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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO SAUDOSISMO

TO REMIND THE PAST IS TO LIVE TWICE

 

Muitas pessoas ainda se lembram da época em que a informática era chamada de cibernética e os imensos mainframes, que ocupavam salas inteiras, mas tinham menos poder de processamento que as calculadoras de bolso atuais, atendiam por cérebros eletrônicos. Mas não há nada como o tempo para passar.


Um belo dia os PCs surgiram para resolver todos os problemas que a gente não tinha quando eles não existiam, e logo se tornaram tão comuns, nos lares de classe média, quanto os televisores e fornos de micro-ondas. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nota divulgada pelo gabinete de Toffoli para prestar contas sobre o caso Master é flácida e constrangedora. A flacidez decorre do fato de o texto dizer coisas definitivas sem definir muito bem as coisas, e o constrangimento de os os trechos mais relevantes não serem os esclarecimentos mal formulados, mas as respostas que Toffoli não foi capaz de fornecer.

No documento de 524 palavras não há uma mísera menção à transação em que os irmãos do ministro venderam por R$3 milhões parte de um resort no Paraná para o pastor e empresário Fábio Zettel, cunhado do dono Master, Daniel Vorcaro. Nada sobre a casa luxuosa que serve de hospedaria para Toffoli na área do resort paranaense. Nem sinal de esclarecimentos sobre a viagem de Toffoli em jatinho de um empresário amigo, para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores contra o Flamengo na companhia do advogado de um dos executivos do Master investigados no escândalo.

Nos trechos em que as coisas não foram adequadamente definidas, faltou explicar por que o ministro ultrapassou os limites dos sapatos de magistrado, imiscuindo-se no trabalho da Polícia Federal. Num processo marcado por idas e vindas, Toffoli acelerou procedimentos da investigação, criando atritos com a PF ao marcar acareações antes da tomada dos depoimentos de investigados, ordenar à delegada do caso que fizesse a Daniel Vorcaro 80 perguntas elaboradas pelo seu gabinete, tentar trancar no Supremo material recolhido em batidas de busca e apreensão e selecionar por conta própria os peritos que analisarão as provas...

Desde que o processo subiu para o Supremo, a relatoria de Toffoli sofre questionamentos de membros do próprio tribunal, do Ministério Público, da PF e da imprensa. Na nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli admitiu pela primeira vez a hipótese de devolver o inquérito à primeira instância, de onde não deveria ter saído. O diabo é que ele afirma que só fará essa análise após o término das investigações, prorrogadas dias atrás por 60 dias, prolongando o final da novela que abre na imagem do Supremo fendas de difícil reparação.


O número de usuários de desktops e notebooks diminuiu significativamente depois que os smartphones permitiram acessar as redes sociais, gerenciar emails e fofocar pelo WhatsApp. Tanto é assim que a Geração Y (Millennialdomina tecnologias mais recentes, mas ignora funções básicas de informática no bom e velho PC, como formatar um documento no Word ou executar comandos simples, como Ctrl+C e Ctrl+V.

 

As primeiras matérias sobre TI que publiquei na mídia impressa tinham como tema a segurança digital, e a ideia central da Coleção Guia Fácil Informática era familiarizar os leitores com seus computadores, tanto em nível de hardware quanto de software. O mesmo deu com este blog, que eu criei em 2006 para embasar o volume Blogs & Websites da referida coleção — naquela época, publicações sobre microcomputadores, hardware e Windows vendiam feito pão quente na hora do jantar.


Bill Gates e Paul Allen fundarem a Microsoft em 1975 e criaram o Windows uma década depois, inicialmente como uma interface gráfica que rodava no MS-DOS. Esse cordão umbilical foi cortado em 1995, mas o desmame só se deu em 2001, com o lançamento do WinXP, que era baseado no kernel do WinNT


Observação: A título de curiosidade, os arquivos de instalação do MS-DOS e das edições 3.x do Windows cabiam em uns poucos disquetes de 1,44 MB. O Win95, já então um sistema semi-autônomo, foi disponibilizado tanto em disquetes (13 unidades) quanto em CD-ROM


Até o lançamento do Windows 95, a gente ligava o computador, aguardava a conclusão do boot (processo mediante o qual o BIOS checa as informações armazenadas no CMOS, realiza o POST, carrega o Windows e sai de cena), digitava "win" no prompt de comando, teclava Enter e esperava a máquina se tornar "operável".

 

Todo dispositivo computacional, seja de mesa, portátil ou ultraportátil, é comandado por um sistema operacional, que gerencia o hardware e o software, provê a interface de comunicação entre o usuário e a máquina e embasa a execução dos aplicativos e utilitários. 


O BIOS (sigla de Basic Input/Output System) é a primeira camada de software do computador. Assim que a máquina é ligada, ele realiza um autoteste de inicialização (POST, de power on self test), procura os arquivos de boot seguindo os parâmetros declarados no CMOS Setup), carrega o sistema na memória RAM (não integralmente, ou não haveria memória que bastasse) e exibe a tradicional tela de boas-vindas.

 

Observação: Do sistema operacional a um simples documento de texto, tudo é executado na RAM. Nenhum dispositivo computacional atual, seja uma simples calculadora de bolso ou um gigantesco mainframe corporativo, funciona sem uma quantidade (mínima que seja) dessa memória volátil e de acesso aleatório.  

 

O firmware do BIOS é gravado num chip de memória ROM (não volátil) integrado à placa-mãe. O CMOS (sigla de Complementary Metal-Oxide-Semiconductor) é um componente de hardware composto por um relógio permanente, uma pequena porção de memória volátil e uma bateria CR2032, destinada a evitar que os parâmetros do Setup se percam quando o computador é desligado. 


Os firmwares estão presentes em diversos equipamentos eletrônicos modernos, como celulares, fornos de micro-ondas, tablets, impressoras, lavadoras, etc. Os smartphones não precisam de uma bateria extra para manter configurações porque usam memórias não voláteis, como EEPROM ou flash NAND, para armazenar as configurações do sistema. Mesmo que  o aparelho fique meses desligado, esses dados continuam intactos. 


Antigamente, o nome "American Megatrends Inc." e uma série de informações técnicas textuais eram exibidos durante o boot, de modo que a gente podia acompanhar contagem da memória, a detecção de hardware etc. Mas todo projeto passa por atualizações ao longo do seu ciclo de existência, e o firmware do BIOS foi substituído pelo UEFI (sigla de Unified Extensible Firmware Interface), que é mais veloz e seguro, além de oferecer uma interface mais amigável.

 

Embora essa programação seja tida como imutável — por fornecer as mesmas informações sempre que o aparelho é ligado —, há situações em que é preciso atualizá-la, seja para tornar o aparelho mais rápido, estável e seguro, seja para incluir novas funcionalidades e ampliar sua vida útil. Alguns especialistas sugeriam ignorar as atualizações, já que upgrades malsucedidos são difíceis de reverter, e podem comprometer o funcionamento do computador — ou mesmo impedi-lo de executar o boot e carregar o sistema. Mas isso mudou depois que a atualização passou a ser disponibilizada pelo próprio Windows

 

Modems, roteadores e decoders de TV a cabo costumam ser mais amigáveis — geralmente, basta acessar a tela de configuração digitando o endereço de IP no navegador, localizar a opção de atualização de firmware, baixar a nova versão, dar alguns cliques e reiniciar o aparelho para validar o upgrade. 


Seja como for, não mexa em nada antes de ler e entender as instruções fornecidas no manual do aparelho ou no site do fabricante, e de ter certeza de que a versão do firmware é a correta. Em caso de dúvida, consulte o suporte técnico ou recorra a um profissional especializado.

sábado, 10 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 66ª PARTE

ÀS VEZES O UNIVERSO COSPE COINCIDÊNCIAS QUE NENHUM ESCRITOR DE FICÇÃO OUSARIA SEQUER IMAGINAR. 

Pessoas trajando roupas incompatíveis com a época, “artefatos fora de lugar” (OOPart) e construções arquitetônicas cuja complexidade desafia até mesmo os recursos tecnológicos atuais são tidos como possíveis evidências de viajantes do tempo ou sugerem a intervenção de civilizações extraterrestres. Isso pode até soar como teoria da conspiração — e talvez seja —, mas certos fatos simplesmente não se explicam por meios convencionais.


Tomemos como exemplo a maior das três Pirâmides de Gizé — que foi construída durante reinado do faraó Quéops (2589-2566 a.C.). Ainda que 30 mil operários tenham se revezado durante duas décadas para erguer esse monumento de 230 metros de base e 146 metros de altura, extrair 2,3 milhões de blocos de pedras de até 80 toneladas usando prosaicos cinzéis, rolá-los sobre toras de madeira por centenas de quilômetros de deserto e empilhá-los com o auxílio de guindastes e rampas em espiral rudimentares foi, sem dúvida, um trabalho hercúleo — e Hércules, vale lembrar, era grego, não egípcio.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Durante um evento de caráter político-eleitoral realizado no interior do Palácio do Planalto nesta quinta-feira, Lula vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria das penas. A participação popular no ato foi baixa, e o veto foi entendido como comício, inclusive pelos presidentes dos outros Poderes, cujas ausências foram amplamente notadas, assim como as de lideranças de partidos que não o PT.

O simbolismo eleitoreiro não residiu no número de participantes, mas na clara escolha de uma estratégia política. O PL havia sido articulado como uma tentativa de acomodação entre os Poderes — uma espécie de pacificação institucional que permitiria avançar para outras agendas. Havia, inclusive, a percepção de aval informal do próprio STF, responsável pela imposição de penas severas aos participantes dos atos de depredação de 8 de janeiro.

Vamos ver que bicho vai dar.


Chama igualmente a atenção o fato de a grande pirâmide estar perfeitamente alinhada com os pontos cardeais e com a constelação de Órion, além de sua latitude — 299.792°N — coincidir com a velocidade da luz: 299.792.458 m/s. Primeiro, porque essa constante só foi determinada no final do século XIX; segundo, porque, mesmo que a conhecessem — o que se admite apenas como exercício especulativo —, os antigos egípcios teriam de tê-la registrado em “côvados por segundo”, já que o sistema métrico só foi criado em 1791.

 

Além de dominarem escrita e utilizarem um sistema decimal três mil anos antes do início da era cristã — o que por si só já é espantoso —, os egípcios criaram seu calendário com base não no Sol ou na Lua, mas na estrela Sírius. Essa estrela só se tornava visível durante o inicio da enchente do Nilo, que não ocorria anualmente nem começava sempre no mesmo dia. Embora fossem obcecados por proporções, salta aos olhos as discrepância entre a cabeça e o corpo da Esfinge de Gizé. O rosto não se assemelha às representações conhecidas do faraó Quéfren, e o corpo não lembra o de um felino, e sim o de um chacal (talvez porque o rosto do deus Anúbis, associado à morte, fosse retratado como tal.

 

Como explicar que os autores dos Contos das Mil e Uma Noites tenham descrito tapetes voadores e cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo — se aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram mais de 4 mil anos depois? De duas, uma: ou a imaginação dos "escritores das Arábias" era mais prodigiosa que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou essas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.

 

Tanto os deuses da mitologia grega quanto os da nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o cume do Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes  dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas, que viajavam em barcos celestes. Os sumérios faziam cálculos lunares com precisão de quinze casas decimais. Seus deuses eram associados a estrelas orbitadas por planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, e eram retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas. 

 

Carruagens celestiais com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés, como aponta Erich von Däniken em "Eram os deuses astronautas?". Suas obras foram rotuladas como “pseudocientista” por acadêmicos como Pierre Houdin e Bob Brier, mas venderam mais de 80 milhões de cópias mundo afora, e sua Teoria dos Antigos Astronautas inspirou a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel. 

 

É fato que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições de Däniken, embora não comprovadas, contam com defensores ilustres. O russo Zecharia Sitchin também contribuiu para difundir o tema com sua interpretação de textos antigos do Oriente Médio, ainda que sem o mesmo alcance do colega suíço. Atualmente, o britânico Graham Hancock dá continuidade às teorias seguindo a linha de argumentação de Däniken, embora a considere incompleta.

 

Com base na obra de HomeroHeinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do continente perdido de Atlântida. 

 

Em "Stonehenge decoded", o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura de pedras concêntricas de até 5 metros de altura e 50 toneladas foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos. 

 

Os chineses conhecem e aplicam a eletrólise há mais de mil e seiscentos anos. Textos de 3.000 anos encontrados na Índia fazem referência a uma arma cuja descrição evoca a bomba atômica. Também na Índia, foi encontrado um esqueleto humano de 4.000 com radioatividade 50 vezes superior à do ambiente. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhão de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do califa Omar porque, sob a alegação de que afrontavam o Alcorão. 

 

Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Chi-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung.

 

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque não deu ouvidos ao pai e se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os Irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados.
 
Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas. Sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias. Quem sabe, um dia, viajar no tempo se torne tão “simples” quanto foi enviar o homem à Lua em 1969. 

 

Continua... 

sábado, 6 de setembro de 2025

MEMÓRIA VIRTUAL — A AJUDA QUE ATRAPALHA

CONHEÇA-TE A TI MESMO, MAS NÃO FIQUE ÍNTIMO DEMAIS.

Computadores utilizam diferentes tipos de memória, e cada subsistema tem sua função. Como todos são medidos em múltiplos do byte, usuários menos familiarizados com hardware tendem a confundir memória física (RAM) com memória de massa (HDD/SSD nos PCs e armazenamento interno nos smartphones).

Por ser capaz de preservar os dados mesmo desenergizada, a memória de massa armazena o sistema, os aplicativos e os demais arquivos. A RAM é volátil — ou seja, seu conteúdo se perde quando ela deixa de ser alimentada eletricamente —, mas o acesso aleatório a torna até 100 mil vezes mais rápida que os HDDs, cerca de 40 vezes mais rápida que os SSDs e aproximadamente 50 vezes mais rápida que a memória flash dos smartphones.

 

A RAM tem importância fundamental em qualquer dispositivo computacional — de uma simples calculadora de bolso a um poderoso servidor. É nela que o sistema, os programas e os arquivos em execução são carregados — não integralmente, pois não haveria memória suficiente, mas em páginas (blocos de mesmo tamanho) ou segmentos (blocos de tamanhos diferentes). Um sistema com processador básico e abundância de RAM pode ter desempenho superior ao de outro com CPU potente e pouca RAM.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No folclore da política, corre uma história sobre um ex-presidente a respeito do qual havia boatos acerca de um namoro com bela senhora ocupante de alta função na República. Consultado, o mandatário negou, mas aconselhou: "Espalhem, fico lisonjeado". Política e compostura não caminham de mãos dadas, mas a desfaçatez de alguns políticos ultrapassa os limites da canalhice. É o caso do governador paulista Tarcísio de Freitas, que nega a pretensão de se candidatar à Presidência, mas alimenta a versão dando sinais de que se sente envaidecido com as especulações — não por mera vaidade, mas por estratégia. Tarcísio se posiciona na rampa de lançamento, mas evita o pulo no escuro, já que a incerteza do cenário exige preparo — e, pelo visto, é o que o governador está fazendo. Talvez ele atire em 2026 mirando 2030 — ou não, dependendo de como andarão as carruagens, cujas rédeas estão nas mãos de Lula, devido à provável condenação de Bolsonaro. A julgar pela pesquisa Quaest, 55% dos entrevistados consideram justa a punição, o que reduz as chances do levante popular almejado por parte dos bolsonaristas. O ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto, presidente do PL, reconhece que "a maioria apoia Alexandre de Moraes", e vê em Donald Trump "a única salvação". Sendo como diz Valdemar, caberia à direita virar a página e sair à francesa da aba da família Bolsonaro, como de resto vêm fazendo políticos do Centrão ao cortejar Tarcísio que, penhorado, corresponde e agradece.


Como o próprio sistema e os softwares pré-instalados ocupam boa parte da RAM, a multitarefa (execução simultânea de dois ou mais aplicativos) pode ficar prejudicada em desktops e notebooks com menos de 8 GB e smartphones com menos de 6 GB — lembrando que as quantidades recomendadas, atualmente, são 16 GB e 6 GB. A maioria dos PCs permite aumentar a memória física mediante a adição de um segundo módulo (ou a substituição do módulo original por outro de maior capacidade), mas os smartphones permanecem com a configuração de fábrica durante toda sua vida útil.

 

Modelos de entrada com 4 GB de RAM custam menos que os intermediários, mas dificilmente oferecerão bom desempenho por mais de dois anos. Portanto, invista num aparelho com pelo menos 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Se seu orçamento permitir, vale a pena pagar um pouco mais por 12 ou 16 GB de RAM e 512 GB ou 1 TB de armazenamento. E não deixe de verificar quantas atualizações do Android o celular receberá, e por quantos anos o fabricante fornecerá patches de segurança para ele.

 

Alguns celulares Android permitem ampliar o armazenamento com cartões microSD e expandir a RAM com a “mágica” da memória virtual — recurso implementado pela Intel em suas CPUs 386 para evitar as frequentes mensagens de "memória insuficiente". O procedimento consiste basicamente em criar um arquivo de troca (swap file) na memória de massa para funcionar como extensão da RAM, permitindo a execução simultânea de mais programas e dados. No entanto, ainda que a tecnologia tenha sido aprimorada nas últimas décadas, a RAM ainda é muito mais rápida que os HDDs/SSDs dos PCs e memórias flash eMMC ou UFS otimizadas para dispositivos móveis.

 

Alguns fabricantes de smartphones oferecem modelos nos quais é possível expandir a RAM virtualmente. A Motorola batizou o recurso de RAM Boost, a Samsung, de RAM Plus, a Xiaomi, de Memory Extension, e a Realme, de Dynamic RAM Expansion. Para ativá-lo, toque em Configurações > Sistema > Desempenho e procure algo como Otimização de RAM (o caminho e a nomenclatura podem variar conforme a marca/modelo do dispositivo).

 

Em tese, a memória virtual é uma boa ideia também nos celulares, mas na prática o resultado pode ficar aquém do esperado. Como mencionado anteriormente, ela utiliza parte do armazenamento interno do dispositivo para emular memória em nome de uma suposta melhora de desempenho, mas o problema é que a RAM física é milhares de vezes mais veloz.

Se seu aparelho conta com pelo menos 8 GB de RAM, a perda de performance é praticamente imperceptível no uso diário, mesmo porque a memória virtual dificilmente será utilizada. Assim, se o problema não é falta de RAM, mas de espaço livre no armazenamento interno, desativar o recurso pode ser uma boa alternativa. 

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A IRRITANTE DEMORA NA INICIALIZAÇÃO DO PC

O PODER ATRAI O PIOR E CORROMPE O MELHOR.

Os PCs evoluíram muito desde os anos 1970, mas ainda não “ligam” tão rapidamente quanto uma lâmpada. A energia elétrica é fundamental em ambos os casos, mas, no caso do computador, o boot e a inicialização do sistema vão muito além de simplesmente incandescer um filamento. 

 

Os PCs são formados por dois subsistemas distintos, mas complementares. No pré-história da computação pessoal, definia-se o hardware como aquilo que o usuário podia chutar, e o software, como o que ele só podia xingar.

 

O tempo que a máquina leva para inicializar depende de diversos fatores. Depois de migrar para o Win11, meu Dell Inspiron passou demorar mais de 1 minuto para exibir a tela de boas-vindas e outros 4 ou 5 minutos para me deixar começar a trabalhar. No meu Mac Pro, a tela inicial surge em poucos segundos e basta eu digitar a senha para ter total controle sobre o sistema e os aplicativos. 


Observação: O “problema” do portátil é o jurássico HDD (de 2 TB e 5400 RPM), muito mais lento que o SSD PCI Express com NVMe do Mac.

 

A demora na inicialização do Windows sempre me incomodou. A Microsoft prometia maior agilidade toda santa vez que lançava uma nova versão, mas o software foi se agigantando e uma configuração de hardware responsável custa os olhos da cara (rodar o Win11 sem SSD e pelo menos 6 GB de RAM é uma teste de paciência).

 

Muita coisa acontece do momento em que ligamos o computador até o instante o software se torna “operável”. Nesses preciosos segundos (ou longos minutos, conforme o caso), o BIOS (ou o UEFI, também conforme o caso) realiza um autoteste de inicialização (POST, de Power On Self Test), busca os arquivos de inicialização (respeitando a sequência declarada no CMOS Setup), e “carrega” na RAM os drivers, as DLLs e outros arquivos essenciais ao funcionamento do computador, bem como o sistema na RAM (não integralmente, ou não haveria memória que bastasse). 


O BIOS (de Basic Input/Output System) é primeira camada de software do computador. Trata-se de um programinha de “baixo nível” gravado pelo fabricante num chip de memória não volátil, que depois é integrado à placa-mãe. O UEFI (de Unified Extensible Firmware Interface) faz basicamente a mesma coisa, mas muito mais rapidamente. Já o CMOS (de Complementary Metal Oxide Semiconductor) é componente de hardware composto por um relógio permanente, uma pequena porção de memória volátil e uma bateria — que mantém essa memória energizada para que as informações não se percam quando desligamos o computador.

 

O “boot” é o processo mediante o qual o BIOS checa as informações armazenadas no CMOS, realiza o POST e, se tudo estiver nos conformes, carrega o Windows e sai de cena, permitindo que o sistema assuma o comando da máquina e o usuário, o comando do sistema. Numa tradução direta do inglês, boot significa bota ou botina, mas seu uso no âmbito da informática remete à expressão “pulling oneself up by his own bootstraps”, que podemos traduzir por “içar a si mesmo pelas alças das botinas” e, por extensão, por “fazer sozinho algo impossível de ser feito sem ajuda externa”. 

 

Observação: Fazer o Setup” consiste em oferecer respostas a uma sequência de perguntas (do tipo múltipla escolha) que permitem ao BIOS reconhecer e gerenciar o hardware, “dar o boot” e realizar outras tarefas básicas inerentes ao funcionamento do computador.


Continua...

quinta-feira, 26 de maio de 2022

AINDA SOBRE APLICATIVOS, MEMÓRIA RAM E TASK KILLERS

PARA O TRIUNFO DO MAL, BASTA QUE OS BONS FIQUEM DE BRAÇOS CRUZADOS.

Computadores integram memórias de diversas tecnologias em quantidades variáveis, mas sempre expressas em múltiplos do byte. Assim, é comum as pessoas confundirem a RAM (memória física ou primária) com o HDD/SSD (memória de massa, ou secundária, ou ainda "armazenamento") do sistema. 

 

A título de contextualização, relembro que o bit (de “BInary digiT”) é a menor unidade de informação manipulada pelo computador. Oito bits formam um byte; 1 kB (quilobyte) equivale a 1024 bytes (ou meia página de texto); 1024 kB, a um megabyte (espaço suficiente para armazenar um quinto da obra de Shakespeare). Um gigabyte corresponde a 1024 MB (espaço suficiente para gravar um filme de uma hora de duração); 1.000 GB formam 1 terabyte (15 terabytes são suficientes para digitalizar toda a biblioteca do congresso dos EUA); 1024 TB perfazem 1 Petabyte (1/5 do conteúdo de todas as cartas distribuídas pelo correio norte-americano), e assim por diante. 

 

A RAM (de Random Access Memory) é a memória física (ou primária) do computador. Isso vale para desktops, notebooks, smartphones e tablets. É nela que que o software é carregado e os dados, processados. Do sistema operacional a um simples documento de texto, tudo é executado na RAM. Nenhum dispositivo computacional atual, seja uma simples calculadora de bolso ou um gigantesco mainframe corporativo, funciona sem uma quantidade (mínima que seja) dessa memória volátil e de acesso aleatório.  

 

Nos PCs, a memória de massa (ou secundária) é provida tradicionalmente por um disco rígido (os modelos mais recentes contam com drives de memória sólida). É nessa memória (e a partir dela) que os dados são carregados na RAM — claro que não integralmente, ou não haveria espaço que bastasse, mas divididos em páginas (pedaços do mesmo tamanho) ou segmentos (pedaços de tamanhos diferentes). Para saber mais, leia esta sequência de postagens.

 

Costuma-se dizer que um computador é tão rápido quanto seu componente mais lento. No âmbito das memórias, a secundária é milhares de vezes mais lenta que primária, que por sua vez é muito mais lenta que o processador. Assim, uma máquina que dispuser de 8 GB de RAM e de um processador mediano será “mais rápida” do que outra que conte com um chip de topo de linha e míseros 2 GB de RAM. A questão é que a RAM é volátil, daí a necessidade de haver um dispositivo capaz de armazenar o software de forma “persistente”, ou seja, que retenha os dados mesmo depois que o computador for desligado.

 

Em tese, quanto mais memória física o computador tiver, mais "rápido" ele será. Para agilizar ainda mais o trabalho do processador, o cache de memória (ou memória cache, ou simplesmente cache), representado por uma pequena quantidade de memória RAM estática e ultraveloz (e bem mais cara do que a RAM convencional), armazena as informações e instruções que são acessadas mais frequentemente e outros dados que o sistema “prevê” que o processador terá de acessar em seguida.

 

O conceito de memória cache remonta aos tempo dos jurássicos 386, quando se constatou que a lentidão da RAM obrigava a CPU (isto é, o processador; a caixa que abriga os componentes internos do computador se chama "case" ou "gabinete") a desperdiçar preciosos ciclos de clock aguardando a liberação dos dados necessários à execução das tarefas. 


Fica mais fácil de entender se compararmos o computador a uma orquestra e o processador ao maestro. Para uma boa apresentação, não basta um regente competente. Na verdade, músicos qualificados, afinados e entrosados podem até mascarar as limitações de um maestro chinfrim, mas não o contrário. Guardadas as devidas proporções, isso se aplica à performance do computador, que depende de uma configuração equilibrada, com componentes adequados e bem dimensionados.

 

Embora pareça um contrassenso, cabe ao gerenciamento de memória do sistema operacional manter o uso da memória o mais alto possível. Primeiro, porque memória é hardware — a gente paga por ela quando compra o aparelho, e não utilizar aquilo pelo que se pagou é desperdício de dinheiro. Segundo, porque, como dito linhas acima, a RAM é muito mais rápida que a memória secundária, e mantê-la ocupada é aproveitar melhor o dinheiro que investimos na compra do aparelho. 

 

Uma CPU de ponta será subutilizada se contar com pouca memória RAM. Para evitar mensagens de “memória insuficiente” (comuns na pré-história da computação pessoal, quando éramos obrigados a encerrar um ou mais aplicativos para que outros pudessem ser carregados e executados), a Intel criou a memória virtual (ou “swap file”, como alguns preferem dizer), que consiste num espaço alocado na memória de massa para o qual o Gerenciador de Memória Virtual (VMM) transfere as seções que não são prioritárias naquele momento e de onde as traz de volta quando necessário.

 

Convém ter em mente que a memória virtual é apenas um paliativo, não um substituto eficiente da RAM, uma vez que (como também já foi mencionado) a memória de massa, mesmo quando representada por um SSD, é muitas vezes mais lenta do que a memória física, e a constante troca de arquivos degrada consideravelmente o desempenho global do sistema.

 

Continua na próxima postagem.