terça-feira, 14 de março de 2017

FAVORITOS E AM-DEADLINK

NINGUÉM SE CONFORMA DE JÁ TER SIDO.

Conforme navegamos pela imensidão da Web, é comum irmos parar no site do YouTube, por exemplo, embora nossa intenção original fosse cotar preços de pendrives.

Usuários mais “focados” até resistem a essa tentação e conseguem deixar tais distrações para outra hora, mas se até lá o histórico de navegação já tiver sido apagado ― coisa que, por questões de segurança, a gente deve fazer ao final de cada sessão de navegação ―, aí a porca torce o rabo.

Por conta disso, os navegadores permitem armazenar os URLs numa pasta (bookmarks ou favoritos, conforme a denominação utilizada pelo programa), e a partir dele retornar mais facilmente às páginas que despertaram nosso interesse, mas que por algum motivo não pudemos explorar naquela oportunidade. No entanto, alguns “favoritos” que salvamos podem deixar de funcionar, mudar de endereço ou simplesmente ser removidos da Web, e se mantê-los na nossa lista não faz sentido, testar os favoritos, um a um, para descobrir quais entradas não funcionam ― ou mesmo remover redundâncias desnecessárias ― é um procedimento trabalhoso e enfadonho.

A boa notícia é que o freeware AM-DeadLink facilita sobremaneira esse processo. Basta clicar neste link, baixar os arquivos de instalação, selecionar o idioma desejado (Português BR, no caso dos internautas tupiniquins), rodar a ferramenta, definir o navegador desejado (no canto superior esquerdo da janela), comandar a busca (pelo botão verde), aguardar o sinal sonoro e vasculhar a lista dos favoritos, que exibe o status de cada um deles e outras informações importantes (caminho, pasta, tipo de erro, etc.).

As entradas problemáticas são grafadas em vermelho (convém clicar em Bookmarks > Colocar Bookmarks com erro no topo da lista para facilitar a análise) e acessar os sites em questão a partir da pasta Favoritos (ou Bookmarks) do seu navegador.

Observação: Às vezes, um site deixa de responder devido a problemas momentâneos com o servidor que o hospeda; portanto, não apague a entrada sem antes tentar acessar a página novamente em outra oportunidade. Alternativamente, acesse http://www.downforeveryoneorjustme.com/, digite o URL da página que você não está conseguindo acessar na caixa de diálogo, tecle Enter (ou clique em “or just me”, tanto faz) e confira o resultado.

Para localizar entradas duplicadas, torne a clicar no menu Bookmarks e selecione “Mostrar Bookmarks duplicados”; para mais informações, consulte a ajuda do programa.

PADILHA E A JARARACA

Citado por delatores da Lava-Jato, o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha retorna à Brasília após ser submetido a uma cirurgia de próstata no último dia 27, embora afirme que volta para trabalhar, fontes ligadas ao Planalto sinalizam que seu destino é incerto. Diz-se à boca-pequena que Temer vai cobrar explicações sobre as denúncias, e que Padilha ― um dos maiores articuladores do governo ― pode acabar se retirando de cena, talvez indefinidamente.

Para Jucá ― outro articulador importante e igualmente delatado na Lava-Jato ―, Padilha é uma peça importante do governo, e “enquanto tiver a confiança de Michel, a decisão de mantê-lo caberá a Michel”. Caju disse também “estar tranquilo” em relação à lista de Janot. Acredite quem quiser.
A posição de Temer é delicada. A volta do ministro recoloca o Planalto no palco da Lava-Jato, mas seu afastamento deixaria o presidente sem seu principal articulador ― ou, como dizem alguns, o “cérebro” do governo. O fato é que Padilha era o negociador da reforma da Previdência junto ao Congresso, e alguns caciques peemedebistas dizem até que Yunes o atacou para “blindar” Temer nas denúncias da Lava-Jato.

Na última sexta-feira, a situação se complicou: o delator José Carvalho Filho, ex-funcionário da Odebrecht, afirmou em depoimento no TSE que negociou diretamente com Padilha repasses de R$ 4 milhões para o PMDB, e que o ministro foi procurado depois de reclamações do ex-deputado Eduardo Cunha de que não recebera seu dinheiro. Segundo o depoente, Padilha deu senhas para os repasses, e a última parcela foi de R$ 500 mil.

Pelo visto, honestidade, em Brasília, é algo tão raro quanto nota de US$ 100 em bolso de pensionista da Previdência. Não é à toa que Lula, o comandante-chefe da ORCRIM segundo o Ministério Público, nem chega a corar quando se autodeclara “a alma viva mais honesta do Brasil”.

Falando no capo di tutti i capi, de tanto repetir a falácia que criou para ilaquear a boa-fé dos otários, é possível que até ele acredite em seu retorno à presidência da Banânia. Aliás, diante dessa perspectiva surreal, melhor seria devolvermos o Brasil aos silvícolas com um pedido de desculpas pelo estrago e torcermos para que espanhóis ou ingleses redescubram a terra onde “em se plantando, tudo dá” ― nada contra os portugueses, mas só é permitido errar uma vez; da segunda em diante não é erro, é burrice...

Os petistas vêm farejando uma possível prisão de Lula em maio ― mês em que o petralha deverá depor ao juiz Moro. Segundo O Globo, a militância vermelha pensa em organizar uma caravana para cercar o prédio do tribunal. O Antagonista diz que será difícil reunir muita gente, pois até lá o indigitado estará completamente desmoralizado pelos depoimentos de Emilio e Marcelo Odebrecht, Pedro Novis e Léo Pinheiro.

Lula deve depor nesta terça-feira, em Brasília ― além dos dois processos na 13ª Vara Federal de Curitiba, o petralha é réu em mais três ações penais, e outras certamente virão com os cerca de 80 pedidos de abertura de inquérito que Janot encaminhou ao ministro Fachin, respaldado nas delações dos 77 da Odebrecht. Mesmo assim, ele se reuniu com líderes do PCdoB, na semana passada, para confirmar que será candidato à presidência. “Para vocês posso dizer: eu serei candidato à Presidência da República”, publicou O Estadão.

Segundo O Antagonista, os comunas, que não são bobos nem nada, sabem que essa candidatura é mera cantilena para dormitar bovinos. O site afirma que o PCdoB “já faz previsões para se descolar do PT, lançando o governador do Maranhão, Flávio Dino, à sucessão do presidente Michel Temer”.
Neste editorial, o Estadão explicou o desespero do petralha. Destaco um trecho: “É compreensível que [Lula] queira antecipar o processo eleitoral de 2018, manifestando desde já sua disposição de concorrer uma vez mais à Presidência da República. Com tal gesto, ele evidencia o duplo desespero que o move: o medo de ser condenado e preso e o temor de ver extinto o seu partido político, afogado no mar de lama que ele mesmo criou”.

O fato é que Lula quer oficializar sua candidatura antes de ser confrontado pelo juiz Moro. Mas muita água vai rolar antes disso. Nesta semana ― em que a Lava-Jato completa 3 anos ―, Emilio Odebrecht e Pedro Novis, em depoimento no processo contra Palocci, devem explicar que o Italiano administrava a conta corrente da propina do PT e que seu chefe era Lula. Em 10 de abril, Marcelo Odebrecht será interrogado no mesmo processo, e deve dizer que, além de administrar a propina destinada ao PT, Palocci administrava também o mata-bicho destinado à Jararaca, depositado na conta corrente “Amigo”. No dia 20 [de abril], Léo Pinheiro, da OAS, deve repetir o que já disse à PGR, ou seja, que o triplex foi descontado da conta da propina do PT e que Lula sabia de tudo. Mais alguns dias e teremos acesso aos depoimentos de Alexandrino Alencar e outros delatores da Odebrecht, que vão detalhar os pagamentos para a reforma do sítio do Lula, para a compra do terreno do Instituto Lula, para a compra da cobertura do Lula, para as palestras do Lula, para o marqueteiro do Lula em países da América Latina e da África, para o filho do Lula, e por aí segue essa execrável procissão.

O petralha tem muito com que se preocupar nas próximas sete semanas. O ambicioso projeto de voltar ao Planalto deveria ser a menor dessas preocupações, até porque não faz sentido um penta-réu (em via de se tornar hexa) candidatar-se à presidência da República. Mas estamos no Brasil, que Charles de Gaulle já dizia não ser um país sério. Voltarei a esse assunto numa próxima oportunidade.

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segunda-feira, 13 de março de 2017

TRADUÇÃO EM UM CLIQUE COM O GOOGLE CHROME

EXISTEM SITUAÇÕES EM QUE ATÉ OS IDIOTAS PERDEM A MODÉSTIA.

O inglês é padrão na Web, mas a familiaridade que muitos de nós têm com o idioma do Tio Sam não vai muito além do “the book is on the table”. Felizmente, existem ferramentas, como o Google Tradutor, que traduzem palavras, frases e blocos de texto com uns poucos cliques do mouse ― e não só do inglês para o português, naturalmente, mas de mais de 100 idiomas (talvez essas traduções não sejam lá essas coisas do ponto de vista gramatical, mas é inegável que ajudam um bocado).

Enfim, a boa notícia é que usuários do Chrome podem realizar as traduções mais facilmente, com uns poucos cliques do mouse. Para tanto, basta fazer os ajustes sugeridos pelo portal de tecnologia Techtudo:

1 ― Primeiramente, você deve baixar a extensão Google Dictionary a partir do Chrome Web Store.

2 ― Depois de instalar a extensão e receber a confirmação, acesse o menu de personalização do browser, clique em Mais Ferramentas > Extensões e, na página que é exibida em seguida, vá até Google Dictionary (by Google) e clique em Opções.

3 ― Na tela seguinte, em My language, selecione Brazilian Portuguese e marque as opções Display pop-up when I double click a word e Display pop-up when I select a word or phrase. Feito isso, clique em Save e reinicie o navegador.

Agora, quando você acessar uma página internacional, basta selecionar a palavra ou o bloco de texto e cliqcar no ícone que representa o Google Dictionary, no canto superior esquerdo da barra de endereços, para visualizar instantaneamente a tradução em português.

LULA E SUA COLEÇÃO DE DERROTAS

Sem elementos sólidos para se defender da caudalosa enxurrada de denúncias envolvendo sua abjeta pessoa, o ex-presidente petralha afronta o Judiciário, rosna bazófias contra a mídia e as “zelites” e culpa o juiz Moro por todos os males do mundo, enquanto a militância acéfala reverbera suas asnices e dá asas a seus delírios de voltar ao Palácio do Planalto ― que Deus nos livre de tamanha desgraça. Todavia, a despeito da equipe de causídicos especializados em absolver culpados mediante honorários cobrados em dólares por hora, que abusam do atrevimento nas audiências e insistem em transformar casos de polícia em causas políticas, Lula vem colecionando derrotas.

Observação: Como bem lembrou Augusto Nunes em sua coluna, se a saúde financeira do Instituto Lula foi devastada pela retração dos fregueses da Lava-Jato, se o Bill Clinton de galinheiro não recebe convites para palestras desde junho de 2015, se as mediações bilionárias do camelô de empreiteiras foram prudentemente suspensas, de onde vem o dinheiro para bancar a gastança com rabulices? Aí tem...

Voltando aos revezes granjeados por sua insolência, lembro a resposta da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que mandou-o plantar batatas, e o passa-moleque com que o brindou o juiz José Zoéga Coelho, no último dia 3, ao absolver Joice Hasselmann no processo por calúnia, injúria e difamação antes mesmo que a jornalista apresentasse sua defesa. Segundo o magistrado, “a simples leitura da queixa, tal como oferecida, já denota que os fatos ali narrados não constituem crime”, e “a evidente gravidade dos dizeres dirigidos ao querelante (Lula) mostra-se francamente proporcional à extrema gravidade dos fatos notórios, que a tempo da publicação no blog já eram de amplo conhecimento público”. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo, e a renca de causídicos insaciáveis certamente não perderá a chance de faturar mais uma grana ― no que faz muito bem.

Para encerrar em grande estilo: Na última sexta-feira, a 4ª Seção do TRF da 4ª Região rejeitou por unanimidade a queixa crime movida pelo molusco contra o juiz Sergio Moro, com base na condução coercitiva do petralha para depor, em março do ano passado, bem como nos mandados de busca e apreensão de bens e na interceptação de conversas telefônicas ― aí incluída aquela em que Dilma dizia estar enviando pelo Bessias o termo da nomeação [do petralha para a Casa Civil], para Lula usar só em "caso de necessidade” (ou seja, se a PF aparecesse na sua porta com um mandado de prisão preventiva).

Observação: Essa célebre conversa originou um inquérito contra Dilma e Lula por obstrução da Justiça, e só não resultou na prisão do petralha porque Teori Zavascki avocou a competência do Supremo, fechando a janela de oportunidade (Dilma, à época, ainda era presidente da República e, portanto, gozava de prerrogativa de foro). Volto a esse assunto na próxima postagem.

A advogada Rosângela Wolff Moro, esposa do magistrado e responsável por sua defesa, classificou a ação como uma tentativa de intimidar o Poder Judiciário e lembrou uma das falas captadas na interceptação, em que o ex-presidente afirmava que os juízes “têm que ter medo”. Ao defender a busca e apreensão autorizada por Moro, a causídica ressaltou que “foram colhidos elementos probatórios relevantes, como objetos pessoais do ex-presidente no já notório Sítio de Atibaia, a indicar, aparentemente, que ele é o real proprietário (...) Não houve qualquer crime de abuso de autoridade, sequer ilegalidade, na decisão judicial”.

Os advogados de Lula devem apelar; afinal, precisam justificar sua nababesca remuneração.

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domingo, 12 de março de 2017

O SUPREMO EM XEQUE ― Miguel Reale Júnior*

Independentemente da discussão sobre o cabimento ou a limitação do foro privilegiado, debatendo-se sua eliminação total ou restrição, há de se ver, com absoluto pragmatismo, a existência de problema extremamente grave para a Justiça brasileira: a tramitação, neste momento, de elevado número de inquéritos policiais e de processos criminais no Supremo Tribunal Federal tendo por investigados ou réus deputados e senadores.

Recentemente, na Ação Penal 937/ RJ, o ministro Luís Roberto Barroso, em despacho, destacou: “As estatísticas evidenciam o volume espantoso de feitos e a ineficiência do sistema. Tramita atualmente perante o Supremo Tribunal Federal um número próximo a 500 processos contra parlamentares (357 inquéritos e 103 ações penais)”.

A demora na instauração da ação penal ou no arquivamento de inquérito policial e, posteriormente, a longa tramitação do julgamento têm conduzido a um descrédito da Justiça. O Supremo em Números, da FGV Direito Rio, mostra que de janeiro de 2011 a março de 2016 apenas 5,8% das decisões em inquéritos no STF foram desfavoráveis aos investigados ― com a abertura da ação penal. Ainda segundo a pesquisa, o índice de condenação de réus na Corte é inferior a 1%.

Conforme indicam informações do próprio Supremo, cerca de 30% dos processos contra parlamentares perduram dez anos sem julgamento e outros 40% estão faz mais de seis anos à espera de ser apreciados. Grande é o número de feitos que tem extinta a punibilidade pela prescrição. A morosidade se dá não apenas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, mas na atuação da Procuradoria-Geral da República e da própria Polícia Federal no exame dos inquéritos policiais e no cumprimento de diligências requeridas. Tal demora denota a ausência de maior entrosamento entre os partícipes da persecução penal no âmbito da instância máxima.

O distanciamento entre o Judiciário, a Procuradoria e a Polícia Federal pode explicar a falta de agilidade na complementação de inquéritos policiais e na abertura de ações penais ou pedido de arquivamentos em tempo razoável. Esse quadro conspira contra o Poder Judiciário, fazendo crer na existência de vantagem dos poderosos perante a Justiça Criminal. A evidente não alteração constitucional, em breve, do foro privilegiado exige, portanto, a tomada urgente de medidas emergenciais.

Assim, é imprescindível um esforço conjunto de todos os partícipes da Justiça Criminal da instância superior para enfrentar a avalanche de inquéritos e processos já existentes e os que hão de surgir em vista das delações homologadas e a serem homologadas envolvendo parlamentares e ministros em práticas delituosas. Para tanto, como sugere em voto apresentado no Instituto dos Advogados de São Paulo, sobre a matéria do foro privilegiado, o conselheiro Luiz Antônio Sampaio Gouveia, cabe o Supremo Tribunal valer-se do permitido pelo artigo 21A do Regimento Interno, segundo o qual, “compete ao relator (no STF) convocar juízes ou desembargadores para a realização do interrogatório e de outros atos da instrução dos inquéritos criminais e ações penais originárias, na sede do tribunal ou no local onde se deva produzir o ato, bem como definir os limites de sua atuação”. O § 1.º diz que “caberá ao magistrado instrutor, convocado na forma do caput: I – designar e realizar as audiências de interrogatório, inquirição de testemunhas; II – requisitar testemunhas e determinar condução coercitiva; III – expedir o cumprimento das cartas de ordem; IV – determinar intimações; V – decidir questões incidentes; VI – requisitar documentos ou informações existentes em bancos de dados; VII – prorrogar prazos para a instrução; VIII – realizar inspeções judiciais; IX – requisitar, junto aos órgãos locais do Poder Judiciário, o apoio de pessoal, equipamentos e instalações; X – exercer outras funções delegadas pelo Relator”.

Cumpre, então, (e é o mais importante) serem constituídas duas forças-tarefa. A primeira, no âmbito interno do próprio STF, para se empreender esforço no sentido de acelerar a instrução dos feitos em que são réus deputados e senadores. De outra parte, manter a competência do Supremo caso os réus renunciem ou por outro motivo percam os cargos parlamentares. Essa força-tarefa deve contar, nos termos do artigo 21A do Regimento Interno, com o concurso de desembargadores para conduzirem os feitos, sempre sob o controle de ministro do Supremo. Cabe programar a entrada em pauta de julgamento pelas turmas de um processo por semana.

A segunda força-tarefa, formada pelos desembargadores designados, há de ser constituída em conjunto com a Procuradoria da República e a Polícia Federal, visando à efetivação imediata das investigações determinadas em inquéritos sob a égide do Supremo Tribunal.

A Nação reclama uma resposta dos dirigentes da administração da justiça à notícia de cometimento de crimes contra a administração por agentes políticos, seja para iniciar, com dados concretos, os processos criminais, ou, na ausência de elementos de prova, serem arquivadas as delações infundadas.

Sugiro que órgãos como o Instituto dos Advogados de São Paulo, onde esta análise já se iniciou, a OAB, o Movimento de Defesa da Advocacia, a Associação dos Advogados de São Paulo, entidades da magistratura e do Ministério Público, ao lado de movimentos como o Vem Pra Rua, venham, em sintonia com a sociedade, se unir para levar esse pleito ao Supremo, à Procuradoria e à Polícia Federal.

A omissão será cobrada pela população. É, portanto, a hora de pôr mãos à obra e atuar em inquéritos e ações penais contra deputados e senadores com os meios existentes para salvaguardar a credibilidade do próprio Supremo.

*Miguel Reale Junior é advogado, ex-ministro da Justiça, professor titular sênior da Faculdade de Direito da USP e membro da Academia Paulista de Letras.

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sábado, 11 de março de 2017

DORIA NA PREFEITURA DE SAMPA

Desde o mês passado que eu venho ensaiando algumas linhas sobre a gestão de Doria, mas a trágica morte de Teori Zavascki, a conturbada homologação das delações da Odebrecht, a frequente queda de integrantes do alto escalão do governo Temer, o sorteio do novo relator dos processos da Lava-Jato no Supremo, a indicação de Alexandre de Moraes para o lugar de TZ, a demissão de Serra, o afastamento de Padilha, a possível cassação da chapa Dilma-Temer e outras questões de projeção nacional me levaram a sobrestar o assunto, que agora retomo com o tucano já no terceiro mês à frente da maior e mais rica metrópole do Brasil (quiçá da América Latina).

Com exceção da patuleia ignara, capitaneada pela militância inconformada com a derrota de Haddad e a derrocada do PT nas capitais e boa parte dos quase 5.600 municípios brasileiros, a população paulistana está satisfeita com o novo prefeito ― segundo dados divulgados em meados do mês passado, 50% dos entrevistados consideram sua gestão boa ou ou ótima, 30% classificam-na de regular, 10% a reprovam (dá-lhe, petralhada ignara) e outros 10% não souberam responder, comprovando, mais uma vez, o “elevado nível sociocultural” da nossa população e, por extensão, dos nossos eleitores.

Os programas de zeladoria da cidade, o retorno dos limites de velocidade nas marginais ao status quo ante e o Corujão da Saúde vêm sendo elogiados, sobretudo pela parcela da população com renda familiar superior a 10 salários mínimos (70%). Nas classes menos favorecidas, com renda igual ou inferior a 2 salários mínimos, a aprovação cai para 35%, mas para a maioria dos paulistanos a atual gestão será melhor do que a anterior ― e ainda que isso não passe de pura futurologia, não deixa de demonstrar a satisfação geral com a atuação do prefeito nos primeiros dois meses de governo.

Claro que não faltam críticas ao gosto refinado do tucano ― muitos se incomodam com sua predileção por cashmeres finos e tênis caros ―, às varrições simbólicas que ele promove nos finais de semana, paramentado de gari, e por aí afora. Curiosamente, Haddad era enaltecido quando fingia gostar de passear de bicicleta nas ciclofaixas mal-ajambradas ― que custaram os olhos da cara, nunca é demais lembrar ―, Doria é alvo frequente de ataques despropositados, frutos de puro revanchismo, da birra infantil dos inconformados com a derrota acachapante de seu predecessor (que ainda teve o desplante de disputar a reeleição) e da funesta facção criminosa fantasiada de partido político que tanto mal fez à nação a partir de 2003, quando o molusco abjeto se elegeu presidente da Banânia.

Igualmente claro que as críticas a Doria vêm de um segmento da imprensa ligado ao PT, aos petralhas, a seus pares do PCdoB, Rede, PSOL, PCB e aos inevitáveis líderes do MST e MTST, sindicalistas e integrantes de outras agremiações ditas “de esquerda”. Até a doação do salário de prefeito a instituições de caridade é motivo de chacota para seus detratores ― que parecem considerar R$ 18 mil “uma merreca”, embora esse valor, doado mensalmente para instituições necessitadas (a primeira foi a AACD), pode ser de grande serventia em tempos bicudos como os atuais. Aliás, o prefeito afirmou que doar o próprio salário é uma “política pública” de seu governo que deveria adotada por outros políticos (que vistam a carapuça aqueles em que ela servir).

O modelo adotado por Doria ― que não se tem na conta de político, mas de gestor, e também por isso é alvo de críticas por parte de quem não tem mais o que fazer ― deveria servir de exemplo para outros administradores públicos. Negociando pessoalmente com empresas potencialmente “apoiadoras”, ele já conseguiu medicamentos para suprir o déficit na rede pública, automóveis, motocicletas e equipamentos eletrônicos de sinalização para a auxiliar a CET na fiscalização do trânsito, 114 projetores para iluminar a Ponte Estaiada (Octávio Frias de Oliveira), itens de higiene para distribuição entre moradores de rua, e por aí vai. Trata-se de uma maneira engenhosa e inovadora de implementar melhorias sem onerar os cofres do município ― e, para não haver risco de uso dos recursos no custeio da máquina, o dinheiro não vai para o caixa com da prefeitura, mas para um fundo de investimento voltado a projetos nas cinco áreas consideradas estratégicas pelo prefeito (saúde, educação, mobilidade urbana, moradia e segurança).

Observação: Como parte desse plano de parcerias, Doria viajou ao Oriente Médio em busca de recursos para a recuperação e manutenção de 19 pontes das marginais do Pinheiros e do Tietê, além de negociar a venda do Autódromo de Interlagos e do complexo do Anhembi (Sambódromo, Palácio de Convenções e Pavilhão de Exposições), que devem render respeitáveis R$ 7 bilhões.

Na falta do que dizer, intelectualóides e jornalistas “de esquerda” rosnam que tudo isso não passa de pirotecnia midiática com fins eleitoreiros, primeiro para impulsionar a campanha de Alckmin ― padrinho político de Doria ― à presidência, e agora em causa própria, já que alguns segmentos sugerem que os tucanos teriam mais chances se o próprio Doria saísse candidato. O prefeito nega, naturalmente. Ele diz que foi eleito para administrar São Paulo, não para governar o Estado ou concorrer à presidência. Seus detratores, indiretamente, avalizam seu bom trabalho, na medida em que somente resultados positivos poderiam favorecer o PSDB no próximo pleito. Mas a semente já foi plantada. Se vai germinar, só o tempo dirá.

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sexta-feira, 10 de março de 2017

O APETITE PANTAGRUÉLICO DO FIREFOX POR MEMÓRIA RAM

O ÚLTIMO RECURSO DO PERDEDOR É NÃO ESTAR ERRADO.

Não é de hoje que eu venho dizendo que a maioria dos principais navegadores é muito parecida em termos de recursos e funções, o que leva a escolha do aplicativo para o campo das preferências pessoais.

Há coisa de um lustro que o MS IE passou a coroa e o cetro para o Google Chrome, que mantém a liderança desde então, seguido de longe pelo Mozilla Firefox. Todavia, uma queixa recorrente dos usuários do líder e do vice-líder remete à lentidão ― decorrente do alto consumo de memória dos browsers.

Numa sequência de postagens que eu publiquei no mês passado, vimos que é possível contornar esse problema ― que não é exatamente um defeito, mas sim uma característica do produto ― no Chrome com a instalação do plugin “Great Suspender”, que, depois de determinado tempo de ociosidade, “adormece” as tabs (abas) abertas, minimizando o consumo de memória. Para o Firefox, todavia, não existe uma extensão equivalente (pelo menos até onde eu sei), e, para piorar, a raposinha armazena em cache as últimas cinco páginas visitadas em cada tab ― pressupondo que o usuário fatalmente voltará a visitar as mesmas páginas (ou a algumas delas). E como tem gente que abre dezenas de abas durante uma sessão de navegação e não se preocupa em fechá-las quando não são mais necessárias, a conclusão é óbvia (sem mencionar que nem sempre basta fecha as tabs para forçar o navegador a devolver toda a memória que ele havia alocado; às vezes isso só acontece quando se reinicia o programa, e olhe lá).

Enfim, se, como eu, você utiliza regularmente o Firefox e se ressente do alto consumo de RAM (coisa que você pode acompanhar pelo Gerenciador de Tarefas do Windows, mas é melhor fazer com um gerenciador de memória ― como o do Advanced System Care, que desfragmenta a RAM, agiliza o acesso aos dados e recupera o espaço que alguns softwares malcomportados insistem em comprometer), é bom saber que pequeno truque para minimizar esse problema: batas digitar about:config na barra de endereços do Firefox, teclar Enter, clicar em “Eu aceito o risco”, digitar browser.sessionhistory.max_total_viewer no campo Localizar, dar um clique direito sobre a entrada em questão, selecionar Editar e, na caixa de diálogo, alterar o valor de -1 para 0, confirmar em OK e reiniciar o navegador.

Se, por alguma razão, você não ficar satisfeito com o resultado, repita os mesmos passos e reverta a configuração ao status quo ante. Simples assim.

VAMOS FATURAR?

Barack e Michelle Obama firmaram contrato com a tradicional editora Penguin Random House. Em troca de módicos US$ 30 milhões (cada um), eles vão escrever suas lembranças dos tempos em que ocuparam a Casa Branca.

Quando foi afastada da presidência, Janete ― a anta vermelha, senhora dos ventos e grande-chefa-toura-sentada ― aventou a possibilidade de publicar suas memórias. Fica aqui a dica, já que certa vez ela disse que é capaz de escrever melhor do que fala (pior seria impensável).

Outro que poderia se interessar pela ideia é Eduardo Cunha, que também aventou a possibilidade de publicar dois livros (?!) ― o primeiro, ainda em 2016. Parece que a ideia mixou, talvez por conta da delação dos 77 da Odebrecht, cujo conteúdo deve ser ainda mais bombástico do que os podres que o ex-presidente da Câmara poderia contar.

Lula, o senhor das palestras milionárias, fica de fora. Primeiro, porque ele orgulha de jamais ter lido um livro ― e provavelmente não se daria bem como escritor. Contratar um ghost writer está fora de cogitação, naturalmente: na cabeça do, seria preciso matar o cara quando a obra ficasse pronta, para evitar que que ele contasse seus segredinhos sujos.

Por outro lado, a julgar pelas denúncias de corrupção envolvendo o deus pai da petelândia, sua insolência já deve estar com as burras cheias. E considerando o que o espera depois que as cinco ações penais em que ele figura como réu (por enquanto), mais dinheiro não faria mesmo muita diferença. Quá, quá, quá!

E como hoje é sexta-feira:



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quinta-feira, 9 de março de 2017

GERENCIADOR DE SENHAS ― É SEGURO USAR? (Parte II)

MULHER EXPONDO TEORIA SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL É SOLTEIRA NA CERTA.

Muitos usuários questionam a segurança dos gerenciadores de senhas, achando que usá-los é o mesmo que delegar a alguém a tarefa de guardar suas chaves e as fornecer na medida das necessidades ― vai que uma hora esse diligente assistente falhe e entregue o ouro ao bandido... Infelizmente, essa possiblidade existe, mas o risco é maior se você simplesmente recorrer a senhas óbvias (fracas, mas fáceis de decorar) ou criar uma senha forte e usá-la para tudo.

Há também quem questione a segurança dos gerenciadores open-source, ponderando que qualquer um pode ter acesso ao código-fonte do software, e aí... Só que ter acesso ao código é uma coisa, modificá-lo para fazer o que você bem entender é outra. Além disso, é a senha ― e não o código ― que dá acesso aos dados criptografadas e armazenadas pelo aplicativo.

Note ainda que bugs e backdoors em programas de código aberto tornam-se conhecidos publicamente tão logo são descobertos, ao passo que, nos softwares proprietários, os desenvolvedores evitam divulga-los, para não dar a impressão de que seus produtos sejam inseguros (para saber mais sobre código aberto e proprietário, reveja esta sequência de postagens). 

Gerenciadores de senhas existem aos montes, mas você estará mais garantido com aplicativos desenvolvidos por empresas conceituadas (sugiro o Steganos Password Manager). Caso não possa ou não queira investir num programa pago, o RoboForm ― que gerencia senhas e informações de login, preenche dados exigidos pelos sites e serviços e ainda oferece um gerenciador de anotações, um gerador de senhas e um mecanismo de busca ― e o KeePass ― que dispensa instalação (roda direto de um pendrive ou de uma pasta no HD) e protege suas senhas com criptografia de 256 bits ― são boas alternativas gratuitas. Aliás, se você usa o Google Chrome, o plug-in LastPass pode ser uma mão na roda (mas não deixe de ler atentamente as informações antes de instalar a extensão)

A maioria dos navegadores se propõe a memorizar dados de login e informações básicas de formulários para autopreenchimento, o que é prático, pois desobriga o usuário de baixar e configurar uma ferramenta dedicada. Mas daí a ser uma opção segura vai uma boa distância, já que qualquer pessoa que tenha acesso ao computador (e que conheça o caminho das pedras) poderá descobrir as senhas salvas pelo navegador. No Chrome, basta você (ou quem quer que esteja usando o seu PC) acessar as configurações e clicar em um botão para exibir todas as senhas na aba de preferências. O Internet Explorer é mais seguro, pois não exibe as senhas salvas, mas isso pode ser contornado facilmente com ferramentas como o WebBrowserPassView, da Nirsoft, e se um aplicativo consegue recuperar esses dados, um malware instalado subrepticiamente no PC pode fazer o mesmo.

Observação: O WebBrowserPassView não é capaz de recuperar senhas protegidas por uma senha-mestra, e como o Firefox oferece essa proteção, ele se torna mais seguro do que seus concorrentes, mas você precisa configurá-lo adequadamente (clique em Configurações > Segurança e defina uma senha-mestra), já que o recurso não vem ativado por padrão.

Gerenciadores baseados na Web costumam oferecer recursos como a geração de senhas aleatórias seguras e armazenamento de informações adicionais (números de cartões de crédito e afins). Eles criptografam os dados e criam uma senha-mestra que somente o usuário conhece. A encriptação e decriptação ocorrem localmente, ou seja, no computador do usuário, e como as empresas não tem acesso a essa senha (ou chave criptográfica, melhor dizendo), um eventual ataque a seus servidores não colocará em risco a privacidade dos clientes.

O LastPass é líder entre os gerenciadores de senhas online porque é fácil de usar e pode ser bloqueado facilmente. Suas opções de segurança permitem que você adicione um forte esquema de autenticação em dois passos, restrinja o acesso por país e habilite recursos adicionais, como email de segurança dedicado e acesso móvel restrito (para saber mais, clique aqui).

FORA TEMER, A LAVA-JATO E O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Escrevi há pouco, num comentário a uma postagem de um amigo, que as manifestações populares previstas para este mês de março, em favor da Lava-Jato, são salutares, mas que o engrossamento da grita de “fora geral” é no mínimo preocupante. Como bem lembrou Guilherme Fiuza em sua coluna na revista Época desta semana, os célebres protestos de junho de 2013, cujo estopim foi o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, continuam sendo descritos por narradores diversos ― e o que não falta por aqui é narrador ― como um divisor de águas na política nacional. Todavia, aquele mar de gente nas ruas não chegou realmente a incomodar os verdadeiros responsáveis pela insatisfação geral.

Como sabemos hoje (e já era fácil enxergar em 2013), a derrocada econômica tupiniquim foi obra exclusiva da quadrilha que governava o país. Lula, Dilma, Mercadante e pouco distinta companhia fizeram a festa em pronunciamentos, coletivas, anúncios de reformas políticas, promessas de plebiscito e toda sorte de reminiscências de seus tempos de militância. Só que os delinquentes federais saíram ilesos ― e alguns foram até reeleitos.

Fato é que o impeachment, a mudança do partido no poder (?!), a prisão de Eduardo Cunha, a roubalheira gigantesca de Sérgio Cabral e outros escândalos trazidos à tona nos últimos meses levaram as massas a mudar o foco do PT para o PMDB. E se as próximas manifestações abraçarem a causa do “Fora Todo Mundo”, muito provavelmente vão se desmanchar na história como as de 2013, além de atrapalhar o trabalho da equipe econômica do atual governo, que, aos trancos e barrancos, está arrumando a casa.

O Brasil pode até ser maior do que a crise, mas se tem estrutura para passar por outra deposição presidencial num espaço de tempo tão curto já é outra história. E o pior é que, manifestações à parte, esse risco existe, sobretudo se as tentativas do Planalto de levar o TSE a separar as contas de Temer das de Dilma não lograrem êxito.

Uma possível cassação da chapa não teria maiores consequências para a anta vermelha, a não ser, talvez, a suspensão de seus direitos políticos por 8 anos. Do ponto de vista da “justiça poética”, isso até corrigiria a absurda decisão do Senado no processo de impeachment que a defenestrou a imprestável da presidência sem incompatibilizá-la com o exercício de cargos públicos (nem vou relembrar aqui quem armou essa jabuticaba, até porque falar em gente como Renan Calheiros e Ricardo Lewandowski me faz mal para o estômago). Para Temer, no entanto, a história é outra, pois ele perderia o mandato. Seus advogados insistem em que o TSE deve analisar separadamente as condutas de ambos, mas os defensores da mulher sapiens são contrários à separação, entendendo que, se suas contas estiverem atreladas às de Temer, ela terá mais chances de se safar.

Observação: Temer nunca negou que deu um jantar no Jaburu para diretores da Odebrecht e que ali se falou em doações. O próprio Marcelo Odebrecht afirmou que jamais tratou de valores com o então vice-presidente. Todo o acerto teria sido feito com Eliseu Padilha, contra quem pesa a delação de Cláudio Mello Filho, segundo o qual, no tal jantar, acertou-se a doação ao PMDB pelo caixa dois, e o ministro teria sido um dos operadores.

E o que acontecerá se Temer realmente for cassado? Diz o Art. 81 da Constituição que, vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga (e complementa em seu § 1º: ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei). Então, um novo presidente seria escolhido por eleição indireta, na qual votam apenas deputados federais e senadores, mas, nesse entretempo, quem comandaria o jogo? Rodrigo Maia, Eunício Oliveira ou Carmen Lucia?

O presidente da Câmara, primeiro da lista, é alvo de um inquérito sigiloso no STF, baseado em mensagens trocadas entre ele e Léo Pinheiro, dono da OAS, sobre uma doação de campanha em 2014. O presidente do Senado, segundo da lista, é citado nas delações de Delcídio do Amaral, Nelson Mello e Cláudio Melo Filho ― aliás, tanto Maia quanto Oliveira estão em excelente companhia, considerando que todos os ex-presidentes da República que ainda caminham pelo mundo dos vivos são alvo de delações e/ou figuram entre os investigados da Lava-Jato (o molusco, vale lembrar, já é penta-réu, e o placar deve subir nos próximos dias, quando a PGR der nomes aos bois nas delações dos 77 da Odebrecht).

Resta então a ministra Carmen Lucia, presidente do Supremo e, portanto, a terceira na linha sucessória. Sobre ela, eu não sei o que dizer. Segundo Elio Gaspari, a magistrada estaria bem cotada numa eventual eleição indireta para substituir Temer, e talvez até para disputar a presidência 2018. Mas ainda é um pouco cedo para se pensar nisso. Ou será que não?

Há quem garanta que a eleição do próximo presidente será direta, seja neste ano ou no ano que vem. De acordo com uma regra estabelecida na minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso em 2015, caso haja “decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário”, serão convocadas novas eleições no prazo de 20 a 40 dias (a eleição só seria indireta se o registro fosse cassado nos últimos seis meses do mandato). Outros, todavia, entendem que as eleições teriam de ser indiretas, pois a Constituição se sobrepõe ao Código Eleitoral. Segundo o TSE, há realmente duas legislações regulando essa questão, mas o texto da minirreforma eleitoral está “em plena vigência” e, portanto, as eleições seriam diretas (desde que a cassação decorresse de decisão da Justiça Eleitoral; do contrário, aplicar-se-ia o art. 81 da Constituição). A verdade é uma só: Ninguém sabe merda nenhuma! Nem mesmo o TSE! Como ainda não há jurisprudência sobre o tema, deve-se aguardar o julgamento do processo pelo Plenário do TSE (volto a este assunto com mais detalhes numa próxima oportunidade).

Enfim, gostemos ou não de Temer, aprovemos ou não sua “equipe de notáveis” ― que na verdade formam uma notável equipe enrolados na Justiça, tanto é que vêm caindo feito moscas, à razão de um por mês ―, não me parece ser o momento de torcer para que o depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE resulte na sua cassação. Até porque existe a possibilidade de o plenário da Corte aceitar a tese da divisão de chapa e merda cobrir Dilma e nem respingar em Temer. Mas o mais recente imbróglio envolvendo amigões do peito de sua excelência (leia-se José Yunes e Eliseu Padilha) é preocupante para o Planalto, que parece vir apostando suas fichas na lentidão do processo ― os depoimentos dos delatores da Odebrecht vão tomar tempo, novas testemunhas poderão ser arroladas, e por aí afora ― e na boa vontade do ministro, Gilmar Mendes, presidente do TSE, para empurrar o julgamento para o ano que vem. Isso sem mencionar que, na eventualidade de vir a ser cassado, Temer certamente irá recorrer STF para continuar no cargo, amparado por liminares, até o final do seu mandato (31 de dezembro de 2018). Mas, convenhamos, para um presidente que carece de apoio popular, isso reduziria ainda mais suas chances de êxito nas tão necessárias reformas e de entrar para a história como “o cara que recolocou o país nos trilhos”.

O mais irônico é que a economia vem exibindo sinais melhora ― pífios, é verdade, mas irrefutáveis ―, ao passo que a crise política só faz se agravar. Enfim, o jeito é acompanhar e ver que bicho dá.

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quarta-feira, 8 de março de 2017

GERENCIADORES DE SENHAS ― É SEGURO USAR?

A ÚNICA FORMA DE CONSEGUIR O IMPOSSÍVEL É ACREDITAR QUE É POSSÍVEL.

Boa parte das quase 3.000 postagens que podem ser revistas aqui no Blog tratam da segurança digital. Dessas, uma quantidade significativa remete a dicas para resguardar sua privacidade dos curiosos e amigos do alheio, e, dentre essas, multas tem a ver com senhas ― que, como sabemos, correspondem, no mundo virtual, às chaves que usamos no mundo real. E considerando que a gente não tranca a porta de casa ou do carro e deixa a chave pendurada na fechadura, tampouco devemos usar senhas óbvias ou deixar que outras pessoas tenham acesso a elas.

Escusado repetir as dicas básicas sobre senhas, até porque basta recorrer ao campo de buscas do Blog, inserir “senha”, “segurança” ou outro termo correlato e pressionar a tecla Enter para visualizar dúzias de sugestões pertinentes (se a preguiça for muita, limite-se a seguir este link). Dito isso, antes de passar ao mote desta postagem, vale lembrar que o grande problema com senhas seguras (ou fortes, isto é, difíceis de ser descobertas por terceiros) não está em criá-las, mas em memorizá-las, e que essa dificuldade cresce proporcionalmente ao número de aplicações que exigem logon, pois a prudência recomenda “não colocar todos os ovos no mesmo cesto”.

A explicação é a própria exaltação do óbvio, mas vamos lá: se você usar a mesma senha para tudo ― e, pior, se essa senha for o seu nome ou outro desatino como 123456, QUERTY ou PASSWORD ―, quem a descobrir terá acesso a tudo que você “trancou” com esse obelisco da segurança digital. E se você acha que estou exagerando, saiba que uma pesquisa feita pela empresa de segurança digital Keeper analisou 10 milhões de combinações vazadas em violações de dados e concluiu que esses “portentos” ― e outros como 111111, 1234, 123456, 123321, 666666 e 7777777 ― foram as senhas mais usadas (e ― pior ainda ― que 40% dos usuários sequer se dá ao trabalho de escolher senhas com pelo menos 6 caracteres).

Convém ter em mente que de nada adianta gerar uma sequência alfanumérica segura e, por não ser capaz de decorá-la, anotá-la num post-it e colar na moldura do monitor. No entanto, alguns truques facilitam a criação de senhas fortes e “memorizáveis”. Por exemplo, BaQuNaEsPeCh123 é uma senha 100% segura (ou pelo menos é o que atesta o serviço online Passwordmeter) e, ao mesmo tempo, fácil de guardar, já que corresponde às duas primeiras letras do versinho “batatinha quando nasce esparrama pelo chão”, com caracteres maiúsculos e minúsculos e, ao final, os três primeiros numerais cardinais.

Observação: Note que o nível de segurança seria ainda maior se a gente substituísse a letra E pelo algarismo 3, a letra A pelo 4 ou pelo @ (outras possibilidades são substituir o L pelo ponto de exclamação, o I por 1, o O por 0 (zero), e assim por diante) ― para mais dicas sobre criação de senhas seguras, acesse essa página da MCAFEE ou recorra ao serviço MAKE ME A PASSWORD; para testar a segurança de suas senhas, acesse a CENTRAL DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA DA MICROSOFT ou o site HOW SECURE IS MY PASSWORD.

Como nada é perfeito, usar versinhos para criar todas as senhas de que você precisa (para se logar no Windows, no webmail, no Face, no G+, nas redes sociais, no serviço de netbanking, etc.) o levará de volta estaca zero ― ou seja, você terá de providenciar uma listinha com as dicas cifradas para cada senha criada, ou então usar a mesma password para tudo ― coisa que, como vimos, diminui significativamente a eficácia da proteção. Mas nem tudo está perdido. Não se você recorrer a um gerenciador de senhas ― ferramenta que mantém senhas e outras informações de login em um banco de dados criptografado (depois de instalar e configurar o programinha, basta você memorizar apenas uma única senha: a que dá acesso ao próprio gerenciador).

Mas a questão é: até que ponto esses programas são seguros? A resposta fica para uma próxima postagem. Abraços e até lá.

UMA PRESIDENTA HONESTA? CADÊ?

Blog do José Tomaz repercutiu uma matéria publicada na folha por Hélio Schwartsman, segundo a qual a suposta honestidade de Dilma, cantada por ela mesma e por seus acólitos ao longo de todo o processo de impeachment, ainda ecoa nas redes sociais, mas que, à luz do depoimento de mais de 4 horas que Marcelo Odebrecht deu à Justiça Eleitoral na última quarta-feira, a história é bem outra.

Marcelo afirmou se diz o “bobo da corte” do governo federal, pois era forçado a participar de projetos e empreendimentos que não desejava, a bancar repasses às campanhas eleitorais sem receber as contrapartidas que julgava devidas (?!), a negociar repasses a campanhas com Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma (mais detalhes nesta postagem).

Cá entre nós, Marcelo e sua empresa não foram achacados porque simplesmente não tinham alternativa. Eles sempre poderiam se negar a participar do esquema, ou mesmo denunciá-lo. A meu ver, não resta a menor dúvida de que a Odebrecht teve um papel determinante no projeto de corrupção do PT e que foi a peça chave para que a coisa toda funcionasse como funcionou. E ganhou rios de dinheiro com isso, de modo que não venha ele agora posar de vítima inocente. 

Por outro lado, como bem ressaltou Rodrigo Constantino, não fosse a Odebrecht, seria a OAS, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa e tantas outras empresas que participaram das maracutaias e se locupletaram a mais não poder com o dinheiro dos contribuintes ― que hoje falta para a Saúde, para a Educação, para a Segurança Pública, e por aí afora. O busílis da questão sempre foi a impunidade, associada ao poder desmedido e ao gigantismo do Estado, que a Lava-Jato iluminou e, ao trancos e barrancos, vem tentando punir e coibir.

O liberalismo oferece o remédio: menos estado, mais firmeza no combate ao crime. Liberar o mercado, endurecer com criminosos: eis a solução. A fala de Marcelo Odebrecht apenas demonstra que sempre haverá um enorme risco quando uma quadrilha disfarçada de partido chegar ao poder com um discurso populista e encontrar ao seu dispor tamanho poder e tão vasta gama de recursos.

O depoimento do empresário complica a vida de Lula, de Dilma e da cúpula do PT. E é bom que seja assim! Tinha muita gente preferindo focar nos canalhas empresários, em vez de mirar a fonte maior da corrupção, ou seja, os governantes corruptos e todo-poderosos.

Voltando à postagem do José Tomaz, no aspecto anedótico não daria para comparar o caso de Dilma com o de Sérgio Cabral, por exemplo, até porque não se tem notícia de que ela tenha adquirido uma bijuteria com dinheiro sujo, ao passo que o ex-governador, a julgar pelo que saiu na imprensa até aqui, usava recursos oriundos de corrupção para manter um estilo de vida nababesco, comprando coleções de joias, ternos italianos, uma privada polonesa (?!) e, suspeita-se, até um iate de 75 pés.

Fato é que, no Brasil, costuma-se diferenciar políticos que roubam para enriquecer dos que aceitam dinheiro sujo para financiar suas campanhas. Mas daí a considerar desonestos somente aqueles que sucumbem às tentações e se convertem na caricatura do político corrupto vai uma longa distância. Em última análise, qualificar como honestos e éticos políticos que aceitam recursos ilícitos para azeitar suas campanhas é chancelar uma ideia ainda mais perversa, que é a de que os dirigentes são livres para escolher quais leis vão respeitar e quais vão descumprir. Fazê-lo significaria negar todo o sistema de freios e contrapesos que caracteriza a democracia.

Resumo da ópera: somente a patuleia vermelha, inconformada com a deposição da anta rubicunda, com a iminente prisão da “alma viva mais honesta do Brasil” e com a derrocada da facção criminosa travestida de partido político é que continua fabulando para defender a indefensável “lisura” de seus amados líderes. Os demais brasileiros, pelo menos aqueles que são minimamente capazes de interpretar os fatos, estão torcendo para que a mulher sapiens e de seu predecessor e mentor ganhe uma cela no complexo médico-penal de Pinhais, em Curitiba. E que Deus atenda suas preces.

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terça-feira, 7 de março de 2017

AISEESOFT FONETRANS - A MELHOR MANEIRA DE TRANSFERIR CONTATOS E ARQUIVOS DO IPHONE ANTIGO PARA O NOVO

DINHEIRO COMPRA TUDO, ATÉ AMOR VERDADEIRO.

Se a velocidade vertiginosa com que a evolução tecnológica nos brinda com soluções mais rebuscadas em intervalos de tempo cada vez mais curtos, ela também nos “obriga” a trocar nossos equipamentos regularmente, mesmo que eles ainda estejam em perfeitas condições de uso.

Claro que bem pouca gente pode se manter up-to-date com todas as inovações ― até porque isso custaria muito dinheiro ―, mas o fato é que poucos conformam em usar aparelhos antigos, à beira da obsolescência. E isso se aplica especialmente aos smartphones ― haja vista as filas que se formam lojas da Apple sempre que a empresa lança uma nova versão do seu cobiçado iPhone.

Mas o gerenciamento (manual) dos contatos depois da migração pode ser um problema, pois, ainda que a Apple facilite sua importação do telefone antigo para o novo, o gerenciador nativo (iTunes) não ajuda em nada. Felizmente, o Aiseesoft FoneTrans, da renomada AISEESOFT, reduz significativamente a trabalheira, facilitando a recuperação de backups na nuvem mediante o envio dos arquivos para o computador no formato CSV ou VCF e permitindo a “desduplicação” (ou seja, a eliminação de redundâncias) de maneira simples e rápida.

Além disso, o programinha facilita a exclusão de contatos em grupo (com os recursos nativos do iPhone, você fica obrigado a navegar pelos contatos, selecionar os que deseja excluir e apagá-los um a um. Isso sem mencionar) e a transferência dos backups (armazenados no PC ou na nuvem) para o telefone, pois ninguém está livre de cometer erros ao apagar entradas, notadamente excluir itens que deveriam ser mantidos e só se dar conta do fato quando já é tarde demais.

Era isso, pessoal. Para quem se interessar, os links que eu inseri no terceiro parágrafo levam, respectivamente, à página de onde se pode fazer o download do aplicativo e a que oferece mais informações sobre seu desenvolvedor. Por seis parcelas de R$ 16,65, você adquire uma ferramenta completa para transferir arquivos entre dispositivos iOS (iPhone, iPad y iPod), o PC e o iTunes, administrar arquivos multimídia (editar uma série de informações, como nome, autor, álbum e playlists, por exemplo), além de converter automaticamente arquivos de áudio e vídeo para formatos suportados pelos dispositivos. Ah, na mesma página em que você comprar o produto existe também a opção de baixar a versão de teste, de modo que você pode experimentar gratuitamente a ferramenta antes de registrá-la. Melhor que isso, só dois disso.

Observação: Vale salientar que a versão de teste transfere 3 contatos, 30 arquivos de mídia, 20 fotos e 3 mensagens, mas, convenhamos, isso já é suficiente para lhe dar, na prática, uma ideia da utilidade do programinha.

Por hoje é só. Abraços e até a próxima.


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segunda-feira, 6 de março de 2017

REVISITANDO O DRIVERMAX

SEJA EXTREMAMENTE MISTERIOSO, TÃO MISTERIOSO QUE NINGUÉM POSSA OUVIR QUALQUER INFORMAÇÃO.

Drivers (ou controladores) são programinhas de baixo nível (designação que nada tem a ver com o grau de sofisticação do software, mas sim com seu envolvimento com o hardware) que funcionam como uma “ponte” entre o sistema operacional e os dispositivos de hardware que integram ou estão conectados ao computador. Sem o driver da impressora, por exemplo, o sistema não saberia qual é a versão do aparelho, em qual porta ele está conectado, se está ou não funcional, se há papel na bandeja e tinta nos cartuchos, e assim por diante. 

O próprio Windows integra um respeitável banco de drivers “nativos” que lhe permite instalar e gerenciar a maioria dos dispositivos fabricados até a época do seu lançamento (note que drivers desenvolvidos para o Ten podem não funcionar no 8.1 ou no 7, por exemplo, e vice-versa), mas, devido à rapidez com que a tecnologia evolui, esse repositório tende a ficar desatualizado, sem mencionar que é recomendável usar drivers desenvolvidos pelos próprios fabricantes dos componentes, pois, além de mais estáveis que os genéricos, eles costumam ampliar a gama de recursos e funções dos componentes de hardware.

Igualmente importante é manter os drivers atualizados, pois novas versões são lançadas de tempos em tempos, seja para corrigir bugs das anteriores, seja para adicionar novos recursos aos dispositivos e maximizar sua compatibilidade com o sistema. Todavia, como nada é perfeito neste mundo, sempre existe o risco de atualizações mal sucedidas provocarem falhas no funcionamento do computador. Via de regra, reverter o driver a sua versão anterior resolveria o problema, mas fazê-lo é que são elas, especialmente para usuários iniciantes, pouco familiarizados com configurações avançadas do computador.

Explicando melhor: a “reversão de driver” se resume a desfazer a atualização e voltar a usar a versão anterior do programinha controlador. Na prática, porém, a reversão manual pode ser complicada e trabalhosa (notadamente se a atualização envolveu múltiplos drivers). Claro que um usuário previdente não faz qualquer reconfiguração abrangente no computador sem antes criar um ponto de restauração do sistema, mas o problema é que essa “tábua de salvação” pode simplesmente não funcionar (o que geralmente acontecer quando mais se precisa dela). Por essas e por outras, o DriverMax pode fazer toda a diferença. Com ele, basta você clicar na aba Restauração e comandar a reversão a partir da lista de opções oferecidas na janelinha que se abre em seguida. Confira:

A primeira opção ― Restaurar de um ponto de restauração do sistema ― não atua somente sobre o driver problemático, mas reverte todo o sistema às condições em que ele se encontrava quando o ponto de restauração utilizado foi criado. Isso não afeta seus arquivos pessoais, mas pode ser um problemão quando você reverte o sistema depois de levar a efeito outras alterações no Windows (atualizações, personalizações, etc.) ou instalar aplicativos, por exemplo, que fatalmente deixarão de funcionar.

A segunda opção ― Restaurar um backup criado anteriormente ― dá acesso a uma lista de backups de drivers (criados manual ou automaticamente). Nesse caso, basta você selecionar o backup desejado e clicar no botão Carregar (vale salientar que outros programas também criam backups de drivers, mas nem sempre facilitam a localização/identificação dessas cópias de segurança, o que pode ser um aborrecimento quando precisamos usar o computador para alguma tarefa urgente, e ele se mostra instável ou claudicante devido a uma atualização de driver malsucedida.

Selecionando a terceira opção ― Restaurar usando uma reversão de driver ―, o app identifica e relaciona os drivers passíveis de reversão e permite realizar o procedimento com apenas um clique (quando sabemos qual driver é o responsável pelo problema, não precisamos de programa adicional algum, já que o próprio Windows oferece uma ferramenta nativa que permite revertê-lo à versão anterior, mas o caminho que leva até ela e a maneira de executar o procedimento não é dos mais intuitivos, especialmente para usuários iniciantes).

A quarta opção ― Restaurar utilizando um driver baixado anteriormente ― se aplica a situações em que baixamos novos drivers como um gerenciador, como o DriverMax, e também permite fazer a reversão de maneira fácil e rápida.

O DriverMax é compatível com todas as versões do Windows (de 32 ou 64 bits) e está disponível em diversos idiomas, dentre eles o português. Você pode obter mais informações e fazer o download no site oficial do programa, tanto da versão freeware quanto da comercial (que é mais completa; a licença válida por um ano custa R$ 90,96, mas você pode dividir esse valor em 6 parcelas de R$ 15,16).

MARCO AURÉLIO E O EX-GOLEIRO BRUNO

Numa cruzada contra as prisões alongadas, o ministro Marco Aurélio Mello acolheu o pedido de habeas corpus do ex-goleiro Bruno. Perguntado pela repórter Carol Brígido, de O Globo, se acredita que o ex-goleiro não possa voltar a cometer crimes, o magistrado respondeu: “Não, ele é primário, de bons antecedentes. O homicídio geralmente é praticado por um agente episódico, por motivação na base da emoção, da paixão. A não ser que a pessoa seja integrante de um grupo de extermínio. No caso dele, não é isso”.

Marco Aurélio tem uma filha ― que, aliás, foi nomeada por Dilma desembargadora do TRF da 2ª região ―, e se ainda assim entende que um criminoso condenado merece ser solto devido à demora na apreciação de seu recurso de apelação, então podemos todos relaxar e gozar (depois, quando eu falo que essa é a pior composição do STF de todos os tempos, vem gente me mandar email malcriado). Claro que, à luz da letra fria da Lei, a decisão do ministro foi irreprochável: ele simplesmente acolheu o argumento da defesa, de que que o réu estava na cadeia havia anos “sem culpa formada”.

Explicando melhor: Bruno foi condenado a 22 anos pelo assassinato triplamente qualificado de Elisa Samúdio, ocultação de cadáver e cárcere privado do filho de ambos. Até hoje o TJMG não confirmou nem reformou a sentença da instância a quo, de modo que o ex-goleiro do Flamengo cumpria uma “prisão provisória” há quase sete anos, e, por conta desse descalabro ― convenhamos, isso é um descalabro ―, o ministro Marco Aurélio determinou sua soltura. A rigor, Bruno foi solto pela morosidade da Justiça, e deve voltar para a prisão (ele ainda tem um ano e meio a cumprir antes de avançar para o regime semiaberto), já que as chances de ser absolvido pelos desembargadores mineiros são praticamente nulas. Resta saber se e quando o recurso será julgado, e, nesse entretempo, o cara fala e age com um homem livre, como se não tivesse nada a ver com o crime pelo qual foi condenado.

Sabemos que, no Brasil, as prisões provisórias se arrastam, e que presos “comuns” permanecem encarcerados por anos a fio sem sentença condenatória ― em muitos casos, sem nem sequer uma audiência. Se o ministro não encarna o papel de laxante togado e solta todos eles de uma vez é porque são anônimos, não são notícia e, sobretudo, não servem à “causa” de alguns togados ― como o falastrão Gilmar Mendes, que se pronunciou recentemente sobre “as prisões alongadas que têm encontro marcado com esta Corte”.

Marco Aurélio e o STF estão C&A para Bruno. Não fosse ele um notório ex-goleiro do Flamengo, a sensibilidade e o senso de justiça de sua excelência não lhe sorririam, como não sorriem para milhões de presos provisórios no Brasil. O intrépido cruzado mandou soltá-lo com base no entendimento de que a postergação de uma prisão de natureza provisória afronta a lei e presta um desserviço à Justiça. Mas é no mínimo curioso ele falar em fiel cumprimento da letra legal, já que é useiro em mandar às favas os ditames da Constituição ― aliás, o que mais se tem visto ultimamente é a nossa mais alta Corte, supostamente a guardiã da Carta Magna, “interpretar” as leis ao sabor de interesses políticos (como no caso de Renan Calheiros, que se rebelou contra o Supremo e, em vez de ser punido, foi mantido no cargo de senador e na presidência do Senado e do Congresso, embora afastado da linha sucessória da presidência da República, em mais uma jabuticaba jurídica de que só a fantástica capacidade criativa do Supremo é capaz de produzir.

Nas entrelinhas, lê-se claramente que a intenção do ministro foi mandar um recado para o juiz Moro e quem mais defende as prisões preventivas da Operação Lava-Jato, mesmo que à custa da liberdade de um assassino cruel. Claro que alguns exultaram com a decisão: Rui Falcão, o projeto de estrupício que preside nacionalmente a facção criminosa vermelha, não só comemorou como defendeu idêntico tratamento para Dirceu, Palocci e Vaccari. Na visão desse chumbrega, a soltura do ex-goleiro “deveria levar a uma revisão geral nas decisões recentes da Supremo nos requerimentos de habeas corpus sistematicamente denegados; afinal, é hora de cessar a parcialidade nos julgamentos, dar um fim à perseguição política promovida por certos juízes e procuradores e libertar os ‘guerreiros do povo brasileiro’”.

Curiosamente, esse mesmo esputo petralha divulgou, há exatos dois anos, um manifesto risível, redigido sob a supervisão de Lula, que a certa altura dizia: “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores, e caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras”.

Não fosse trágico, seria cômico.

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domingo, 5 de março de 2017

ALADILMA E A LÂMPADA NADA MARAVILHOSA

Em nota publicada na seção SEMANA da revista ISTOÉ, Antonio Carlos Prado relembra que muita gente aplaudiu quando a anta vermelha reduziu as tarifas de energia, mas que houve também quem visse naquilo uma “pedalada da luz” (caso deste humilde articulista que vos fala). Agora, veio a notícia ― ou a conta, melhor dizendo: as transmissoras receberão indenizações de 62,2 bilhões de reais. Ou seja, as tarifas ficarão mais caras, pois, como sempre, caberá a nós pagar pela “não genialidade” da gênia.

Em atenção os mais esquecidos, segue a transcrição do pronunciamento ― ou discurso eleitoreiro, para ser mais exato ― feito pela nefelibata da mandioca em janeiro de 2013, em rede nacional, para anunciar a redução das tarifas de energia, mostrar que a economia ia de vento em popa e concitar os apedeutas ignaros a reelege-la no ano seguinte (os destaques são meus).

Queridas brasileiras e queridos brasileiros,

Acabo de assinar o ato que coloca em vigor, a partir de amanhã, uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros. Além de estarmos antecipando a entrada em vigor das novas tarifas, estamos dando um índice de redução maior do que o previsto e já anunciado. A partir de agora, a conta de luz das famílias brasileiras vai ficar 18% mais barata.

É a primeira vez que isso ocorre no Brasil, mas não é a primeira vez que o nosso governo toma medidas para baixar o custo, ampliar o investimento, aumentar o emprego e garantir mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros. Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito e aberto, como nunca, as portas da casa própria para os pobres e para a classe média. Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil.

No caso da energia elétrica, as perspectivas são as melhores possíveis. Com essa redução de tarifa, o Brasil, que já é uma potência energética, passa a viver uma situação ainda mais especial no setor elétrico. Somos agora um dos poucos países que está, ao mesmo tempo, baixando o custo da energia e aumentando sua produção elétrica. Explico com números: como acabei de dizer, a conta de luz, neste ano de 2013, vai baixar 18% para o consumidor doméstico e até 32% para a indústria, a agricultura, o comércio e serviços. Ao mesmo tempo, com a entrada em operação de novas usinas e linhas de transmissão, vamos aumentar em mais de 7% nossa produção de energia, e ela irá crescer ainda mais nos próximos anos.

Esse movimento simultâneo nos deixa em situação privilegiada no mundo. Isso significa que o Brasil vai ter energia cada vez melhor e mais barata, significa que o Brasil tem e terá energia mais que suficiente para o presente e para o futuro, sem nenhum risco de racionamento ou de qualquer tipo de estrangulamento no curto, no médio ou no longo prazo. No ano passado, colocamos em operação 4 mil megawatts e 2.780 quilômetros de linhas de transmissão.

Este ano, vamos colocar mais 8.500 megawatts de energia e 7.540 quilômetros de novas linhas. Temos uma grande quantidade de outras usinas e linhas de transmissão em construção ou projetadas. Elas vão nos permitir dobrar, em 15 anos, nossa capacidade instalada de energia elétrica, que hoje é de 121 mil megawatts. Ou seja, temos contratada toda a energia que o Brasil precisa para crescer, e bem, neste e nos próximos anos.

O Brasil vive uma situação segura na área de energia desde que corrigiu, em 2004, as grandes distorções que havia no setor elétrico e voltou a investir fortemente na geração e na transmissão de energia. Nosso sistema é hoje um dos mais seguros do mundo porque, entre outras coisas, temos fontes diversas de produção de energia, o que não ocorre, aliás, na maioria dos países.

Temos usinas hidrelétricas, nucleares, térmicas e eólicas, e nosso parque térmico, que utiliza gás, diesel, carvão e biomassa foi concebido com a capacidade de compensar os períodos de nível baixo de água nos reservatórios das hidrelétricas. Praticamente todos os anos as térmicas são acionadas, com menor ou maior exigência, e garantem, com tranquilidade, o suprimento. Isso é usual, normal, seguro e correto. Não há maiores riscos ou inquietações.

Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo, tenham feito previsões sem fundamento, quando os níveis dos reservatórios baixaram e as térmicas foram normalmente acionadas. Como era de se esperar, essas previsões fracassaram. O Brasil não deixou de produzir um único quilowatt que precisava, e agora, com a volta das chuvas, as térmicas voltarão a ser menos exigidas.
Cometeram o mesmo erro de previsão os que diziam, primeiro, que o governo não conseguiria baixar a conta de luz. Depois, passaram a dizer que a redução iria tardar. Por último, que ela seria menor do que o índice que havíamos anunciado.

Hoje, além de garantir a redução, estamos ampliando seu alcance e antecipando sua vigência. Isso significa menos despesas para cada um de vocês e para toda a economia do país. Vamos reduzir os custos do setor produtivo, e isso significa mais investimento, mais produção e mais emprego. Todos, sem exceção, vão sair ganhando.

Aproveito para esclarecer que os cidadãos atendidos pelas concessionárias que não aderiram ao nosso esforço terão, ainda assim, sua conta de luz reduzida, como todos os brasileiros. Espero que, em breve, até mesmo aqueles que foram contrários à redução da tarifa venham a concordar com o que eu estou dizendo.

Aliás, neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás, pois nosso país avança sem retrocessos, em meio a um mundo cheio de dificuldades. Hoje, podemos ver como erraram feio, no passado, os que não acreditavam que era possível crescer e distribuir renda. Os que pensavam ser impossível que dezenas de milhões de pessoas saíssem da miséria. Os que não acreditavam que o Brasil virasse um país de classe média. Estamos vendo como erraram os que diziam, meses atrás, que não iríamos conseguir baixar os juros nem o custo da energia, e que tentavam amedrontar nosso povo, entre outras coisas, com a queda do emprego e a perda do poder de compra do salário. Os juros caíram como nunca, o emprego aumentou, os brasileiros estão podendo e sabendo consumir e poupar. Não faltou comida na mesa, nem trabalho. E nos últimos dois anos, mais 19 milhões e 500 mil pessoas, brasileiros e brasileiras, saíram da extrema pobreza.

O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido o dos que têm fé e apostam no Brasil. Por termos vencido o pessimismo e os pessimistas, estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa história. E a maioria dos brasileiros sente e expressa esse sentimento. Vamos viver um tempo ainda melhor, quando todos os brasileiros, sem exceção, trabalharem para unir e construir. Jamais para desunir ou destruir. Porque somente construiremos um Brasil com a grandeza dos nossos sonhos quando colocarmos a nossa fé no Brasil acima dos nossos interesses políticos ou pessoais.

Muito obrigada e boa noite.

Só pra lembrar:

Dilma torturou a verdade ao negar a autoria do dossiê que forjou em parceria com a melhor amiga, Erenice Guerra, para reduzir Fernando Henrique e Ruth Cardoso a um casal perdulário que torrava em vinhos caros o dinheiro dos pagadores de impostos.

Dilma mentiu ao negar a existência do encontro, marcado pela quadrilheira Erenice, em que tentou convencer Lina Vieira a esquecer as maracutaias da famiglia Sarney investigadas pela Receita Federal.

Dilma caprichou na pose de doutora em economia pela Unicamp até que a imprensa implodisse a mentira.

Dilma atravessou a campanha de 2014 tapeando o eleitorado com invencionices que transformavam um país a caminho da falência numa espécie de Pasárgada com praia e carnaval.

Nesta quinta-feira, confrontada com as primeiras revelações de Marcelo Odebrecht, a anta vermelha estocadora de vento afirmou que o ex-parceiro resolveu contar mentiras para prejudicar a imagem de uma mulher irretocavelmente honesta.

Dilma, sobra cinismo e falta vergonha. A afilhada tem tanto apreço pela verdade quanto o padrinho Lula.

Tendo tempo e jeito, assista ao vídeo a seguir:


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