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terça-feira, 15 de setembro de 2026

MITOS E VERDADES SOBRE A BATERIA DO CELULAR

QUEM SABE FAZ, QUEM COMPREENDE ENSINA. 

Depois que os dumbphones se tornaram smart, a autonomia da bateria se tornou tão importante quanto a memória e o armazenamento interno. Embora esses componentes tenham evoluído significativamente desde os jurássicos modelos à base de níquel-cádmio, o tempo durante o qual o aparelho opera longe da tomada depende da capacidade de sua bateria, do seu consumo energético e do perfil do usuário.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Fachin desligou Mendonça da tomada. Assumiu no sábado a relatoria do caso sobre as relações potencialmente criminosas entre Moraes e Vorcaro. Com isso, será o presidente da corte, e não Mendonça, quem fará o relato dos fatos na sessão plenária da próxima terça-feira. Caberá a ele também proferir o primeiro voto e dizer se há indícios fortes o bastante para investigar Moraes.

A conjuntura exala um aroma de história. É a primeira vez que o plenário do Supremo se reúne para decidir se abre investigação criminal contra uma de suas togas. O ineditismo está crivado de suprema ironia. Moraes é vice-presidente do tribunal. Se nada acontecer, assumirá o comando em setembro de 2027.

Há o risco de um pedido de vista na sessão desta terça. Isso adiaria a decisão. Mas antes de executar a manobra, a falange pró-Moraes terá que ouvir o voto de Fachin. Ele tem declarado que seu dever é "assegurar a integridade" do Supremo. Não é desprezível a hipótese de Fachin votar pela investigação. Ainda que surja no plenário um pedido de vista, ministros contrários ao adiamento podem antecipar seus votos. Isso não impediria a postergação, mas pioraria a imagem de Moraes. 

Nunca um vice do Supremo pareceu tão controversa — a ponto de a eventual vitória de um magistrado ser tratada como perdição da instituição.


Uma bateria de 12 V fornecendo uma corrente de 2 A estará entrega 24 W de potência (tensão × corrente). Um mAh (miliampere/hora) corresponde à carga elétrica transferida por uma corrente constante de um miliampere durante uma hora. Já a potência da bateria é expressa em watts (W) ou joules por segundo (J/s). Assim, se uma bateria opera entre 3,7 V a 4,4 V e fornece 2A, sua potência instantânea fica entre 7,4 W e 8,8 W. No entanto, quanto mais recursos forem ativados, mais rápido a reserva de energia irá se esgotar. 

Em tese, quanto maior a capacidade, maior tende a ser a autonomia da bateria. Na prática, porém, dois aparelhos idênticos usados por pessoas de perfis diferentes podem exigir recargas em intervalos distintos. E como nem mesmo as baterias de 5.000 ou 6.000 mAh desobrigam os heavy users de fazer um “pit stop” entre recargas, os carregadores rápidos se tornaram um item de primeira necessidade.


É possível aumentar a capacidade das baterias (haja vista os modelos que equipam os cada vez mais comuns veículos elétricos). O problema é obter esse resultado sem comprometer o tamanho do componente ou elevar excessivamente seu custo de fabricação. 


A chinesa Xiaomi surpreendeu o mercado no ano passado com o lançamento do Redmi K80 Ultra — modelo de preço intermediário que integra uma bateria de silício-carbono de 7.410 mAh, capaz de resistir até dois dias de uso intenso — e carregamento rápido de 100W — que recupera até 80% da carga em menos de 30 minutos. A também chinesa Oukitel oferece modelos com bateria de 18.000 mAh, que proporcionam 10 dias de uso moderado ou até 4 dias de uso intenso sem necessidade de recarga (o WP19 chega a 21.000 mAh e promete uma semana completa mesmo em uso intenso, mas nem todo mundo está disposto a carregar no bolso um "tijolão" que lembra um rádio comunicador militar.


A pergunta é: se é possível equipar smartphones com baterias de mais de 10.000 mAh, o que a Apple, a Samsung e a Motorola estão esperando para lançar modelos com esse "poder de fogo"? A resposta está no equilíbrio entre design e usabilidade: a maioria dos usuários prioriza aparelhos finos e leves, confortáveis no bolso e na mão, e uma bateria convencional dessa capacidade exigiria um aparelho muito mais espesso e pesado que um iPhone. E isso sem falar no custo de fabricação e no tempo de recarga, que pode variar entre 3 e 5 horas, mesmo com carregadores rápidos.


A Honor já oferece smartphones com baterias de silício-carbono que prometem até três dias de autonomia e mantêm a capacidade máxima de carga mesmo após três anos de uso. A Realme já apresentou protótipos com baterias de 10.000 mAh — um avanço significativo em relação às baterias convencionais de 5.000 mAh da concorrência. O iPhone 17 Air integra uma bateria com maior densidade energética do que a dos dispositivos baseados em polímeros de lítio.


Pesquisas em outros segmentos apresentam avanços notáveis: os chineses criaram uma mini bateria nuclear que promete durar mais de 7.000 anos (destinada principalmente a sensores, dispositivos médicos e aplicações de baixíssimo consumo), enquanto os dinamarqueses desenvolveram uma superbateria com eficiência de 90%, capaz de abastecer 100 mil casas por até 10 horas. Mas ainda não se sabe quando — nem se — essas soluções chegarão ao usuário final.


Existem diversas recomendações relacionadas ao uso da bateria que deixaram de fazer sentido quando os fabricantes substituíram o níquel-cádmio pelos íons de lítio (ou polímeros, em alguns casos). Entre outras coisas, essa mudança pôs fim ao famigerado "efeito memória" — perda progressiva da capacidade de carga quando a reserva de energia não era esgotada integralmente antes de a bateria ser recarregada. 


Observação: Os dumbphones passavam dias longe da tomada porque eram usados basicamente em chamadas de voz e mensagens de texto. Já os smartphones rodam sistemas complexos e executam os mais diversos aplicativos, daí seu consumo energético ser maior, e sua autonomia, menor.


Concluído esta (não tão) breve contextualização, resta lembrar a quem interessar possa que tanto a autonomia quanto a vida útil das baterias podem ser prolongadas com a adoção de alguns cuidados simples, mas, de novo, é preciso separar o joio do trigo, ou melhor, os mitos da realidade. 


Usar o aparelho durante a recarga da bateria não causa danos, mas retarda o processo. Para ganhar tempo, ative o "modo avião" ou simplesmente desligue o telefone durante a recarga — isso mata dois coelhos com uma única cajadada, já que reiniciar (ou desligar e religar) o dispositivo diariamente ou a cada dois ou três dias ajuda a manter o desempenho nos trinques. 


Embora não seja o ideal, você pode utilizar carregadores de outras marcas, mas convém fugir de produtos xing-ling, vendidos por uma fração do preço dos originais, pois eles não passam de imitações baratas que podem causar estragos e pôr em risco sua segurança. Use somente dispositivos certificados e compatíveis com os padrões exigidos pelo fabricante (USB Power Delivery, Quick Charge etc.)."


Convém também evitar manter o telefone na carga por mais tempo que o necessário (os fabricantes recomendam manter o nível de carga entre 20% e 80%). É fato que os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do celular, já que um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia —, mas seguro morreu de velho. 


Retire o carregador da tomada quando terminar de carregar a bateria, — mantê-lo conectado à tomada desnecessariamente gera o chamado "consumo fantasma", diminui a vida útil do dispositivo e aumenta o risco de acidentes. 


Observação: O consumo é extremamente baixo para um carregador original e certificado, mas o desgaste contínuo dos circuitos internos é real, pois o carregador é essencialmente uma fonte de alimentação eletrônica chaveada — quando você o mantém na tomada, seus circuitos ficam permanentemente energizados e aquecidos, sem falar nos danos causados por eventuais picos ou quedas de tensão da rede elétrica (comuns durante tempestades com raios). Quando a bateria está carregada, os aparelhos simplesmente interrompem o processo, mesmo que você o mantenha conectado ao carregador, mas, pelo menos até onde se sabe, cautela e canja de galinha (se me concedem a redundância) nunca fizeram mal a ninguém. 


Se o manual de instruções do seu aparelho recomendar uma carga completa antes de ser colocado em uso (alguns, inclusive, falam em deixar o aparelho carregando por 12 ou mesmo 24 horas), ignore, pois as baterias modernas costumam vir com pelo menos 40% de carga. Por outro lado, considerando que a configuração do aparelho novo — e a importação dos dados armazenados no aparelho antigo — consomem muita energia, de maneira que o ideal é executar esse processo quando a bateria estiver 100% carregada ou com o carregador conectado ao aparelho e à tomada. 


Embora seja normal o smartphone e o carregador aquecerem durante a recarga, executar esse procedimento em local ventilado e abrigado da luz solar ajuda a manter a temperatura em patamares aceitáveis. Além disso, evite deixar a bateria carregando durante toda a noite — mesmo que o processo seja interrompido quando o nível de carga atinge 100%, o ideal é desconectar o telefone do carregador e este da tomada quando a bateria estiver de 80% a 100% carregada, e então remova o carregador da tomada (na hora de colocar o aparelho para carregar, conecte primeiro o carregador na tomada e depois o cabinho no telefone).  


As baterias são projetadas para suportar de 800 a 1.600 ciclos completos de carga (usar 50% da bateria em um dia, carregá-la até 100%, usar outros 50% no dia seguinte e tornar a carregá-la também conta como um ciclo completo), o que representa uma vida útil de 3 a 5 anos. Considerando que a maioria de nós troca o aparelho por um modelo novo a cada 2 anos, em média, essa vida útil costuma ser mais que suficiente. 


A despeito da evolução ocorrida nos últimos anos ter anulado o efeito memória e sanado outros problemas dos tempos de antanho, as baterias continuam sujeitas às leis da Física. Enquanto não inventarem um smartphone que funcione uma semana inteira longe da tomada sem ganhar o tamanho de um tijolo baiano, resta ao usuário administrar bem a energia disponível e desconfiar de receitas milagrosas espalhadas pela internet.


Afinal, quando o assunto é bateria, há muito mais mitos do que miliampères.

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

MITO OU VERDADE?

QUEM ANDA NA CORDA BAMBA ÀS VEZES CAI

Celulares modernos usam baterias de íons de lítio (Li-Ion), que não estão sujeitas ao "efeito memória". Além de dispensarem ciclos completos de carga (para saber mais, clique aqui), elas interrompem a passagem da corrente elétrica quando a recarga se completa. Assim, você não precisa (e nem deve) esperar a bateria "zerar" ou o aparelho desligar automaticamente para colocá-lo na carga, nem — muito menos — deixá-lo carregando por 12 ou 24 horas de usá-lo pela primeira vez.

Baterias de íons de lítio funcionam com base em ciclos de carga que terminam quando 100% da energia é consumida e foram projetadas para suportar mais ciclos de carga mantendo 80% da capacidade original. Você pode, por exemplo, utilizar 60% da capacidade em um dia, recarregar a bateria totalmente e usar os 40% restantes no dia seguinte, perfazendo um ciclo completo a cada dois dias.

Também é possível — embora não seja recomendável — usar o aparelho durante a recarga. O risco de alguém morrer ou ficar seriamente ferido por uma explosão da bateria são tão remotas quanto as de acertar a Mega Sena acumulada, e em dois sorteios consecutivos.

É fato que casos graves relacionados com essa prática já foram registrados. Em 2013, uma aeromoça chinesa morreu eletrocutada quando saiu do banho para atender uma ligação em seu iPhone 5, que estava carregando (o causador da tragédia não foi o aparelho, mas a "burrice" de sua dona). No mês passado, um adolescente sofreu queimaduras graves pelo corpo ao ligar o carregador num local onde havia produtos químicos que ele estava manuseando (nesse caso, a perícia apurou que nem o celular nem o carregador apresentavam sinais de explosão).

Riscos de incêndio ou explosão envolvendo smartphones são pífios quando a bateria e o carregador são originais ou, no mínimo, de marcas homologados pelo fabricante do aparelho. Para que a bateria exploda, a temperatura precisa atingir 130°C; no interior de um carro estacionado sob o sol causticante do verão tupiniquim, o termômetro dificilmente passa de 60°C — calor suficiente para a gente se sentir numa sauna e até para o celular desligar automaticamente, mas não para a bateria explodir.

Por outro lado, usar o smartphone enquanto a bateria recarrega é como abrir a torneira para encher a pia da cozinha e não tampar o ralo. E a demora será maior ainda com um carregador veicular ou com a portinha USB do PC servindo de fonte de energia, já que a amperagem da rede elétrica do imóvel é bem maior.

Considerando que tanto o sistema operacional quanto os apps que rodam em segundo plano consomem energia mesmo com o celular em stand-by, e que todo dispositivo computacional precisa ser reiniciado de tempos em tempos — e o smartphone não é exceção —, por que não unir o útil ao necessário desligando dito-cujo antes de colocá-lo na carga?

Observação: Ativar o modo avião reduz o consumo de energia, mas não elimina arquivos temporários nem limpa o cache de memória ou exclui “sobras” de apps que já foram encerrados mas não devolveram todo o espaço que ocupavam na RAM, entre outros benefícios proporcionados por um saudável reboot.

terça-feira, 24 de março de 2020

DO CELULAR AO SMARTPHONE, MITOS E ALGUMAS DICAS IMPORTANTES PARA PROLONGAR A VIDA ÚTIL DO APARELHO (PARTE 6)


JABUTI EM ÁRVORE, SÓ POR ENCHENTE OU MÃO DE GENTE.

Como já foi dito, diferentemente das antigas baterias de Níquel-Cádmio que alimentavam celulares e notebooks nos tempos de antanho, as atuais, de íons de lito ou de polímeros de lítio (tecnologia desenvolvida pela Sony em 1991), não estão sujeitas ao “efeito memória” (detalhes na postagem anterior).

Portanto, esqueça aquela história de que é preciso esperar o aparelho desligar sozinho antes de colocá-lo na carga, pois você pode fazê-lo quando bem entender, esteja a bateria abaixo dos 10%, acima dos 90% ou com qualquer percentual de carga entre esses dois patamares. Também não há problema em dar uma “meia-sola” — isto é, desligar o carregador antes que o indicador de carga da bateria atinja os 100% —, pois nem sempre podemos esperar duas ou três horas até que a recarga completa seja concluída.

Antigamente, heavy users resolviam o problema da autonomia (ou da falta dela) com uma bateria extra — aliás, alguns carregadores ofereciam dois encaixes, um para carregar a bateria acoplada ao telefone e o outro para uma bateria reserva. Hoje, o carregamento rápido (recurso que já integra boa parte dos aparelhos recém-lançados) promete acabar com as tediosas horas de espera, levando as baterias de 0 a 50% de carga em poucos minutos.

Em tese, recarregar a bateria quando ela ainda tem meia carga pode dobrar sua vida útil, que é medida por ciclos — cada ciclo representa uma descarga completa e uma recarga de 100%. No Brasil, a Anatel estabelece um mínimo de 300 ciclos, ou seja, a bateria deve suportar pelo menos 300 recargas completas. Assim, meia carga representa meio ciclo; se o dispositivo suportar 300, que é o mínimo para ser homologado pela ANATEL, esse número, em tese, aumenta para 600. Por outro lado, considerando que a evolução tecnológica tende a levar os usuários a substituir produtos de ponta por modelos ainda mais avançados em intervalos cada vez mais curtos, é provável que você já tenha comprado um telefone novo quando a bateria do antigo começar a dar sinais de exaustão.

Smartphones fabricados na última década contam com baterias capazes de interromper a passagem de corrente quando a recarga é completada, mas, mesmo assim, remova o carregador da tomada e desconecte-o do celular (nessa ordem) assim que o sinal de carga completa for exibido.

O tempo de recarga varia conforme o modelo do aparelho, as características da bateria e a potência do carregador — e, claro, a quantidade de energia remanescente —, mas não costuma levar mais que três horas. Dito isso, ao comprar um telefone novo, você não precisa deixar a bateria carregando por 12, 18 ou 24 horas (mais detalhes na postagem do último dia 19).

Mesmo com um carregador original — convencional ou automotivo —, evite manter o celular carregando por mais tempo que o necessário. Mal comparando, seria como colocar na pia uma panela onde cabe um litro de água, abrir a torneira e voltar dali a de dez minutos. A panela não sofreu qualquer dano, porque a água excedente desceu pelo ralo, mas esse desperdício seria evitado se você tivesse fechado a torneira quando a panela estivesse cheia.

Muita gente coloca o celular na carga à noite, antes de se deitar, e só o tira na manhã seguinte. Evite. Além gerar calor e um gasto desnecessário de energia (alguns reais a mais na conta de luz no final do mês, caso você adote essa prática noite após noite), isso abrevia a vida útil do carregador. Talvez não cause danos ao telefone nem resulte na explosão da bateria, embora existam possibilidades reais — bastante remotas, é bom que se diga — de isso acontecer. Mas, podendo evitar, por que não o fazer?

Continua...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

SMARTPHONES — MITOS E VERDADES

TODA TOLICE, POR MAIS GROSSEIRA QUE SEJA, SEMPRE ENCONTRA SEQUAZES.

Para a maioria das pessoas, o smartphone é a opção primária de acesso à Internet. Sendo “ultraportátil”, o telefoninho pode ser levado a toda parte e utilizado a qualquer momento para navegar na Web, pagar contas, fazer compras, acessar redes sociais etc. E até mesmo — pasmem! — para telefonar. 

Tanto é que, mesmo nesta Belíndia chamada Brasil, onde sobra mês no final do salário de quem ainda tem emprego, o número de linhas móveis ativas supera o de habitantes. No entanto, o versátil aparelhinho precisa “comer muito feijão” para aposentar de vez o PC de mesa (que um notebook pode substituir com vantagens, conforme já discutimos em outras oportunidades).

Diferentemente dos celulares da era pré-iPhone, os smartphones são microcomputadores ultraportáteis. Como a maioria de seus recursos e funções é provida pelo sistema operacional (Android ou iOS) e pelos aplicativos, deixou de ser necessário passarmos dias ou semanas “reaprendendo” a usar o aparelho sempre que compramos um modelo novo. A não ser que mudemos do Android para o iOS ou vice-versa. E mesmo assim a ambientação será menos penosa se lermos o manual que o fabricante disponibiliza em seu website. Mas o fato é que muita gente não se ao trabalho de ler , até porque “o Google tem resposta pra tudo”. 

O Google tem resposta para tudo, mas é preciso ter o cuidado de "filtrá-las", pois muitas informações disponíveis na Web (sobre seja lá o que for) não têm respaldo técnico nem embasamento empírico confiável. Isso sem mencionar que um sem-número de dicas que “valiam” no início da década passada já não se aplicam mais.

Remover arranhões da tela usando creme dental é um bom exemplo da exemplo. Esse “truque” funcionava nos tempos de antanho, quando o display exibia apenas ícones monocromáticos indicativos de intensidade do sinal, carga da bateria e correio de voz, além dos números chamados ou que originaram as chamadas, o tempo de duração das ligações e eventuais mensagens de texto curtas (SMS). Nos modelos atuais, o dentifrício pode causar danos nos displays LCD touchscreen, que devem ser protegidas por películas autoadesivas (preferencialmente as de vidro, que são mais resistentes).

A mobilidade favorece o uso do celular em trânsito, o que aumenta o risco de acidentes. Se o aparelho sofrer uma queda e a tela trincar, por exemplo, não existe gambiarra que dê jeito. Ou se manda trocar a tela, ou compra-se um aparelho novo (dependendo do modelo em questão e do tempo de uso, o molho pode ficar mais caro do que o peixe).

O seguro custa caro (a anuidade pode chegar a custar 50% do valor do bem, sem mencionar que ainda há a franquia), não indeniza o segurado em caso de furto ou perda nem tampouco cobre danos físicos e/ou elétricos, a menos que essas coberturas sejam contratadas em separado (o que aumenta ainda mais o valor do prêmio).

Com a possível exceção de modelos water resistant ou water proof, um temporal inesperado pode causar sérios danos ao telefone, daí ser recomendável levar no bolso ou na bolsa uma sacolinha plástica, daquelas de supermercado. Assim, se você for pego no contrapé, bastará colocar o aparelho dentro da sacola e fechá-la com um nó cego.

Já se o celular cair na piscina ou no vaso sanitário, p.ex., quanto menor for o tempo de submersão, maior será a chance de ele sobreviver ao afogamento. Portanto, resgate-o o quanto antes, desligue (mesmo que ele esteja funcionando), remova o chip (SIM-Card) e, se possível, a bateria (caso não saiba abrir o aparelho, consulte o manual ou acesse o site pt.Ifixit.com), seque o melhor que puder com papel toalha e complete o serviço usando um secador de cabelos (ajustado para soprar ar frio ou, no máximo, morno). 

O ideal seria levar o telefone a uma assistência técnica com a máxima urgência, mas isso nem sempre é possível em época de pandemia, com fase vermelha nos finais de semana. E o cenário será ainda pior quando o “afogamento” se der no mar, já que a água salgada não perdoa.

Muita gente desdenha a dica do arroz. Diz que o cereal só absorve a umidade que fica na superfície, que a placa precisa ser submetida a um banho químico e blá, blá, blá. Trata-se de uma gambiarra antiga (eu mesmo a publiquei cerca de 12 anos atrás), que parece coisa do Mundo de Beakman. Mas eu soube de casos de casos em que aparelho voltou a funcionar e jamais apresentou problema algum. Ademais, o que você tem a perder?

Observação: Após secar bem o aparelho, o chip e a bateria, coloque tudo numa tigela, cubra com arroz cru e deixe ficar de 48 a 72 horas. E reze. Se não ajudar, atrapalhar é que não vai.  

No que diz respeito à bateria, sugiro ler a sequência iniciada nesta postagem. Relembro apenas que baterias de íon de lítio (ou polímero de lítio), que substituíram os modelos de níquel-cádmio, não estão sujeitas ao “efeito memória”. Portanto, não é necessário — nem aconselhável — “zerar” a bateria antes de colocá-la na carga, até porque isso pode causar reações químicas que, com o tempo, reduzem a vida útil do componente (para prevenir esse problema, o sistema de gerenciamento da bateria desliga o aparelho quando a reserva de carga atinge 5%).

Você pode carregar a bateria quando bem entender, mas eu sugiro fazê-lo quando o nível de carga estiver entre 50% e 30% e desligar o carregador quando o indicador atingir 100%. Embora o sistema de gerenciamento seja projetado para interromper o fornecimento de energia quando a bateria estiver totalmente carregada, ninguém revogou a lei de Murphy. Se algo der errado com o circuito (o que não é exatamente incomum nos carregadores “xing-ling”), a bateria pode estufar e até explodir. 

Em contato com o oxigênio, o íon de lítio causa a expansão dos componentes internos da bateria, forçando a dilatação de suas paredes, e o vazamento dos compostos pode danificar os frágeis circuitos do aparelho. Um carregador rápido costuma ter 8 vezes mais potência do que o modelo convencional, mas, em condições normais, não causa danos à bateria no longo prazo, pois aplicam um pico de tensão nos primeiros 15/20 minutos (o que fornece de 50% a 70% de carga) e depois desaceleram o processo.

Convém utilizar sempre que possível o carregador e o cabo fornecidos pelo fabricante do aparelho. Misturar ou combinar modelos diferentes não prejudica a bateria, mas altera o tempo de recarga. Já o excesso de calor não só reduz a eficácia da bateria como pode resultar na explosão do componente. Portanto, evite deixar o smartphone exposto ao sol durante muito tempo ou esquecê-lo no porta-luvas do carro em dias de muito calor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

MITO OU VERDADE? (FINAL)

QUEM TENTA FUGIR DA PRÓPRIA SOMBRA ACABA CAINDO DE CARA.

Recomenda-se não usar o celular enquanto a bateria estiver carregando e desconectar o carregador da tomada na iminência de um temporal. Aliás, essa dica vale para qualquer aparelho elétrico ou eletroeletrônico, dada a possibilidade de um raio atingir a rele elétrica, gerando uma sobretensão capaz de torrar os circuitos eletrônicos de eletrodomésticos e afins.

Conforme eu disse no post anterior, incêndios de smartphones e explosões de baterias podem acontecer, mas nem sempre pelos motivos que costumamos imaginar. Nove em dez eventos dessa natureza têm a ver com baterias e carregadores "xing-ling". Portanto, quando substituir esses componentes, dê preferência a peças de reposição originais ou, no mínimo, homologadas pelo fabricante. Evite usar adaptadores e conserte (ou mande consertar) tomadas com tomadas com mau contato.

Observação: Se você reparar que seu celular está "inchado" ou que alguma parte da tela levantou, desligue-o e procura uma assistência técnica. Nesse caso existe a possibilidade de componentes químicos da bateria vazarem e até causarem uma explosão. E fique de olho também na temperatura: se o aparelho estiver esquentando mais do que o normal procure um especialista (lembrando sempre que aquecimento moderando durante a recarga ou quando o aparelho é exigido a fundo, como durante a atualização de aplicativos, não deve ser motivo de preocupação).

Itens comprados pela Internet com origem nos EUA, China e Austrália, entre outros, foram conectados a redes elétricas de alta tensão e apresentaram isolamento insuficiente contra descargas elétricas. Carregadores genéricos nem sempre integram componentes da mesma qualidade dos usados nos originais, como fios com a resistência adequada à corrente recebida e sensores que interrompem a passagem de energia quando a bateria está totalmente carregada, como se fossem disjuntores.

A Apple, que tem como ponto alto a excelência de seus produtos, já criticou publicamente sites de vendas online por terem em seus catálogos artigos falsificados, que, em situações extremas, poderiam colocar vidas em risco. Em 2016, a organização britânica Trading Standards, que faz campanhas de conscientização sobre segurança do consumidor, testou 400 carregadores falsificados da Apple e constatou que 99,25% deles falharam em quesitos básicos de segurança.

De fato, não adianta de nada ter um ótimo celular com bateria de alta qualidade se seu carregador não consegue realizar as funções básicas de regular a tensão e entregar uma corrente estável e adequada para o dispositivo.

Observação: Os carregadores têm a função de transmitir para a bateria a energia que vai provocar reações químicas na peça e que, por sua vez, darão energia para o celular funcionar. Se houver oscilações e volume inadequado de energia chegando ao aparelho, a vida útil da bateria pode ser deteriorada. Usar carregadores falsificados ou danificados podem contribuir negativamente para isto.

A tensão elétrica das nossas tomadas (corrente alternada) pode ser 110V, 115V, 115~127V ou 220V, ao passo que os celulares operam em corrente contínua com valores entre 3,7 e 5 volts. A conversão da alta tensão fornecida pela tomada para a tensão adequada à bateria do telefone é um compromisso conjunto do carregador e de um chip conhecido como E75 e U2, que regula a quantidade de energia que a bateria pode receber. Carregadores modernos podem entregar maiores potências de forma segura, mas existe toda uma tecnologia por trás do sistema para garantir que não haja riscos de acidentes.

Se você reparar que a bateria do seu celular ora carrega em poucos minutos, ora passa a noite na carga e está com apenas metade de sua capacidade na manhã seguinte, fique esperto. E tenha em mente que cabos de baixa qualidade oferecem riscos de choque elétrico e incêndio em qualquer equipamento, e o celular não é exceção. Se o isolamento não for adequado, bastam algumas semanas de uso para os problemas começarem a surgir. E isolamentos ruins associados ao baixo controle na quantidade de energia fornecida por carregadores chinfrins podem causar incêndios por superaquecimento ou curtos-circuitos.

Fato é que há muita desinformação sobre o assunto, na medida em que a Internet e as mídias sociais promoveram idiotas da aldeia a portadores da verdade, dando voz a imbecis que até então falavam bobagens apenas no bar, sem causar danos à coletividade. 

O Boatos.org, que vem desmentindo notícias e correntes falsas no Brasil desde 2013, já provou que dezenas de rumores relacionando carregadores de celular a ferimentos e mortes eram "fake news". Por outro lado, explosões envolvendo baterias de celulares tomaram o noticiário em 2016 — dessa vez com produtos originais, levando a um recall em todo o mundo do Samsung Galaxy Note 7. No ano seguinte, a empresa divulgou que o problema estava no isolamento de determinados componentes internos fabricados por dois fornecedores.

Se o cabo do seu carregador estiver em más condições, substitua-o. Isolar com fita a parte danificada não resolve. Para prolongar sua vida útil, evite enrolá-lo, dobrá-lo e expô-lo a altas temperaturas. Igualmente importante é manter o celular em local aberto e ventilado enquanto a bateria estiver sendo recarregada. Nesse entretempo, o aquecimento do aparelho é normal, mas se você mantiver o smartphone debaixo do travesseiro, por exemplo, aí a porca torce o rabo.

Para evitar choques, não coloque o telefone para carregar em locais úmidos, como próximo a uma pia, banheira ou chuveiro. Também é importante não conectar ou desconectar o carregador com as mãos molhadas. 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR... (QUARTA PARTE)

TODA PARTÍCULA QUE VOA SEMPRE ENCONTRA UM OLHO.

Quando baixamos a tampa do notebook sem desligá-lo, o hardware continua funcionando. Se o aparelho dispõe de disco rígido (eletromecânico), qualquer impacto — ou trepidação excessiva — pode resultar no surgimento de “bad blocks”. 

Ainda que os portáteis sejam projetados com vistas à mobilidade, não se deve movimentá-los demais durante o uso (modelos equipados com drives de memória sólida são menos sensível a esse problema, mas nem por isso devemos submetê-los a castigos severos).

Jamais segure o note pela tela, que é delicada e suscetível a danos causados pela pressão dos dedos. Pressionar o visor de cristal líquido pode fazer com que linhas de pixels ruins apareçam, e segurar o note com uma só das mãos, forçar as dobradiças da tampa (o certo é segurá-lo aberto e usar sempre as duas mãos).

Fontes de alimentação com conectores semelhantes podem operar com voltagens diferentes. Um carregador não homologado pelo fabricante do celular (ou do notebook) pode danificar o aparelho ou, em situações extremas, provocar a explosão da bateria. Se for preciso usar uma fonte “universal”, observe ao menos se, além do conector adequado, ela permite ajustar a voltagem para atender especificamente às exigências do seu dispositivo.

Como dito, smartphones (e tablets) foram projetados com vistas ao uso em trânsito, e o armazenamento interno, baseado em memória flash, tornam-nos menos sensíveis a vibrações ou impactos, mas nem por isso você deve tratar seu celular nas patas do coice. Aliás, o fato de levá-lo a toda parte aumenta o risco de quedas, ensopamento, exposição a temperaturas elevadas e que tais.

Mesmo que o aparelho seja “à prova d’água”, não é recomendável entrar com ele no mar (quando mais não seja devido à salinidade da água) ou na piscina (idem com relação ao cloro e outros produtos químicos usados no tratamento da água). Tampouco deve-se “esquecer” o telefoninho no porta-luvas quando se vai deixar o carro estacionado por horas a fio sob o sol causticante do verão. Quanto a tombos e impactos, a lei de Murphy não foi revogada. Se o celular achar de cair e o piso for 90% recoberto por carpete, a queda ocorrerá em algum ponto dos 10% de piso cru, e com a tela virada para baixo.

No tempo dos dumbphones, as capinhas dispunham de um clipe que se prendia ao cinto ou ao cós da calça, mas isso é coisa do passado. Não há problema em levar o smartphone no bolso, mas convém evitar o bolso traseiro da calça. Primeiro porque os aparelhos atuais são quase tão grandes quanto uma tábua de carne — e, com metade da carcaça exposta, o smartphone chama a atenção dos amigos do alheio. Segundo porque o risco de esquecer de tirar o dito-cujo do bolso antes de acomodar o buzanfã numa cadeira, poltrona etc. pode causar danos (não só, mas principalmente) ao display. E moçoilas que vestem calças 3 números abaixo de seu manequim para ressaltar o derrière voluptuoso nem precisam se sentar para expor o telefoninho a uma torção para a qual ele não foi projetado.

Outro detalhe que merece destaque é a autonomia da bateria — quanto maior a amperagem, melhor, pois maior será o intervalo entre as recargas. Considera-se adequada uma bateria que permita usar o celular durante um dia inteiro sem “pit stop”, e isso exige pelo menos 5.000 mAh. Menos que isso exige diminuir o brilho do display, desabilitar o alerta vibratório e as conexões Bluetooth, Wi-Fi, NFC, o GPS e outros recursos que não estiverem sendo utilizados, sob pena de ficar sem carga no meio do dia.  

Fechar aplicativos desnecessários e impedi-los de rodar em segundo plano também ajuda a poupar energia. No Android, basta tocar em Configurações > Bateria > Detalhes de uso e ativar a Economia de bateria (este roteiro foi baseado no Motorola G60, mas, de modo geral, vale para a maioria dos aparelhos, embora nomenclatura e caminhos possam variar um pouco).

Ao contrário da baterias de níquel-cádmio dos tempos de antanho, as atuais, à base de íon/polímero de lítio, não estão sujeitas ao “efeito memória”, de modo que podem ser recarregadas a qualquer momento. Aliás, não é preciso colocar o celular na carga após tirá-lo da caixa e esperar 8, 12 ou 24 horas para começar a utilizá-lo, como se recomendava antigamente.

Se você precisar sair e seu telefone estiver com pouca carga, os carregadores “TurboPower” (da Motorola) e assemelhados são sopa no mel, pois recarregam a bateria mais rapidamente do que os modelos convencionais — alguns minutos na tomada são suficientes para horas de uso, e a presença de chips e da ligação entre software e hardware permitem que o celular administre o carregamento de modo a não haver prejuízo para a vida útil da bateria.

Observação: De acordo Hélio Oyama, Diretor de Gerenciamento de Produtos da Qualcomm na América Latina, o carregamento rápido é um compromisso conjunto de hardware e software. O hardware, no próprio celular, recebe a energia e procede ao carregamento rápido da bateria inserida no smartphone, enquanto o software é responsável pela análise da necessidade (quantidade) de energia, pelo nível de carregamento da bateria, pelo nível de potência e por manter nos patamares adequados a corrente, a voltagem e a temperatura durante a recarga.

Continua...

terça-feira, 30 de julho de 2024

EXPLOSÃO DE CELULAR EM ELEVADOR

quem dá voz a burros não pode se queixar dos zurros.

Antes da Internet, a mídia controlava as massas; com o advento das redes sociais, os idiotas da aldeia, que antes só tinham direito à palavra na mesa do bar, agora têm mesmo direito de um Prêmio Nobel. A função precípua da imprensa é noticiar os fatos, mas o interesse do público por eventos negativos levou os editores a se valerem de manchetes chamativas e conteúdo sensacionalista para aumentar a circulação de seus pasquins. 

Em 1963, o Grupo Folha criou o jornaleco "Notícias Populares", que abusava de manchetes escandalosas (e não raro mentirosas) para vender seu peixe podre. Ele deixou circular 2001, mas excrescências policialescas como Cidade Alerta, Balanço Geral e Brasil Urgente não lhe ficam devendo nada quando se trata de explorar a sequidão sanguinária da escumalha que o Criador escalou para povoar esta banânia. 
 
Dias atrás, a explosão de um celular num elevador, que aconteceu em outubro de 2021, viralizou nas redes sociais como se ainda fosse possível sentir o cheiro da fumaça. Requentar notícias velhas e servi-las como novas não é novidade, e o "vale a pena ver de novo" foi largamente explorado por âncoras de programas de TV que são incapazes de encontrar o próprio rabo usando as mãos e uma lanterna.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Todo fato tem pelo menos três versões: a minha, a sua e a verdadeira. Maduro está podre, mas ainda não caiu do galho. A despeito de todas as pesquisas indicarem que Edmundo González Urrutia o venceria com 64% dos votos, Elvis Amoroso, chefe do Conselho Nacional Eleitoral e aliado de Maduro, anunciou a vitória do tiranete de merda (por 51,2% a 44,2%) quando 80% dos votos haviam sido apurados. Maduro se reelegeu, mas daí a ter sido reeleito vai uma boa distância. Segundo Maria Corina, líder da oposição, Urrutia obteve 70% dos votos. 

Gabriel Boric disse que o Chile não reconhecerá nenhum resultado "que não seja verificável" e Javier Milei, que a Argentina não vai reconhecer "outra fraude" (em resposta, Maduro chamou o argentino de "bicho covarde", "traidor da pátria" e "fascista e nazista"). Gonzalez-Olaecha declarou que o Peru não aceitará "a violação da vontade popular do povo venezuelano", e o ministro das Relações Exteriores da Colômbia pediu a contagem total dos votos e uma auditoria independente.

No discurso em rede nacional em que teceu elogios rasgados a seu terceiro mandato, o Sun Tzu de Atibaia não deu um pio sobre a "vitória" do déspota. O governo brasileiro afirmou que aguarda a divulgação dos dados e evitou reconhecer a vitória de Nicolás Maduro na eleição. Em nota, o Itamaraty destacou a importância de uma 'verificação imparcial dos resultados' e emitiu um alerta de segurança aos brasileiros na Venezuela, diante dos 'recentes acontecimentos' no país.

 Nas redes, adversários usam fotos e vídeos para criticar a proximidade entre Lula e Maduro. Segundo o assessor especial Celso Amorim, a votação transcorreu "com tranquilidade e sem incidentes", apesar das denúncias de que o CNE paralisou a transmissão de dados de diversos centros de votação, das testemunhas que foram impedidas de obter os boletins de urna que certificam os votos em cada centro, dos episódios de violência nas cidade de San Antonio del Táchira e Guásimos e das suspeitas de que um jovem tenha sido assassinado por disparos de um coletivo chavista. 

Antes do resultado ser anunciado, a vantagem de González sobre Maduro era de 20 a 35 pontos percentuais, mas nenhuma dessas pesquisas pôde ser divulgada dentro da Venezuela. Minutos após a divulgação do resultado, Maduro disse em discurso a apoiadores que sua reeleição foi o "triunfo da paz e da estabilidade". 

Então tá. E eu sou o coelhinho da Páscoa.


A alta densidade energética das baterias de íon-lítio torna-as potencialmente inflamáveis, e defeitos de fabricação, impactos e perfurações podem danificar as camadas internas de proteção e causar curtos-circuitos, incêndios e até explosões. No entanto, num universos de quase 8 bilhões de aparelhos, apenas 130 casos (0.0000017333%) foram documentados entre 2022 e 2023, e a maioria resultou de defeitos de fabricação — como os que ensejaram a explosão de várias unidades do Samsung Galaxy Note 7 em 2016.

 
Embora seja um dos maiores responsáveis pela venda de ventiladores e condicionadores de ar, o calor não anda de mãos dadas com a tecnologia. No interior de um veículo estacionado sob o sol num dia de muito calor, a temperatura pode ultrapassar 60°C. Isso é calor suficiente para acelerar a degradação química das baterias de íon de lítio (ou polímero de lítio, no caso do iPhone) e provocar a explosão de isqueiros descartáveis, mas para um celular pegar fogo ou explodir é preciso que a temperatura suba a 130°C. 
 
Os aparelho modernos integram um sensor térmico que os desliga automaticamente quando a temperatura interna da bateria atinge 50°C, bem como um sistema de segurança que interrompe a passagem de corrente quando a bateria está 100% carregada. No entanto, se nem as baterias originais estão livres de defeitos congênitos, o que dizer dos modelos de reposição genéricos  e de carregadores e cabos marca barbante, como os vendidos nos "melhores camelódromos do ramo"?
 
Como cautela e canja (não confundir com Janja) não fazem mal a ninguém, desligue o celular e remova a capinha antes de colocar o aparelho na carga. Baterias de íon ou polímero de lítio não estão sujeitas ao efeito memória e, portanto, não há benefício algum (antes pelo contrário) em descarregá-las totalmente. A primeira carga não precisa ser de 12 ou 24 horas (até porque o processo é interrompido automaticamente quando o nível de energia chega a 100%). A maioria dos smartphones vem com pelos 40% de carga e desliga automaticamente quando nível fica entre 10% e 5% (para prolongar a vida útil da bateria, os especialistas recomendam manter a carga entre 20% e 80%). Usar o telefone enquanto a bateria está carregado não causa danos, mas, mal comparando, é como abrir a torneira para encher a pia sem tapar totalmente o ralo. 
 
Plugar o carregador na tomada antes de introduzir o conector USB-C (ou micro-USB) no aparelho ajuda estabilizar a corrente, evitando picos de tensão. Ao final da recarga, recomenda-se remover o plugue USB do carregador, o plugue menor da portinha do telefone e o carregador da tomada, nessa ordem. Evite manter o carregador permanentemente conectado à tomada — o consumo em stand-by é insignificante, mas somado ao do relógio do micro-ondas, do modem, do roteador, dos decodificadores da TV por assinatura e dos televisores... enfim, faça as contas.
 
A tensão elétrica das nossas tomadas (corrente alternada) pode ser de 110V, 115V, 115~127V ou 220V, e os celulares operam com corrente contínua de 3,7V a 5V. A conversão da alta tensão fornecida pela tomada é um compromisso conjunto do carregador e de um chip que regula a quantidade de energia que a bateria pode receber. A potência dos carregadores convencionais varia de 5W a 10W, mas a dos carregadores rápidos chega a ser 8 vezes superior. Para descobrir a potência do carregador (que, por alguma razão, os fabricantes não informam), multiplique a voltagem pela amperagem (exemplo: um carregador de 9V e 1,67 mAh tem potência nominal de 15 Wh). 
 
Observação: O miliampere/hora (submúltiplo do ampere/hora) corresponde à quantidade de carga elétrica transferida por uma corrente estável de 0,001 ampere durante uma hora. Não se trata da "potência" da bateria, que é expressa em Wh, mas de sua capacidade de fornecer energia (autonomia).
 
O Boatos.org, que vem desmentindo notícias e correntes falsas no Brasil desde 2013, aponta que a maioria dos rumores relacionando carregadores de celular a ferimentos e mortes são "fake news". Mas explosões envolvendo baterias de íon de lítio, em 2016, ensejaram um recall mundial do Galaxy Note 7. No ano seguinte, a Samsung divulgou que o problema decorreu de falhas no isolamento de componentes fabricados por dois fornecedores.
 
Recarregue o celular em local aberto, ventilado e livre de umidade, e não manuseie o carregador com as mãos molhadas. Evite enrolar ou dobrar o cabinho do carregador — ele estiver danificado, compre um novo (fita isolante não resolve). Volto a lembrar que reiniciar o sistema operacional de tempos em tempos é fundamental para a saúde de qualquer dispositivo computacional — e o que são os smartphones senão microcomputadores ultraportáteis? —, pois esvazia a RAM, corrige erros de software e muito mais. 
 
Num mundo permanentemente conectado, uma breve pausa pode ser um respiro não só para os aparelhos, mas também para nossa mente. Então, por que não unir o útil ao agradável e aproveitar essa horinha de trégua para relaxar, tomar um café ou levar o cachorro para passear?

quarta-feira, 12 de junho de 2024

DICAS PARA MANTER O DESEMPENHO DO CELULAR NOS TRINQUES (FINAL)

O SILÊNCIO É UM AMIGO QUE NUNCA TRAI.

Todo aplicativo consome recursos e todo arquivo ocupa espaço. Instalar programas desnecessários e armazenar milhares de fotos e centenas de vídeos no celular resulta em lentidão, mesmo que o dispositivo disponha de 6GB de RAM e 256GB de armazenamento. 

Portanto, elimine o crapware, instale somente apps necessários e transfira para um pendrive ou HDD externo ou para a nuvem sua fototeca e sua filmoteca. Configure o sistema para suspender ou encerrar apps que não são usados com frequência e recorra a ferramentas de diagnóstico, como o Phone Doctor, para identificar e reparar os problemas mais comuns. 
 
Se seu orçamento o obrigar a comprar um smartphone com 4GB de RAM e 64GB de armazenamento, você pode possa emular memória com o RAM Plus, que é disponibilizado por alguns modelos Samsung e Xiaomi e permite usar parte da memória interna como "RAM virtual", e ampliar o armazenamento com um SD-Card. 
Existem dezenas de tipos desses cartões no mercado, mas nem todos são aceitos por todos os smartphones. Consulte o manual do seu aparelho (ou do aparelho que você pretende comprar) para saber se ele compatível com SDHC ou SDXC e quais das três principais classes de velocidade ele suporta (mais detalhes nesta postagem).  

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Vivo, Cazuza cantaria: "Brasil, mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim / Brasil, qual é o teu negócio / O nome do teu sócio / Confia em mim." Explico: a PEC das Praias passou na Câmara sem alarde e subiu para o Senado, onde tem como relator o famoso senador das rachadinhas e mansões milionárias. Mas o presidente da Casa pisou no freio ao declarar que a votação não será pautada "da noite para o dia", e o feitiço da invencibilidade digital da direita bolsonarista acabou enfeitiçado na praia das redes. Desde então, o filho do pai desperdiça saliva em entrevistas e postagens. "Não tenho interesse pessoal nisso, não sou proprietário de área beneficiada, não estou levando dinheiro do Neymar nem do empreendimento que ele fará", disse FB ao Globo. 
Esforçando-se para dar um aroma social à empreitada, Zero Um alardeou que a PEC presentearia habitantes pobres da orla com títulos de propriedade e mencionou os moradores do Complexo da Maré e dos quilombolas da Restinga de Marambaia, no Rio. Mas o bolsonarismo deixou-o apanhando sozinho nas redes. Ainda que a milícia digital organize uma mobilização tardia, já não há força no universo capaz de deter a maledicência segundo a qual o que move o primogênito do aspirante a tiranete não é a Maré nem a Restinga, mas a ideia fixa do pai de criar "uma Cancún em Angra dos Reis. 
Zonzo, FB tem dificuldades para manter a língua na coleira. Na mesma entrevista, ele disse que a PEC não tem nada de agressivo às praias, que todo mundo gosta de ir a um resort em Cancún, em Miami, na Espanha, na Grécia, e que a ideia é fazer um troço pequeno no Brasil para tentar estimular empreendimentos. E fechou com chave de ouro dizendo que, para fazer empreendimento em Angra, Salvador, qualquer lugar de Alagoas, seguirá existindo toda uma burocracia ambiental. 
Deu para entender?
 
O Bluetooth é útil em diversas situações, mas pode causar interferências ou erros de emparelhamento. Se desligar e religar o recurso não resolver, reinicie o smartphone; se o problema persistir e o "modo detectável" estiver ligado, limpe o cache do Bluetooth; se mesmo assim não funcionar, reverter o aparelho às configurações de fábrica costuma solucionar esse e uma porção de outros problemas. 
 
Por ser ultraportátil, o celular está sujeito a impactos e quedas. Segundo a Lei de Murphy, se cair, vai quebrar. Capinhas e películas protegem o aparelho, mas não fazem milagres — clique aqui e aqui para saber quais modelos são mais indicados. Se a tela trincar ou rachar, você terá de substituí-la — o conserto custa caro e nada garante que as coisas voltam a ser como dantes no quartel de Abrantes.
 
A autonomia da bateria pesa tanto quanto a RAM e o armazenamento na escolha de um smartphone. Modelos
 "premium" trazem baterias de 6.000 mAh, mas quem usa intensamente o aparelho não está livre de fazer um "pit stop" entre as recargas. A boa notícia é que baterias de íons ou polímero de lítio não estão sujeitas ao famigerado efeito memória, podendo ser recarregadas a qualquer momento, e sempre se pode recorrer ao "carregamento rápido" e a softwares que otimizam o consumo energético (mais detalhes na sequência de postagem iniciada aqui). 
 
A potência dos carregadores rápidos chega a ser 8 vezes superior à dos convencionais, mas nem todo aparelho suporta essa tecnologia (consulte o manual o site do fabricante). E muitos dos que suportam vêm acompanhados de carregadores comuns. 

Observação: Para descobrir a potência do carregador, basta multiplicar a voltagem pela amperagem. Meu Galaxy M23 suporta um carregador de 25 W (9V x 1,67A), mas veio com um modelo de 15 W, que demora cerca de 90 minutos para levar a bateria de 20% a 100%.  
 
Evite deixar o celular na carga a noite toda. Os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do aparelho, já que um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia. No entanto, seguro morreu de velho, de modo que não custa nada desligar o telefone, tirá-lo da capinha, recarregá-lo num local fresco e ventilado e, ao final, desconectar o carregador do telefone e da tomada, nessa ordem.
 
A autonomia informada pelos fabricantes é medida em "condições controladas" — com temperaturas em torno de 20-25°C, umidade do ar otimizada, sinal de rede estável, Wi-Fi, Bluetooth, e GPS desligados, brilho da tela inferior a 50% e usando apenas "aplicativos-padrão" —, que não refletem o que acontece no dia a dia. Mesmo assim, não é normal
 um aparelho relativamente novo precisar ser recarregado duas ou três vezes por dia. Antes de levar o dito-cujo a uma assistência técnica de confiança, experimente fazer o seguinte:
 
1 — Abra as configurações, toque em Bateria > Atividade da bateria, identifique os aplicativos que consomem mais energia, suspenda os que você acessa com frequência e desinstale os que nunca usa;
2 — Diminua o brilho da tela e o tempo de "timeout", ative os modos escuro e de economia de energia e reduza a quantidade de ícones na tela inicial;
3 — Desative o disparo automático do flash, a sincronização automática de fotos e vídeos, as conexões sem fio, o serviço de GPS e os alertas sonoros/vibratórios;
4 — Use papel de parede preto em telas AMOLED ou OLED, instale um antivírus responsável e mantenha o sistema e os apps atualizados (atualizações de software geralmente incluem otimizações de bateria).