Também foi decretada a prisão preventiva da mulher do coronel Lima, seu sócio Carlos Alberto Costa e o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, entre outros. Para quem achava que a Lava-Jato tinha sido ferida de morte pela decisão do STF, aí está a resposta.
UM BATE-PAPO INFORMAL SOBRE INFORMÁTICA, POLÍTICA E OUTROS ASSUNTOS.
quinta-feira, 21 de março de 2019
MICHEL TEMER E MOREIRA FRANCO PRESOS NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO RADIOATIVIDADE
Também foi decretada a prisão preventiva da mulher do coronel Lima, seu sócio Carlos Alberto Costa e o ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, entre outros. Para quem achava que a Lava-Jato tinha sido ferida de morte pela decisão do STF, aí está a resposta.
sábado, 30 de março de 2019
NÃO É ASSIM QUE FARÃO A LAVA-JATO MORRER - Texto de J.R. Guzzo
O fato é que, em uma hora, numa votação relâmpago, os deputados aprovaram a medida em dois turnos, com ampla maioria. Para conseguirem essa rapidez, deram sinal verde a um requerimento de quebra de interstício (observância do intervalo regimental de cinco sessões, necessário para a aprovação de propostas de reforma constitucional na Câmara). Foram 448 votos em primeiro turno e 453 no segundo, havendo votos favoráveis até mesmo no próprio PSL (partido de Bolsonaro). Na prática, a ideia dos deputados é lançar um “pacote de maldades” para deixar o Executivo refém do Congresso, mas a avaliação preliminar dos especialistas da área econômica é de que, mesmo que a PEC seja aprovada no Senado em dois turnos, a mudança não valerá para 2019, uma vez que o Orçamento para este ano já foi aprovado e está em execução. Tecnicamente, o orçamento impositivo só valeria para os gastos do governo a partir do próximo ano, e para isso a mudança teria de ser incorporada à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020, que será elaborada ainda neste exercício. Mas isso também é outra conversa.
O Brasil está ficando um país positivamente arriscado para presidentes da República. Já não é normal, para o padrão médio de moralidade política vigente no mundo civilizado, haver um ex-presidente na cadeia; dois ex-presidentes presos ao mesmo tempo, então, já é coisa para se pensar em livro de recordes, por mais temporária que possa ser uma situação dessas.
A situação de Temer, é verdade, não é tão ruim quanto a do gênio político a quem devemos sua criação; por enquanto não foi julgado, ao contrário de Lula, que já está condenado em duas instâncias e cumpre pena, com 25 anos de cadeia no lombo. Mas é uma desgraça de primeiríssima classe ─ para ele, e, indiretamente, para todos os delinquentes que operam há anos na vida pública nacional. Estavam achando, talvez, que a Lava-Jato tinha mais ou menos parado em Lula? Se pensaram nisso pensaram horrivelmente errado. Pode ter até havido essa esperança, estimulada pela incansável ala pró-crime do STF, mas a realidade está apresentando um futuro soturno para eles todos. Figuras como Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e companhia fazem o que podem, mas também não são de ferro; seus protegidos, positivamente, não ajudam. Estão exigindo assistência permanente dos protetores, numa base quase diária. Gilmar, por exemplo, solta esse Beto Richa e até inventa um “salvo conduto”, proibindo que a polícia chegue perto dele. Mas o homem dá um trabalho insano: consegue ser preso de novo, o que vai obrigar Gilmar e seus sócios a mandarem soltar mais uma vez. E aí: vai ser assim pelo resto da vida? Quantas vezes terão de tirar o cidadão da cadeia? Cinco? Sete? Dez?
É um problemaço. Agora não é mais o PT, apenas, que está correndo da polícia. A coisa ficou preta para o PSDB e o MDB. A quem apelar? Quem vai fazer a campanha “Temer Livre”? Quem tiraria 1 real do bolso para ajudar Temer em alguma coisa? E Moreira Franco, então? Pelo jeito, estão todos reduzidos a contar com o apoio dos “garantistas”, que se escandalizam com o que chamam de ataque “à atividade política”, mas não decidem nada. Ou com a ajuda do deputado Rodrigo Maia, contraparente de Moreira Franco, inimigo do projeto anticrime de Sergio Moro e investigado em dois processos por corrupção. Têm apoio na mídia, nos advogados milionários de corruptos, na classe intelectual, etc. Só que ninguém consegue se dar bem defendendo o lado do ladrão; se você tem de ficar a favor de um Paulo Preto da vida, por exemplo, a sua situação está realmente uma lástima.
sexta-feira, 10 de maio de 2019
NÃO HÁ ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO BRASIL. O BRASIL É UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.
Eis aí mais uma decisão tomada por togados supremos que acham perfeitamente normal, num país com 13 milhões de desempregados e um salário mínimo "de fome", fazer uma licitação de R$ 1,3 milhão para comprar medalhões de lagosta e vinhos importados — e somente os premiados — para as refeições servidas pela Corte. O ministério público do TCU pediu a suspensão, o pedido foi acatado pela juíza Solange Salgado, da 1ª Vara Federal em Brasília (para quem a licitação afronta o princípio da moralidade administrativa) mas a AGU recorreu e o vice-presidente do TRF-1 cassou a decisão e liberou a boca-livre. País de merda, este nosso, e povo de merda esse que aceita bovinamente essa bandalheira toda com o suado dinheiro dos impostos. Depois vem deputado de esquerda dizer que a reforma da Previdência vai matar de fome os mais pobres. Demorô! Quem vota nessa corja merece bem mais que isso.
Como disse o zero três, "bastam um soldado e um cabo...". Às vezes, fico pensando se isso não vai acabar acontecendo, pois é público e notório que uma banda podre... enfim, a tendência é a coisa mudar naturalmente, conforme os atuais integrantes forem se aposentando (Celso de Mello e Marco Aurélio completam 75 anos em 2021, ainda no governo Bolsonaro, portanto), mas se a mudança será para melhor vai depender de quem os substituirá. Mas isso é conversa para outra hora.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
NAVEGADOR LENTO... (Parte 3)
Se for mesmo preciso desinstalar o navegador, encerre-o, abra o Gerenciador de Tarefas do Windows (dê um clique direito num ponto vazio da barra de tarefas e selecione a opção correspondente), clique na aba Processos e vasculhe a lista em busca de entradas identificadas com o logo do Chrome. Se encontrá-las, dê um clique direito sobre cada uma delas e, no menu suspenso que se abre em seguida, selecione Finalizar Processo e confirme quando solicitado. Proceda então à remoção do aplicativo (seguindo os passos sugeridos na postagem anterior).
Observação: Se você tiver problemas para remover um aplicativo (seja o Chrome, seja outro programa qualquer), tente realizar a desinstalação no modo de segurança (para saber o que é, como acessar e como instalar/remover programas no modo de segurança, leia a dupla de postagens iniciada por esta aqui).
domingo, 18 de junho de 2017
NO MATO SEM CACHORRO
terça-feira, 9 de agosto de 2022
A VIDA TEM DE CONTINUAR
Quando foi promovido a titular, Temer relutou em deixar o Jaburu e se instalar no Alvorada, mas cedeu à pressão de aliados — segundo os quais a mudança “atribuiria legitimidade a seu mandato como presidente”. Só que não chegou a esquentar lugar. Segundo o nosferatu revelou à revista Veja, o Alvorada era assombrado. Vampiro com medo de fantasma era só o que faltava!
Num primeiro momento, a troca de comando foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba. Após 13 anos, 4 meses e 12 dias anos ouvindo os garranchos verbais de um semianalfabeto e as frases desconexas de uma destrambelhada (que não era capaz sequer de juntar sujeito e predicado numa frase que fizesse sentido), um presidente que não só sabia falar como até usava mesóclises era um refrigério.
Ninguém esperava que os problemas do país fossem solucionados da noite para o dia, mas o fato é que Temer conseguiu reduzir a inflação (que rodava pelos 10% quando ele assumiu), baixar a Selic e aprovar a PEC do Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista. Mas o ministério de notáveis que ele prometeu se revelou uma notável agremiação de corruptos.
O segundo que sucumbiu à lei da gravidade foi ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, que caiu devido a uma conversa — também gravada à sorrelfa por Sergio Machado — em que criticava a Lava-Jato e orientava Renan Calheiros sobre como se comportar em relação à PGR. Depois foi a vez do ministro do Turismo — que, segundo a delação premiada de Machado, teria recebido R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014. Na sequência, o Advogado-Geral da União foi exonerado por conta de uma discussão com o então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil (o amigão de Temer em cujo apartamento a PF encontrou R$ 51 milhões em caixas de papelão.
Esse imbróglio resultou na demissão do ministro da Cultura — que alegou ter sido pressionado para aprovar o projeto imobiliário La Vue Ladeira da Barra, onde Geddel tinha um apartamento. O desgaste decorrente do episódio levou à queda do próprio Geddel, que “se demitiu” uma semana mais tarde. Temer se empenhou em preservar Eliseu Padilha, o “Primo”, e Wellington Moreira Franco, o “Angorá”, que o ajudavam a comandar, nas palavras de Joesley Batista, “a quadrilha mais perigosa do Brasil”.
Temer, que aspirava a entrar para a história como “o cara que recolocou o Brasil nos eixos”, tornou-se o primeiro presidente no exercício do mandato a ser denunciado por crime comum. Mesmo assim, a nauseabunda tropa de choque do Planalto — capitaneada pelo abjeto Carlos Marun — recrutou um coro de 251 marafonas da Câmara para entoar a marcha fúnebre enquanto a segunda denúncia contra o presidente era sepultada, a despeito da caudalosa torrente de indícios de que ele havia mijado fora do penico.
A honestidade e a lisura no trato da coisa pública — virtudes esperadas de presidentes, ministros, parlamentares, governadores e políticos em geral — há muito fizeram as malas e partiram do Brasil. Para onde? Ninguém sabe, ninguém viu. Prova disso é a sucessão de escândalos-nossos-de-cada-dia, de fazer corar santo de pedra, mas que a população transforma em anedota porque lágrimas não pagam dívidas e a vida precisa continuar.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
MAIS DETALHES SOBRE O MEGA-ATAQUE RANSOMWARE
E como hoje é sexta-feira:Dizem que, num badalado evento de informática, Bill Gates, comparando a indústria de computadores à de automóveis, teria dito o seguinte: "Se a GM tivesse desenvolvido sua tecnologia como a Microsoft fez com a dela, todos estaríamos dirigindo carros de 25 dólares que fariam 1.000 milhas com um galão de gasolina".
Em resposta ao comentário de Mr. Gates, a GM teria enviado um informativo dizendo que, se ela tivesse desenvolvido sua tecnologia como a Microsoft, todos teríamos carros com as seguintes características:
1 - Sem nenhuma razão aparente, o motor do carro morreria, e o motorista aceitaria o fato, daria nova partida e continuaria dirigindo.
2 - Toda vez que as faixas da estrada fossem repintadas, seria preciso comprar um novo carro.
3 - Ao executar uma conversão a esquerda, o carro eventualmente deixaria de funcionar, e você teria de mandar reinstalar o motor.
4 - Luzes indicadoras de óleo, água, temperatura e alternador seriam substituídas por um simples alerta de "falha geral do veículo".
5 - Os bancos exigiriam que todos tivessem as mesmas medidas corporais.
6 - O airbag perguntaria "Você tem Certeza?" antes de disparar.
7 - Eventualmente e sem razão aparente, o carro trancaria o dono fora e não o deixaria entrar, a menos que ele puxasse a maçaneta, girasse a chave e segurasse na antena do rádio simultaneamente.
8 - Toda vez que a GM lançasse um novo modelo, os motoristas teriam de reaprender a dirigir, porque nenhum dos seus comandos seria operado da mesma maneira que no modelo anterior.
9 -A concorrência produziria veículos movidos a energia solar, mais confortáveis, cinco vezes mais rápidos e duas vezes mais fáceis de dirigir, mas que só funcionariam em 5% das rodovias.
Confira minhas atualizações diárias sobre política em www.cenario-politico-tupiniquim.link.blog.br/
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022
RESTAURE-SE O IMPÉRIO DA MORALIDADE OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS! (PARTE X)
Em 2012, assistimos estarrecidos (mas esperançosos) à condenação da alta cúpula do Mensalão. Em 2016, livramo-nos de Dilma, que afundou o Brasil na maior recessão da história republicana do país — e está prestes a perder o primeiro lugar no ranking para Bolsonaro, mas isso é outra história.
Quanto ao poste de Lula, nenhuma surpresa: em fevereiro
de 1995, quando a paridade cambial entre o real e o dólar favorecia
sobremaneira a importação e revenda de badulaques, a calamidade em forma de
gente faliu duas lojinhas tipo R$ 1,99 que havia montado em Porto Alegre e
batizado com o sugestivo nome de “Pão & Circo” — que remete a uma
estratégia romana destinada a entreter a plebe ignara, insatisfeita com os
excessos do Império.
Comercializar quinquilharias baratas deveria ser algo
trivial para alguém que, 15 anos depois, se apresentaria aos eleitores como a
“gerentona” capaz de manter o Brasil no rumo do desenvolvimento. O problema,
para Dilma e seus três sócios, é que a futura presidente cuidou da contabilidade da empresa como lidaria mais adiante com as finanças do
País: em julho de 1996 seu comercio já não existia mais.
Para começar, a loja foi aberta sem que os donos soubessem
ao certo o que seria comercializado ali. Às favas o planejamento — primeiro
passo para criação de qualquer negócio que se pretenda lucrativo. A empresa foi
registrada para vender de tudo um pouco a preços módicos, entre bijuterias,
confecções, eletrônicos, tapeçaria, livros, bebidas, tabaco e até flores
naturais e artificiais. Mas Dilma acabou apostando no comércio
de brinquedos para crianças, em especial os “Cavaleiros do Zodíaco”.
Os artigos revendidos pela Pão & Circo eram importados de um bazar localizado no Panamá, para onde a grande economista e a sócia e ex-cunhada Sirlei Araújo viajavam regularmente para comprar os produtos. Apesar de a mercadoria custar barato, o negócio era impopular — como Dilma se tornaria mais adiante.
Ao abrir a vendinha, a mulher sapiens não levou em conta que “o
olho do dono engorda o porco”, e só aparecia por lá eventualmente, preferindo
dar ordens e terceirizar as tarefas do dia a dia — como fez ao delegar a
economia ao ministro Joaquim Levy e a política ao vice Michel
Temer — até este desistir da função dizendo-se boicotado pelo (então)
ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante.
Na sociedade da Pão & Circo, o equivalente
a Mercadante era Carlos Araújo, ex-marido de Dilma,
que a aconselhava sobre como turbinar as vendas, mas era tão inepto quanto a
futura chefa da Casa Civil e presidenta do Conselho de Administração da
Petrobrás no governo de Lula demonstrou ser na negociata de
Pasadena. Mesmo assim, a empresária de festim teve uma carreira meteórica: sem
saber atirar, virou modelo de guerrilheira; sem ter sido vereadora, virou
secretária municipal; sem passar pela Assembleia Legislativa, virou
secretária de Estado; sem estagiar no Congresso, virou ministra; sem ter
inaugurado nada de relevante, virou estrela de palanque; sem jamais ter tido um
único voto na vida até 2010, virou presidente de país.
Observação: Até os pedalinhos do Sítio
Santa Bárbara, em Atibaia, sabiam desde sempre que Lula institucionalizou
a corrupção no Brasil. E quem não sabia ficou sabendo quando o procurador Deltan
Dallagnol apresentou à imprensa um PowerPoint tosco,
mas elucidativo, demonstrando que o picareta dos picaretas era o comandante
máximo da ORCRIM. Dilma foi o maior erro tático que o
petista cometeu em sua trajetória política. Dias atrás, ele próprio disse em
entrevista à CBN que não pretende incluir a nefelibata da mandioca em sua campanha à Presidência
nem em um eventual futuro governo. A obviedade chapada dos motivos dispensa maiores considerações.
Arrogante, pedante, intransigente e mouca à voz da razão, Dilma montou uma arapuca para si mesma, mas levou de embrulho tanto os inconsequentes que a reconduziram ao Planalto quanto a parcela pensante dos brasileiros. Num monumental estelionato eleitoral, sua alteza irreal preços administrados, aumentou gastos com programas eminentemente eleitoreiros e “pedalou” a mais não poder. Somado à irresponsabilidade fiscal, seu apetite eleitoral aumentou o inchaço da máquina pública e resultou na falência do Estado — para se ter uma ideia, enquanto a Casa Branca contava com 468 servidores, o Palácio do Planalto contabilizava 4.487 funcionários.
Em setembro de 2015, nove meses depois do início da segunda (e ainda mais funesta) gestão da estocadora de vento, o Orçamento já acumulava um rombo de R$ 30 bilhões — algo nunca visto até então. Era o começo do fim: a despeito de as pedaladas fiscais terem sido o “motivo oficial” da deposição, a petista foi expelida do cargo pelo conjunto de sua obra e por sua absoluta falta de traquejo no trato com o Parlamento.
Num primeiro momento, a troca de comando foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba. O novo presidente sabia até falar! Considerando que passáramos 13 anos ouvindo os garranchos verbais de um semianalfabeto e as frases desconexas de uma destrambelhada que não era capaz de juntar sujeito e predicado numa frase que fizesse sentido, ter um mandatário que usava até mesóclises era um refrigério.
Embora fosse impossível consertar o país da noite para o dia, Temer conseguiu debelar a inflação (que rodava pelos 10% quando ele assumiu), reduzir de maneira “responsável” a Selic e aprovar a PEC do Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista. Mas seu ministério de notáveis revelou-se uma notável agremiação de corruptos — que foram caindo à razão de um por mês.
O primeiro a cair foi Romero Jucá, o “Caju”, que deixou o Ministério do Planejamento uma semana após a nomeação — só que continuou no governo, ocupando uma secretaria criada especialmente para preservar seu direito ao foro privilegiado. Na sequência, demitiram-se ou foram demitidos Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima e mais meia dúzia de ministros e/ou assessores de primeiro escalão. Temer moveu mundos e fundo$ para preservar Eliseu Padilha, o “Primo”, e Wellington Moreira Franco, o “Angorá”, que o ajudavam a comandar “a quadrilha mais perigosa do Brasil”, como disse Joesley em entrevista à revista Época.
Livramo-nos de Dilma, mas herdamos Michel
Temer, que jamais conquistou a simpatia dos brasileiros. E nem poderia,
tendo sido vice de quem foi e presidido o PMDB por 15 anos. Após
o julgamento do impeachment, a imprensa publicou vários artigos acusando o
procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava-Jato em
Curitiba, de defender um “direito autoritário, próprio das tiranias” e a
“relativização do direito de defesa”. Curiosamente, esses mesmos
veículos de comunicação não manifestaram a mesma preocupação quando a petista era
presidente. Coisas do Brasil.
Em fevereiro de 2017 o partido de Temer indicou Edison Lobão para presidir a CCJ do Senado, numa evidente estratégia de frear os avanços da operação anticorrupção. Lobão era defensor ferrenho da anistia ao caixa 2 e crítico figadal das delações premidas (uma das principais ferramentas da força-tarefa), e dizia que acordos de colaboração haviam virado “um inquérito universal” e poderiam levar o Brasil à “tirania”. Para surpresa de ninguém, partidos investigados se empenharam em bloquear um eventual terceiro mandato de Janot e a possível escolha de alguém próximo a ele para chefiar a PGR.
Mesmo com a podridão aflorando no seu entorno, o presidente seguia adiante, levando a Nau dos Insensatos pelas águas revoltas da crise como um timoneiro experimentado. Sob seu comando, dizia, o Brasil chegaria são e salvo às próximas eleições e seria entregue fortalecido ao próximo dirigente.
A coisa até funcionou durante algum tempo, a despeito da pecha da ilegitimidade — uma falácia petista, pois quem votou em Dilma votou na chapa; como vice da anta, Temer não só era seu substituto eventual como encabeçava a linha sucessória presidencial. O que ele fez para ser promovido a titular e o fato de seu governo ter degringolado já é outra conversa.
Mas o nosferatu que jurou que não interferiria na Lava-Jato, que afastaria quem fosse denunciado e exoneraria quem se tornasse réu deu um salvo-conduto aos assessores citados nas delações, pois precisava deles para blindar o governo. Só que faltou combinar com os russos, ou melhor, com Joesley Batista: Em maio de 2017, Temer foi abatido em seu voo de galinha pela delação premiada do moedor de carne bilionário e de outros seis altos executivos da JBF/J&F.
Nossa história recomenda darmos mais atenção à figura do vice-presidente. Em 15 de novembro de 1889, um golpe militar capitaneado pelo marechal Deodoro da Fonseca apeou D. Pedro II do trono e substituiu a monarquia constitucionalista pela república presidencialista. Deodoro presidiu o país até 1891, quando então "foi convidado a renunciar" e substituído pelo vice — o também marechal Floriano Peixoto —, que concluiu o mandato-tampão e foi sucedido por Prudente de Moraes, que entrou para a história não só como o primeiro civil a presidir o país, mas também como o primeiro presidente eleito pelo voto direto.
Seria pedir demais aos eleitores brasileiros — que raramente
se lembram em que votaram para deputado — analisarem cuidadosamente a
composição das chapas que disputam a Presidência, mas o fato é que nove vices
terminaram os mandatos de seus titulares: Floriano Peixoto, Nilo
Peçanha, Delfim Moreira, Café Filho, João Goulart, José
Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.
Claro que, não fossem os vices, outros sucessores e outras
formas de sucessão haveria, mas seria oportuno questionar a real necessidade da
figura do vice nos tempos atuais. Para o reserva é ótimo: a vice-presidência
rende palácio à beira do lago, diversas mordomias e, em caso de infortúnio do
titular, até a Presidência. Para o país, no entanto, essa peça serve apenas
para decoração, quando não para conspirar contra o titular, como fez Michel
Temer.
Filho imigrantes libaneses, Michel Miguel Elias Temer
Lulia nasceu em Tietê (SP), graduou-se em Direito pela USP,
atuou como advogado trabalhista e lecionou na PUC-SP e
na Faculdade de Direito de Itu antes de ingressar na vida
pública como oficial de gabinete de Ataliba
Nogueira, então secretário de Educação do governo de São Paulo. Em 1981,
filiou-se ao PMDB (hoje MDB); em 1983, foi nomeado
procurador-geral do Estado de São Paulo pelo então governador Franco
Montoro; no ano seguinte, assumiu a Secretaria de Segurança Pública de
São Paulo; dois anos depois, disputou uma vaga na Câmara Federal, conseguiu uma
suplência e assumiu a cadeira do deputado licenciado Tidei de Lima,
tornando-se constituinte.
Ao longo de seis mandatos, Temer presidiu a Câmara em 1997, 1999 e 2009 e o PMDB de 2001 até o final de 2010, quando se licenciou do cargo para assumir a vice-presidência da República. Em maio de 2016, quando Dilma foi afastada, passou de “vice decorativo” a presidente interino e acabou efetivado no cargo em agosto, depois que a titular foi devida e definitivamente defenestrada.
Continua...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
RESTAURE-SE O IMPÉRIO DA MORALIDADE OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS (PARTE XI)
Os vampiros, como se sabe, não têm a imagem refletida em
espelhos, e talvez por isso... bem, vamos por partes. Em dezembro de 2015,
o então vice decorativo de Dilma enviou
uma carta à chefa (que vazou por obra e graça do próprio
missivista e foi largamente reproduzida na mídia) dizendo que “a
palavra voa, mas o escrito fica” — daí ele preferir manifestar por escrito
o "desabafo que devia ter feito muito antes" — e que
sempre teve ciência da absoluta desconfiança da presidanta e do PT em
relação a ele e ao PMDB.
A nefelibata da mandioca disse que “não via motivos para
desconfiar um milímetro de seu vice, que sempre teve um comportamento bastante
correto”, mas não demorou a perceber que estava enganada. Depois que a
Câmara votou a admissibilidade do impeachment, Temer enviou
uma mensagem de voz a parlamentares peemedebistas em que falava como se
estivesse prestes a assumir o governo.
O áudio dava a impressão de ser um “comunicado"
sobre como ele pretendia conduzir o país. Sua assessoria informou que a mensagem
havia sido enviada por engano a um grupo de deputados do partido, mas a
desculpa não colou. No dia seguinte, Dilma declarou que "havia
um golpe em curso que tinha chefe e vice-chefe"
(referindo-se a Temer e a Eduardo Cunha, então
presidente da Câmara). Sábias palavras, majestade.
Quando foi promovido a titular, Temer relutou
em deixar o Jaburu e se instalar no Alvorada, mas cedeu à
pressão de aliados — segundo os quais a mudança “atribuiria legitimidade a
seu mandato como presidente”. Só que não chegou a esquentar lugar: a
despeito dos mais R$ 20 mil que foram gastos com a adaptação
do palácio às necessidades de Michelzinho, o vampiro voltou
de mala e cuia para o Jaburu. Segundo ele revelou entrevista à revista
Veja, o Alvorada era
assombrado. Vampiro com medo de fantasma era só o que nos faltava!
Num primeiro momento, a troca de comando foi como uma lufada
de ar fresco numa catacumba. Após 13 anos e fumaça ouvindo os garranchos
verbais de um semianalfabeto e as frases desconexas de uma destrambelhada que
não era capaz sequer de juntar sujeito e predicado numa frase que fizesse
sentido, um presidente que não só sabia falar como até usava mesóclises era um refrigério.
Não seria de esperar que os problemas do país fossem solucionados da noite para
o dia, mas o fato é que Temer conseguiu reduzir a inflação (que
rodava pelos 10% quando ele assumiu) e baixar a Selic e aprovar
a PEC do Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista,
entre outros “prodígios”. No entanto, o ministério de notáveis que
ele prometeu se revelou uma notável agremiação de corruptos — que foram
caindo à razão de um por mês.
O primeiro a cair foi Romero Jucá, o “Caju”,
colega de partido e amigo de longa data de Temer. Em conversa com o ex-presidente da
Transpetro Sérgio Machado — gravada sem o conhecimento do interlocutor —,
ouve-se Jucá dizer defendendo um
pacto para “estancar a sangria” (referindo-se à Lava-Jato).
Mesmo sem o status de ministro, o político pernambucano continuou no governo, ocupando
uma secretaria criada especialmente para preservar seu direito ao foro
privilegiado.
Uma semana depois que o caju caiu do pé foi a vez do ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, que caiu devido a uma conversa — também gravada à sorrelfa por Machado — em que ele criticava a Lava-Jato e orientava Renan Calheiros sobre como se comportar em relação à PGR. Junho levou embora o ministro do Turismo — que, segundo a delação premiada de Machado, teria recebido R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014.
Julho passou batido, mas
agosto pegou no contrapé o então Advogado-Geral da União, que foi demitido por
conta de uma discussão com o então todo-poderoso ministro-chefe da Casa Civil (o
amigão de Temer em cujo apartamento a PF encontrou R$ 51
milhões em caixas de papelão). O imbróglio resultou também na demissão do
ministro da Cultura — que alegou ter sido pressionado para aprovar o projeto
imobiliário La Vue Ladeira
da Barra, onde o chefe da Casa Civil tinha um apartamento. O desgaste
decorrente do episódio levou à queda do próprio Geddel, que “se
demitiu” uma semana mais tarde. Temer se empenhou em preservar Eliseu
Padilha, o “Primo”, e Wellington Moreira Franco, o “Angorá”,
que o ajudavam a comandar, nas
palavras de Joesley Batista, “a quadrilha mais perigosa do
Brasil”. Tutti buona gente!
Michel Temer, que aspirava a entrar para
a história como “o cara que recolocou o Brasil nos eixos”, tornou-se o
primeiro presidente no exercício do mandato a ser denunciado por crime comum.
Mesmo assim, a nauseabunda tropa de choque do Planalto — capitaneada pelo
abjeto Carlos
Marun — recrutou um coro de 251 marafonas da Câmara para entoar a
marcha fúnebre enquanto a segunda denúncia contra o presidente era sepultada, malgrado
a caudalosa torrente de indícios de que ele havia mijado fora do penico.
A honestidade e a lisura no trato da coisa pública — virtudes esperadas de presidentes, ministros, parlamentares, governadores e políticos em geral — há muito fizeram as malas e partiram do Brasil. Para onde? Ninguém sabe, ninguém viu. Prova disso é a sucessão de escândalos-nossos-de-cada-dia, de fazer corar santo de pedra, mas que a população transforma em anedota porque lágrimas não pagam dívidas e a vida precisa continuar.
Continua...









