sexta-feira, 9 de junho de 2017

EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA - SOBRE O INTERMINÁVEL JULGAMENTO HISTÓRICO E SEUS CORRÉUS OCULTOS



Esperava-se que a novela se encerrasse na manhã desta sexta-feira, mas o voto interminável do ministro-relator, que desde cedo está “na reta final”, empurrou a coisa em outra direção. Talvez os demais ministros consigam votar durante a tarde, ou que o julgamento avance noite adentro, mas o resultado está delineado: a não ser que o vento mude, Temer será mantido no cargo por quatro votos a três.

Sem respaldo popular, fragilizado pelas acusações dos delatores da J&F/JBS, sujeito a perder o apoio do PSDB e, pior, correndo o risco de ser afastado mais adiante pelo STF, sua excelência dificilmente conseguirá aprovar as reformas de que o país tanto precisa para voltar a crescer. Em outras palavras, reeditará o inglório governo Sarney ― outro vice sem carisma nem respaldo das urnas, mas que estava no lugar certo na hora certa e, com o fracasso de sua política econômica, baseada no funesto Plano Cruzado e suas subsequentes variações, acabou protagonizando uma gestão medíocre, visando apenas permanecer no Planalto não por 4, mas 5 longos anos. E depois dizem que presidência é uma provação, um sacerdócio...    

O TSE está divididos e os ministros dificilmente mudarão suas convicções ― que até se sustentam, tanto técnica quanto juridicamente ― mas a questão é que fechar os olhos para as delações da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, dentre outras seriíssimas acusações, desmoraliza o Judiciário. Conforme eu mencionei mais cedo, seria o mesmo que dizer: “olha, o sujeito invadiu a casa para roubar um ovo, coitado; é certo que, durante a fuga, acabou matando o dono da casa e seus familiares, mas isso não vem ao caso neste processo, pois estamos aqui para julgar a invasão de domicílio e o roubo do ovo”.

É importante salientar também que, além da chapa Dilma-Temer ― ou do mandato do atual presidente, já que a petralha é carta fora do baralho e o pior que lhe pode acontecer é ficar inelegível pelos próximos 8 anos ―, também estão sendo julgados o ministro Gilmar Mendes e a real utilidade do TSE como guardião da probidade do sistema eleitoral tupiniquim.

Mendes, para quem não sabe ou não se lembra, capitaneou um movimento visando à reabertura da ação ― no final de 2015, à luz de novos fatos trazidos à tona pela Lava-Jato ―, derrubando a decisão monocrática da então relatora Maria Thereza de Assis, que havia determinado o arquivamento do processo. Agora, quando é o de Michel Temer que está na reta, o ministro assume uma postura diametralmente oposta, como o relator Herman Benjamin não cansou de frisar sempre que a oportunidade se lhe apresentou. Fica evidente o uso de dois pesos e duas medidas, o que denota uma posição não política, mas eminentemente partidária, ainda que supostamente em nome da “estabilidade” do país.

Observação: Benjamin citou vários trechos do voto de Gilmar Mendes no julgamento da AIME (Ação de Impugnação de Mandato Eletivo), destacando a estreita relação do financiamento eleitoral com o esquema de corrupção na Petrobras. Segundo ele, “não há qualquer dúvida de que o aprofundamento da Investigação Judicial Eleitoral sobre a Odebrecht foi decorrente, além de menção explícita e direta da petição inicial, de fatos conhecidos correlatos da relação entre a empresa e a campanha presidencial de 2014, o que qualquer cidadão brasileiro minimamente informado tem plena consciência”. Por isso, Mendes tem razão quando afirma que “essa ação só existe graças ao meu empenho, modéstia às favas”. Naquele momento, no entanto, Dilma ainda estava no cargo, e o magistrado dizia que o objetivo não era cassar a chapa, "mas analisar nosso processo eleitoral e tomar providências para que os casos de corrupção que estavam vindo à tona na Lava-Jato não se repetissem".

Segundo o atual presidente nacional do PSDB, até a próxima segunda-feira, 12, o partido deverá decidir se retira ou não seu apoio ao governo. “Se absolver Temer e Dilma a casa cai”. A cada dia é um fato novo, não vai parar de ter fato novo nunca. Isso vai mudando a cabeça dos senadores. Segunda-feira é o limite do PSDB”, disse Tasso Jereissati ao jornal O Globo. A reunião da Executiva Nacional do partido será ampliada para governadores, senadores, deputados e presidentes de diretórios estaduais. Há um “caldeirão” na legenda, afirma o senador, e a prioridade será mantê-lo unido.

Se os tucanos baterem asas e voarem, o governo perderá a pouca sustentabilidade que lhe resta. Saia Temer amanhã, no mês que vem, ou no dia primeiro de janeiro do 2018, o Brasil terá perdido a chance de debelar ― ao menos no curto prazo ― a crise-monstro gerada e parida nos 13 anos e fumaça de gestões petistas.

Observação: A maior glória do tucanato foi eleger um presidente da República aos seis anos de idade. Nas palavras de Dora Kramer, a presidência lhe caiu no colo por obra e graça de uma confluência do destino que uniu a síndrome pós-traumática de um impeachment ocorrido em ambiente de retomada democrática ao sucesso de um plano econômico nunca antes tão eficaz no combate à inflação. O problema é que, a partir de então, a legenda criou fama e deitou na cama. Deixou correr frouxa a eleição presidencial de 2002, optando por assistir à ascensão de Lula por achar que lhe renderia lucro duplo: o troféu da elegância máxima no quesito transição e a retomada do poder em seguida ao presumido e esperado fracasso do PT. Deu errado, como também em 2005, quando os tucanos apostavam que o escândalo do mensalão bastaria para reconduzi-los de volta ao Planalto. E por aí foi ― e vai: agora, sua ausência de firmeza e excesso de hesitação transfere para o Judiciário a prerrogativa de lhe estabelecer um rumo, como que esperando o mundo acabar em barranco para morrer encostado.

Depois do impeachment da anta vermelha, o PSDB tornou-se o principal aliado do governo Temer, e lhe interessa, como também ao PT, que o peemedebista seja absolvido, para impedir que tanto Aécio Neves quanto Lula sejam levados de embrulho numa eventual condenação de Temer sem o foro privilegiado. Segundo Benjamim, “a verdade é essa: não se quer aqui nestes autos as provas relativas à Odebrecht; o que se quer é que o TSE feche os olhos sob argumentos técnicos à prova referente à Odebrecht”.

Em última análise, Mendes não está apenas sendo incoerente, mas impedindo que a corrupção que ele afirma querer combater seja punida num julgamento histórico, que, sob sua égide, poderia ser um marco na justiça eleitoral do país.

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O WINDOWS 10 AINDA MELHOR (Parte 3)

O QUE SE LEVA DESTA VIDA É A VIDA QUE A GENTE LEVA.


Nunca é demais lembrar: embora o Windows disponha de ferramentas nativas para limpeza do disco, correção de erros e desfragmentação dos dados, melhores resultados são obtidos quando usamos suítes de manutenção dedicadas. As minhas preferidas são o Advanced System Care, o Glary Utilities, o Steganos Tuning Pro e o CCleaner, mas para limpar e compactar o Registro ― tarefa para a qual o Windows não oferece de uma ferramenta nativa ― eu não abro mão do Wise Registry Cleaner.

Observação: As suítes citadas no parágrafo anterior foram avaliadas e comentadas no Blog; para mais informações, digite os respectivos nomes (um de cada vez, naturalmente) no campo de buscas e tecle Enter. Eu costumo facilitar o trabalho do leitor colocando os respectivos links, mas, como pouca gente clica neles; resolvi deixar a pesquisa para quem interessar possa.   

Vale relembrar também que a função de um Sistema Operacional é controlar o computador e dar suporte aos aplicativos. O Windows vai além, com um vasto leque de penduricalhos (cliente de email, agenda, editores de texto e imagens, antivírus, firewall, e por aí vai), mas seus recursos nem sempre estão à altura das nossas necessidades, tornando inevitável o uso de programas de terceiros. O problema é que todo aplicativo, qualquer que seja ele, ocupa espaço no disco e consome memória, ciclos de processamento e outros recursos valiosos, sem mencionar que podem conflitar entre si ou com o próprio sistema operacional, causando lentidão, instabilidade e travamentos recorrentes.

Observação: Freewares são uma tentação, mas o bom senso recomenda instalar somente aquilo que for realmente necessário. Até porque muitos desses programinhas vêm recheados de PUPs ― que se instalam sub-repticiamente, sem consentimento ou conhecimento do usuário, podem ser difíceis de remover.

Antes de instalar um software qualquer, veja se não existe um serviço baseado na Web que atenda às suas necessidades (desde que você disponha de uma banda larga decente, naturalmente). Como eles rodam a partir do seu navegador de internet, consomem menos recursos do computador do que seus equivalentes residentes, além de não exigirem qualquer tipo de instalação.

Por último, mas não menos importante: de tempos em tempos, reveja sua lista de programas instalados e remova tudo aquilo que você não usa. Remover programas é um procedimento simples, mas que costuma deixar resíduos e minar a performance do sistema como um todo. Portanto, em vez do desinstalador do próprio programa (ou do Windows, que geralmente funciona como um atalho para o desinstalador do aplicativo), use o Revo Uninstaller ou o IOBit Uninstaller, dentre outros, que fazem um trabalho mais aprimorado (mais detalhes nesta postagem).    

E como hoje é sexta-feira:

No aeroporto, prestes a embarcar para uma viagem de negócios, o marido pergunta à esposa:
- Querida, você prefere que eu lhe mande notícias por telefone, torpedo ou email?
A mulher responde:
- De preferência por transferência bancária.

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A conclusão a que se chega após o terceiro dia do julgamento de Temer (vamos combinar que essa história de “chapa” já deu o que tinha a dar; o que está em jogo é o mandato do peemedebista e ponto final) é de que há mais advogados de defesa do que juízes naquela Corte.

A despeito de todo o esforço do relator, somente os ministros Luiz Fux e Rosa Weber parecem predispostos a acompanhar seu voto (do qual este que vos escreve, do alto de sua ignorância, discorda somente da parte que se refere à realização de eleições diretas). Os demais magistrados, capitaneados pelo grandiloquente Gilmar Mendes, têm opinião formada, e, para não se submeterem ao vexame de julgar ao arrepio das provas, resolveram simplesmente não as admitir. É como dizer “olha, o sujeito invadiu a casa e roubou um roubou um ovo porque tinha fome, coitado; então, o que se discute é invasão de domicílio e roubo ― é certo que, durante a fuga, o cara matou o dono da casa, a mulher, os três filhos, o cachorro e o papagaio, mas isso não vem ao caso”.

Salta aos olhos que os ministros contrários à inclusão das provas das delações dos executivos da Odebrecht estão querendo beneficiar o presidente, e que fingem descaradamente que nada houve de errado do ponto de vista eleitoral na campanha de 2014, que caixa 1 com propina não é ilegal, e por aí afora. Ora, se fecham os olhos para os depoimentos da Odebrecht ― autorizados pelo próprio Tribunal ―, é porque não querem ver as ilegalidades, porque estão ali com um objetivo predefinido, e que farão o que for preciso para alcançá-lo. Para colocar em português claro: estão cagando e andando para as provas, para a Lei e para a opinião pública.

Sobrando tempo e jeito, assista ao vídeo a seguir (é curtinho, mas esclarecedor).



Para encerrar em grande estilo, minha homenagem a Michel Temer:


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quinta-feira, 8 de junho de 2017

O WINDOWS 10 AINDA MELHOR (Parte 2)

O CASAMENTO É UMA TRAGÉDIA EM DOIS ATOS: UM CIVIL E UM RELIGIOSO.

Computadores são compostos por dois sistemas distintos, mas complementares: o hardware e o software. O sistema operacional é o software mãe, mas sua performance depende de diversos fatores, dentre os quais a configuração de hardware ― ou seja, dos componentes físicos que integram o conjunto.

A Microsoft costuma ser “modesta” ao informar os requisitos mínimos para rodar o Windows. No caso do 10, ela fala em CPU de 1 GHz, 1 GB de RAM e 16GB de espaço no disco (para a versão 32-bit; para a 64-bit, os valores mínimos são 2GB e 20GB, respectivamente). Ainda que qualquer PC mediano de fabricação recente supere com folga essas exigências, não custa conhecer alguns “truques” que podem deixar o sistema mais “rápido”, especialmente se a configuração de hardware não é lá “uma Brastemp”.

Primeiramente, siga as dicas de manutenção preventiva que eu sugeri numa sequência de 7 postagens iniciada por esta aqui. Adicionalmente, caso não disponha de (pelo menos) 4GB de memória RAM, habilite o ReadyBoost (para mais informações, clique aqui).

Feito isso, remova da lista dos aplicativos iniciados automaticamente todos os programas que não precisam estar ali ― via de regra, com exceção das ferramentas de segurança, a maioria dos apps não precisa pegar carona na inicialização do sistema.

Observação: Inibir a inicialização automática de um programa não o impede de convocá-lo sempre que precisar dele, mas apenas evita que ele permaneça em stand-by, ocupando espaço na memória e consumindo ciclos de processamento da CPU. Talvez você perceba um pequeno delay quando acionar o aplicativo, mas nada além disso.

Nas edições anteriores do Windows, o gerenciamento dos aplicativos era feito através do Utilitário de Configuração do Sistema (o conhecido “msconfig”). No Ten, porém, isso é feito a partir da aba Inicializar do Gerenciador de Tarefas (que abrimos dando um clique direito num ponto vazio da Barra de Tarefas e clicando na entrada correspondente, ou então pressionando simultaneamente as teclas Ctrl+Shift+Esc). Para inibir a inicialização automática de um programa, você só precisa clicar com o botão direito sobre ele e, no menu suspenso, selecionar a opção Desabilitar. Feito isso, reinicie o computador e perceba a diferença.


ATUALIZAÇÃO SOBRE O JULGAMENTO DA CHAPA DILMA-TEMER

Depois de trocar farpas com o presidente do TSE, o relator Herman Benjamin suspendeu a leitura de seu voto ― que consumiu quase 4 horas ― e o julgamento da chapa Dilma-Temer foi suspenso até as 9h desta manhã.
O relatório didático, objetivo (a despeito de a versão original ter mais de 1.000 páginas) e difícil contestar pugna por manter no processo as delações da Odebrecht e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, mas para que isso seja feito é preciso que pelo menos três outros ministros votem nesse sentido, e Gilmar Mendes certamente não será um deles.

Segundo Veja publicou em seu site, Benjamin, citando o ministro Marco Aurélio (do STF), ponderou que o juiz não pode ter “uma atitude passiva, inerte, porquanto imparcialidade não se confunde com indiferença”, e defendeu que existe, sim, a possibilidade de o juízo convocar ex officio (por iniciativa própria) testemunhas que possam acrescentar ao tema investigado na ação. Gilmar Mendes ironizou: “Vossa Excelência teria mais um desafio: deveria deixar o processo em aberto e trazer a delação da JBS e talvez, na semana que vem, do ministro Palocci. Para mostrar com o argumento de vossa excelência é falacioso”. O relator não fugiu do embate. Disse que aceitava a provocação, mas que seu voto “estava inscrito nas petições iniciais” (referindo-se ao fato de os temas ligados à construtora Odebrecht guardarem relação com os crimes na Petrobras, e as irregularidades da empresa estarem no escopo de investigação da petição inicial do PSDB). “Nenhuma prova se fundou em vazamento de delação”, ressaltou o Benjamin, e devolveu a provocação: “Só os índios não contatados da Amazônia não sabiam que a Odebrecht fez colaboração premiada”.

Buscando conquistar aliados ― ou, no mínimo, evitar votos em que os ministros divergissem de seus próprios entendimento em casos análogos ―, Benjamin relembrou decisões de Napoleão, com quem costuma ter embates frequentes no STJ, de Luiz Fux, o único que o defendeu na sessão, e do próprio Mendes. Ao presidente da Corte, o relator teceu uma série de elogios e reforçou que, graças a ele [Mendes], um conhecido crítico do PT, que o processo ― arquivado pela então relatora Maria Thereza Moura ― foi reaberto, mas, àquela altura, o ministro nem sonhava que a principal punição caberia ao seu amigo de advocacia Michel Temer.

O julgamento foi suspenso depois de ser agendadas mais nove sessões ― entre esta quinta-feira e o próximo sábado, três a cada dia ― e já deve ter sido retomado (são 9h30 de quinta-feira, 8). A impressão que se tem é de que tudo conspira para favorecer Michel Temer: quatro dos sete ministros já sinalizaram a intenção de divergir do voto do relator, recriando o clima que se tinha antes da delação da JBS, quando tudo apontava para a absolvição de Temer. Considerando que Gilmar Mendes e Napoleão Nunes Maia são próximos do presidente, e Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira foram efetivados recentemente na Corte por indicação do Planalto, prevê-se um placar de 4 a 3, não pela falta de provas, mas pela pura e simples vontade de absolver o presidente Michel Temer

Ao final dos embates, saberemos se o TSE ouve o que diz a lei ou se atém também aos sussurros de quem acha que a Justiça deve subordinar-se ao quadro político e econômico que aflige o Brasil. A cassação da chapa seria líquida e certa se os magistrados se ativessem apenas a critérios jurídicos. Salta aos olhos que Dilma e Temer foram financiados por dinheiro sujo, que sempre souberam de onde vinham as doações multimilionárias e que desfrutaram sem remorso das relações promíscuas entre larápios com foro privilegiado, figurões do Executivo e bandidos de estimação premiados com o segredo do cofre do BNDES.

Como Dilma já foi deposta ― na pior das hipóteses, a anta vermelha terá seus direitos políticos cassados, coisa que não aconteceu durante o julgamento do impeachment devido a uma jabuticaba jurídica urdida por seus apoiadores e avalizada pelos então presidentes do Congresso e do Supremo ―, o protagonista desse dramalhão é Michel Temer, que só não será deposto se a maioria dos ministros usar como papel higiênico a legislação eleitoral e der ouvidos à falácia de que o Brasil não sobreviveria a mais uma troca de guarda no Planalto.

Nas palavras do jornalista Augusto Nunes, a absolvição da chapa faria do TSE mais um puxadinho dos podres poderes, habitado por juízes sem juízo, prontos para submeter-se aos interesses de empresários com medo de falência, ou pais da pátria com medo de cadeia. Nem por isso a esperança estará revogada. Os que sonham com a rendição do Brasil decente primeiro precisam conseguir a capitulação da República de Curitiba. É tarde demais para paralisar a Lava-Jato personificada não por Rodrigo Janot, mas pelo juiz Sérgio Moro.

ATUALIZAÇÃO 13h

Pelo que se viu dos debates desta manhã ― que continuaram a discutir as preliminares ―, Temer se deu bem na escolha dos dois ministros que indicou recentemente para o TSE. Claro que o julgamento do mérito ainda nem começou, mas a indicação de como a maioria dos membros da Corte vai se posicionar é de uma clareza meridiana. Acho que só nos resta contar com o Supremo para colocar ordem no galinheiro, já que as evidências de prática bem pouco republicanas, por parte do presidente da República, são claríssimas. Todavia, isto aqui é Brasil...


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quarta-feira, 7 de junho de 2017

O WINDOWS 10 AINDA MELHOR

MANIA DE GRANDEZA É A DESSES SUPLEMENTOS LITERÁRIOS QUE TÊM UM AVISO DIZENDO QUE É PROIBIDO VENDER SEPARADAMENTE.


Sempre que lança uma nova edição do Windows, a Microsoft procura vender a ideia de que o que já era bom ficou ainda melhor. Na prática, todavia, a teoria costuma ser outra, e nem todos os usuários têm a mesma percepção, até porque que algumas mudanças podem não agradar a muitos, como foi o caso do consumo exagerados de recursos do Windows 8 e do navegador Edge, dentre uma porção de outros exemplos.

O Windows nasceu em 1985, mas não como um sistema operacional autônomo, e sim como uma interface gráfica que rodava no MS-DOS (clique aqui para mais detalhes). E assim permaneceu até o lançamento do festejado Win95, que já dependia bem menos do DOS. Embora ainda não fosse o sistema pronto e acabado que se tornaria a partir da edição 98, ele trouxe inovações memoráveis ― como a tecnologia Plug’n’Play, o menu Iniciar e o Internet Explorer ― e vendeu barbaridades. 

Três anos depois, foi a vez do Win98, que chegou a ser considerado o melhor Windows de todos os tempos ― e era mesmo, pelo menos na sua época. Já o Windows Millennium Edition foi um fiasco retumbante de crítica e de público; ao contrário do XP, que conquistou os usuários e se tornou a edição mais longeva da história do Windows ― embora seu suporte estendido tenha sido suspenso em 2104, o velho guerreiro ainda comanda 140 milhões de máquinas mundo afora. 

O Vista foi outro mico; o Seven, outro sucesso; o Eight decepcionou, mas o 10 agradou ― e vem conquistando mais usuários a cada dia que passa: no mês passado, ele comemorou 500.000.000 instalações, embora precise “comer muito feijão” para atingir a ambiciosa meta de 1 bilhão de máquinas (que a Microsoft esperava alcançar já no primeiro ano com a estratégia do upgrade gratuito).

A despeito de alguns deslizes, o Ten ficou ainda melhor depois de dois updates abrangentes (Anniversary, de agosto do ano passado, e Creators, lançado dois meses atrás). Mas você pode obter resultados ainda melhores com alguns truques simples e reconfigurações fáceis de implementar, como veremos na próxima postagem.

Até lá. 

JULGAMENTO DA CHAPA DIMA TEMER JÁ NO SEGUNDO DIA

Assunto mais “quente” é a situação do presidente Temer no TSE, até porque a cassação da chapa vem sendo vista como a melhor solução para afastá-lo de maneira mais ou menos honrosa e causar o menor abalo possível à governabilidade do país. Na sessão de reabertura do julgamento, ontem à noite, marcada pela leitura do relatório com o resumo do processo, o ministro-relator Herman Benjamin recomendou a rejeição de quatro preliminares (que envolviam a impossibilidade do TSE cassar diploma do presidente, a extensão de uma das ações que foram aglutinadas na ação julgada nesta terça, a perda do objeto da ação em virtude da cassação pelo processo de impeachment, e a inversão de ordem de testemunhas), sendo seguido pelos demais ministros da Corte. A sessão foi retomada nesta manhã, quando deverão ser analisadas outras seis questões (para ler a íntegra da matéria, siga o link http://cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/caderno/janot-temer-henrique-alves-e-o-2-dia-de-julgamento-no-tse-125298.html).


LENHA NA FOGUEIRA QUE A QUADRILHA VAI DANÇAR

Antes de deixar o cargo, em setembro, Rodrigo Janot vai brindar o assim chamado “Quadrilhão” com denúncias contra 23 integrantes da organização criminosa, de Lula a Palocci, de Renan Calheiros a Jucá, passando por Cunha, Henrique Alves, Benedito Lira, Mário Negromonte; enfim, uma cáfila de políticos corruptos dos três principais partidos da base aliada do (igualmente corrupto) governo federal.

De acordo com a PGR, o PT, o PMDB e o PP se associaram para saquear os cofres públicos, formando uma teia criminosa única, mas com núcleos políticos diferentes, que dividiu entre seus membros as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras.

O PT, por exemplo, tinha o controle da Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque; o PMDB controlava a área Internacional ― a cargo de Nestor Cerveró e Jorge Zelada ― e o PP, o setor de Abastecimento, dirigido por Paulo Roberto Costa.

No PT, quem exercia esse papel era o ex-tesoureiro João Vaccari, que já acumula penas que somam mais 33 anos de prisão. No PP, o principal arrecadador era o doleiro Alberto Youssef, que só está em prisão domiciliar devido a um acordo de colaboração premiada. No PMDB, esse papel era feito pelos lobistas Fernando Soares, Milton Lyra e Jorge Luz, que repassavam o dinheiro para os senadores e deputados peemedebistas.

Como se vê, tudo gente da melhor qualidade, de reputação ilibada e honestidade acima de qualquer suspeita. Enfim, dizem que o exemplo vem de cima. Considerando que foram e como agiram os três últimos presidentes da República, não dá para estranhar o comportamento dessa gentalha.

Leia a íntegra da matéria em http://istoe.com.br/o-quadrilhao-em-apuros/

Para encerrar, assista ao vídeo a seguir (são só 6 minutinhos, mais vale a pena ver).


Se você não estiver lendo a postagem diretamente no meu Blog, o link para o vídeo é: https://youtu.be/SXXzZXK22Ow

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terça-feira, 6 de junho de 2017

SAIBA MAIS SOBRE O JULGAMENTO DA CHAPA DILMA TEMER PELO TSE

O reinício do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE está marcado para às 19 horas. Como eu disse no post de ontem, se a ação foi proposta apenas para “encher o saco do PT” ― como afirmou o senador afastado Aécio Neves em conversa interceptada pela PF ―, agora ela se tornou capaz de mudar os rumos do país, pois, se julgada procedente, resultará na anulação da eleição presidencial de 2014. Dilma, se condenada, perderá somente os direitos políticos por 8 anos, mas Temer, que é o atual presidente (embora esteja “cai-não-cai” há semanas e só não renunciou porque Eliseu Padilha e Moreira Franco não deixaram), corre o risco de ser deposto.

Mas dificilmente teremos uma decisão esta noite, mesmo porque o relatório do ministro Herman Benjamin tem mais de 1.000 páginas (ainda que ele leia uma versão resumida, dificilmente conseguirá fazê-lo numa única sessão). Dada a complexidade do caso, outras sessões já foram previamente agendadas ― para 9h de amanhã e para 9h e 19h de quinta-feira (quem quiser pode obter mais detalhes sobre a agenda do julgamento clicando aqui). Ainda assim, nada garante que o resultado saia nos próximos dias: basta um dos ministros da Corte pedir vista do processo para o julgamento ser adiado sine die ― isto é, sem data para ser retomado, ficando na dependência da devolução dos autos pelo ministro que pediu vista. O regimento da Corte não estipula prazo, mas, também devido às peculiaridades do caso, estima-se que um eventual pedido de vista não se estenda por mais de 15 dias.

Qualquer que seja a sentença, as partes podem recorrer (ao próprio TSE e ao STF), o que certamente ocorrerá, prolongando essa agonia por meses a fio. Aliás, não fosse pela mudança de contexto provocada pela escandalosa delação dos donos da JBS, ere provável que os ministros empurrassem a coisa com a barriga até o final do final do mandato de Temer ― ou condenassem apenas Dilma, que, como dito, ficaria inelegível por 8 anos.

Diferentemente do inquérito autorizado pelo STF para investigar Michel Temer, que pode resultar em denúncia e, na hipótese de condenação, até mesmo na prisão do peemedebista, na ação sub-judice a única punição possível é cassação do diploma eleitoral e suspensão dos direitos políticos por 8 anos. Se Temer for afastado, Rodrigo Maia assume interinamente e convoca eleições indiretas no prazo de 30 dias. Ou pelo menos é isso que determina a Constituição.

Observação: Uma PEC (proposta de emenda constitucional) aprovada na última quarta-feira na CCJ do Senado prevê eleições diretas se a Presidência da República ficar vaga até um ano antes do fim do mandato. Mas os senadores não chegaram a um consenso quanto a essa alteração ter efeitos imediatos ou passar valer somente para mandatos futuros. Demais disso, para se tornar lei, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos no plenário do Senado e da Câmara Federal, o que certamente não acontece da noite para o dia, embora estejamos no Brasil, onde tudo é possível, especialmente quando interessa aos políticos e desfavorece a população que os elegeu e a quem eles deveriam representar.

Volto amanhã com mais detalhes. Até lá.

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COMO DEIXAR O CHROME MAIS RÁPIDO (CONCLUSÃO)

O BANCO É UMA INSTITUIÇÃO QUE EMPRESTA DINHEIRO À GENTE SE A GENTE APRESENTAR PROVAS SUFICIENTES DE QUE NÃO PRECISA DE DINHEIRO.

Feitos os ajustes sugeridos no post anterior, reveja as extensões do seu navegador, que servem para ampliar a funcionalidade, mas consomem memória RAM. Note que algumas extensões são instaladas à sua revelia, de carona com freewares que você baixa da Web por exemplo, e podem não ter qualquer utilidade para você. Então:

― Repita os passos indicados no post anterior para acessar a tela de configurações do Chrome.
― Clique no menu Mais ferramentas e, em seguida, em Extensões.
― Na janela das extensões, desmarque o quadrinho ao lado de Ativada nos itens que você deseja desabilitar, mas manter. Para remover uma extensão (caso você decida que ela realmente não tem utilidade), clique no ícone da lixeira correspondente ao item em questão.
― Reinicie o navegador.

Abrir várias instâncias do browser (ou várias abas ao mesmo tempo) também provoca aumento no consumo de memória. Habitue-se a fechar as abas ociosas ou, se preferir, instale o plugin Great Suspender ― que monitora em tempo real as abas abertas e coloca em animação suspensa as que estão inativas.

Para adicionar esse complemento, torne a acessar a janela das configurações do Chrome, abra a tela das extensões, clique em Obter mais extensões, digite Great Suspender na caixa de pesquisas e tecle Enter. Quando localizar o programinha, clique sobre ele e em Usar no Chrome.

Concluída a instalação (que leva uns poucos segundos), reinicie o navegador e clique no ícone que agora será exibido à direita da barra de endereços (oriente-se pela ilustração desta postagem). No menu suspenso, selecione Configurações, ajuste o tempo de inatividade da página (o intervalo padrão é de uma hora, mas você pode alterar para qualquer outro entre 20 segundos e 3 dias ― sugiro 5 minutos) e torne a reiniciar o navegador.

ALGUÉM TEM DE FAZER O TRABALHO SUJO

Pela primeira vez na nossa história, um presidente da República é formalmente investigado no STF. Se vivêssemos num país sério, ele seria afastado até a conclusão do inquérito e reconduzido ao cargo ― por que não? ― se e quando sua lisura restasse comprovada. No entanto, como sua imprestável predecessora ― e Collor antes dela ―, Michel Temer não tem a grandeza de pôr os interesses nacionais acima dos pessoais.

― NÃO RENUNCIAREI. REPITO: NÃO RENUNCIAREI. SE QUISEREM, ME DERRUBEM! ― rosnou sua insolência, o dedo em riste demonstrando que o que lhe importa é se agarrar ao trono a qualquer preço. “Renunciar seria uma confissão de culpa”, completou. Mas, convenhamos: a esta altura do campeonato, será que alguém ainda acredita em suas justificativas estapafúrdias?

O problema é que todo mundo (ou quase) quer ver Temer pelas costas, mas ninguém quer fazer o trabalho sujo. O governo ruiu, mas o cara continua lá, aprovando coisas um tanto sem sentido, apenas para sinalizar que tudo está na mais perfeita ordem, na mais santa paz. Resta saber quando e como deixará o Planalto ― até porque, se já é uma temeridade (com o perdão do trocadilho) manter no comando da nação um dirigente impopular, avalizar a permanência de um corrupto seria inconcebível.

Descartada a renúncia e afastado o impeachment ― primeiro, porque Rodrigo Maia vai empurrar a coisa com a barriga enquanto puder; segundo, porque o processo demoraria demais, e o país dificilmente sairia ileso de outra deposição de presidencial, via Congresso, em menos de 18 meses ―, resta o inquérito no STF, mas a bomba deve explodir mesmo é no colo do TSE. Senão, vejamos.

O julgamento da ação proposta pelo PSDB após as eleições de 2014 ― a pretexto de “encher o saco do PT”, segundo revelou o senador ora afastado Aécio Neves em conversa gravada por Joesley Batista ―, vem se arrastando há anos, e já foi adiado no início de abril, a pretexto de dar mais prazo para os advogados de Dilma e Temer apresentarem suas alegações finais. Adiá-lo novamente, ainda que mediante um pedido de vista ― vale lembrar que dois novos ministros foram nomeados recentemente pelo próprio Temer ― será desmoralizante para o Tribunal.    

Por ironia do destino, o partido que se tornou o maior aliado do governo com o impeachment da anta vermelha se transformou no seu algoz. E agora, como bons tucanos que são, os peemedebistas mantêm um pé no poleiro e os olhos no TSE, prontos para bater asas e voar no instante em que a cassação lhes parecer inevitável. Outra curiosidade digna de nota: o retardamento do julgamento complicou ainda mais a situação do presidente, pois propiciou a inclusão de mais elementos contra ele. Se não há evidências de que o peemedebista recebeu dinheiro de caixa 2 para sua campanha de vice, não faltam provas de que a chapa recebeu e, portanto, ele se beneficiou dos mesmos recursos que garantiram a reeleição da petista.  

Depois de dizer que “os juízes não são de Marte”, dando a entender que lhes é impossível ignorar o cenário político e as consequências da cassação de (mais) um presidente, o ministro Gilmar Mendes garantiu que o julgamento será “jurídico e judicial”, que “o Tribunal não é joguete de ninguém” e que “não cabe à Corte resolver crise política”.

Antes do vazamento da delação dos donos da JBS, não havia dúvidas de que o TSE livraria a pele de Temer. Afinal, a última coisa de que o país precisa é outra troca de comando em tão curto espaço de tempo, especialmente quando o atual governo vinha tocando as reformas, e a Economia, dando sinais de recuperação. Agora, votos que eram contabilizados como favoráveis a sua permanência no cargo podem deixar de sê-lo, tanto pela “pressão da crise” quanto pelo instinto de preservação dos ministros, que dificilmente conseguiriam explicar por que mantiveram um presidente altamente impopular e, ainda por cima, investigado por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça.    

Para agravar ainda mais o quadro, o ministro-relator Hermann Benjamin ― cujo relatório resultou num calhamaço de mais 1.000 páginas ― defende eleições diretas para a escolha do próximo presidente. Na sua avaliação, se a eleição de 2014 sagrou vencedora uma chapa que comprovadamente fraudou o pleito, desrespeitou a vontade popular e, portanto, deve ser anulada, o que dispensaria o cumprimento do artigo 81 da Constituição ― que estabelece eleições indiretas (pelo Congresso) no caso de vacância a partir de dois anos do mandato.

A tese é polêmica. Se a eleição for anulada, não seria o caso de empossar a chapa derrotada? A meu ver, isso faria mais sentido, mas o problema é que o tucano também foi ferido de morte pela delação de Joesley Batista, e só não foi preso porque a Lei determina que um parlamentar (deputado estadual, federal ou senador) só pode ser preso em flagrante e por crime inafiançável.

Ir contra a Constituição ― ou alterá-la ao sabor de interesses específicos de grupos que veem nesse imbróglio a oportunidade de tirar proveito pessoal da situação ― seria um atentado ao Estado de Direito. Em outras palavras, um verdadeiro “golpe” ― bem diferente do rito legal que apeou a presidência a gerentona de araque, mas que ela e seus incorrigíveis apoiadores insistem em classificar de golpe de Estado.

Como bem ponderou o jornalista Carlos José Marques no editorial da revista IstoÉ desta semana, a “jabuticaba” da eleição direta tampão, notadamente se criada por um Congresso desmoralizado e envenenado pela corrupção, seria a oficialização da anarquia demagógica, a consagração da república do jeitinho. A esta altura, mesmo uma eleição indireta poderia empurrar o país para a judicialização, levando ao insurgimento dos demais Poderes e incitando os agitadores de plantão.

Fato é que Temer só não foi expelido do Planalto porque falta consenso em torno do seu eventual sucessor. Os parlamentares não estão dispostos a abrir mão das eleições indiretas nem de escolher um de seus pares para o mandato-tampão. O quadro é periclitante, mas não existe no Brasil nada tão ruim que não possa piorar.

Como diz um velho ditado, “em casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Pelo visto, situação e oposição querem tirar a castanha com a mão do gato ― ou seja, desejam que o serviço sujo seja feito, desde que não tenham de sujar as mãos. Daí estarem todos de olho no julgamento no TSE.

Volto amanhã com uma breve análise do perfil dos sete ministros que selarão o destino do presidente e redefinirão os rumos desta pobre nação. Até lá.

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

COMO DEIXAR O CHROME MAIS RÁPIDO

POLÍTICOS AGEM POR NECESSIDADE, NÃO POR VIRTUDE.

Embora a tentação seja grande, não vou iniciar esta postagem com o preâmbulo que sempre introduzo quando o tema é navegador de internet, falando das primeiras versões, discorrendo brevemente sobre as Guerras dos Browsers ― na primeira, o Internet Explorer venceu o Netscape Navigator; na segunda o Google Chrome sagrou-se vitorioso ― e terminando com a consideração de que os principais navegadores hoje no mercado se equivalem em recursos e funções, e que a escolha do “melhor” tem mais a ver com a preferência pessoal do usuário do que com qualquer outra coisa. Pensando bem, parece que não consegui resistir totalmente à tentação, mas vá lá que seja.

O Chrome é o navegador mais popular entre os internautas do mundo inteiro ― nas plataformas desktop e mobile; nos tablets, o Safari, da Apple, encabeça o ranking. Assim, são grandes as chances de você utilizá-lo e, portanto, tirar proveito das dicas a seguir. Confira:

O desempenho de um aplicativo depende em grande medida dos recursos do computador como um todo, que variam conforme a configuração do hardware e do "estado" em que se encontra o sistema operacional, a quantidade de softwares instalados, e assim por diante. O Chrome é um browser ágil por natureza, mas é possível deixá-lo ainda mais “rápdio” mediante alguns ajustes simples. Acompanhe:

― Abra o Chrome, clique nos três pontinhos à direita da barra de endereços e, no menu de opções, selecione Configurações.
― Role a página até o final e clique em Mostrar Configurações Avançadas...
― Sob Privacidade, desmarque todas as caixas de verificação que porventura estejam assinaladas, com exceção dos itens Usar um serviço de previsão para carregar as páginas mais rapidamente e Proteger você e seu dispositivo de sites perigosos.

Observação: Se você acha importante contar com o auxílio de um corretor ortográfico, marque a caixa Utilizar um serviço na Web para ajudar a solucionar erros de ortografia.

Mais abaixo, na mesma página, sob Rede, clique no botão Alterar configurações de proxy… e, em Configurações de LAN, desmarque todas as opções assinaladas na janelinha, clique OK em ambas as telas e reinicie o navegador.

O resto fica para a próxima postagem. Até lá.

MENTIRA TEM PERNA CURTA, LÍNGUA PRESA E UM DEDO A MENOS

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, no último dia 10, Lula afirmou (dentre outras inverdades escandalosas) que não comanda o PT. Curiosamente, neste sábado, “Narizinho” (quem se lembra de Monteiro Lobato e do Sítio do Pica-pau Amarelo sabe do que eu estou falando) foi eleita presidente nacional do Partido.

O ex-presidente petralha foi peça fundamental para Gleisi obter 61% dos 593 votos e vencer o (também senador) Lindbergh Farias ― apoiado pelo grupo Muda PT, que reúne quatro correntes de esquerda. Na véspera da votação, as correntes Optei e Movimento PT, que detinham 25% dos votos, ameaçaram apoiar Lindbergh, mas o cenário mudou depois que o molusco indigesto ligou pessoalmente para os líderes dos movimentos e pediu que apoiassem sua fiel escudeira ― que, juntamente com o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, é ré na Lava-Jato por recebimento de propina da Petrobrás.

Quando se trata de chefiar quadrilha, ninguém melhor que bandido. Colocando de uma forma mais gentil, mas com uma pitada de ironia: gente da melhor qualidade no comando de um partido probo e honesto à toda prova, gerado, parido e controlado por um ex-metalúrgico analfabeto, oportunista e parlapatão, mas extremamente vivaz e dono de uma retórica invejável. Um mentiroso contumaz, mas capaz de hipnotizar a patuleia ignara a ponto de ninguém (entre seus vassalos, apoiadores e apedeutas que tais) se indignar com o fato de ele fazer de palanque o esquife da ex-primeira dama e transformar seu enterro em comício. Um manipulador inescrupuloso, que culpou a Lava-Jato e o juiz Moro pelo stress que culminou com a morte da companheira e cúmplice, mas não hesitou em culpar a finada pelos atos espúrios relacionados com o já folclórico tríplex do Guarujá ― muito convenientemente, diga-se, já que a defunta não poderia contradizê-lo, a não ser que se convocasse uma sessão de Mesa Branca e se convencesse a Justiça a aceitar um depoimento vindo do além.

Afinal, estamos no Brasil, onde nada mais espanta. No país da hermenêutica, da interpretação elástica da Lei, assassinos condenados ― como certo ex-goleiro do Flamengo ― são colocados em liberdade por juízes garantistas, que dizem combater as prisões preventivas alongadas (sem as quais a Lava-Jato jamais teria chegado aonde chegou), mas que, no afã de conquistar seus 15 minutos de fama, desconsideram solenemente o fato de o retardo no julgamento do recurso advir de chicanas protelatórias urdidas pelos advogados do próprio réu. Um país onde pseudoguerrilheiros anistiados e condenados posteriormente por chefiar quadrilhas ― como é o caso de José Dirceu nos esquemas do Mensalão e do Petrolão ― são postos em liberdade por nossa mais alta Corte (em sua pior composição de todos os tempos) em decisões esdrúxulas, como a que levou procurador Deltan Dallagnol a publicar em sua página no Facebook: “O que mais chama a atenção, hoje, é que a mesma maioria da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal que hoje soltou José Dirceu ― ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski – votaram para manter presas pessoas em situação de menor gravidade, nos últimos seis meses.”

Observação: Os ministros Toffoli e Lewandowski não só foram indicados por Lula, mas também emergiram das fileiras do PT. Toffoli não fez doutorado nem mestrado, foi reprovado duas vezes em concursos para juiz de primeira instância, mas passou de advogado do PT ministro do Supremo. Lewandowski, amigo de Lula, ingressou na vida pública quando Walter Demarchi, então vice-prefeito de São Bernardo do Campo, convidou-o a ocupar a Secretaria de Assuntos Jurídicos do município, e passou a ministro do Supremo por uma indicação feita durante um regabofe entre amigos e aceita por Lula (sabe-se lá depois de quantas cangibrinas). Já o grandiloquente Gilmar Mendes, lembrado pelo jornalista J.R. Guzzo como uma “fotografia ambulante do subdesenvolvimento brasileiro, mais um na multidão de altas autoridades que constroem todos os dias o fracasso do país”, passou de inimigo figadal do PT a crítico da Lava-Jato, notadamente depois que a Força-Tarefa passou a focar no PMDB de Michel Temer.

Não faz muito tempo, Mendes afirmou que os magistrados “não são de Marte”, referindo-se a uma possível influência do cenário político no julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Dias atrás, no entanto, disse que aquela Corte (que ele preside) “não é joguete de ninguém”, que “não cabe ao TSE resolver crise política”, que o julgamento será “jurídico e judicial” e que um pedido de vista “será algo absolutamente normal”.

Diz um ditado que cabeça de juiz e barriga de criança não merecem confiança. Veja o leitor que o novato do Supremo, Alexandre de Moraes, depois de perorar durante uma hora no julgamento da ação sobre o foro privilegiado, pediu vista do processo em vez de dar seu voto. O julgamento foi suspenso com o placar de 4 a 0 e será retomado quando o ministro devolver o caso ao plenário. Normalmente, quando um integrante da Corte pede mais prazo para analisar um processo, o julgamento é suspenso na hora, sem que seus pares se manifestem. Nesse caso, todavia, os ministros Marco Aurélio, Rosa Weber e a presidente da Corte, Cármen Lúcia, resolveram, por alguma razão, antecipar seus votos (favoráveis à tese de que os políticos só terão direito ao foro privilegiado se o crime do qual forem acusados tiver sido cometido no exercício do mandato e tiver relação com o cargo que ocupam).

Vamos aguardar para ver o que nos reservam os próximos capítulos dessa novela.

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domingo, 4 de junho de 2017

INGENUIDADE UMA OVA! DESFAÇATEZ DA GROSSA, ISSO SIM!

Referindo-se à Operação Lava-Jato, Lula disse que “está na hora de parar de palhaçada” (mais detalhes nesta postagem). Que alguém lembre o flibusteiro parlapatão de ter cuidado com o que deseja: o juiz Sérgio Moro deve julgar ainda este mês ― e junho é mês de festa junina, de “quadrilha” ― a ação sobre a posse do famoso tríplex no Guarujá. E até a cúpula petista acredita na condenação do imprestável.

Mas não é só: Lula e seu pimpolho Luiz Cláudio deverão depor (como réus) ao juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, no próximo dia 22 (na ação que trata de crimes praticados entre 2013 e 2015). E, se não me falha a memória, os autos do processo em que o molusco indigesto é acusado de obstrução da Justiça (por tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró) já estão conclusos para sentença.

A demora na prisão de Lula tem sido motivo de chacota internacional. Num país civilizado, bem antes de se tornar réu em cinco ações penais e investigado em mais uma cachoeira de inquéritos ― que deverão ser convertidos em denúncias nos próximos meses ― o ex-presidente já estaria mofando na cadeia. Mas isto aqui é uma republiqueta de bananas, onde o povo vê com naturalidade um penta-réu alardear aos quatro ventos sua candidatura à presidência e aceita bovinamente o fato de uma ex-presidente recém-penabundada ― por afundar o país na maior crise de sua história e investigada por uma série de atos bem pouco republicanos ― pleitear a anulação de seu impeachment e sua recondução ao cargo, “agora que o golpista traidor não tem mais condições de governar a Banânia”. É o roto falando do esfarrapado!

Jamais acreditei na “santidade” de Temer, mas nunca o imaginei capaz de tamanha sem-vergonhice. Daí a dificuldade de seus assessores em defende-lo. Na contramão das evidências e à ausência de argumentos críveis para apresentar em favor do presidente, Eliseu Padilha, seu amigo dileto, ministro-chefe da Casa Civil e investigado na Lava-Jato, chegou a afirmar ― pasmem! ― que Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de Temer, “caiu em um engodo ao ser filmado transportando uma mala com R$ 500 mil”. É ou não fazer pouco caso da inteligência alheia?

Parece que estamos assistindo a uma competição infantil, onde vence quem cria a fábula mais inverossímil. Temer diz que foi “ingênuo” ao receber Joesley Batista no Palácio do Jaburu e tenta desqualificar o áudio gravado à sorrelfa pelo moedor de carne. Mas não nega (e nem poderia) que ouviu a fieira de crimes com a tranquilidade de quem ouve um amigo confidenciar suas escapadelas extraconjugais. A justificativa? Ora, o dono da JBS seria um notório falastrão, e como está sendo alvo de inquérito, estaria apenas contando vantagens ― afinal, como Temer poderia crer que membros do Ministério Público e do Judiciário estivessem sendo cooptados? 

Pelo visto, nosso presidente não lê jornais e nem assiste ao noticiário. Ingênuo? Nem por sombra. O cara é matreiro e têm décadas de janela e outras tantas de vão de porta. Alegar ingenuidade para tentar se justificar por ter sido pego com as calças na mão e batom na cueca é puro desespero, e achar que sua retórica capenga e infundada será capaz de desautorizar fatos que saltam aos olhos até do observador menos atento beira o desvario.

Ninguém além da seleta confraria de apoiadores que vela seu governo agonizante engoliria sua versão estapafúrdia do ocorrido e, de sobremesa, os devaneios do ministro Padilha, que, em entrevista à Rádio Gaúcha, disse: “A versão que nos chegou é que ele [Loures] caiu em um engodo, que havia a necessidade de gravar ele com essa mala, com esse dinheiro. Foi preparado todo um processo em que ele [Temer] e o Rodrigo caíram. Não se deu conta de que estava sendo utilizado. Ali, o objetivo era só ter a filmagem”.

Padilha argumentou também que o dinheiro foi devolvido, e que não poderia opinar sobre o motivo pelo qual Rocha Loures pegou a quantia: “Ele [Loures] é um aliado do Palácio do Planalto. Mas agora o Palácio não pode sair atrás e dar busca dos atos de cada uma das pessoas que trabalham para o governo, e atos que não dizem respeito à sua atuação como representante do governo”. Quanta cara-de-pau, ministro! Nem a finada Velhinha de Taubaté acreditaria em tamanha impostura!

Observação: A Velhinha de Taubaté é uma personagem criada por Luis Fernando Veríssimo durante a gestão do ex-presidente Figueiredo (1979-1985), que se tronou famosa por ser a última pessoa no Brasil que acreditava no governo. A crédula senhora “faleceu” em novembro de 2005, aos 90 anos, decepcionada com o quadro político brasileiro, em especial com o seu ídolo, Antonio Palocci.

Temer e Loures são investigados no STF por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Na última quinta-feira, a PGR pediu novamente a prisão do ex-deputado. Na noite desta sexta, o ministro Fachin a concedeu, e o homem da mala foi preso pela PF na manhã do sábado.

Loures perdeu o direito ao foro privilegiado quando Serraglio deixou o ministério da Justiça e reassumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados do Paraná. E se ele já se mostrava inclinado a negociar uma delação, agora, mesmo que seu inquérito esteja atrelado ao Temer e, portanto, não baixe imediatamente para a primeira instância, a perspectiva de se tornar hóspede do sistema penal tupiniquim servirá como um estímulo adicional.

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