problema, o reset pode causar “danos colaterais”, tais como a perda de dados (fotos, contatos, mensagens, etc.) que não foram contemplados no último backup ― isso se o usuário se dá ao trabalho de criar backups regulares de seus arquivos, evidentemente, coisa que muita gente não faz.

Enfim, a primeira coisa a fazer em caso de lentidão, congelamentos recorrentes ou reinicializações aleatórias é desligar o aparelho e tornar a liga-lo depois de alguns minutos (para saber o motivo de essa “mágica” funcionar, reveja esta postagem; embora eu a tenha criado com vistas ao PC, boa parte das informações se aplicam também aos smartphones ― que, como dito linhas atrás, são, em última análise, “computadores ultra portáteis”).

Observação: Talvez por receito de perder uma ligação ou uma mensagem importante, muita gente simplesmente não desliga o celular, nem mesmo durante a noite ou enquanto recarrega a bateria. Todavia, é importante desliga-lo de tempos em tempos, ainda que apenas por alguns minutos, para interromper o fornecimento da energia e “limpar” as memórias voláteis.

Se a reinicialização não operou o “milagre” desejado, torne a desligar o aparelho e, em seguida, remova a bateria e o cartão SIM da operadora. Feito isso, vá tomar um café ou fazer qualquer coisa que demore pelo menos 10 minutos, de modo a conter o impulso (até natural) de remontar tudo imediatamente e tornar a ligar o telefone.

Congelamentos, travamentos e outros aborrecimentos afins costumam ter a ver com falta de espaço livre na memória interna do aparelho, que decorre tanto da quantidade miserável disponibilizada pelos modelos “mais em conta” quanto pela instalação de uma penca de aplicativos ― muitos dos quais a gente nem utiliza. Daí a recomendação de configurar o telefone para armazenar fotos, clipes de vídeo, músicas e outros arquivos volumosos que tais num cartão de memória (micro SD ou equivalente), dede que seu aparelho o suporte e seu sistema permita essa reconfiguração, naturalmente.

Por hoje já está de bom tamanho, pessoal. O resto fica para a próxima postagem.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

AINDA SOBRE O WHATSAPP E A BANDIDAGEM

O PODER NÃO CORROMPE O HOMEM; É O HOMEM QUE CORROMPE O PODER. 

Até não muito tempo atrás, o grosso da bandidagem que se valia da Internet como ferramenta se esgueirava pela “deep web”, deixando a “internet comum” para os usuários igualmente comuns. Todavia, uma novidade introduzida sem muito alarde vem mudando significativamente esse quadro: no início do mês passado, o WhatsApp ― que é usado por mais de 100 milhões de brasileiros ― ganhou um aprimoramento de segurança que tornou praticamente invioláveis as mensagens trocadas pela rede.

Observação: O aprimoramento em questão, conhecido como “criptografia ponta a ponta”, cria uma codificação exclusiva que garante a segurança de cada nova mensagem. Em outras palavras, se até então existia um único sistema de proteção para todo o programa, agora existe uma miríade de bloqueios, pois cada novo grupo de conversação gera uma encriptação inédita, produzida por inteligência artificial e praticamente inacessível no curto ou no médio prazo.

Segundo matéria publicada recentemente na revista Veja (veja detalhes na postagem anterior), os marginais vêm se valendo cada vez mais do escudo protetor que as empresas dispensam a todos os usuários ― sejam pessoas de bem, sejam malfeitores de carteirinha ―, e enquanto todos comemoram o incremento da segurança, a Justiça fica de mãos atadas quando necessita de informações sobre as trocas de mensagens, que, no caso específico do WhatsApp, teria de ser fornecidas pelo Facebook, que se recusa terminantemente a fazê-lo, daí as recorrentes suspensões do serviço, como mencionado na postagem anterior.

Até o final da década passada, narcotraficantes, traficantes de armas e assemelhados se valiam da “deep web” ― porção da Grande Rede que concentra uma profusão de sites não indexados, armazenados em servidores incógnitos, cujo acesso não raro requer programas especializados e o uso de ferramentas que impedem o rastreamento dos dados. Agora, no entanto, protegidos pelo escudo da criptografia mais poderosa que passou a blindar os aplicativos de comunicação, os meliantes vêm navegando cada vez mais próximos da superfície e se misturando com os “usuários comuns”.

Observação: Investigações conduzidas pelo delegado Fabiano Barbeiro, do DEIC/SP, levaram ao primeiro pedido cumprido de bloqueio do WhatsApp no Brasil, em 2013, quando a polícia começou a desconfiar do uso do programa por integrantes do PCC, já que chamadas por voz via celular eram facilmente monitoradas pelas autoridades.        

Enfim, depois das mais recentes suspensões do WhatsApp ― e da vinda ao Brasil de representantes do Facebook para tratar do assunto ― foi aprovado na Câmara Federal o relatório da CPI de Crimes Cibernéticos, no qual se incluiu, a toque de caixa, a proibição de bloquear serviços online de troca de mensagens e de aplicativos e sites com escritório em território nacional. O curioso é que, antes disso, o argumento do WhatsApp para não atender às determinações judiciais era justamente o fato de não ter filial no Brasil (apesar de o Facebook possuí-la); agora, com a nova regra, o aplicativo pode se beneficiar de ter um endereço em terras tupiniquins (justamente o da empresa de Mark Zuckerberg).

Resumo da ópera: de um lado, procura-se preservar a privacidade individual; de outro, há preocupações com a segurança pública. E o problema se agrava por ser global, embora países civilizados dão poderes aos juízes para gravar conversas entre criminosos, e isso não prejudica os cidadãos de bem, e com aplicativos e redes sociais não pode ser diferente. No entanto, estamos no Brasil, onde tudo é diferente, e facilitar o acesso a dados sigilosos poderia abrir brechas para que governos autoritários exigissem barbaridades, como expor um usuário que se opõe politicamente a eles. 

Para encerrar, uma frase lapidar de Antonio Amurri (jornalista e escritor italiano falecido em 1992): “A LUTA CONTRA O CRIME ORGANIZADO É MUITO DIFÍCIL PORQUE A CRIMINALIDADE É ORGANIZADA, MAS NÓS NÃO”.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O BLOQUEIO DO WHATSAPP E AS FACILIDADES QUE APLICATIVOS QUE TAIS PROPICIAM À BANDIDAGEM DE PLANTÃO

NÃO SE NASCE MULHER: TORNA-SE.

Ninguém nega que as recorrentes suspensões do WhatsApp, determinadas pelo juiz Marcelo Montalvão, da Vara Criminal da Comarca de Lagarto (SE), penalizaram o Facebook, que é o responsável pelo aplicativo, mas também causaram aborrecimentos a milhões de usuários tupiniquins que, a rigor, nada tinham a ver com o peixe.

Na verdade, o bloqueio foi pedido pela Polícia Federal numa investigação de tráfico de drogas, e resultou do fato de o WhatsApp ter se recusado a fornecer informações que ajudariam a identificar os envolvidos. A propósito, vale lembrar que essa intransigência já havia causado a prisão do presidente do Facebook para América Latina, em março p.p., e que, em dezembro de 2015, outra decisão judicial tirou o aplicativo do ar, por conta da recusa da empresa em colaborar com a investigação de uma quadrilha de roubo a bancos.

O embasamento legal da suspensão do serviço, nesses casos, advém do Marco Civil da Internet  ― mais exatamente aos artigos 11, 12, 13 e 15, caput e parágrafo 4º da Lei 12.965/14, segundo os quais as empresas que fornecem aplicações, ainda que sediadas no exterior, devem prestar “informações que permitam a verificação quanto ao cumprimento da legislação brasileira referente à coleta, à guarda, ao armazenamento ou ao tratamento de dados, bem como quanto ao respeito à privacidade e ao sigilo de comunicações”. No entanto, o fato de essa norma ainda não ter sido regulamentada dá margem a interpretações divergentes.

Segundo Luiz Moncau, pesquisador e cogestor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio, um provedor de aplicações como o WhatsApp é obrigado a guardar por seis meses determinados tipos de dados, tais como os horários em que seus clientes utilizaram o aplicativo, os demais usuários com quem eles se comunicaram, e por aí afora, mas não o conteúdo das mensagens, pois isso seria perigoso do ponto de vista da privacidade. Aparentemente, houve uma “interpretação equivocada” do §3º do artigo 11 do Marco Civil, segundo o qual as empresas devem proteger a privacidade de comunicação.

Moncau pondera ser difícil analisar melhor a questão, pois o processo corre em segredo de justiça, mas considera que o juiz não está na melhor posição, já que, ao se ater ao caso concreto, prolatou uma decisão desproporcional, que afetou não só as partes envolvidas, mas o Brasil inteiro. Por conta disso, já que a instância superior que apreciou os recursos acolheu a tese dos insurgentes, segundo a qual "em face dos princípios constitucionais, não se mostra razoável que milhões de usuários sejam afetados em decorrência da inércia da empresa" [em fornecer informações à Justiça].

Feitas essas considerações, eu pretendia passar ao excerto de uma extensa matéria publicada pela revista Veja há algumas semanas (que você pode conferir, ainda que parcialmente, clicando aqui), segundo a qual o fato de os aplicativos virem oferecendo mais segurança e privacidade aos usuários os torna mais vulneráveis a criminosos, que também se sentem mais seguros para delinquir. Entretanto, considerando que este post já está de bom tamanho, o resto vai ficar para o próximo. 

Abraços a todos e até lá.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

NOVIDADES SOBRE O WINDOWS 10

POR TRÁS DE TODA GRANDE FORTUNA SEMPRE EXISTE UM CRIME.

Faltando menos de um mês para completar seu primeiro aniversário, o Windows 10 festeja a conquista de 350 milhões de usuários ― embora ainda esteja bem longe da meta que a Microsoft havia estabelecido e alardeado aos quatro ventos durante o lançamento oficial do sistema, em 29 de julho do ano passado.

Mesmo assim, depois de insistir na utilização de táticas polêmicas para “incentivar” a migração dos usuários das edições 7 e 8 para a atual ― prática que, para muitos analistas, era semelhante às usadas na disseminação de malwares ―, a empresa finalmente ouviu a voz da razão (ou se redeu à grita dos usuários, melhor dizendo). Segundo informações divulgadas no site ZDNET, a nova janela de notificação do upgrade terá botões com opções claras ― “upgrade now”, “choose time” e “decline offer” ― para o usuário escolher se deseja atualizar imediatamente, agendar o upgrade ou recusar a oferta.

O comportamento do “X” vermelho, no canto superior direito da janela, também deverá ser corrigido. Com isso, em vez de funcionar como uma aprovação tácita para o upgrade, ele simplesmente comandará o fechamento da tela ― que, em última análise, é o que ele sempre deveria ter feito.

A matéria publicada no site retro citado dá conta também de que Microsoft irá oferecer suporte gratuito para qualquer usuário que precisar de ajuda no upgrade ou que quiser desfazer a atualização e resgatar a versão original do seu sistema.

A conferir.

domingo, 3 de julho de 2016

ELEIÇÕES MUNICIPAIS ― REVISITANDO O LAMENTÁVEL CENÁRIO PAULISTANO  

Há cerca de um mês, eu comentei aqui quão deplorável vem sendo a administração petista à frente da prefeitura de São Paulo e teci algumas considerações sobre o lamentável cenário sucessório, onde se vê uma renca de desqualificados disputando o gabinete mais importante do Edifício Matarazzo (também conhecido como Palácio do Anhangabaú). Mas achei por bem voltar agora ao assunto à luz de uma mais recente pesquisa do IBOPE INTELIGÊNCIA, segundo a qual Celso Russomano mantém franca liderança na disputa, com 26% das intenções de voto.

A despeito do repudio dos paulistanos por sua lamentável gestão, de ser alvo de questionamentos por parte do TCM e do Ministério Público, de figurar como investigado na Lava-Jato, de ter sido “eleito” o pior entre os prefeitos das oito maiores capitais brasileiras e de sua gestão ser considerada tão ruim quanto as de Celso Pitta, Luiza Erundina e Gilberto Kassab (mais detalhes aqui, aqui, aqui, e aqui), Fernando Haddad  é candidato à reeleição e conta com 7% das intenções de voto, o que o posiciona em 4º lugar. Mas na lista dos rejeitados, o “prefeito maravilha” ganha disparado: metade dos pesquisados declarou que não cravaria seu nome nas urnas.

Martha Suplicinho ― que deixou o PT para se filiar ao PMDB, não conseguiu se livrar da pecha de petista e ainda passou a ser considerada “traidora” pela ignara militância vermelha ― ficou em 2º lugar, tanto intenções de voto (10%) quanto na rejeição. Logo atrás trotam a macróbia Luiza Erundina ― que Deus nos livre e guarde ― e João Doria, “cria” do governador tucano Geraldo Alckmin. Os demais concorrentes (Andrea Matarazzo, Marco Feliciano, Delegado Olim, Major Olímpio, Roberto Trípoli, Laércio Benco e Levy Fidelix) não obtiveram resultados expressivos, e nada indica que esse quadro vá mudar significativamente nos próximos três meses.

Russomano ganhou destaque na mídia graças ao quadro PATRULHA DO CONSUMIDOR, exibido pela TV Record, onde aparece como defensor ferrenho dos direitos do povo e blá, blá, blá. Muita gente torce o nariz para esse tipo de programa, mas é inegável que a exposição beneficiou o deputado no pleito de 2014 ― quando ele foi eleito com mais de 1,5 milhão de votos ― e o ajuda a manter a dianteira na disputa pela prefeitura de Sampa. Mas nem tudo são flores.

De acordo com a delação de Pedro Correa no âmbito da Lava-Jato, Russomano teria se beneficiado do mensalão (é acusado de ter recebido regularmente remessas de dinheiro entre 2003 e 2011), e corre o risco de ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa e ter sua candidatura inviabilizada por uma condenação por peculato. De acordo com a sentença, os salários de uma funcionária da produtora do deputado foram bancados pela câmara no período de 1997 a 2001; a decisão foi objeto de recurso, mas o STF ainda não se pronunciou.

ObservaçãoRodrigo Janot quer condenar Russomanno por ter empregado em sua produtora, entre 1997 e 2001, uma funcionária cujo salário era pago pela Câmara. Tudo bem. Mas o que dizer de Fernando Haddad, que recebeu 30 milhões de reais em propinas, de acordo com depoimentos dados por delatores ao próprio Janot? Se o primeiro tem de ser punido, o segundo tem de ser preso!

E viva o povo paulistano. 

sábado, 2 de julho de 2016

PEDALOU OU NÃO PEDALOU, EIS A QUESTÃO ― MAS SERÁ MESMO ESSA A QUESTÃO?

Na complexidade do cenário político tupiniquim, são raríssimos os eventos que dão margem a uma única interpretação, e a interminável discussão sobre as “pedaladas” da presidanta afastada é um bom exemplo. Senão, vejamos.

Para a ignara militância petista, o laudo da perícia realizada a pedido da Comissão do Impeachment do Senado absolve a bruxa má dos crimes de responsabilidade que lhe são imputados, enquanto os que não se deixam levar por paixões partidárias e fanatismos abjetos ― e torcem para que a sacripanta seja deposta definitivamente o quanto antes ― veem a coisa por um ângulo diametralmente oposto.

O fato é que muita gente valoriza mais as versões do que os fatos propriamente ditos. Aqui mesmo na rede há bons exemplos ― que, por motivos óbvios, eu não vou citar nominalmente, e nem é preciso, pois salta aos olhos a intenção claramente manipuladora e ultrajante dessa renca, que tenta a todo custo convencer os menos informados de que Lula é realmente a alma viva mais honesta do Brasil e que Dilma, pasmem, foi uma grande presidente. Na visão míope e distorcida que lhes é peculiar, a culpa pela pior crise econômica da nossa história recente cabe à mídia, aos coxinhas, às elites, ao Papa, a Jesus Cristo e ao próprio Demo ― esquecendo-se, muito convenientemente, de que a nefelibata da mandioca escancarou publicamente seu pacto com o coisa-ruim ao dizer que “em ano de eleição a gente faz o diabo”!

Talvez eu esteja usando cores fortes para pintar esse quadro, mas isso não torna os fatos menos verdadeiros e aviltantes para os cidadãos de bem, que há anos veem o suado dinheiro dos impostos ser malversado, desviado e roubado pela cleptocracia lulopetista e pelos rufiões da pátria e proxenetas do parlamento, como bem os definiu Roberto Jefferson, ao denunciar o escândalo do mensalão.

Observação: Para quem não se lembra, as palavras do deputado foram as seguintes: “Tirei a roupa do rei, mostrei ao Brasil quem são esses fariseus, mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. Rufiões da pátria, proxenetas do parlamento. Este é o governo mais corrupto que testemunhei nos meus 23 anos de mandato, o mais escandaloso processo de aluguel de parlamentar”.
O laudo entregue na última segunda-feira (27) à comissão, elaborado a partir de 73 questionamentos apresentados pela defesa (dez dos quais foram negados) e 30 pela acusação (desses, 4 foram indeferidos), dá conta de que três dos quatro decretos de crédito que fazem parte da denúncia contra Dilma eram incompatíveis com a meta fiscal do ano passado, e que “há ato comissivo da exma. Sra. Presidente da República na edição dos decretos, sem controvérsia sobre sua autoria” (para mais detalhes, clique aqui).

A comemoração da militância ignara, norteada pelos pronunciamentos dos esbirros de Dilma e baseados na “versão oficial” divulgada pelos marqueteiros contratados pelo partido e pagos a peso de ouro com dinheiro do erário ou de fontes suspeitas, advém do fato de os peritos “não terem identificado ação direta da petista nos atrasos de repasses ao Banco do Brasil para pagamentos de subsídios a produtores rurais” ― operação que ficou conhecida como "pedalada fiscal", que visava escamotear rombos nas contas federais. No entanto, esses mesmos peritos entenderam que há indícios de participação direta da afastada na publicação irregular de decretos de suplementação orçamentária ― ou seja, sem a autorização prévia do Congresso. Assim, diferentemente do que afirmam o PT, a presidanta afastada e seus incorrigíveis puxa-sacos, a perícia do Senado reafirma o crime de responsabilidade.

Claro que a perícia não diz textualmente se Dilma tem culpa ou se deve ser responsabilizada, até porque julgar esse mérito não compete aos peritos, mas sim aos senadores. Em última análise, o documento serve apenas para embasar a decisão final dos parlamentares sobre ao afastamento definitivo da petista, que será definido, em sessão plenária, lá pelo final de agosto.

A apresentação do laudo abriu prazo para pedidos de esclarecimentos por parte da acusação e da defesa. Contra-laudos poderão ser entregues até a próxima segunda-feira, e, no dia seguinte, a comissão deverá debate-los em audiência pública. Juridicamente falando, o processo de impeachment se encontra em fase de instrução, quando são colhidos depoimentos, provas e argumentos de acusação e defesa. Com base nesse material, o relator Antonio Anastasia emitirá novo parecer ― ou “sentença de pronúncia”, para usar o jargão adequado ―, que deverá ser submetido ao plenário do Senado no dia 9 de agosto. Se aprovado por maioria simples (41 dos 81 senadores), o impeachment irá a julgamento; do contrário, o processo será extinto e a anta, reconduzida ao cargo (que Deus nos livre dessa desgraça). Para sacramentar a cassação definitiva da indigitada, 54 dos 81 senadores deverão votar pela condenação.

Em entrevista ao site O Antagonista, o procurador Júlio Marcelo explicou como foi realizada a "fraude" por Dilma e seus acólitos:

É evidente que a perícia não iria encontrar um ato da Presidente na ‘pedalada’ junto ao Banco do Brasil. Isso já havia sido até dito e explicado. Os motivos que levaram o TCU a repudiar os empréstimos ilegais feitos de maneira forçada junto ao Banco do Brasil, BNDES e Caixa não foram atos ostensivamente praticados pela presidente ou seus auxiliares, mas a falta de atos, justamente a omissão de pagamentos devidos aos bancos federais. Uma fraude se caracteriza justamente pela dissimulação, pela obtenção de efeitos proibidos sem a prática ostensiva do ato que produziria tal efeito. Exatamente por configurar uma fraude, com maquiagem das estatísticas fiscais em escala bilionária, não se poderia imaginar que tamanha manobra pudesse ocorrer sem o conhecimento pleno e anuência de sua principal beneficiária. Essa foi a convicção que levou os ministros do TCU a rejeitar por unanimidade as contas em 2014, face a irregularidades que, em essência, se repetiram em 2015”.

Resumo da ópera: A despeito do processo de impeachment ter a ver com o fato de Dilma ter praticado, ou não, crimes de responsabilidade, é incontestável que ela está sendo julgada pelo conjunto de sua obra nos 5 anos, 2 meses e 11 dias em que exerceu (pelo menos de direito) a presidência da República. Afinal, é impossível não levar em conta sua gestão irresponsável e os atos eminentemente eleitoreiros que ela praticou ― tais como maquiar a real situação da economia, represar artificialmente o preço dos combustíveis e tarifas de energia elétrica ―, além de sua campanha ter sido bancada com dinheiro de origem suspeita ― ou indiscutivelmente criminosa, como os aportes feitos por empreiteiras envolvidas no propinoduto do petrolão ―, o flagrante estelionato eleitoral que propiciou sua reeleição, e outras barbaridades que encheriam páginas e páginas. E para os detratores de Temer e seu governo de transição, vale lembrar que, se agora temos aplausos na economia e suspeitas na ética, com o retorno de Dilma teríamos a volta da tragédia na economia sem nenhuma ética.

Pensem nisso.