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sábado, 11 de outubro de 2025

O TEMPO EM UM SEGUNDO

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA, E A POUPANÇA BAMERINDUS… FALIU.

Nossos ancestrais começaram a buscar maneiras de medir a passagem do tempo quando perceberam padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. 


Em meados do terceiro milênio a.C., os egípcios criaram seu primeiro calendário, e os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias. Já no século XVI d.C., o papa Gregório XIII substituiu o calendário solar implantado por Júlio César em 46 a.C. pelo modelo que hoje é adotado por 189 dos 193 países-membros da ONU.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Há cinco meses, um empate técnico com Lula na pesquisa Quaest deu a Tarcísio de Freitas o status de super-homem do Centrão. Desde então, a musculatura eleitoral do governador de São Paulo definha. No mês passado, o empate estatístico virou desvantagem de oito pontos. Agora, a nova rodada revela que o petista bateria o bolsonarista com vantagem de 12 pontos se o segundo turno fosse hoje..

Nada mudou mais em Tarcísio nos últimos cinco meses do que a retórica: ele exacerbou o timbre bolsonarista, questionou a condenação de Bolsonaro; meteu-se na articulação do pedido de urgência para a anistia na Câmara, atacou o Supremo e chamou Alexandre de Moraes de "tirano". Mas o bolsonarismo desenfreado de Tarcísio produziu efeito inverso do pretendido.

As radiações de Bolsonaro parecem exercer sobre Tarcísio os efeitos de uma espécie kriptonita, o mineral usado na ficção pelos inimigos do super-homem para minar seus superpoderes. A diferença entre realidade e ficção é que o governador não precisou de nenhum Luthor para se tornar um presidenciável mais fraco. Pulou voluntariamente no colo do "mito".

Hoje, numa disputa direta contra Lula, Michelle Bolsonaro ostenta a mesma desvantagem de 12 pontos atribuída a Tarcísio. Não fosse pela rejeição de madame, refugada por 63% do eleitorado, o Centrão talvez desligasse o ´super-homem´ da tomada.


Os primeiros relógios de sol marcavam o tempo com base na sombra projetada por uma haste. Mais tarde vieram os relógios de água e de areia, amplamente utilizados por diversas civilizações até o século X d.C., quando surgiu o relógio mecânico. Cerca de 500 anos depois, apareceram os relógios de pêndulo, bem mais precisos, e, por volta da mesma época, o relógio de bolso virou símbolo de status e pontualidade — ou, ao menos, da intenção de tê-la.


O relógio de pulso nasceu das mãos de Abraham-Louis Bréguet a pedido da irmã de Napoleão Bonaparte, mas só se popularizou entre os homens quando Santos Dumont encomendou a Louis Cartier um modelo adaptado para ser usado durante seus voos de balão — afinal, tirar o relógio do bolso em pleno ar não era exatamente prático.


O mecanismo de corda automática, desenvolvido no final da década de 1920, consolidou-se nas seguintes como evolução natural da corda manual. Já nos anos 1960, o quartzo revolucionou a relojoaria ao permitir mecanismos muito mais precisos — inclusive os modelos digitais que dominariam o mercado nas décadas seguintes.


Hoje, monstros sagrados da relojoaria suíça como Rolex, Omega, Breitling e Tissot continuam produzindo peças sofisticadas e caríssimas, mas cuja precisão está a anos-luz dos smartwatches — que, sincronizados com servidores de horário na Internet (como o NTP.br), variam apenas um segundo a cada 30 bilhões de anos. Mas a pergunta que não quer calar é: quanto tempo tem um segundo?


Tecnicamente, um segundo é a unidade básica de tempo — 1/60 de um minuto, que equivale a 1/60 de uma hora, e assim por diante. Portanto, um segundo tem 1.000 milissegundos ou 0,0166667 minutos, certo? Não exatamente. Essa é uma visão prática, mas simplificada, que não considera as complexidades envolvidas na definição científica do segundo, baseada em transições atômicas e padrões de frequência.


A definição formal segue o Sistema Internacional de Unidades (SI), que padroniza medições de grandezas fundamentais — como metros, quilogramas, amperes, kelvins e, claro, segundos. A responsabilidade de manter e revisar essas definições cabe à Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), que as atualiza periodicamente para refletir os avanços da ciência e da tecnologia.


Em 1967, a 13ª CGPM definiu o segundo como “a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.” Em 1997, acrescentou-se que essa definição se refere a um átomo de césio em repouso, a uma temperatura de 0 K. Mais tarde, em sua 26ª reunião (2018), a entidade fixou o valor numérico da frequência de transição hiperfina do césio (ΔνCs) como sendo exatamente 9.192.631.770 Hertz — base para todos os relógios atômicos modernos.


A escolha do césio não é casual: suas propriedades atômicas proporcionam uma medição de tempo estável, precisa e universal, livre das variações da rotação terrestre. Antes disso, o segundo era definido como 1/86.400 do dia solar médio, o que se revelou problemático, já que a rotação da Terra oscila levemente devido a fatores como marés, terremotos e até ventos atmosféricos.


Com o avanço da tecnologia atômica, cientistas perceberam que padrões de transição entre níveis de energia de átomos e moléculas eram muito mais confiáveis para medir o tempo. Desde então, o segundo deixou de depender da instabilidade do planeta e passou a se apoiar na constância do universo microscópico.


Atualmente, experimentos com relógios ópticos — que usam átomos como o estrôncio e o itérbio — já superam a precisão dos relógios de césio, e provavelmente darão origem a uma nova redefinição do segundo nas próximas décadas. Afinal, medir o tempo com perfeição continua sendo uma das obsessões mais antigas — e mais humanas — da ciência.

Ironicamente, quanto mais precisamente conseguimos medir o tempo, mais ele parece escapar por entre os dedos. Talvez porque, ao fim e ao cabo, nenhum relógio — por mais atômico que seja — consiga atrasar o inevitável tic-tac da vida.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

MAIS DICAS DE WHATSAPP

SE NÃO SABE, APRENDA; SE JÁ APRENDEU, ENSINE.

Alguns dos muitos recursos ocultos no WhatsApp podem facilitar nossa rotina, aumentar nossa privacidade e tornar nossas conversas mais organizadas.

Uma das formas mais eficazes de proteger o aplicativo é combinar senha com biometria (impressão digital ou reconhecimento facial). Para ativar, acesse Configurações > Privacidade > Bloqueio do app e defina se o bloqueio será imediato ou após um certo período.

Trancar conversas permite proteger chats específicos com senha, impressão digital ou reconhecimento facial, garantindo maior privacidade a quem compartilha o celular com outras pessoas ou simplesmente deseja manter conversas sensíveis em sigilo. Para ativá-lo, abra o app, vá até a conversa que deseja proteger, toque no nome do contato ou grupo e selecione Trancar conversa (ou Arquivar com bloqueio, dependendo da versão).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Eu achava que os bolsonaristas (e os petistas de carteirinha, ainda que em menor medida) tivessem merda na cabeça. Depois do último domingo, no entanto, fiquei com a impressão de que a polarização funcionou como laxante.

Mesmo com o "mito" na bica de ser condenado pelos cinco crimes que a PGR lhe imputou — cujas penas máximas, somadas, ultrapassam 40 anos de reclusão —, cerca de 90 mil anencéfalos bolsonaristas apinharam a mais paulista das avenidas, em Sampa, e a avenida N.S. de Copacabana, na Cidade Maravilhosa, para pedir anistia ao ex-presidente e seus comparsas golpistas.

Paralelamente, cerca de 9 mil militantes descerebrados da esquerda se reuniram na Praça da República (região central da capital paulista) para protestar contra o projeto da anistia que tramita na Câmara e em defesa da soberania do país.

Os bolsonaristas poderiam ser processados pelos petistas por plágio: da mesma forma que a petralhada em 2017, a direita radical trombeteia que eleição presidencial sem seu bandido de estimação seria ilegítima. "Deixa Bolsonaro ir para a urna, qual o problema?", discursou o governador paulista — de olho no capital político do capetão-golpista —, para gáudio dos manifestantes, que erguiam cartazes fornecidos pelos organizadores do ato com os dizeres: "Eleição sem Bolsonaro é ditadura" — mesma frase repetida em coro por bolsonaristas em Brasília.

No Rio de Janeiro, o senador das rachadinhas e mansões milionárias Flávio Bolsonaro ecoou o slogan: "Não existe anistia criminal sem anistia eleitoral". O raciocínio mimetiza a resolução divulgada pelo Diretório Nacional do PT em dezembro de 2017, na qual o partido anotou: "Eleição sem Lula é fraude". Na época, o petismo sustentava que seu xamã enfrentava uma "caçada judicial", uma condenação "sem provas", num processo de "natureza política" cujo objetivo seria "impedir o povo de elegê-lo mais uma vez". 

Lula se manteve na disputa até 1° de setembro de 2018 — quando o TSE finalmente cassou o registro de sua candidatura, seu nome foi substituído na chapa pelo bonifrate Fernando Haddad, que foi derrotado no segundo turno pelo hoje futuro presidiário mais famoso desta país. E deu no que está dando.

Às vésperas de sofrer uma inédita condenação por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro insinua que sua candidatura presidencial fictícia também pode ser artificialmente esticada — o que só pode ser atribuído à infiltração de um agente do marqueteiro petista Sidônio Palmeira nas hostes do bolsonarismo. 

Sabendo que essa estratégia de vitimização tem prazo de validade, o Centrão opera nos bastidores para apressar o apoio do mito golpista a Tarcísio de Freitas, agora mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro.

Incluir um link para o perfil do Instagram na seção Sobre é útil para contatos comerciais e pode ajudar na criação de uma rede de networking. Adicionar suas redes sociais ao mensageiro também é uma forma eficaz de expandir sua presença online, atraindo mais seguidores e potenciais clientes.

Outra função interessante é a possibilidade de criar enquetes em grupos — recurso que auxilia na tomada de decisões coletivas, como escolher o horário de um encontro ou definir um tema. Para isso, abra a conversa do grupo, toque no ícone do clipe (anexos), selecione Enquete e insira a pergunta e as opções de resposta. Os membros do grupo poderão votar e acompanhar os resultados em tempo real.

Para pesquisar empresas próximas diretamente no aplicativo, vá à aba de Conversas, toque no ícone dos três pontos (no canto superior da tela) e em Encontrar empresas próximas. Isso exibirá uma lista de estabelecimentos cadastrados na sua região, facilitando o contato com serviços locais — como restaurantes e mercados — de forma rápida e prática.

Se receber uma mensagem de áudio e não puder ouvi-la no momento, utilize a transcrição de mensagens de voz, que aparece logo abaixo dos áudios por cortesia da IA da Meta, evita, assim, perder informações importantes.

O WhatsApp também permite criar eventos diretamente em conversas e grupos. Para isso, abra o grupo desejado, toque no ícone do clipe (anexos), selecione Evento e preencha as informações (nome, data, horário e descrição). Os participantes receberão notificações e poderão confirmar presença, tornando a organização de compromissos muito mais prática.

Nas configurações do mensageiro, toque no ícone de QR Code ao lado do seu nome e compartilhe-o com quem quiser. Isso facilita a adição do seu contato sem a necessidade de digitar o número manualmente — uma excelente opção para cartões e apresentações profissionais, além de evitar erros ao inserir números.

Você  pode ainda criar um avatar personalizado, semelhante a um emoji, e usá-lo como foto de perfil ou figurinha. Para isso, acesse as configurações, escolha Avatar e siga as etapas de personalização. Essa opção permite se expressar de forma divertida e única, além de ajudar a criar uma identidade visual mais forte dentro do aplicativo.

Por fim, acessando o menu de configurações e tocando na opção Listas, você pode criar novas listas, editar as existentes e agrupar contatos de forma eficiente, o que facilita a comunicação. Isso é especialmente útil para quem tem muitos contatos e deseja manter a organização, tornando mais fácil encontrar as pessoas certas na hora certa.

Até a próxima.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

COMO PROGRAMAR O ENVIO DE MENSAGENS NO WHATSAPP

A DISCÓRDIA ALMOÇA COM A ABUNDÂNCIA, JANTA COM A POBREZA, CEIA COM A MISÉRIA E DORME COM A MORTE.

 

Programar o envio de mensagens é útil quando se quer parabenizar alguém pelo aniversário ou lembrar de um compromisso assumido com antecedência, por exemplo. 

Nos tempos em que a gente usava bastante o Correio Eletrônico e o Gmail ainda não oferecia essa facilidade, o freeware LetterMeLater era sopa no mel, embora exigisse a criação de uma conta e o cadastramento de um endereço eletrônico válido para figurar como remetente nas mensagens programadas.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Tratar da sucessão presidencial quando a segunda metade da gestão em curso mal começou, mesmo que tenha começado mal, é típico de republiquetas de bananas, onde um eleitorado descerebrado vota em políticos corruptos, incompetentes, corruptos e incompetentes, e depois reclama de estar mal representado. Para piorar, a imprensa e os institutos de pesquisa contribuem alegremente com cobertura midiática massiva e levantamentos hebdomadários das intenções de voto da burricada.
Com a popularidade em queda livre, mas beneficiado pela pulverização da direita, Lula aparece como favorito nas pesquisas, mas longe de ser imbatível. Na verdade, nenhum dos nomes entusiasma a parcela minimamente pensante dos entrevistados — na pesquisa espontânea, 78% se disseram indecisos. 
Hoje, num tira-teima contra Lula, o cantor sertanojo Gusttavo Lima teria 35% dos votos, e Eduardo Bolsonaro, Pablo Marçal e Tarcísio de Freitas somariam 34%. 
Nessa janela para o insondável, quem aparece como principal adversário de Lula é ele próprio. Seu desempenho eleitoral depende do que conseguir realizar em seus dois últimos anos de governo, e o maior estorvo da direita é Bolsonaro, que, inelegível e na bica de ser convertido em réu, pode apoiar o filho em detrimento de Tarcísio, primeiro da fila do Centrão. Nesse cenário, 2026 seria uma guerra de rejeições: Lula provoca ojeriza em 49% dos eleitores, e Dudu Bananinha, em 54%.
 
O WhatsApp meio que aposentou o email, mas não oferece suporte nativo para o agendamento de mensagens. Usuários do Android podem preencher essa lacuna com o SKEDit. Com o app instalado, basta criar uma conta (ou entrar com o Gmail ou o Facebook), tocar no botão "+", digitar a mensagem, informar o destinatário, definir a data e a hora em que a mensagem deverá ser enviada e tocar no "check" (no canto superior direito).  
 
O Atalhos é uma boa opção para usuários do iOS. Após e instalar o app, toque em Automação > Automação pessoal, informe o dia e o horário em que a mensagem deve ser enviada (se quiser, escolha mais datas e horários para repetir a mensagem e toque em Seguinte, no canto superior direito), toque em Adicionar ação > Apps > WhatsApp, selecione a opção Enviar mensagem via WhatsApp, informe o destinatário, toque em Seguinte, digite o conteúdo da mensagem, toque novamente em Seguinte e então em Ok.


No WhatsApp Web, a extensão BlueTicks está disponível para Chrome, Edge, Brave, Vivaldi e Opera. Instale a versão compatível com seu navegador, acesse o site do mensageiro e a conversa na qual você quer programar a mensagem, toque no relógio (ao lado do botão do microfone) para abrir o agendamento, crie sua conta, informe a data e o horário de envio da mensagem, arraste a tela para baixa, digite o texto e toque em Schedule Send para confirmar o agendamento.


Simples assim.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

WHATSAPP — MAIS NOVIDADES

EMPRESTA DINHEIRO A UM INIMIGO E O CONQUISTARÁS; EMPRESTA A UM AMIGO E PERDERÁS O DINHEIRO E O AMIGO.

 

Meta prometeu adicionar ao WhatsApp um recurso nativo para converter arquivos de áudio em texto, o que é útil em ambientes muito barulhentos, silenciosos demais, ou para evitar que conversas particulares caiam em ouvidos alheios. 

Depois que os dias viraram meses e a promessa não se cumpriu, eu sugeri como solução temporária o bot de transcrição do próprio WhatsApp, que funciona tanto no Android como no iOS (basta adicionar o número 31 97228-0540, aceitar os termos de serviço do "Vira Texto" e enviar os áudios para ele, que responde prontamente com a transcrição).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Burros velhos não aprendem truques novos, diz o ditado. Lula é do tipo de político que só confia no próprio taco, e demonstra essa característica ao acreditar que tudo se ajeita na economia se o "mercado" se submeter às suas motivações. 
Quando foi eleito presidente a primeira vez, ao perceber que não governaria se adotasse o lema do "gasto é vida", o petista entregou condução da economia a Antonio Palocci sob os auspícios das bases da estabilidade definidas por Fernando Henrique. Deu certo, mas tão logo ele acreditou se ver livre das amarras — no segundo mandato, com Palocci fora e popularidade alta —, iniciou trajetória oposta, que deu em desarranjo das contas e perda de apoio político quando ele, e depois Dilma, assumiram o leme da economia. 
Quando profissionais do ramo são atropelados em sua autoridade, ou se deixam atropelar, não se chega a bom resultado. O próprio Lula teve o exemplo em seu governo quando Henrique Meirelles, no comando do Banco Central ainda sem autonomia legal, impôs a barreira da não interferência sob pena de se demitir. O mesmo ocorreu com FHC em relação a Itamar Franco, que queria introduzir o congelamento de preços no Plano Real.
Como ministro da Fazenda, Fernando Haddad defendeu que não se misturasse isenção do IR com contenção de gastos, mas rendeu-se à evidencia de que a percepção de Lula 3 é diferente da visão do Lula 1. A rendição pode até credenciá-lo à sucessão em 2026 ou 2030, mas o enfraqueceu na tarefa de preservar a economia de cujo sucesso depende a manutenção da confiança conquistada com dificuldade. 
Haddad assoma como alternativa eleitoral do campo da esquerda, mas pode se perder por excesso na presunção personalista do chefe. A conferir. 

Semanas atrás, porém a velha promessa foi cumprida. Para ativar o recurso, abra o WhatsApp, toque nos três pontinhos, depois em Configurações > Conversas, ative a chave ao lado de Transcrição de mensagens e selecione Português (Brasil) na lista de idiomas disponíveis. Feito isso, basta manter as mensagens de áudio pressionadas e tocar em Transcrever e ler o texto que é exibido em seguida.
 
Outra novidade é o indicador de digitação, que passa a ser exibido em um balão de mensagem acima da caixa de texto do WhatsApp. Ele começou a ser liberado em outubro para testadores selecionados do WhatsApp Beta, e deve ser estendido em breve a todos os usuários do mensageiro. Mas vale destacar que esse recurso não substitui o horário em que o contato esteve online pela última vez nem o status exibido abaixo do nome do contato. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

DE VOLTA À CONQUISTA DO ESPAÇO (PARTE III)

NÃO DEIXE QUE SEUS MEDOS SUFOQUEM SEUS SONHOS.

A possibilidade de existir vida extraterrestre fascina a humanidade desde as épocas mais remotas e vem se tornando cada vez mais provável à medida que as buscas por exoplanetas habitáveis se intensificam.

Diferentemente dos dogmas religiosos, que pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos.

Observação: No livro Contato, o astrofísico Carl Sagan anotou que "ausência de evidência não é evidência de ausência". Para ele, a inexistência de vida fora da Terra tornaria o universo um imenso desperdício de espaço.

Evidências de contatos imediatos em vários graus  incluindo abduções e experimentos conduzidos por alienígenas — lotam os arquivos dos pesquisadores. Cerca de 10% dos mais de 12 mil relatos de testemunhas, fotografias, dados astronômicos e registros meteorológicos coletados pelo projeto Blue Book foram considerados inexplicáveis por três comissões patrocinadas pela CIA e pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. No Brasil, pesquisadores civis e militares do SIAONI (Sistema de Investigação de Objetos Não Identificados) coletaram milhares de descrições, croquis e fotos de OVNIs durante as décadas de 1960 e 1970.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Faltam 9 dias para o segundo turno e uma semana para nos livrarmos do anacrônico "horário eleitoral gratuito" — que, apesar do nome, não há nada de gratuito, a não ser para os partidos e candidatos; toda vez que a programação é interrompida pela conversa mole dos candidatos, quem está pagando a conta é você. Mas a questão que quero abordar é outra. 
Inconformado com a imposição legal de conviver com dirigentes escolhidos sob Bolsonaro, Lula encomendou à AGU estudos para reformular o funcionamento de todas as agências reguladoras e fazer com que o mandato dos diretores passem a coincidir com o do presidente da República. 
A proposta passa a falsa impressão de que a tutela presidencial evitaria flagelos como os apagões reincidentes, mas o verdadeiro problema é o aparelhamento das agências, que foram oferecidas ao Centrão no balcão das nomeações políticas desde os antigos governos petistas e continuaram a sê-lo durante as gestões de Temer e Bolsonaro. A escolha partidária de dirigentes que deveriam ser técnicos submete o bem-estar da população a empresas que vendem serviços que não estão habilitadas a prestar. Se as agências fizessem seu trabalho e fiscalizassem os contratos de concessão, empresas como a Enel pagariam a inépcia com o caixa ou teriam a concessão cassada. 
As deformações do sistema produziram um capitalismo à brasileira, no qual o jogo de empurra das autoridades municipais, estaduais e federais  faz com que a ineficiência seja premiada com a inação. E o consumidor, que paga a conta, descobre que o inferno existe, é aqui, mas não funciona.

No livro Eram os Deuses Astronautas?, publicado em 1968, Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história ainda não elucidou. Segundo sua Teoria dos Antigos Astronautasalienígenas que visitaram a Terra há milhares de anos foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros, conforme se evidencia em pinturas e esculturas encontradas por arqueólogos.

Embora autores como Pierre Houdin e Bob Brier considerem o trabalho de Däniken uma forma de pseudociência, é possível que haja uma ponta de inveja nessa crítica. Afinal, os livros do "pseudocientista" foram traduzidos para mais de 30 idiomas, venderam dezenas de milhões de cópias e inspiraram a popular série Alienígenas do Passado, do History Channel.

pirâmide de Quéops, construída durante o reinado do faraó homônimo (2520-2494 a.C.), possui 170 metros de altura e uma base de 40.000 metros quadrados. 

Historiadores afirmam que milhares de trabalhadores utilizaram martelos e cinzéis para cortar milhões de blocos de pedra de até 80 toneladas, que toras de madeira foram usadas para rolá-los por centenas de quilômetros de deserto, que elevadores rudimentares e rampas improvisadas foram empregadas para empilhar as pedras com precisão quase milimétrica, e que, com base no "olhômetro", foi possível alinhar perfeitamente a base da pirâmide com os pontos cardeais e a constelação de Orion.

A grande pergunta permanece: onde — ou de quem — os antigos egípcios adquiriram o conhecimento necessário de logística, organização de mão de obra e astronomia para realizar uma obra tão monumental?

Continua...

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

ELEIÇÕES LÁ E CÁ



O segundo turno das eleições municipais está marcado para domingo 27, e a eleição presidencial norte-americana, para primeira terça-feira do mês que vem. Disputam a prefeitura de Sampa Ricardo Nunes e Guilherme Boulos, e a Casa Branca, Donald Trump e Kamala Harris — que está 3 pontos percentuais à frente da calopsita alaranjada, segundo pesquisa do jornal The New York Times. 

Cá em Pindorama, prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores, governadores de Estados e presidentes da República são eleitos por maioria absoluta (50% dos votos válidos + 1 voto). Quando nenhum candidato alcança esse quórum no primeiro turno, os eleitores voltam às urnas, três semanas depois, para escolher entre o primeiro e o segundo colocados, e vence aquele que obtiver mais votos. 
 
Lá na terra do Tio Sam o sistema eleitoral não é bipartidário. Existem dezenas de partidos políticos além do Democrata (liberal) e do Republicano (conservador), mas a maioria não figura nas cédulas da maioria dos estados, e alguns estados têm inclinação partidária definida — como o republicano Texas e o democrata Washington (não confundir com a capital federal). Candidatos "independentes" surgem de tempos em tempos — como o magnata texano Ross Perot em 1992 e o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, em 2020 —, mas isso é outra conversa.
 
Esse modelo foi criado no XVIII, quando ainda não havia eleições presidenciais diretas em nenhuma parte do mundo, visando garantir a união das ex-colônias britânicas, e é mantido até hoje para evitar que estados menos populosos sejam ofuscados numa eleição decidida pelo voto popular nos grandes centros urbanos. 
Na prática, porém, a disputa fica concentrada nos "swing states" — como Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin —, que "oscilam" entre os candidatos democrata e republicano. 

Lá, existe a possibilidade de um candidato ser eleito com menos votos populares do que o adversário. Foi o que aconteceu em 2016, quando Donald Trump derrotou Hillary Clinton, em 2000, quando George W. Bush venceu Al Gore, e em 1888, 1876 e 1824. Isso porque o não é eleito pelo voto direto da população, mas por um Colégio Eleitoral formado por delegados eleitos pelos cidadãos de cada estado, que podem votar de modo independente, embora a maioria respeite a vontade popular e as diretrizes do partido. 

O candidato que obtém mais votos em um estado fica com todos os delegados daquele estado ("the winner takes all", como na canção imortalizada pelo ABBA), mas precisa de pelo menos 270 votos dos 538 possíveis (total que corresponde à quantidade de delegados estabelecida em 1964). Se esse quociente não for alcançado (ou se houver empate), o presidente é eleito pela Câmara dos Representantes, e o vice-presidente, pelo Senado, o vice-presidente.
 
Em nossas eleições municipais, os nobres vereadores e os insignes deputados estaduais, federais e distritais são eleitos com base num "sistema proporcional", que nada deve em obscuridade ao sistema norte-americano. A distribuição das vagas
 começa pelo quociente eleitoral — que é obtido mediante a divisão do número total de votos válidos pelo número de vagas em disputa (somente os partidos que alcançam esse índice mínimo têm direito a vagas) — e segue pelo quociente partidário — resultado da divisão do total de votos válidos que o partido recebeu pelo quociente eleitoral —, que determina a quantidade de vagas a que cada partido tem direito. 

Mais de 430 mil candidatos disputaram 58,4 mil cadeiras nas assembleias legislativas dos 5.569 municípios no último domingo, e haverá segundo turno para prefeito, no próximo dia 27, em 98 cidades com mais de 200 mil eleitores cadastrados. 

O sempre mui esclarecido eleitor paulistano (que já elegeu Celso PittaLuíza Erundina e Fernando Haddad, entre outras aberrações) escalou para o embate final o emedebista Ricardo Nunes e o psolista Guilherme Boulos, que obtiveram, respectivamente, 29,48% (1,8 milhão) e 29,07% (1,78 milhão) dos votos válidos no pleito mais acirrado desde a redemocratização. Pablo Marçal (PRTB) ficou em 3° lugar, 28,4% (1,72 milhão), a menos de 1 ponto percentual de ir para o segundo turno e menos de 60 mil votos atrás de Boulos. Seu crescimento assustador nas pesquisas só foi refreado pela propaganda eleitoral no rádio e na TV (Nunes era dono 65% do horário). 

Tábata Amaral (PSB) ficou com 9,91% (605,6 mil votos) e declarou apoio a NunesJosé Luiz Datena (PSDB), que já abandonou outras cinco candidaturas, teve 1,84% (112,3 mil votos, perdendo até para o vereador mais votado) e liquidou de vez o já moribundo partido dos tucanos. Brancos e nulos somaram 14,5% (quase 1 milhão de votos), e 2,5 milhões de eleitores (26,88%) não se deram ao trabalho de comparecer às urnas. 

Marçal, que tumultuou a corrida eleitoral com ataques e factoides — culminando com a publicação de um prontuário médico falso que pregava em Boulos a pecha de cocainômano — disse que ficou feliz com o resultado, que agora vai apoiar Nunes e que ainda não decidiu se disputar o Palácio do Bandeirantes ou a Presidência (que Deus nos livre de mais essa desgraça).

Nunes se elegeu vereador em 2012 e 2016, perdeu duas eleições para deputado federal (em 2014 e 2018), elegeu-se vice-prefeito em 2020 na chapa de Bruno Covas e ostenta no currículo uma investigação sobre a "máfia das creches", um B.O. de violência doméstica e um tiro disparado na década de 1980. O apoio do governador Tarcisio é seu maior trunfo, mas o incomível imbrochável insuportável — que continua livre, leve, solto e posando de cabo eleitoral de luxo — promete participar mais ativamente de sua campanha neste segundo turno.

Nunes precisa melhorar seu desempenho nos próximos debates e sabatinas se quiser abiscoitar as viúvas de Marçal e os 84,2 mil eleitores que votaram em Marina Helena (NOVO). Segundo o Datafolha, ele está 22 pontos à frente de Boulos e é menos rejeitado pelos paulistanos (21% a 58%). Cerca de 5% dos 1.200 entrevistados disseram que votarão em branco ou anularão o voto, e 3,4% não sabem ou não responderam.

Boulos é uma versão "despiorada" e escolarizada de seu padrinho político. Antes de virar coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), ele cursou filosofia na USP, especializou-se em psicologia clínica pela PUC e fez mestrado em psiquiatria (também pela USP). Na política, disputou (e perdeu) a Presidência em 2018 e a prefeitura de Sampa em 2020, mas foi o deputado federal mais votado em 2022, apesar de colecionar polêmicas, processos judiciais e três detenções — o que não chega a surpreender, considerando que os paulistas concederam quatro mandatos consecutivos de deputado federal ao palhaço Tiririca.

Siamo fregatti! 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

A CAIXA DE PANDORA — O MITO E A REALIDADE

NÃO ESPEREIS O JUÍZO FINAL; ELE SE REALIZA TODOS OS DIAS.

 

"Abrir a Caixa de Pandora" é uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis. 

Segundo a mitologia grega, Pandora ("aquela que tem todos os dons") foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu ("aquele que pensa antes") por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. 

Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir Epimeteu ("aquele que pensa depois"). Encantado com a beleza da moça e ignorando as advertências do irmão, Prometeu, sobre aceitar presentes do deus dos deuses, Epimeteu tomou a moça como esposa (e eu que achava que "presente de grego" tinha a ver com a lenda do Cavalo de Troia). 
 
Quando criou a mulher, Deus também criou a curiosidade. A curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. Mas a esperança, que é "a última que morre", ficou presa no fundo da caixa, talvez para nos dar forças para lutar contra as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem.
 
Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que eu conheço. 
 
Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 
 
A ditadura militar implantada pelo golpe de 1964 durou 21 longos anos. A reabertura, lenta e turbulenta, não se deveu ao "espírito democrático" dos presidentes-generais Geisel e Figueiredo, mas ao ronco das ruas e à pressão da imprensa, que se intensificaram em 1984, depois que uma manobra de bastidor sepultou a emenda Dante de Oliveira

Em janeiro de 1985 Tancredo Neves derrotou Paulo Maluf por 480x180 votos de um colégio eleitoral formado por 686 deputados, senadores e delegados estaduais. A exemplo da Viúva Porcina (aquela que foi sem nunca ter sido), a raposa mineira entrou para a história como nosso primeiro presidente civil desde João "Jango" Goulart, mas quis o destino que baixasse ao hospital horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois.

Tancredo levou para a sepultura a esperança de milhões de brasileiros e deixou de herança um neto que envergonharia o país e um combo de puxa-saco dos militares, oligarca da politica de cabresto nordestina, escritor, poeta e acadêmico que se chamava José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, mas era conhecido como José Sarney

Sem o carisma e o traquejo administrativo do finado, Sarney tentou descascar o formidável abacaxi econômico (inflação, dívida externa e desemprego nas alturas) através de uma série de pacotes de medidas econômicas baseadas no congelamento de preços e salários. Ao final de sua aziaga gestão, a inflação estava em 4.853% ao ano, mas os prefeitos haviam voltado a ser eleitos diretamente, a Constituição Cidadã fora promulgada (aumentando de 4 para 5 a duração de seu mandato) e a primeira eleição presidencial direta desde 1960, realizada.   
 
Em 15 de novembro de 1989, o cardápio de postulantes ao Planalto oferecia 22 opões, incluindo Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. E o que fez esclarecido eleitorado ao quebrar o jejum de urna de 29 de urna? Escalou Lula e Fernando Collor para disputar o 2º turno. O caçador de marajás de mentirinha venceu o desempregado que deu certo, mas o envolvimento no esquema PC lhe rendeu um impeachment.
 
Observação: Em maio do ano passado, o STF condenou Collor a 8 anos e 10 meses de reclusão, mas ele continua livre, leve e solto graças a um pedido de vista apresentado pelo ministro Dias Toffoli na véspera do último carnaval. Em contrapartida, qualquer "reles mortal" que acessar o Xwitter durante a suspensão ordenada pelo ministro Alexandre de Moraes corre o risco de ser multado em R$ 50 mil. Dá para acreditar numa coisa dessas?
 
Com a deposição do Rei-Sol, o baianeiro e namorador Itamar Franco foi promovido a titular, nomeou Fernando Henrique ministro da Fazenda e editou o Plano Real, cujo sucesso pavimentou o caminho que levou o grão-duque tucano a vencer o pleito presidencial de 1994 no 1º turno. Em 1997, picado pela mosca azul, sua alteza comprou a PEC da reeleição

Como quem parte, reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas disputou a reeleição em 1998 e foi eleito no 1º turno, mas em 2002, sem novos truques para tirar da velha cartola, não conseguiu eleger seu sucessor.
 
Após três derrotas consecutivas, Lula venceu José Serra e deu início aos 13 anos, 4 meses de 12 dias de lulopetismo corrupto que só foi interrompidos em 2016, com o impeachment de Dilma Rousseff, a inolvidável gerentona de araque

Num primeiro momento, a troca de comando pareceu uma lufada de ar fresco numa catacumba: depois de mais de uma década ouvindo garranchos verbais de um ex-retirante semianalfabeto e frases desconexas de uma mandatária incapaz de juntar lé com cré numa frase que fizesse sentido, ter um presidente que sabia falar – e que até usava mesóclises – era um refrigério.
 
Temer conseguiu reduzir a inflação (que havia retornado firme e forte sob Dilma) e aprovar o Teto de Gastos e a Reforma Trabalhista, mas seu prometido "ministério de notáveis" se revelou uma notável agremiação de corruptos e sua "ponte para o futuro", uma patética pinguela. 

A conversa de alcova gravada à sorrelfa por Joesley Batista só não derrubou o vampiro do Jaburu porque sua tropa de choque – capitaneada pelo deputado Carlos Marun – comprou votos das marafonas da Câmara para escudá-lo das "flechadas de Janot". Apesar do desgaste, o nosferatu claudicou como "pato manco" até o final do mandato-tampão e transferiu a faixa para Jair Bolsonaro. 
 
Sem a proteção do manto presidencial, o vampiro que tinha medo de fantasma chegou a ser preso, mas foi socorrido pelo desembargador Ivan Athié, então presidente da 1ª Turma do TRF-2, que havia sido afastado do cargo durante 7 anos por suspeitas de corrupção e venda de sentenças, mas fora reintegrado em 2011, quando o STF trancou o processo contra ele. E viva a Justiça brasileira!
 
Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. O Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim (que era brasileiro até no nome), ensinou que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 
 
Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia pode errar com certeza escalando para o embate final um mau militar e parlamentar medíocre travestido de "outsider antissistema" e um patético bonifrate do então ex-presidiário mais famoso do Brasil?

Em 2022, as opções era ainda menos atraentes — sobretudo depois que o "establishment" fulminou a quimérica "terceira via". Mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, em Felipe D'ávilaou mesmo em Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?
 
Tanto num caso como no outro a maldita polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que, em 2018, a parcela minimamente pensante do eleitorado se viu obrigada a apoiar o ex-capitão para evitar que o país fosse presidido pelo fantoche do presidiário, e em 2022, precisou embarcar na falaciosa "Frente Democrática", capitaneada pelo então ex-presidiário "descondenado", para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escoria da humanidade.
 
Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio petista cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do capetão-golpista).
 
As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentados todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe. 
 
Observação: Um levantamento feito pelo portal g1 apurou que 61 pessoas com mandados de prisão em aberto (leia-se fugitivos da polícia) se candidataram a prefeito ou a vereador nas eleições deste ano. A maioria dos casos envolve dívida de pensão alimentícia, mas há suspeitos de estelionato, roubo, homicídio e estupro. 
 
Reza uma velha (e filosófica anedota) que Deus estava distribuindo benesses e catástrofes naturais pelo mundo que acabara de criar, quando um anjo apontou para o que seria futuramente o Brasil e perguntou: "Senhor, por que destinastes a essa porção de terra clima ameno, praias e florestas deslumbrantes, grandes rios e belos lagos, mas não desertos, geleiras, vulcões, furações ou terremotos?" E Deus respondeu: "Espera para ver o povinho filho da puta que vou colocar aí."
 
Políticos incompetente e/ou corruptos que ocupam cargos eletivos não brotam nos gabinetes por geração espontânea; se eles estão lá, é porque foram eleitos por ignorantes polarizados, que brigam entre si enquanto a alcateia de chacais se banqueteia e ri da cara deles. 
 
Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 
 
Não há provas de que boas ações produzam bons resultados – a "lei do retorno" é mera cantilena para dormitar bovinos – mas sabe-se que más escolhas costumam gerar péssimas consequências, como prova e comprova a história desta republiqueta de bananas: nossa independência  foi comprada, a Proclamação da República foi um golpe militar (o primeiro de muitos), o voto é um "direito obrigatório", nossa democracia é uma piada e o sistema político está falido. 
 
Desde 1889, 35 brasileiros alcançaram a Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como alguns casos específicos, como presidências muito breves ou interinas, mas isso não vem ao caso neste momento). Oito integrantes dessa seleta confraria – começando pelo primeiro, Deodoro do Fonseca – deixaram o cargo prematuramente, e dos cinco que foram eleitos pelo voto direto desde a redemocratização, dois acabaram impichados. 

Dos mais de 30 partidos políticos que mamam nas tetas dos fundos eleitoral e partidário (ou seja, são bancados pelo suado dinheiro dos "contribuintes"), nenhum representa os interesses da população, e alguns são verdadeiras organizações criminosas. 

O Brasil de hoje lembra aquelas fotos antigas de reis africanos, que imitavam os trajes e trejeitos dos governantes de nações mais evoluídas e recebiam aulas de civilização dos oficiais do Império Britânico, mas achavam que para se transformar em soberanos civilizados bastava copiar as vestes e adereços daqueles que lhes falavam das maravilhas da Rainha Vitória ou de Napoleão III. 

O resultado se vê nas fotografias. As mais clássicas mostram negros magros, ou gordíssimos, com uma cartola de segunda-mão na cabeça, calças rasgadas ou remendadas, pés descalços ou calçados com uma bota só, velha e sem graxa. Imaginavam-se nobres, esses coitados, iguais a seus pares europeus, mas, junto com as novas roupas e os acessórios, continuavam usando colares feitos de ossos, pulseiras de metal e argolas na orelha ou no nariz, enquanto eram roubados até o último papagaio pelos que supostamente vieram ensiná-los a ter valores cristãos, avançados e democráticos.
 
O Brasil aparece na foto como uma democracia de Primeiro Mundo, mas a realidade do dia a dia mostra pouco mais que uma cópia barata e malsucedida do artigo legítimo. Nossas eleições são subordinadas a todo tipo de patifaria, do voto obrigatório ao anacrônico horário eleitoral "gratuito", passando por deformações propositais que entopem a Câmara Federal com políticos das regiões que têm meia dúzia de eleitores. 

O resultado é um monumento à demagogia, à corrupção e à estupidez. Acordos políticos são urdidos na surdina por parlamentares que votam com base em seus interesses pessoais. Milícias e fações criminosas têm representantes no Congresso, nas Assembleias Legislativas estaduais e nas Câmaras Municipais. Candidatos só entram em algumas regiões se tiverem proteção dos criminosos, e os moradores são "convidados" a votar na "turma da casa".
 
Os direitos dos cidadãos representam a área mais notável das semelhanças com reis africanos. Nunca houve tantos direitos escritos nas leis nem o poder público foi tão incompetente para mantê-los. O Congresso não representa o povo que o elegeu para tal, e há uma recusa sistemática em combater o crime por parte de nove entre dez políticos com algum peso. Com quase 50 mil assassinatos por ano, o Brasil é um dos países onde a vida humana tem menos valor. 
 
Se nossas instituições funcionassem – e suas excelências não se cansam de dizer que elas funcionam –, a Câmara teria aberto pelo menos um dos quase 150 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, e o Centrão não teria transformado a ocupação do Orçamento num processo de bolsonarização das instituições. Pode passar pela cabeça de alguém que exista democracia num país como esse? 
 
Quando nossos nobres parlamentares perderam a credibilidade e o mais alto cargo do funcionalismo público federal passou a ser ocupado por uma sequência de mandatários que, noves fora Fernando Henrique — já foram presos ou respondem a processos criminais, o Judiciário se tornou nosso último bastião. Mas faz tempo que as opiniões e os vieses político-partidários dos eminentes togados (que deveriam ser isentos, imparciais e apartidários) se tornaram públicos e notórios.
 
O Supremo poderia nos ter livrado do aspirante a golpista em diversas oportunidades (motivos para tal não faltaram), mas as excelências que tudo decidem – do destino dos presidentes ao furto de codornas — acharam melhor dar tempo ao tempo, apostando na sapiência inigualável dos eleitores. 

É fato que Alexandre de Moraes impediu a consumação do golpe, mas também é fato que ele já deveria ter tirado de circulação o "mito" dos extremistas de direita, que mesmo inelegível até 2030 faz pose de cabo eleitoral de luxo e articula com seus comparsas no Congresso uma improvável (mas não impossível) anistia a si e aos golpistas do 8 de janeiro. 
 
Como o chanceler Charles De Gaulle não disse, mas a frase lhe é atribuída, "le Brésil n’est pas un pays serieux". 
 
Continua...