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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

AINDA SOBRE O CÂNCER E A METÁSTASE

A CORRUPÇÃO É A MAIOR DAS INVENÇÕES POLÍTICAS. ELA TÃO GRANDIOSA QUE, SE ACABAR, ACABAM OS POLÍTICOS.

Em 1993, o general Ernesto Geisel qualificou Jair Bolsonaro como anormal e mau militar. Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Geisel era um sábio; Pelé e Figueiredo eram profetas e não sabiam.
 
Em 2021, o empresário Paulo Marinho — que transformou a própria casa em estúdio de programa eleitoral para a campanha bolsonarista de 2018 — disse que Bolsonaro sabia que seria preso pelos crimes que havia cometido e ainda cometeria até o final de seu mandato, e planejava "virar a mesa". 
Marinho era um vidente: meses depois, farejando a derrota nas urnas, Bolsonaro rosnou que só haveria eleições se houvesse voto impresso. 

Ao longo de sua passagem pelo Planalto, Bolsonaro incitou ou participou pessoalmente de manifestações pró-ditadura, promoveu "motociatas", cavalgou pela Explanada dos Ministérios (mimetizando o ex-chefe do SNI, Newton Cruz) e articulou um desfile de tanques defronte ao Congresso (para pressionar os parlamentares a aprovar a PEC do voto impresso). 
 
Sempre que se via ameaçado, o capetão fingia recuar. Mas pau que nasce torto morre torto, e ele logo reencarnava o "anormal e mau militar" que, numa democracia séria, seria inexoravelmente apeado do cargo. Mas o Brasil é uma republiqueta de bananas, e o antiprocurador-geral, o imperador da Câmara e o próprio STF fingiram não ver o que o pior mandatário desde Tomé de Souza estava fazendo.  
 
Sem a blindagem do cargo, inelegível até 2030 e na bica de ser processado criminalmente, Bolsonaro admitiu em entrevista ao portal UOL que, se sua prisão for decretada, ele pode se refugiar em alguma embaixada (como fez em fevereiro, quando passou dois dias na embaixada da Hungria, após ter o passaporte apreendido). 
Se a fala foi um ato falho ou uma estratégia para se promover de "perseguido" a "preso político" e causar "comoção social", só saberemos com o desenrolar dos acontecimentos. 
 
De acordo com o relatório da PF, o ex-presidente planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva dos atos executórios realizados pela organização criminosa. O golpe de Estado e da abolição do Estado Democrático de Direito só não se consumou devido a circunstâncias alheias à vontade dos golpistas. O próprio Bolsonaro admitiu que discutiu com militares a decretação de estado de sítio, de defesa, e a utilização do famigerado artigo 142. 
 
Mauro Cid montou em slides um plano de fuga para o chefe e produziu fake news sobre hackers terem encontrado vulnerabilidades nas urnas. A célebre "minuta do golpe" foi apresentada aos comandantes, e o plano "Punhal Verde e Amarelo" foi impresso no Palácio do Planalto pelo então secretário-executivo da Secretaria-geral da Presidência, general Mário Fernandes.
 
Os militares golpistas não têm do que se queixar, pois o golpe veio. Não na forma da ditadura que eles desejavam, mas como um conto do vigário em que eles caíram. Tudo que parecia ser deixou de ser quando Bolsonaro, já então indiciado, negou ter discutido o golpe e classificou o plano de assassinar Lula, Alckmin e Moraes de "papo de quem tem minhoca na cabeça". E como o Brasil é o país da piada pronta, sua defesa diz agora que o golpe não beneficiaria seu cliente, mas uma junta comandada pelos generais palacianos Braga Netto e Augusto Heleno.
 
O abantesma do Planalto assombrou a democracia por quatro anos com o bordão do "meu Exército". Se ele e seus acólitos fardados não concordavam em tudo, pelo menos não discordavam no golpismo. Mas a tentativa de instrumentalizar as FFAA falhou no atacado, e, no varejo, seu ex-comandante-em-chefe arrastou para o rol de indiciados 25 fardados (67,5% do total de candidatos à tranca).
 
A caminho do patíbulo supremo, o verdugo do Planalto se apega ao cinismo como um náufrago se agarra a um jacaré pensando ser um tronco. Se perguntasse ao general Mário Fernandes, preso preventivamente, o que ele está fazendo "lá dentro", Bolsonaro talvez ouvisse do redator do plano que previa os assassinatos de Lula, Alckmin e Moraes: "O que você está fazendo aí fora?"

ObservaçãoComeça a ser julgado nesta sexta-feira, no escurinho do plenário virtual, o recurso de Bolsonaro que postula o afastamento de Moraes do inquérito do golpe, já que, por ser vítima, não poderia relatar e julgar o caso. Segundo a PGR, o que o ex-presidente pretende é usar o julgamento para tentar convencer a população de que vem sendo perseguido por "Xandão". O pedido foi rejeitado monocraticamente pelo presidente das togas em fevereiro; nos bastidores, dá-se de barato que o resultado do recurso será o mesmo.

O "mito" dos sem-noção continua dizendo que disputará a Presidência em 2026, mas a Operação Contragolpe reduziu a subzero suas chances de reverter a inelegibilidade no TSE, de modo que ele já admite delegar ao filho Eduardo o papel de bonifrate (como fez Lula com Haddad em 2018). 

O ex-presidiário do mensalão, dono do PL e integrante da lista de 37 indiciados pela PF sugeriu lançar a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas uma parte da legenda avalia que, por estar mais conectado com a militância de direita que baba os ovos de Trump, o ex-fritador de hambúrgueres que quase virou embaixador seria uma opção melhor que o senador das rachadinhas. Como Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ronaldo Caiado também estão de olho no Planalto, a disputa será acirrada. 
 
Cabe ao STF reaproximar o capitão golpista do seu exército de traíras. Uma sentença criminal está de bom tamanho para o reencontro. Em "Canção da América", Milton Nascimento e Fernando Brandt ensinam que "amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves". 

No mínimo, a 28 anos de cana.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

TRISTE BRASIL!

HÁ TRÊS ESPÉCIES DE CÉREBROS: UNS ENTENDEM POR SI PRÓPRIOS; OUTROS DISCERNEM O QUE OS PRIMEIROS ENTENDEM; E OS DEMAIS NÃO ENTENDEM NEM POR SI PRÓPRIOS NEM PELOS OUTROS; OS PRIMEIROS SÃO EXCELENTÍSSIMOS; OS SEGUNDOS, EXCELENTES; E OS TERCEIROS, TOTALMENTE INÚTEIS.

Em 1993, o general Ernesto Geisel qualificou Bolsonaro como “anormal e mau militar”. Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Geisel era um sábio; Pelé e Figueiredo, profetas que não sabiam.

Em 2021, o empresário Paulo Marinho — que transformou a própria casa em estúdio de programa eleitoral para a campanha bolsonarista de 2018 — disse que o então presidente sabia que seria preso pelos crimes que havia cometido (e ainda cometeria até o fim do mandato) e planejava “virar a mesa”. Meses depois, farejando a derrota nas urnas, Bolsonaro rosnou que só haveria eleições se houvesse voto impresso.

Ao longo de sua passagem pelo Planalto, o refugo da escória da humanidade incitou — ou participou pessoalmente de — manifestações pró-ditadura, promoveu "motociatas", cavalgou pela Esplanada dos Ministérios (mimetizando o ex-chefe do SNI, Newton Cruz) e articulou um desfile de tanques defronte ao Congresso para pressionar os parlamentares a aprovar a PEC do voto impresso.

Sempre que se via ameaçado, o capetão fingia recuar. Mas pau que nasce torto morre torto, e ele logo reencarnava o “anormal e mau militar” que, numa democracia séria, seria inexoravelmente apeado do cargo. Como o Brasil é uma republiqueta de bananas, o antiprocurador-geral, o imperador da Câmara e o próprio STF fingiram não ver o que o pior mandatário desde Tomé de Souza estava fazendo.

Antes de se tornar réu, Bolsonaro admitiu em entrevista ao UOL que, se sua prisão fosse decretada, ele se refugiaria em alguma embaixada (como fez em fevereiro do ano passado, quando passou dois dias na embaixada da Hungria após ter o passaporte apreendido). Mauro Cid montou em slides um plano de fuga para o chefe e produziu fake news sobre hackers terem encontrado vulnerabilidades nas urnas. A célebre “minuta do golpe” foi apresentada aos comandantes, e o plano Punhal Verde e Amarelo foi impresso no Palácio do Planalto pelo então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, general Mário Fernandes.

Os militares golpistas não têm do que se queixar, pois o golpe veio. Não na forma da ditadura que eles desejavam, mas como um conto do vigário no qual acabaram caindo. Tudo o que parecia ser deixou de ser quando Bolsonaro, já indiciado, negou ter discutido o golpe e classificou o plano de assassinar Lula, Alckmin e Moraes como “papo de quem tem minhoca na cabeça”. E como o Brasil é o país da piada pronta, estamos sob ataque do POTUS — também conhecido como “calopsita do penacho alaranjado.”

O abantesma do Planalto assombrou a democracia por quatro anos com o bordão do “meu Exército”. Se ele e seus acólitos fardados não concordavam em tudo, ao menos não discordavam no golpismo. A tentativa de instrumentalizar as FFAA falhou no atacado; no varejo, seu ex-comandante-em-chefe arrastou para o rol de indiciados 25 fardados (67,5% do total de candidatos à tranca).

A caminho do patíbulo supremo, o verdugo do Planalto se apega ao cinismo como um náufrago se agarra a um jacaré, pensando ser um tronco, enquanto seu rebento número três se torna uma prova ambulante de que dinheiro não tem pátria. O medo da prisão o impede de voltar, mas ele não cogita renunciar ao mandato. A partir de amanhã, voltará a receber salário mensal de R$ 46,3 mil. Se nada for feito, será remunerado pela pátria para traí-la em tempo integral.

Pela lógica, o filho do pai deveria ser cassado por atentar contra o artigo do regimento da Câmara que impõe aos deputados o dever de “promover a defesa do interesse público e da soberania nacional”. Mas a Câmara é uma Casa ilógica. Excluída a hipótese da cassação, aliados do conspirador empinam duas propostas para impedir a perda do mandato por excesso de faltas: numa, o deputado Evair Mello sugere que o traidor passe a exercer o mandato à distância, votando remotamente; noutra, Sóstenes Cavalcante propõe esticar a licença por mais 120 dias.

Adaptado aos tempos de tornozeleira, o slogan do bolsonarismo ficou assim: “Anistia acima de tudo, Trump acima de todos.” A velha tríade que o integralismo nacional importou do fascismo europeu — Deus, pátria e família — ganhou novos sentidos. Deus é um imperador laranja chocado com a “caça às bruxas”. A pátria deslocou-se para o Norte. E a família Bolsonaro, a única que importa, virou célula-mártir de uma conspiração antipatriótica desde que Eduardo escolheu os Estados Unidos como terra mortal.

Mantidos o mandato e o salário do deputado, o contribuinte brasileiro entra nesse enredo no papel de idiota involuntário.

domingo, 17 de maio de 2020

E AGORA, JOSÉ?



As considerações a seguir são elos da mesma corrente. Se lhe parecerem um tanto emboladas em alguns pontos, é porque dois meses de isolamento e duas expetativas frustradas de reabertura operam milagres na sanidade mental de qualquer cristão (ou ateu, agnóstico, crente, kardecista, umbandista, maometano, israelita, enfim...). 

O mote desta postagem não é a quarentena, mas a pandemia de proporções bíblicas que começou pela saúde, atacou a economia e pôs o mundo de joelhos — e o Brasil de quatro, porque estamos nas mãos de um psicopata maquiavélico chamado de "mito" por uma claque de apoiadores que o chamaria de “mitômano” se tivesse olhos para ver, ouvidos para ouvir e cérebro para raciocinar.

Parafraseando o sumo pontífice da seita do inferno “nunca antes na história deste país” tivemos no Palácio do Planalto um inquilino tão indiferente à dor alheia, que tanto despreza a Democracia e o Estado de Direito e que tanto odeia a liberdade de expressão, a imprensa e quem mais discordar de sua opinião. Do cruel “e daí?” ao “cala a boca”, passando pelo churrasco da morte (que depois fomos instados a acreditar que não passava de uma pilhéria), o Mefistófeles de botequim deixou de ser o palhaço negacionista da “gripezinha” para concorrer (com grandes chances de vencer) ao título de Monstruosidade Pública Número 1. E agora, José?

Não tenho a resposta para essa pergunta, mas tenho algumas teorias sobre como chegamos a isso. Vamos a elas.

Nos anos 1970, durante a ditadura militar, Pelé afirmou que os brasileiros não sabiam votar, ou, litteris, que “o povo brasileiro não está preparado para votar”. Isso provocou uma chuva de críticas, embora tenha sido uma das coisas mais acertadas que o Rei do Futebol disse em seus quase 80 anos de vida. 

Da mesma forma que jabuti não sobe em árvore (se estiver lá, foi posto por enchente ou mão de gente), político não brota em seu gabinete por geração espontânea (se estiver lá, é porque alguém votou nele). À luz da “qualidade” dos nossos representantes e mandatários, é impossível discordar de Pelé, mas sempre há quem não enxergue o que está bem diante de seu nariz — não por falta claridade, mas porque lhe falta acuidade visual (para um cego, tanto faz se a luz estiver acesa ou apagada).

Aqui abro um parêntese para esclarecer que digo cego e não deficiente visual por dois motivos: 1) acho esse modismo do politicamente correto execrável; 2) o termo “cego” se aplica a quem não enxerga e “deficiente visual”, a quem tem uma disfunção da visão, que tanto pode ser total quanto parcial. A machinha de carnaval Cabeleira do Zezé (composta por João Roberto Kelly) é “politicamente incorreta”, já que põe em dúvida a masculinidade do tal Zezé. Aliás, a “patrulha do politicamente correto” chegou a tal ponto de imbecilidade que nem o clássico Reinações de Narizinho, escrito por Monteiro Lobato na década de 1920, escapou de acusações de racismo pelo fato de Emíliauma boneca de pano, chamar Tia Nastácia de “macaca de carvão”, “negra beiçuda” ou “negra de estimação”. Vale lembrar que antes da Lei Áurea, ter escravos não era crime. Até negros tinham escravos. 

Observação: Um dos mais importantes axiomas do Direito reza que nullum crimen, nulla poena sine prævia lege — ou seja, nenhum ato pode ser considerado criminoso e, portanto, passível de pena se não existir uma lei anterior que o tipifique como tal.

A demissão de Nelson Teich, na última sexta-feira, foi um prato cheio para a imprensa e para Bolsonaro — que passou a fritar seu ministro quando se deu conta de que, a exemplo do antecessor e a despeito de prometer total alinhamento com o chefe, o médico não estava disposto a rasgar o diploma para compactuar com as obsessões de um maníaco. Teich levou apenas 28 dias para regurgitar os batráquios que o déspota lhe enfiou goela abaixo; Mandetta e Moro levaram um ano e meio.

Bolsonaro acredita — e não sem razão — que novas crises tiram o foco da imprensa e da população das crises anteriores, e é por isso que as gesta e pare à farta. E a estratégia vinha funcionando, até que um lance errado mudou o cenário do tabuleiro e, ao que tudo indica, selou a sorte do capitão sem luz.  Ao provocar a saída o ex-juiz da Lava-Jato do governo, Bolsonaro não esperava criar uma turbulência maior do que as criadas com as demissões de Bebianno e dos outros dez ministros de Estado que permearam os últimos 16 meses. Mas aí entrou em cena uma inoportuna investigação autorizada pelo decano do STF, que tem pressa em esclarecer as suspeitas que o ex-ministro da Justiça levantou ao longo do pronunciamento que fez à imprensa para explicar o porquê de sua demissão.

A oitiva de testemunhas ainda não foi concluída, mas a peça chave para comprovar a veracidade da narrativa de Moro é o vídeo da reunião ministerial do dia 22. O ministro Celso de Mello deve decidir amanhã se torna público o conteúdo da gravação, depois que ele próprio assistir ao vídeo. A liberação integral do conteúdo deixará o general da banda em maus lençóis, daí a razão de ele estar atriculando com o Centrão a compra do apoio das marafonas do Câmara e tentando "seduzir" o PGR com uma possível indicação para a cadeira do decano, que deve se aposentar em novembro.

Observação: Vejam como são as coisas: uma das bandeiras de campanha responsáveis pela vitória de Bolsonaro foi seu repúdio à velha política do toma lá dá cá. Mas ele também prometeu ser implacável com a corrupção e os corruptos, mas bastou que as investigações sobre a prática de rachadinha no gabinete do pimpolho 01, quando este era deputado estadual, e outras que bafejam o cangote de 02 e 03 para o capitão caverna mostrar do que é feito, ou por outra, que é farinha do mesmo saco que os políticos corruptos que prometera combater.

Mandetta e Teich atuaram na tragicomédia da Saúde cada qual a sua maneira. O primeiro, deputado experiente, flertava com os holofotes e não se constrangia diante dos microfones. O segundo era sua antítese: retraído, inexpressivo, quase um “mosca morta”. Sua atação à frente da Pasta foi muito criticada (inclusive por este que vos escreve), mas, curiosamente, sua demissão foi pranteada até pelos governadores que, segundo afirmou Caio Coppolla no “Grande Debate” da CNN, recusaram-se a analisar o programa de testagem e o plano de transição para o isolamento social que o ex-ministro havia preparado, porque “estavam de mal" com o presidente. Se essa informação realmente procede, a pandemia do coronavírus transformou a política tupiniquim num imenso Jardim de Infância.

Esperar demais das pessoas é o caminho mais curto para a decepção, e reconhecer as limitações alheias (além das próprias, naturalmente) é sinal de sabedoria. Mas achar que a liturgia inerente à Presidência transformaria em estadista um mau militar e deputado medíocre seria ignorar os ensinamentos da fábula do sapo e o escorpião. Ou acreditar que um urso possa ensinar bons modos à mesa a um porco.

Dos 13 postulantes à presidência em 2018, quatro (Cabo Daciolo, Boulos, Jango Filho e Vera Lucia) pareciam egressos de uma feira de horrores, e outros quatro (Alckmin, Ciro, Marina e Eymael) eram arrozes de festa. Mas havia três (Amoedo, Meirelles e Álvaro Dias) que poderíamos ter testado se o esclarecidíssmo eleitorado — contaminado pelo vírus da dicotomia político partidária disseminado por São Lula e seus apóstolos acerebrados — não tivesse escalado para o embate final os dois extremistas mais extremados do espectro político-ideológico e deixado à parcela da população que não geme de dor quando raciocina duas singelas opções: fazer com fizeram os 42 milhões de brasileiros que anularam o voto, votaram em branco ou se abstiveram de votar, ou unir força com os bolsomínions

Observação: Votar no fantoche que Lula escolheu para preposto depois que Jaques Wagner se recusou a desempenhar o patético papel jamais foi uma opção.

Bolsonaro, como todo bom mau soldado, cumpriu somente parte da missão. Mas — volto a dizer —, não poderíamos esperar outra coisa. Governar vai muito além de ganhar eleições, sobretudo em tempos de guerra. Parafraseando FHC — que não foi um estadista como manda o figurino, mas é o ex-presidente vivo desta banânia que chegou ileso ao final do segundo mandato e até hoje não foi acusado de malfeitos —, “você não lidera dando ordens ao povo, mas fazendo com que o povo siga junto com você”.

Observação: Collor foi impichado e é réu no STF; Lula é réu em 10 ações criminais, já foi condenado em duas e passou 580 dias preso; Dilma fez um governo de merda e foi impichada a 2 anos e 4 meses do término do segundo mandato (e não sei por que ainda não foi presa); Temer não conta, porque era vice da anta, mas já passou uns dias atrás das grades... Vai vendo.

Se a população soubesse votar, a parcela pensante do eleitorado não seria obrigada a escolher, a cada eleição, se ficava na frigideira ou se pulava para o fogo. Infelizmente, esse tipo de situação se tornou regra desde a redemocratização (noves fora as vezes em que a emenda foi pior que o soneto), mas de nada adianta amaldiçoar a escuridão sem se dar ao trabalho de, ao menos, acender uma vela.

A meu ver, o bom senso recomenda impõe uma mudança de rumo, e pede pressa, sob pena de a colisão do Titanic com o iceberg se tornar inevitável e as consequências, incalculáveis. Dito de outra maneria, faz sentido manter no volante de um ônibus desgovernado um motorista embriagado, quando há um passageiro que, mesmo sem carteira, pode levar o veículo com segurança até que a empresa escale outro chofer habilitado? 

Fica a pergunta. A resposta é com vocês.

sábado, 6 de março de 2021

SÓ SE FOR NA CASA DA TUA MÃE

 

O assim chamado “gigante adormecido (que se recusa a despertar)”, ou “país do futuro (que nunca chega)”, como queiram, pode ser uma republiqueta de almanaque (e é), uma banânia (também é), mas é o nosso país. É “o que se tem pra hoje”, como se costuma dizer. Sobretudo em tempos estranhos (como o atual), em que a pandemia trancou a porta dantes representada pelo aeroporto na velha máxima “Brasil, ame-o ou deixe-o (que o último apague a luz)”.

Anda mal das pernas este arremedo de democracia. Mas é o nosso país. Está eivado de corruptos, mas é o nosso país. Tem políticos da pior espécie, mas é o nosso país. Tem um presidente que é um desastre, mas ainda é o nosso país. Tornou-se um pária aos olhos do mundo civilizado, mas ainda assim continua sendo o nosso país. Só que, por motivos óbvios, perdemos o direito de mandar calar quem fala mal de nosso país, pois falar bem, a esta altura, é mentir mais que político em campanha.

Outra coisa que precisa ficar bem clara: O Congresso Nacional merece respeito enquanto instituição. Já os congressistas têm de conquistar o respeito da população (respeito não se impõe, conquista-se, e por vezes a duras penas) e preservá-lo — numa construção diuturna, tijolo a tijolo, e ficar atentos, pois pode-se perder essa confiança tão rapidamente quanto o diabo coça um olho.

A Presidência da República merece respeito enquanto instituição. Já aqueles que a ocuparam desde a redemocratização (e também antes dela, por que não dizer?) são a prova provada de que assistia razão a Pelé quando ele disse que “o brasileiro não sabe votar” (embora tenha dito a coisa certa pelos motivos errados; na ocasião, ele opinava sobre a decisão da ditadura de suspender eleições diretas para cargos do Executivo).

"O Brasil não é para amadores", pontuou o saudoso maestro Tom Jobim. E governar o país também não é. A longa carreira parlamentar de Bolsonaro consistiu basicamente a representar o corporativismo militar, e sua desditosa (para não dizer nefasta) passagem pela presidência tem sido um mero prolongamento da campanha, agora de olho na reeleição (cuja extinção foi uma das muitas bandeiras que ele agitou no palanque e, tão logo subiu a rampa, meteu-as onde sugeriu aos jornalistas que enfiassem o leite condensado.

O governo do capitão da caverna sem luz consiste em insuflar suas hordas extremistas e se regozijar com o aplauso fácil da ala fanática de seus apoiadores (uma cáfila de boçais que adora bater palmas para maluco dançar). Parafraseando o Papa Francisco, "o papa, os bispos e os padres não são príncipes, mas servidores do povo de Deus". 

Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio vale para os políticos em geral, para o chefe do Executivo em particular, para os integrantes do Congresso Nacional e para os majestosos supremos togados que integram uma Corte onde o tempo é místico e uma decisão tanto pode demorar 20 horas quanto 20 anos, a depender do magistrado que a profere e do réu a quem ela favorece.

Da mesma forma que jabuti não sobe em árvore (se está, foi enchente ou mão de gente), político não brota em seu gabinete por geração espontânea (se está lá, é porque alguém votou nele). À luz da “qualidade” dos nossos representantes e mandatários, é impossível discordar de Pelé, mas sempre há quem não enxergue o que está bem diante de seu nariz — não por falta claridade, mas de acuidade visual (para um cego, tanto faz a luz estar acesa ou apagada).

O presidente da República não é apenas uma faixa ou uma pose. Espera-se que exista por trás da faixa e da pose uma noção qualquer de respeito, dignidade e pudor. Jair Bolsonaro ignora tais valores. Adota um comportamento desrespeitoso, indigno e despudorado. "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?", declarou, sapateando sobre a memória dos mortos da Covid e a dor de suas famílias. "Até quando vão ficar dentro de casa, até quando vai se fechar tudo? Ninguém aguenta mais isso", afirmou, num timbre economicida que desconsidera até as máximas do seu Posto Ipiranga: "Sem saúde não há economia. Sem vacinação em massa não existe crescimento consistente."

"Tem idiota nas redes sociais, na imprensa: 'Vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe! Não tem para vender!", disse Bolsonaro, sem medo do ridículo. Não há vacinas porque um hipotético presidente, em vez de ordenar a compra, pôs-se a dizer tolices a respeito do risco de os vacinados virarem jacaré.

Bolsonaro já nos brindou com “pérolas” que deveriam ser bordadas com fios de ouro nas asas de uma borboleta. Por exemplo: "Nunca a imprensa teve um tratamento tão leal e cortês quanto o meu", disse o capitão-truculência na semana passada, esquecido de que (ou indiferente ao fato) já externou em alto e bom som sua vontade de encher de porrada a cara de um repórter, já mandou a imprensa para a puta que pariu e já sugeriu aos jornalistas que enfiassem no rabo latas de leite condensado, apenas para citar alguns exemplos. 

Agora, anota Thaís Oyama em sua coluna no portal UOL, o presidente se arroga o direito de responder apenas perguntas "a favor", como faz semanalmente em programas de sua escolha, e interromper entrevistas quando lhe dói o calo. Na quinta-feira retrasada, ao ouvir o começo de uma pergunta sobre a decisão do STJ de anular a quebra de sigilo bancário do filho Zero “Rachadinha” Um, Bolsonaro interrompeu o repórter, deu por encerrada a entrevista e se evadiu do recinto.


Bolsonaro ocupa um cargo público e seu primogênito, ex-deputado e ora senador da República, foi denunciado por suposto desvio de dinheiro igualmente público. Ao suspender coletivas — e também sugerir a um repórter que enderece certas questões à própria mãe, como disse quando perguntado sobre a rachadinha de FB, o presidente usa de truculência para não responder ao que não pode ser respondido. Falta de educação é defeito que não tem conserto depois dos 60 anos, mas obsessão por controlar toda e qualquer instituição que o incomode, como fez o presidente com o Coaf, a PF, a PGR e o STF... Uma coisa é envergonhar o país; outra, bem diferente é... enfim...

Admirador dos Estados Unidos (apenas quando lhe convém), Bolsonaro deveria buscar inspiração em Roosevelt. De um bom presidente, ensinou o estadista, espera-se que aproveite o palanque privilegiado para irradiar confiança e bons exemplos. Há presidentes cujos exemplos sobrevivem à passagem dos séculos. Os exemplos de Bolsonaro só serão perfeitamente compreendidos no século passado.

Bolsonaro disse que brindaria os brasileiros com um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV , no qual ele trataria da imunização contra o vírus. "O assunto, quando tiver [pronunciamento], vai ser pandemia, vacinas. O Brasil é um país que, em valores absolutos, mais está vacinando. Temos 22 milhões de vacinas para este mês. Mês que vem deve ser mais 40 milhões. O país está mais avançado nisso. Assinei no ano passado MP [medida provisória] destinando mais de R$ 20 bilhões para comprar vacina. Estamos fazendo o dever de casa", apontou. Era para acontecer na terça, depois na quarta, depois na quinta. Acabou que não aconteceu (talvez por medo do panelaço, o capitão evitou dar a cara a tapa).

Antes da pandemia, era evidente que o homem evoluiu do macaco. Como é evidente que, depois da Presidência de Bolsonaro, o homem já está voltando. Quem examina a atuação e as declarações do presidente conclui que convém não confundir um certo sujeito com o sujeito certo

A Presidência de Bolsonaro não serve para nada, a não ser para avacalhar o Brasil.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

A MALDIÇÃO DA VICE-PRESIDÊNCIA — TERCEIRA PARTE

Sarney sempre foi um cacique da velha da política de cabresto nordestina, e só sobreviveu à ditadura porque se resignou a lamber as botas dos militares. A despeito dessa vassalagem, o último presidente-general da ditadura — que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo e "daria um tiro no coco" se fosse criança e seu pai ganhasse salário-mínimo — se recusou a lhe transferir a faixa: faixa a gente transfere para presidente, não para vice, e esse é um impostor.

Observação: Anos depois, referindo-se ao político maranhense numa entrevista concedida à revista IstoÉ, also sprach Zaratustra, digo, assim disse Figueiredo: "Sempre foi um fraco, um carreirista. De puxa-saco passou a traidor. Por isso não passei a faixa presidencial para aquele pulha. Não cabia a ele assumir a Presidência".

A despeito de o "milagre econômico brasileiro" ser cantado em prosa e verso pelos saudosistas de plantão, Sarney herdou dos militares um país arrasado, com recessão, inflação, desemprego e dívida externa nas alturas. Todos os "pacotes de medidas econômicas" elucubrados durante sua gestão (por Dílson Funaro, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega) fizeram água numa questão de meses. 

Aos trancos e barrancos, o oligarca nordestino terminou o mandato (de 5 anos, sem direito a reeleição), mas deixou de herança a seu sucessor uma inflação que beirava 2000% ao ano. Tamanha era sua impopularidade ao deixar o governo que, para disputar uma cadeira de senador, Sarney teve de mudar o domicílio eleitoral para o recém-criado Estado do Amapá. 

Observação: O literato, acadêmico e político maranhense se aposentou da vida pública em 2014, aos 83 anos. Conta-se que certa vez, depois que um dilúvio assolou seu Estado natal, a então governadora Roseana Sarney telefonou ao pai para dizer que "metade do Maranhão estava debaixo d’água", e Sarney teria perguntado: "A sua ou a minha?

No apagar das luzes da desditosa gestão de Sarney, a récua de muares a que se convencionou chamar de "eleitorado", já então sob a égide de uma Constituição estalando de nova, foi às urnas pela primeira vez desde 1960 para escolher seu presidente. 

Disputaram a chamada "eleição solteira de 1989" nada menos que  22 candidatos, entre os quais figuravam monstros sagrados da política tupiniquim, como Ulysses Guimarães e Mário Covas. Graças ao dedo podre dos apedeutas votantes, o segundo turno reuniu o que havia (e continua havendo) de pior em termos de populismo e demagogia sórdida. Ao fim e ao cabo, o sacripanta de direita venceu o salafrário de esquerda.

Como dito linhas acima, naquela época o mandato presidencial era de 5 anos, sem direito a reeleição. Mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca termine: em 1997, um FHC picado pela mosca azul usou e abusou de meios não exatamente ilibados — embora não inusitados à luz de como funciona a política no Brasil — para alterar a Constituição de maneira a implementar a reeleição de presidente e vice-presidente (apenas uma vez para um mandato subsequente, mas sem restrição para um pleito não consecutivo).

Como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas fruiu do desserviço que ele e seus cupinchas prestaram à Nação, mas também abriu espaço para o projeto de poder lulopetista, que durou exatos 13 anos, 4 meses e 11 dias (considerando os dois mandatos do ex-presidiário e os 5 anos e fumaça durante os quais sua sucessora incompetenta "fez o diabo" para destruir a economia nacional).

O Brasil daria um grande passo se aprovasse o fim da reeleição. A proposta de emenda constitucional está pronta para ser votada pelo Senado, mas é difícil construir esse tipo de ajuste quando todos os adversários do sultão do bananistão querem vencer a disputa em 2022. Como a política permite todos os tipos de sonhos, alguns já se enxergam eleitos e fazem planos para 2026, parecendo não se dar conta de que, por pior que seja o atual governo, o general da banda, aboletado na cadeira da Presidência, goza de uma situação mais confortável que a dos adversários.

Com a chave do cofre nas mãos e dois mandachuvas do Centrão lhe dando respaldo (por motivos que não vem ao caso discutir neste momento), o inferno é o limite para o capetão-negação exacerbar seu populismo eleitoreiro. E como desgraça pouca é bobagem, o leque de a janela de oportunidade para o impeachment do lunático despirocado fica mais estreita à medida que a eleição se aproxima.

Observação: Vale destacar que todos os presidentes que concluíram seus mandatos e disputaram a reeleição (FHC, Lula e Dilma) foram reeleitos. Isso não significa que esse "dogma" não possa ser quebrado, mas, sim, que, se a terceira via não se consolidar, teremos em 2022 uma reedição do pleito plebiscitário de 2018, com a diferença de que em 2018 não faltaram a Bolsonaro cabos eleitorais de peso, como Lula na cadeia, Haddad de bonifrate, a facada do maluco (que livrou o psicopata de participar dos debates), o estelionato eleitoral, o impulsionamento espúrio nas redes sociais, a confiança representada por Paulo Guedes na Economia e Sergio Moro na Justiça.

Sabíamos que Bolsonaro carecia de competência, preparo e envergadura para presidir o que quer que fosse, inclusive carrinho de pipoca em porta de cinema. Mas a perspectiva de ver o país ser governado por um criminoso condenado e preso... Enfim, apostamos nossas fichas e torcemos para a emenda não saísse pior que o soneto, mas diz um ditado que basta fazer planos para ouvir a gargalhada do diabo.

Observação: A expressão "pior a emenda que o soneto" surgiu quando Bocage recebeu de um jovem aspirante a poeta um soneto para correção, e o devolveu sem nenhuma marcação. Perguntado pelo pupilo se não havia nada a ser corrigido, o mestre respondeu que, dada a quantidade de erros, "a emenda ficaria pior que o soneto".

Parafraseando o "enviado pela Divina Providência para acabar com a fome, presentear a imensidão de desvalidos com três refeições por dia e multiplicar a fortuna dos milionários", nunca antes na história deste país o Palácio do Governo amargou um inquilino tão indiferente à dor alheia, que tanto despreza a Democracia e o Estado Democrático de Direito e odeia a liberdade de expressão, a imprensa e qualquer um que ouse discordar de sua elevada opinião. 

Do cruel “e daí?” ao “cale a boca”, passando pelo churrasco da morte (que depois fomos instados a acreditar que não passava de uma pilhéria), o Mefistófeles de botequim deixou de ser o palhaço negacionista da “gripezinha” para concorrer como franco-favorito ao título de Monstruosidade Pública Número 1 — embora estufe o peito e se jacte de ter sido eleito "personalidade do ano" pela revista Time.

Nos anos 1970, durante a ditadura militar, Pelé avisou: "os brasileiros não sabem votar". E o tempo demonstrou que ele estava coberto de razão. Da mesma forma que jabuti não sobe em árvore (se está lá, foi enchente ou mão de gente), político não brota em seu gabinete por geração espontânea (se está lá, é porque votaram nele). 

É impossível discordar de Pelé, mas sempre há quem se recuse a ver o que está bem diante de seu nariz — não por falta claridade, mas, sim, de acuidade visual. Para um um cego, tanto faz se a luz estiver acesa ou apagada. E não é preciso ser cientista político para ver que a agenda nacional ocupa, mal e parcamente, o primeiro ano e meio de mandato — no segundo ano, o presidente de turno se preocupa com os pleitos municipais, que servem de ensaio para a disputa presidencial que ocorrerá dois anos depois, e quando se vai ver, os quatro anos se foram e o mandato terminou.

Esperar demais das pessoas é carimbar o passaporte rumo à decepção, e achar que a liturgia do cargo transformaria em estadista um dublê de mau militar e parlamentar medíocre foi ignorar os ensinamentos da fábula do sapo e o escorpião. Governar vai muito além de ganhar eleições, notadamente em tempos de guerra. Parafraseando FHC — que não foi um estadista como manda o figurino, mas, noves fora o episódio lamentável da PEC da Reeleição, foi o presidente "menos pior" que tivemos desde a redemocratização —, “você não lidera dando ordens ao povo, mas fazendo com que o povo siga junto com você”.

Se a maioria apedeuta aprendesse a votar, a minoria pensante não seria obrigada a escolher, a cada eleição, de qual borda da Terra (plana) pular para o inferno. Infelizmente, esse tipo de situação se tornou regra na "Nova República" e, pelo visto, a próxima eleição não será exceção. Com base no que se vê até onde a alcança, a menos que a terceira via se consolide continuaremos navegando rumo a uma borrasca que tem tudo para se tornar a tempestade perfeita.

Continua no próximo capítulo.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Do you speak English?

Com a aproximação das férias de meio de ano, você tem que se decidir pelo merecido descanso ou pela viagem com que vem sonhando há tempos. E se o destino for algum país estrangeiro, cujo idioma você não domina, a coisa se complica um pouco.
Quem “se vira bem” em inglês não deve enfrentar grandes dificuldades nos EUA, Austrália e em grande parte da Europa, ao contrário de quem só “arranha” o Português. No entanto, mesmo não se propondo a fazer milagres, o site TRAVLANG (http://www.travlang.com/) pode ser uma mão na roda: basta você informar seu idioma nativo e o país para onde pretende viajar para obter um guia bem completo de expressões idiomáticas categorizadas (palavras básicas, números, frases específicas relacionadas a compras, endereços, datas e horas). Cada frase possui a versão escrita e falada, o que ajuda sobremaneira o interessado a treinar sua pronúncia.

Observação: Chega a ser engraçado ver as pessoas tentarem se comunicar num “portunhol” ininteligível quando na Argentina, Chile e outros países latino-americanos, já que o melhor é falar português, mas devagar, usando frases curtas e palavras simples pronunciadas de forma bem clara; se o interlocutor fizer o mesmo, ainda que em castelhano, você dificilmente passará fome ou deixará de encontrar o banheiro (risos).

Uma boa dica para “educar o ouvido” é assistir a filmes legendados, mas a dicção dos atores e a velocidade com que eles falam atrapalham um bocado. Como alternativa, experimente os “livros falados” disponíveis no site http://www.podiobooks.com/, que permite download e reprodução gratuita. Basta navegar pelas divisões de estilos e escolher o que for mais adequado ao seu gosto.

Passemos agora ao nosso tradicional humor de sexta-feira, hoje com a transcrição de um e-mail que recebi com um estudo antropológico-temperamental, digamos assim, sobre o comportamento de quatro categorias de mulheres (fina, comum, vulgar e depravada) nas mais variadas ocasiões. Acompanhe:


NO TOILETTE:
A fina não diz nada;
A comum: “Essa calcinha me incomoda”; 
A vulgar: “Odeio calcinha enfiada no rego”; 
E a depravada: “Fico puta com calcinha enfiada no cu”.


APÓS UM JANTAR:
“O jantar estava divino, parabéns.”
“Estou satisfeita.”
“Tô cheia.”
“Comi até o cu fazer bico.”


NO CHURRASCO:
“Está ótima essa lingüiça.”
“Muito boa essa lingüiça.”
“Noooosa, que lingüiça grande!”
“Tô adorando a lingüiça do churrasqueiro.”


VENDO UM AMIGO TOMANDO SORVETE:
“Posso experimentar?”
“Me dá um pedaço?”
“Posso dar uma chupada?”
“Deixa eu chupar? Não vou morder, garanto.”


COMO SE VESTEM:
“De acordo com o evento.”
“Sempre da mesma forma; jeans, camiseta e tênis.”
“Micro saia, bermuda agarrada”
“Frente única durante o dia, micro saia mostrando a calcinha à noite.


BEBIDAS:
“Champanhe, uísque ou vinho, conforme a ocasião.”
“Batida ou cerveja.”
“Cerveja, cachaça, conhaque, vodca, licor, água de bateria, etc.”


PROCURANDO O AMIGO NA FESTA:
“Você viu o Pedro?”
“Cadê o Pedro?”
“Pedroooooooooooo!!!”
“Caralho, onde o viado do Pedro se meteu?”


SAINDO DA MESA PARA IR AO BANHEIRO:
“Com licença, vou retocar a maquiagem.”
“Vou a toilette”.
“Vou tirar água do joelho (risos).”
“Vou fazer um download, soltar um barro, matricular o Pelé na natação (gargalhada).”

O restante fica para a próxima sexta.
Bom final de semana a todos.

domingo, 8 de janeiro de 2023

A GENTE NÃO SABEMOS DE NADA


 
"A gente não sabemos escolher presidente", sentenciou a banda Ultraje a Rigor em um clássico profético dos anos 1980. Quatro décadas depois, mesmo com impeachment e prisão de ex-presidente, as escolhas continuam duvidosas e o país continua do mesmo jeito. Pelé, o eterno rei do futebol, rimou com a banda de Roger por antecipação ao dizer, ainda na década de 70, que "o brasileiro não estava preparado para votar".

Vivemos num país tão surreal quanto as pinturas de Dali. Nossa independência foi comprada. A Proclamação da República foi o primeiro de uma série de golpes militares. Dos 38 presidentes que governaram esta banânia desde 1989, oito, começando pelo primeiro, não terminaram seus mandatos. 

O Brasil avança  não graças aos governos que tem, mas apesar deles. Como desgraça pouca é bobagem, agora temos de lidar com "a volta dos que nunca se foram". 
 
A gente não sabemos escolher presidente. Mesmo. E nem parlamentares. Para a Câmara, já elegemos palhaços, iletrados, e até ator pornô. No Senado, conseguimos colocar a espetacular Damares Alves, mestre em ciências ocultas e doutora em letras apagadas (exemplo que dispensa o acréscimo de outros).

 

A vida e feita de escolhas, ensinou o oncologista Nelson Teich em 15 de maio de 2020, ao comunicar que havia escolhido deixar o Ministério da Saúde. E o brasileiro é mestre em fazer as piores escolhas. Sempre. No Rio de Janeiro, o governador eleito em 2018 na esteira de Bolsonaro foi afastado. Entre seus predecessores, Pezão, Cabral, Anthony e Rosinha Garotinho e Moreira Franco foram parar na cadeia.

 

Escolhas erradas são um traço cultural do brasileiro, adquirido a base de Educação paupérrima. O que nos leva a Tite, ou melhor, ao fiasco da seleção brasileira na Copa de 2022. Não culpemos o professor por levar o Daniel Alves ou por ele não ter colocado Neymar no lugar de Rodrygo para bater o primeiro pênalti. Ele foi só mais um brasileiro exuberando em seu direito de escolher tudo errado. Afinal, a gente não sabemos nem ganhar Copa do Mundo. 


Inspirado num texto de Mentor Neto

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

HOJE SERÁ ONTEM AMANHÃ

A MELHOR FORMA DE VOCÊ PREVER O FUTURO É CRIÁ-LO. NÃO IMPORTA QUE ELE SE TRANSFORME EM PASSADO ANTES DE VIRAR FUTURO, MAS, SIM, QUE SEJA BOM PARA VOCÊ.

Na véspera da virada do ano, o Worldometer contabilizava 140 milhões de nascimentos e 67 milhões de mortes em 2022. Entre outras personalidades célebres, reverteram ao Criador Elizabeth II,  Jô Soares, Éder Jofre, Gal Costa, Erasmo Carlos, Rolando Boldrin, Arnaldo Jabor (não necessariamente nessa ordem) e, no apagar das luzes, o "rei" Pelé (29/12) e o papa emérito Bento XVI (31/12). 

Todo final de ano, videntes, cartomantes e futurólogos "preveem" o desaparecimento de famosos, mas não os citam nominalmente. Seus vaticínios são como os dos horoscopistas de tabloides, tipo "aquarianos precisam cuidar melhor da saúde", "librianos devem evitar investimentos arriscados" e "piscianos podem esperar novidades no campo sentimental”. O Sars-CoV-2 surgiu na China no final de 2019, mas eu não me lembro de ter lido nenhuma previsão dando conta da pandemia que esse vírus maldito causaria. Nem de que Putin invadiria a Ucrânia, embora houvesse sinais claros de que isso viria a acontecer.
 
O mundo é regido por uma lei de permanência. Apesar de estar sempre morrendo, a vida está sempre renascendo. A dissolução apenas dá à luz novos modos de organização. Uma morte é a mãe de mil vidas. Cada hora não passa de uma prova do quão efêmero (apesar de seguro e certo) é o todo. É como uma imagem refletida nas águas, que permanece a mesma apesar de o rio continuar fluindo. O sol se põe, mas nasce de novo. O dia é engolido pela noite escura e volta a brotar dela, tão novo como se nunca tivesse sido extinto. 
 
A primavera se transforma em verão, atravessa o outono, vira inverno, e então retorna em grande estilo, triunfando sobre a sepultura, apesar de seguir a passos apressados e firmes em direção à morte desde o início dos tempos. Lamentamos os desabrochares de setembro porque as flores vão secar e morrer, mas sabemos que setembro irá se vingar de junho com a revolução daquele ciclo solene que nunca para, e que nos ensina a ser sempre sóbrios, mas esperançosos. 
 
Astrólogos afirmam que o fim da quadratura Saturno/Urano — que marcou os anos de 2021 e 2022 com muita instabilidade — fará de 2023 um ano melhor. Eu torço por isso, mas, como dizem os gringos, hoping for the best but expecting the worst.
 
O presidente eleito, dizem os adivinhos, deve esperar um ano de muita oposição e cobrança (eu cheguei a essa mesmíssima conclusão sem consultar a posição de Saturno em relação ao Sol no mapa da Independência — segundo a qual o povo (Lua) não terá suas necessidades supridas no primeiro ano do novo governo, mas sentirá uma grande diferença em relação à gestão anterior (finalmente se descobriu que merda fede). 
 
Observação: Plutão perdeu o status de planeta há quase duas décadas, mas os astrólogos ainda o consideram como tal e o associam ao poder (!?). E com Saturno em Peixes (dizem eles), os governantes terão de lidar com desastres naturais e outras ocorrências que tais. 
 
Saturno passou pela casa 1 do mapa da Independência do Brasil pela última vez entre 1994 e 1995, quando o Plano Real pôs fim a uma hiperinflação surreal e galopante. Peixes é o signo da empatia, mas as Lulas surgiram no período Cambriano e têm grande importância para comunidades bentônicas (que habitam o fundo do mar) e pelágicas (que vivem na coluna d´água). 

Na economia, astrologicamente, pode haver melhoras lentas e graduais; na Saúde, devido à pandemia, questões como depressão e ansiedade continuarão presentes.

Que Deus se apiede de nós.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

MAIS SOBRE O SALSEIRO DA TERCEIRA VIA E O GOVERNO IMPOLUTO DO CAPITÃO


O famigerado bloqueio criativo — que transforma a tela em branco com o cursor piscante no maior pesadelo de quem escreve — vem perdendo espaço para ansiedade produzida pela enxurrada de descalabros que os noticiários estampam um dia sim e no outro também. 


A péssima escolha que fizemos em 2018 (por absoluta falta de opção) para exorcizar o lulopetismo corrupto foi, em grande medida, o estopim dessa tragédia, mas é preciso lembrar que, noves foram os devotos da seita do inferno, ninguém imaginava que o bolsonarismo boçal poderia ser tão nefasto.

 

Torno a relembrar que maus agentes públicos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea; só foram parar lá porque contaram como o aval do eleitorado. Vale conferir o que disseram Pelé —o eterno Rei do Futebol — e Figueiredo — o general-presidente que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo — sobre o risco de misturar brasileiros e urnas em pleitos presidenciais. 


Churchill disse que a democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras, mas anotou que o melhor argumento contra a democracia é uma conversa de cinco minutos com um eleitor mediano. 

 

A novela a que vimos assistindo desde meados da semana passada está assim: Sergio Moro e João Doria desistiram de disputar a Presidência e, ato contínuo, desistiram de desistir. Moro e Eduardo Leite tentam emplacar seus nomes para representar a terceira via liderando uma chapa presidencial que envolve o MDB, PSDB e União Brasil. Faltou combinar com Doria, mas tudo bem. 

 

Por enquanto, apenas Moro se pronunciou sobre o encontro — por meio de nota, ele disse que conversou com Leite sobre a "necessidade de união do centro”, que está sendo liderada no União Brasil por Luciano Bivar, presidente nacional da sigla. Ciro Gomes se recusa a participar dessas articulações; se não desistir no meio do caminho, o político cearense nascido em Pindamonhangaba (SP) disputará a Presidência pela quarta vez. 


A conferir.

quarta-feira, 23 de março de 2022

PRIVACIDADE NA WEB — CONVERSA PRA BOI DORMIR?

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.

Privacidade na Web é como honestidade na política: história para boi dormir. 

No que tange especificamente à política, o remédio são as urnas — ou seriam: como bem disseram o “rei” Pelé e o general Figueiredo, o brasileiro não sabe votar

Na Web, vimos em diversas oportunidades que a navegação anônima (in-private) ajuda a resguardar nosso privacidade, que o Tor Browser é sopa no mel, que uma VPN é ainda mais eficiente, e que, como é sempre melhor pingar do que secar, devemos ao menos apagar o histórico de navegação, os cookies e outros dados “sensíveis”.

Para fazer isso no Chrome, clicamos em Configurações (os três pontinhos no final na barra de endereços) > Mais Ferramentas > Limpar dados de navegação > Eliminar os seguintes itens desde, escolhemos uma das opções disponíveis (sugiro desde o começo) e marcamos as caixas de verificação ao lado dos itens que queremos eliminar (sugiro limitar-se às primeiras quatro opções). Ao final, clicamos em Limpar dados de navegação, reiniciamos o navegador e conferimos o resultado (para não meter os pés pelas mãos, siga este link e leia atentamente as informações da ajuda do Google antes de dar início à faxina).

No Mozilla Firefox, clicamos no botão Abrir menu (também localizado no canto direito da barra de endereços, mas identificado por três traços horizontais), clicamos em Opções > Privacidade e Segurança > Cookies e dados de sites, clicamos no botão Limpar dados e reiniciamos o navegador. 

No Edge Chromium, clicamos no ícone das reticências (no canto superior direito da janela), depois em Configurações > Privacidade, pesquisa e serviços e, em Limpar dados de navegação, selecionamos Escolher o que limpar, definimos um intervalo de tempo no menu suspenso e os tipos de dados que queremos limpar, clicamos em Limpar e reiniciamos o navegador.

No Opera, clicamos no botão Menu (no canto superior esquerdo da janela), em Configurações > Privacidade e segurança > Limpar dados de navegação; feitos os ajustes desejados, pressionamos o botão Limpar dados de navegação e reiniciamos o navegador.

Usuários mais “comodistas” podem preferir configurar a exclusão automática desses dados. Para não “espichar” demais esta postagem e considerando o Chrome é o browser mais popular do planeta, clique aqui para saber como proceder.

Se você usa o Chrome para Android no smartphone, abra o navegador, toque nos três pontinhos (no canto superior direita da janela), depois em Histórico e em Limpar dados de navegação. Ao lado de "Período", selecione a parte do histórico que você quer excluir (para limpar tudo, toque em Todo o período). Selecione "Histórico de navegação", desmarque todos os dados que você não quer excluir e toque em Limpar dados.

Observação: É possível excluir partes específicas do seu histórico. Para pesquisar algo específico, toque em Pesquisar (ícone da lupa no canto superior direito).

Se não quiser que o Chrome salve seu histórico de navegação, utilize a navegar com privacidade usando o modo de navegação anônima.