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sábado, 7 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 81ª PARTE

ÀS VEZES, BASTA UMA MUDANÇA DE PERSPECTIVA PARA REVELAR A VERDADE.

Ninguém sabe ao certo quem ele foi ou de onde veio. Há quem jure que se chamava Rudolph Fentz e que apareceu do nada em plena Times Square, trajando roupas do século XIX e segurando moedas antigas no bolso. Outros sustentam que se tratava de Andrew Carlssin, um investidor anônimo que multiplicou o capital em 126 operações seguidas na Bolsa por ter vindo do futuro (2256), e os mais céticos afirmam que ele nunca existiu, que sua "aparição" não passou de uma sucessão de coincidências, boatos e más interpretações.

O que poucos percebem é que as três versões contam a mesma história: Fentz, Carlssin, ou seja lá quem for, teria descoberto o segredo que há séculos atormenta físicos e filósofos: não é o tempo que nos atravessa, somos nós que o dobramos sem perceber — nas decisões que adiamos, nos caminhos que não tomamos, nas lembranças que nos visitam fora de hora.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


É enorme o empenho suprapartidário para acobertar o escândalo do Master, mas, a despeito das articulações anti-CPI, o avanço das investigações é proporcional à quantidade de dados estocados nos dispositivos eletrônicos de Daniel Vorcaro, e os abafadores vêm enfrentando dificuldades para conter a sujeira nos limites das bordas do tapetão.

A conjuntura está assentada sobre um paiol em que se misturam os favores de Vorcaro e as facilidades que os favorecidos — entre eles autoridades dos Três Poderes e políticos de todas as ideologias — ofereceram ao dono do Master para praticar crimes — as gentilezas incluíram desde contribuições de campanha a contratos milionários, além de convites para festas de arromba.

Se a apuração é incontornável, procrastinar a limpeza é conspirar pela conturbação do processo eleitoral, que pode transformar a sucessão presidencial num grande ventilador.

A ventania aumentou desde André Mendonça acumulou a relatoria do roubo das aposentadorias do INSS e o caso Master. Os dados obtidos por meio da quebra do sigilo telemático de Vorcaro já estão sendo processados pelos computadores da CPI, e o vazamento é tão certo quanto o nascer no leste.

Há em Brasília dois tipos de políticos: os que temem o enrosco e os que desejam desgastar os enroscados. Numa escala de zero a dez, a hipótese de uma combinação como essa terminar bem é de menos onze.


A história teria começado com um projeto confidencial de pesquisa em física experimental, conduzido fora dos grandes centros, sem patrocínio estatal e longe de olhares curiosos. O objetivo oficial era estudar os efeitos da ressonância quântica do vácuo — uma expressão bonita para designar o comportamento errático das partículas virtuais que simplesmente aparecem e desaparecem. Extraoficialmente, porém, havia quem falasse em curvatura artificial do espaço-tempo.


Segundo alguns conspirólogos, o homem misterioso — cujo verdadeiro nome ninguém soube ao certo — trabalhava num laboratório subterrâneo e, engolido acidentalmente pela própria criação, acabou saltando para um ponto qualquer entre o ontem e o amanhã. Mas talvez ele tenha conseguido o que todos sonham e ninguém admite: voltar ao instante em que tudo ainda podia ser diferente. Fala-se que ele acreditava que o tempo era um campo vibratório que, sob determinadas condições de frequência e energia, poderia provocar uma espécie de desalinhamento temporal — talvez não uma viagem física no sentido clássico, mas uma transposição de perspectiva em que a mente se projetaria para um outro ponto da linha temporal… e foi aí que o impossível aconteceu.


Os registros fragmentários e contraditórios falam de um experimento realizado às três da madrugada numa câmara blindada revestida de chumbo e grafeno. Há menção a uma sequência de pulsos eletromagnéticos sincronizados com a rotação da Terra, a um breve colapso de energia e a uma luminosidade azulada que “parecia vibrar como se tivesse vontade própria”. Depois disso, silêncio. Nenhum alarme, nenhuma explosão, nenhuma evidência de falha. Passados 30 segundos, o sistema religou sozinho. O ar estava ionizado, o relógio da câmara marcava um horário diferente dos demais relógios do laboratório — e o homem havia simplesmente desaparecido.


Há quem diga que o homem nunca saiu do lugar, que sua consciência apenas “saltou de trilho”, enxergando simultaneamente o passado, o presente e o futuro — e que isso o enlouqueceu. No entanto, um guarda noturno de Nova York em 1951 disse ter deparado com um sujeito desorientado, vestindo roupas antiquadas e incapaz de explicar onde estava. Uma semana depois, jornais sensacionalistas publicaram a história de um "viajante do tempo acidental". Coincidência? Talvez. Mas algumas coincidências soam mais como recados.


Talvez compreender o tempo como ele realmente é seja tão letal quanto dobrá-lo, e por isso não há provas, nem vestígios, nem testemunhas confiáveis, apenas histórias mal contadas, registros truncados e um estranho fenômeno: toda vez que alguém tenta provar que o experimento nunca existiu, novos indícios surgem, como se o próprio tempo conspirasse para manter viva a lembrança de quem ousou desafiá-lo.


Igualmente emblemático é o caso do OOPArt — acrônimo de Out Of Place Artefact — encontrado em 2008 no interior de uma tumba da Dinastia Ming que permaneceu selada por mais de 400 anos. A caixa do artefato que não poderia estar ali exibia a inscrição Swiss, e os ponteiros marcavam 10h06. Para os entusiastas do insólito, trata-se de uma “prova irrefutável” da passagem de um viajante do tempo; para os céticos, a ausência de relatórios arqueológicos, publicações acadêmicas e imagens confiáveis sugeriam fraude.


Numa foto tirada em 1941, durante a reabertura da ponte South Fork, em British Columbia (Canadá), um indivíduo se destaca na multidão pelos cabelos desalinhados, óculos escuros de armação grossa e cardigã aberto sobre uma camiseta estampada. Para os conspirólogos, o Hipster de 1941 — como ele ficou conhecido — e outra pessoa segurando o que parece ser uma câmera portátil moderna são viajantes do tempo; para os céticos, óculos escuros eram vendidos nos anos 1920, camisetas com logotipos esportivos já existiam e a Kodak fabricava câmeras portáteis desde os anos 1930. 

 

No início dos anos 2000, um internauta chamado John Titor alegou ter vindo de 2036 em busca de um computador IBM 5100, necessário, segundo ele, para depurar programas antigos e evitar o efeito 2038. O modelo em questão havia sido lançado em 1975 e retirado do mercado em 1982, de modo que a alegação fazia sentido. Além disso, a IBM reconheceu o “desaparecimento misterioso” de uma unidade dotada de uma interface que dava acesso a todos os códigos da empresa.


Titor detalhou seus deslocamentos temporais, disse que o CERN descobriria as bases para a viagem no tempo em 2001 e que as máquinas do tempo criadas para transportar pequenos objetos seriam adaptadas para coisas grandes e seres humanos. Postou desenhos esquemáticos e uma foto de sua "unidade de deslocamento no tempo de massa estacionária alimentada por duas singularidades duplamente positivas girando no topo". Mas a guerra civil que ele revelou que aconteceria em 2004 não aconteceu, a exemplo da Terceira Guerra Mundial, que teria início em 2015 e dividiria os EUA em cinco países. Por outro lado, a doença da vaca louca aporrinhou pecuaristas e a China realmente mandou um homem ao espaço em 2003. 


Em março de 2001, após discorrer durante meses sobre a política norte-americana e assuntos como saúde e tecnologia, Titor desapareceu dos fóruns, deixando uma frase misteriosa — traga uma lata de gasolina com você para quando seu carro morrer na estrada — e diversas perguntas sem resposta. Em 2009, o jornal britânico Daily Telegraph publicou que o suposto viajante do tempo era uma ficção criada pelos irmãos Larry e John Haber. Um detetive norte-americano encontrou um registro de marca com o nome de John Titor Foundation, onde Larry figurava como presidente, mas cuja sede não passava de uma caixa postal no estado da Flórida.


Para os teóricos da conspiração, as previsões de Titor não falharam, apenas deram a abertura temporal para que ele as corrigisse a tempo de não ocorrerem. O próprio Titor avisou que alguns eventos poderiam não acontecer, pois o modelo Everett-Wheeler da física quântica estava certo: sua viagem ao passado criaria duas linhas do tempo; a original, vivida por ele, e outra, paralela, surgida após sua viagem ao passado. 


Ninguém reconheceu ser o autor da brincadeira e muitas questões levantadas por Titor jamais foram esclarecidas. Se sua narrativa for mesmo uma fraude, quem a criou sabia muito bem do que estava falando.


Observação: A Interpretação de Muitos Mundos (IMM) postula que todo resultado possível de uma decisão quântica ocorre em um universo paralelo e resolve o paradoxo do avô, segundo o qual alguém que voltasse ao passado e matasse o próprio avô se tornaria uma pessoa diferente em outra linha temporal, já que não poderia existir na dele.


A literatura antiga também guarda descrições que parecem ter brotado de mentes com visão privilegiada do futuro. Os Contos das 1.001 Noites estão repletos de tapetes que voam, gênios que habitam lâmpadas mágicas, cavernas com portas de pedra se abrem por comandos de voz e outros prodígios tecnológicos que passariam a existir dali a milhares de anos. Sherlock Holmes nos ensinou que “uma vez descartado o impossível, qualquer coisa que sobre, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade”, e o princípio da parcimônia —, que “quando houver múltiplas explicações possíveis para o mesmo fato deve-se escolher a que apresenta o menor número possível de variáveis e hipóteses com relações lógicas entre si”. 


Na esteira desse raciocínio, a explicação mais racional é que a ficção sempre antecipou tecnologias. Foi o que faz Júlio Verne ao imaginar submarinos atômicos e viagens à Lua quase um século antes de se tornarem realidade. Mas quando a previsão vem de milênios atrás, a tentação de interpretá-la como memória do futuro fica ainda maior. 


Resumo da ópera: A maioria de nós tende a enxergar padrões, a reinterpretar o passado com lentes modernas e a acreditar em histórias que reforçam nosso desejo de escapar das amarras do tempo. A maioria das “provas” não resiste a uma investigação séria, mas a versão fantasiosa é mais divertida de contar. Entre “os egípcios terem trabalhado duro durante três décadas” e “um viajante do tempo trazer um laser portátil para cortar os blocos de pedra”, a segunda versão rende mais cliques e muito mais histórias para contar.


Continua…

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A ROLEX É MESMO TUDO ISSO?

EXISTEM FAKE NEWS QUE PARECEM FATOS E FATO QUE PARECEM FAKE NEWS.

Uma matéria publicada pelo portal O Antagonista sob o título “ROLEX É TUDO ISSO MESMO?” inspirou esta postagem. Primeiro, porque sempre fui apaixonado por relógios (a propósito, sugiro ler a sequência iniciada nesta postagem); segundo, porque minha humilde coleção inclui um Rolex Oyster Perpetual GMT-Master automático e um Omega Seamaster Diver 300M (Goldeneye 007) movido à quartzo.

No jargão da relojoaria, o mecanismo interno do relógio se chama calibre, e o anel que circunda o mostrador, bisel (ou catraca, se for rotativo). A proteção que recobre o mostrador atende por cristal, e as funções acessórias (como calendário, fases da lua etc.), por complicação. O botão lateral que serve para dar corda e acertar a hora e o calendário é conhecido como coroa, e o tempo durante o qual o mecanismo permanece funcionando sem precisar de corda, como reserva de marcha.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os alertas da ministra Cármen Lúcia soaram mais alto do que a bateria da Acadêmicos de Niterói. "A festa de Carnaval não pode ser fresta para ilícitos", avisou ela na semana passada.

Janja foi substituída na última hora por Fafá de Belém, e o carro alegórico em que a primeira-dama desfilaria foi precedido por uma ala de passistas adornada por um estandarte em que se lia: "Solte sua Janja".

A letra do samba-exaltação glorificou Lula e enalteceu sua agenda, mas não pediu voto. O verso sobre "13 noites e 13 dias" falou da migração da família Silva para São Paulo, mas não mencionou que o número identifica o PT na urna. O refrão com o slogan das campanhas foi tratado como manifestação cultural, não eleitoral, e Bolsonaro foi retratado na avenida como um palhaço vestido de presidiário, mas não houve menção a Flávio, primogênito e candidato do "mito" encarcerado.

Da Sapucaí, a guerra retórica transferiu-se para as redes sociais, onde o bolsonarismo prevaleceu sobre o petismo em visualizações e o tom foi predominantemente negativo para o pré-candidato à reeleição — daí o empenho do Planalto em reduzir os danos.

Lula e o PT não foram punidos pela Justiça Eleitoral, mas a Acadêmicos de Niterói terminou a apuração mais de dois pontos atrás da penúltima colocada e disputará a Série Ouro em 2027. Paralelamente, a mais recente pesquisa Quaest deu conta de que 57% do eleitorado acham que o petista não merece um quarto mandato.

Pelo visto, a homenagem que resultou no rebaixamento da Escola pode retirar votos do homenageado no minoritário bloco dos eleitores independentes, vistos como decisivos no tira-teima das urnas de 2026.


O movimento mecânico é considerado o estado da arte da alta relojoaria suíça e envolve centenas de peças minúsculas que trabalham em harmonia a despeito da gravidade, do magnetismo e das variações de temperatura. Já o mecanismo a quartzo — que revolucionou a relojoaria na década de 1960 — é composto basicamente de um circuito eletrônico e uma bateria.


O quartzo (dióxido de silício) é largamente utilizado em construções (na forma de areia) e na fabricação do vidro (de janelas, garrafas, etc.). Suas propriedades piezoelétricas fazem-no vibrar 32.768 vezes por segundo e captada por eletrodos e "interpretada" por um circuito integrado (CI). 


Nos modelos mecânicos, a chamada "mola principal" é enrolada quando "damos corda ao relógio" e libera energia conforme se distende. A quantidade de energia acumulada movimenta a "roda de balanço" e faz o mecanismo funcionar.


Os relógios automáticos não deixam de ser movidos à corda, pois seus marcadores de tempo são basicamente os mesmos dos modelos manuais. A diferença é que o movimento natural do pulso aciona uma roda de balanço, gera a energia que é acumulada pelo tambor e movimenta as engrenagens que acionam os ponteiros e mudam a data no calendário.


É possível dar corda na maioria dos mecanismos manuais girando a coroa no sentido horário — mas convém tomar cuidado para não forçar a mola além desse ponto, pois o conserto irá custar muito mais que uma simples troca da bateria nos modelos a quartzo.


A certificação COSC (Controle Oficial Suíço de Cronômetros) admite uma variação de -4/+6 s/dia para mecanismos à corda (manual ou automática), de modo que 3 minutos para mais ou para menos por mês estão dentro da "normalidade". Já a Rolex considera normal uma variação de -2/+2 segundos por dia — coisa que meu Omega leva leva cerca de um ano para acumular.


Tecnicamente, um segundo corresponde a 1/60 do minuto e tem 1.000 milissegundos ou 0,0166667 minutos, mas essa definição prática não leva em conta as complexidades envolvidas na definição científica do segundo, que são baseadas em transições atômicas e padrões de frequência.


Em 1967, a 13ª CGPM definiu o segundo como a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133. Em 1997, acrescentou-se que essa definição se refere a um átomo de césio em repouso, a uma temperatura de zero grau Kelvin, e em 2019 fixou-se o valor numérico da frequência de transição hiperfina do césio (ΔνCs) como sendo exatamente 9.192.631.770 Hz — base para todos os relógios atômicos modernos.


Com manutenção adequada, meu Rolex GMT-Master II pode funcionar perfeitamente por décadas a fio, ao passo que o Omega Seamaster à quartzo depende de componentes eletrônicos que se degradam e tendem a se tornar impossíveis de substituir com o tempo.


É por isso que relógios de grife mecânicos mantêm seu valor e os melhores modelos à quartzo depreciam como qualquer outro eletrônico. Ademais, as trocas de bateria tornam a caixa permeável a água e/ou poeira quando o relojoeiro não substitui o-ring (anel de vedação) por um novo antes de recolocar a tampa. 


A certificação Superlative Chronometer vem do tempo em que a precisão mecânica era crucial (navegação, aviação, mergulho profissional). Hoje, ela tem mais a ver com tradição e excelência em manufatura — ou seja, a fama não vem da precisão absoluta (superada pelo quartzo há 50 anos), mas da complexidade técnica, durabilidade secular, valor como objeto de arte mecânica e símbolo de status. 


No fim das contas, as obras de arte da Rolex e outras grifes renomadas podem até atrasar ou adiantar alguns segundos por dia, mas jamais perdem a pose. Já os Omega e outros modelos da alta relojoaria movidos a quartzo primam pela pontualidade, mas perdem a aura a nobreza que muita gente ainda insiste em confundir com precisão.

sábado, 11 de outubro de 2025

O TEMPO EM UM SEGUNDO

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA, E A POUPANÇA BAMERINDUS… FALIU.

Nossos ancestrais começaram a buscar maneiras de medir a passagem do tempo quando perceberam padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. 


Em meados do terceiro milênio a.C., os egípcios criaram seu primeiro calendário, e os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias. Já no século XVI d.C., o papa Gregório XIII substituiu o calendário solar implantado por Júlio César em 46 a.C. pelo modelo que hoje é adotado por 189 dos 193 países-membros da ONU.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Há cinco meses, um empate técnico com Lula na pesquisa Quaest deu a Tarcísio de Freitas o status de super-homem do Centrão. Desde então, a musculatura eleitoral do governador de São Paulo definha. No mês passado, o empate estatístico virou desvantagem de oito pontos. Agora, a nova rodada revela que o petista bateria o bolsonarista com vantagem de 12 pontos se o segundo turno fosse hoje..

Nada mudou mais em Tarcísio nos últimos cinco meses do que a retórica: ele exacerbou o timbre bolsonarista, questionou a condenação de Bolsonaro; meteu-se na articulação do pedido de urgência para a anistia na Câmara, atacou o Supremo e chamou Alexandre de Moraes de "tirano". Mas o bolsonarismo desenfreado de Tarcísio produziu efeito inverso do pretendido.

As radiações de Bolsonaro parecem exercer sobre Tarcísio os efeitos de uma espécie kriptonita, o mineral usado na ficção pelos inimigos do super-homem para minar seus superpoderes. A diferença entre realidade e ficção é que o governador não precisou de nenhum Luthor para se tornar um presidenciável mais fraco. Pulou voluntariamente no colo do "mito".

Hoje, numa disputa direta contra Lula, Michelle Bolsonaro ostenta a mesma desvantagem de 12 pontos atribuída a Tarcísio. Não fosse pela rejeição de madame, refugada por 63% do eleitorado, o Centrão talvez desligasse o ´super-homem´ da tomada.


Os primeiros relógios de sol marcavam o tempo com base na sombra projetada por uma haste. Mais tarde vieram os relógios de água e de areia, amplamente utilizados por diversas civilizações até o século X d.C., quando surgiu o relógio mecânico. Cerca de 500 anos depois, apareceram os relógios de pêndulo, bem mais precisos, e, por volta da mesma época, o relógio de bolso virou símbolo de status e pontualidade — ou, ao menos, da intenção de tê-la.


O relógio de pulso nasceu das mãos de Abraham-Louis Bréguet a pedido da irmã de Napoleão Bonaparte, mas só se popularizou entre os homens quando Santos Dumont encomendou a Louis Cartier um modelo adaptado para ser usado durante seus voos de balão — afinal, tirar o relógio do bolso em pleno ar não era exatamente prático.


O mecanismo de corda automática, desenvolvido no final da década de 1920, consolidou-se nas seguintes como evolução natural da corda manual. Já nos anos 1960, o quartzo revolucionou a relojoaria ao permitir mecanismos muito mais precisos — inclusive os modelos digitais que dominariam o mercado nas décadas seguintes.


Hoje, monstros sagrados da relojoaria suíça como Rolex, Omega, Breitling e Tissot continuam produzindo peças sofisticadas e caríssimas, mas cuja precisão está a anos-luz dos smartwatches — que, sincronizados com servidores de horário na Internet (como o NTP.br), variam apenas um segundo a cada 30 bilhões de anos. Mas a pergunta que não quer calar é: quanto tempo tem um segundo?


Tecnicamente, um segundo é a unidade básica de tempo — 1/60 de um minuto, que equivale a 1/60 de uma hora, e assim por diante. Portanto, um segundo tem 1.000 milissegundos ou 0,0166667 minutos, certo? Não exatamente. Essa é uma visão prática, mas simplificada, que não considera as complexidades envolvidas na definição científica do segundo, baseada em transições atômicas e padrões de frequência.


A definição formal segue o Sistema Internacional de Unidades (SI), que padroniza medições de grandezas fundamentais — como metros, quilogramas, amperes, kelvins e, claro, segundos. A responsabilidade de manter e revisar essas definições cabe à Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), que as atualiza periodicamente para refletir os avanços da ciência e da tecnologia.


Em 1967, a 13ª CGPM definiu o segundo como “a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133.” Em 1997, acrescentou-se que essa definição se refere a um átomo de césio em repouso, a uma temperatura de 0 K. Mais tarde, em sua 26ª reunião (2018), a entidade fixou o valor numérico da frequência de transição hiperfina do césio (ΔνCs) como sendo exatamente 9.192.631.770 Hertz — base para todos os relógios atômicos modernos.


A escolha do césio não é casual: suas propriedades atômicas proporcionam uma medição de tempo estável, precisa e universal, livre das variações da rotação terrestre. Antes disso, o segundo era definido como 1/86.400 do dia solar médio, o que se revelou problemático, já que a rotação da Terra oscila levemente devido a fatores como marés, terremotos e até ventos atmosféricos.


Com o avanço da tecnologia atômica, cientistas perceberam que padrões de transição entre níveis de energia de átomos e moléculas eram muito mais confiáveis para medir o tempo. Desde então, o segundo deixou de depender da instabilidade do planeta e passou a se apoiar na constância do universo microscópico.


Atualmente, experimentos com relógios ópticos — que usam átomos como o estrôncio e o itérbio — já superam a precisão dos relógios de césio, e provavelmente darão origem a uma nova redefinição do segundo nas próximas décadas. Afinal, medir o tempo com perfeição continua sendo uma das obsessões mais antigas — e mais humanas — da ciência.

Ironicamente, quanto mais precisamente conseguimos medir o tempo, mais ele parece escapar por entre os dedos. Talvez porque, ao fim e ao cabo, nenhum relógio — por mais atômico que seja — consiga atrasar o inevitável tic-tac da vida.

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

MAIS DICAS DE WHATSAPP

SE NÃO SABE, APRENDA; SE JÁ APRENDEU, ENSINE.

Alguns dos muitos recursos ocultos no WhatsApp podem facilitar nossa rotina, aumentar nossa privacidade e tornar nossas conversas mais organizadas.

Uma das formas mais eficazes de proteger o aplicativo é combinar senha com biometria (impressão digital ou reconhecimento facial). Para ativar, acesse Configurações > Privacidade > Bloqueio do app e defina se o bloqueio será imediato ou após um certo período.

Trancar conversas permite proteger chats específicos com senha, impressão digital ou reconhecimento facial, garantindo maior privacidade a quem compartilha o celular com outras pessoas ou simplesmente deseja manter conversas sensíveis em sigilo. Para ativá-lo, abra o app, vá até a conversa que deseja proteger, toque no nome do contato ou grupo e selecione Trancar conversa (ou Arquivar com bloqueio, dependendo da versão).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Eu achava que os bolsonaristas (e os petistas de carteirinha, ainda que em menor medida) tivessem merda na cabeça. Depois do último domingo, no entanto, fiquei com a impressão de que a polarização funcionou como laxante.

Mesmo com o "mito" na bica de ser condenado pelos cinco crimes que a PGR lhe imputou — cujas penas máximas, somadas, ultrapassam 40 anos de reclusão —, cerca de 90 mil anencéfalos bolsonaristas apinharam a mais paulista das avenidas, em Sampa, e a avenida N.S. de Copacabana, na Cidade Maravilhosa, para pedir anistia ao ex-presidente e seus comparsas golpistas.

Paralelamente, cerca de 9 mil militantes descerebrados da esquerda se reuniram na Praça da República (região central da capital paulista) para protestar contra o projeto da anistia que tramita na Câmara e em defesa da soberania do país.

Os bolsonaristas poderiam ser processados pelos petistas por plágio: da mesma forma que a petralhada em 2017, a direita radical trombeteia que eleição presidencial sem seu bandido de estimação seria ilegítima. "Deixa Bolsonaro ir para a urna, qual o problema?", discursou o governador paulista — de olho no capital político do capetão-golpista —, para gáudio dos manifestantes, que erguiam cartazes fornecidos pelos organizadores do ato com os dizeres: "Eleição sem Bolsonaro é ditadura" — mesma frase repetida em coro por bolsonaristas em Brasília.

No Rio de Janeiro, o senador das rachadinhas e mansões milionárias Flávio Bolsonaro ecoou o slogan: "Não existe anistia criminal sem anistia eleitoral". O raciocínio mimetiza a resolução divulgada pelo Diretório Nacional do PT em dezembro de 2017, na qual o partido anotou: "Eleição sem Lula é fraude". Na época, o petismo sustentava que seu xamã enfrentava uma "caçada judicial", uma condenação "sem provas", num processo de "natureza política" cujo objetivo seria "impedir o povo de elegê-lo mais uma vez". 

Lula se manteve na disputa até 1° de setembro de 2018 — quando o TSE finalmente cassou o registro de sua candidatura, seu nome foi substituído na chapa pelo bonifrate Fernando Haddad, que foi derrotado no segundo turno pelo hoje futuro presidiário mais famoso desta país. E deu no que está dando.

Às vésperas de sofrer uma inédita condenação por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro insinua que sua candidatura presidencial fictícia também pode ser artificialmente esticada — o que só pode ser atribuído à infiltração de um agente do marqueteiro petista Sidônio Palmeira nas hostes do bolsonarismo. 

Sabendo que essa estratégia de vitimização tem prazo de validade, o Centrão opera nos bastidores para apressar o apoio do mito golpista a Tarcísio de Freitas, agora mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro.

Incluir um link para o perfil do Instagram na seção Sobre é útil para contatos comerciais e pode ajudar na criação de uma rede de networking. Adicionar suas redes sociais ao mensageiro também é uma forma eficaz de expandir sua presença online, atraindo mais seguidores e potenciais clientes.

Outra função interessante é a possibilidade de criar enquetes em grupos — recurso que auxilia na tomada de decisões coletivas, como escolher o horário de um encontro ou definir um tema. Para isso, abra a conversa do grupo, toque no ícone do clipe (anexos), selecione Enquete e insira a pergunta e as opções de resposta. Os membros do grupo poderão votar e acompanhar os resultados em tempo real.

Para pesquisar empresas próximas diretamente no aplicativo, vá à aba de Conversas, toque no ícone dos três pontos (no canto superior da tela) e em Encontrar empresas próximas. Isso exibirá uma lista de estabelecimentos cadastrados na sua região, facilitando o contato com serviços locais — como restaurantes e mercados — de forma rápida e prática.

Se receber uma mensagem de áudio e não puder ouvi-la no momento, utilize a transcrição de mensagens de voz, que aparece logo abaixo dos áudios por cortesia da IA da Meta, evita, assim, perder informações importantes.

O WhatsApp também permite criar eventos diretamente em conversas e grupos. Para isso, abra o grupo desejado, toque no ícone do clipe (anexos), selecione Evento e preencha as informações (nome, data, horário e descrição). Os participantes receberão notificações e poderão confirmar presença, tornando a organização de compromissos muito mais prática.

Nas configurações do mensageiro, toque no ícone de QR Code ao lado do seu nome e compartilhe-o com quem quiser. Isso facilita a adição do seu contato sem a necessidade de digitar o número manualmente — uma excelente opção para cartões e apresentações profissionais, além de evitar erros ao inserir números.

Você  pode ainda criar um avatar personalizado, semelhante a um emoji, e usá-lo como foto de perfil ou figurinha. Para isso, acesse as configurações, escolha Avatar e siga as etapas de personalização. Essa opção permite se expressar de forma divertida e única, além de ajudar a criar uma identidade visual mais forte dentro do aplicativo.

Por fim, acessando o menu de configurações e tocando na opção Listas, você pode criar novas listas, editar as existentes e agrupar contatos de forma eficiente, o que facilita a comunicação. Isso é especialmente útil para quem tem muitos contatos e deseja manter a organização, tornando mais fácil encontrar as pessoas certas na hora certa.

Até a próxima.