(Pausa para as gargalhadas.)
UM BATE-PAPO INFORMAL SOBRE INFORMÁTICA, POLÍTICA E OUTROS ASSUNTOS.
sábado, 30 de dezembro de 2017
2017 FINALMENTE SE VAI... O QUE ESPERAR DE 2018?
(Pausa para as gargalhadas.)
quarta-feira, 21 de junho de 2017
WINDOWS 10 - SUPERFETCH X DESEMPENHO
ÚLTIMAS DO CENÁRIO POLÍTICO TUPINIQUIMMas o ponto alto do dia ficou por conta da 1ª Turma do STF, que deveria definir a sorte de Aécio Neves, mas acabou adiando sine die tanto a decisão sobre a prisão do senador quanto seu pedido para retomar as atividades parlamentares. Isso porque o Marco Aurélio, relator do caso, disse que ainda vai se pronunciar sobre um novo pedido de Aécio para levar o processo para o plenário da Corte. Sem embrago, por 3 votos a 2, a Turma resolveu converter a prisão preventiva de Andrea Neves, irmã do tucano, e Frederico Pacheco, primo de ambos, em prisão domiciliar (eles são investigados por suposta prática de corrupção, organização criminosa e embaraço às investigações, e estavam na cadeia desde o último dia 18 de maio).
sábado, 5 de janeiro de 2019
MICHEL TEMER — TCHAU, QUERIDO!
Por se referirem a fatos anteriores ao mandato presidencial, as novas suspeitas não integraram a denúncia da PGR, de modo que caberá aos procuradores que atuam na instância ordinária analisá-las e oferecer novas denúncias — o que pode demorar semanas, já que é preciso um despacho dos relatores dos inquéritos no STF enviando-os para a vara federal competente, onde eles passarão a ser de responsabilidade dos respectivos procuradores.
Bolsonaro determinou um “pente fino” nas nomeações, transferências e movimentações financeiras dos últimos 30 dias da administração de seu antecessor, visto que foram detectados gastos e nomeações incomuns nos últimos dias do governo. Além disso, deu aval para a exoneração em massa de funcionários comissionados (ação que o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, chamou de “despetização”). Aliás, a faxina teve início na própria Casa Civil, com a exoneração de todos os cargos de confiança da pasta — e Onyx prometeu escolhas técnicas para cargos do segundo e terceiro escalões do governo.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
O COMPLEXO DE VIRA-LATA E A LEI... ORA, A LEI!
terça-feira, 25 de junho de 2019
GREENWALD E A CONSPIRAÇÃO ANTIRREPUBLICANA
A defesa do molusco pede tratamento diferenciado a seu cliente, alegando que ele é idoso e está preso há mais de 400 dias. Em nota, Cármen Lúcia esbanjou mineirice ao salientar que “todo processo com paciente preso tem prioridade legal e regimental, especialmente quando já iniciado o julgamento, como nos casos de vista, independente da ordem divulgada.” Portanto, façam suas apostas e confiram no final da tarde "o que deu no poste".
Como bem lembrou Josias de Souza em sua coluna, esse julgamento foi interrompido em dezembro por um pedido de vistas de Gilmar Mendes, depois que os ministros Fachin e Cármen Lúcia votaram contra o pedido da defesa. Gilmar e Lewandowski certamente votariam a favor, restando ao ministro Celso de Melo proferir o voto de desempate. Gilmar não pretendia devolver a encrenca à pauta antes do segundo semestre. Adiantou o relógio depois que vieram à luz as primeiras mensagens vazadas pelo site The Intercept Brasil, que a defesa do petralha rapidamente empurrou para dentro dos autos. Inicialmente, os advogados do molusco alegava que a migração de Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba para a Esplanada confirmara o viés político das decisões do ex-juiz; agora sustentam que as mensagens arrancadas do aplicativo confirmam a alegada falta de isenção do ex-magistrado.
Antes de decidir se Moro foi ou não parcial e se Lula é ou não um injustiçado, as togas supremas terão de informar se as mensagens podem ou não ser admitidas como prova. Para Mendes, a origem ilícita de uma prova não impede que seja usada em benefício de condenado sem culpa. O diabo é que as mensagens podem ter sido adulteradas. Quer dizer: o STF agora precisa decidir duas questões preliminares antes de entrar no mérito da causa: 1) Prova obtida de forma criminosa vale?; 2) Se valer, o lote de mensagens pode ser tomado como autêntico sem uma perícia capaz de afastar a alegada hipótese de adulteração?
Não fossem Lula, Sérgio Moro e Deltan Dallagnol os envolvidos, o “material bombástico” que vem sendo divulgado em doses homeopáticas pelo site esquerdista The Intercept Brasil produziria as mesma consequência de um peido num vendaval. Ocorre que parte da mídia, dos analistas políticos e de juristas das horas vagas se alinhou à imprensa “cumpanhêra” e comprou alegremente a narrativa construída com indiscutível parcialidade pelo americano Glenn Greenwald — que acontece de ser marido do deputado David Miranda, do PSOL-RJ — e seus asseclas. O propósito salta aos olhos: demonstrar que as supostas mensagens trocadas entre o ex-juiz da Lava-Jato e o coordenador da força-tarefa em Curitiba comprovariam de maneira cabal o “grande conluio” contra o sumo pontífice da seita do inferno, exterminador do plural, parteiro do Brasil Maravilha e deus pai da Petelândia.
Tudo que foi ventilado pelo Intercept até o momento não passa de um amontoado de coisa alguma, uma coletânea de diálogos curtos e fora do contexto onde foram pinçados. Isso para não mencionar que "material bombástico" foi obtido de forma ilícita (hackeamento digital), e que, no mundo dos ilícitos, criar diálogos para corroborar narrativas não é nada incomum.
Greenwald diz que há muito mais a ser revelado — mais do mesmo que foi mostrado até aqui, provavelmente, retocado com as cores vibrantes de uma reinterpretação ideológica por “repórteres” incapazes de disfarçar suas militâncias, e que, ávidos por revelar uma “grande conspiração conservadora”, ignoram tudo que deveriam ter aprendido na faculdade sobre a razoabilidade das fontes e a neutralidade jornalística. Demais disso, conversas entre promotores, procuradores e juízes são comuns — talvez não devessem ser, mas isso não é outra história. E, de novo: não fossem os envolvidos quem são, esse assunto não mereceria mais que uma nota de rodapé.
As mensagens vazadas não são denúncias. São pedaços de supostas realidades coladas com fita crepe a um aglomerado de narrativas partidárias. O Intercept não pode apontar ou imputar crimes sem ter deles provas reais, e ainda que as tivesse, a obtenção por meio ilícito desqualificaria seu uso nos tribunais. O próprio Greenwald procurou a Rede Globo para divulgar o material de forma conjunta, mas, à ausência da credibilidade das fontes e da legalidade do conteúdo, a Venus Platinada bateu-lhe a porta nas fuças. Reinaldo Azevedo, dono de uma empáfia à toda prova, travestiu-se de paladino da Justiça e acabou pagando mico: a "informação bombástica" que ele divulgou no último dia 20 — de que a Lava-Jato, seguindo orientação de Sergio Moro, teria afastado a procuradora Laura Tessler de audiências — era fake news e foi prontamente desmentida pela força-tarefa.
Os procuradores, através de nota, afirmam que "além de desrespeitosa, mentirosa e sem contexto, a publicação de Reinaldo em seu blog não realizou a devida apuração que, por meio de simples consulta aos autos públicos acima mencionados, evitaria divulgar movimento fantasioso de troca de procuradores para ofender o trabalho e os integrantes da força-tarefa". Ainda segundo a nota, Laura participou de audiência em 13 de março de 2017, sobre o ex-ministro Antônio Palocci, e em todas as subsequentes do caso, realizadas nos dias 14, 15, 21 e 22 de março. A nota diz também que a publicação do Intercept Brasil é tendenciosa e que "tentou criar artificialmente uma realidade inexistente para dar suporte a teses que favoreçam condenados por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato".
Sobre Reinaldo Azevedo, a força-tarefa afirma que "a suposta versão, que não resiste a uma mínima análise crítica diante dos fatos públicos, indica que a fábrica de narrativas político-partidárias baseadas em supostos diálogos sem autenticidade e integridade comprovadas somente leva à perda de credibilidade de quem delas se utiliza sem a devida apuração", que a notícia é "rasa, equivocada e sem checagem dos fatos", e que a atuação de Laura sempre foi "firme, técnica e dedicada" e contribuiu decisivamente para a condenações importantes. Para finalizar, a nota afirma que "não houve qualquer alteração na sistemática de acompanhamento de ações penais por parte de membros da força-tarefa; os procuradores responsáveis pelo desenvolvimento de cada caso acompanharam as principais audiências até o interrogatório, não se cogitando em nenhum momento de substituição de membros, até porque todos vêm desenvolvendo seus trabalhos com profissionalismo, competência e seriedade".
Notícia bombástica mesmo foi o furo jornalístico publicado por Lauro Jardim, em maio de 2017, que trouxe a lume conversas nada republicanas mantidas nos porões do Jaburu, na calada da noite, pelo então presidente Temer e o moedor de carne bilionário Joesley Batista, cuja pronta repercussão levou ao esvaziamento do Congresso e sitiou no Palácio do Planalto o presidente da República. Enfim, uma galinha até consegue voar, mas jamais será um condor-dos-andes.
terça-feira, 10 de março de 2020
O IMPACTO DA QUEDA DO PREÇO DO PETRÓLEO NA BOVESPA E NA ECONOMIA MUNDIAL
Já pensei em deixar de postar sobre política e voltar a focar o Blog somente na velha e boa tecnologia (boa quando funciona, naturalmente), ou manter dois vieses, mas mudando o segundo para a gastronomia (saudades das minhas postagens em “Acepipes, Guloseimas e Companhia” — comunidade foi para o espaço juntamente com extinta Rede .Link, onde eu a hospedava, que um belo dia saiu do ar para nunca mais voltar). Mas parece que quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece: no momento em que escrevia estas linhas, fui surpreendido por mais uma carrada de notícias avassaladoras.
Como se não bastassem os efeitos nefastos da epidemia da COVID-19 (nome oficial da doença provocada pelo vírus SARS-CoV-2) na economia mundial, a cotação barril de petróleo no mercado internacional despencou nesta segunda-feira, depois que o dramático colapso das negociações entre a OPEP e a Rússia , líder informal da OPEP+, levou a Arábia Saudita a iniciar uma guerra de preços.
Ao final do dia, o Ibovespa registrou queda de 12,17%, aos 86.067 pontos, revertendo toda a alta de 2019 e voltando ao patamar de 27 de dezembro de 2018, quando fechou cotado a 85.460 pontos. Foi o pior pregão desde 10 de setembro de 1998, quando o índice recuou 15,82%. Nem mesmo na pior sessão da crise de 2008 o benchmark havia caído tanto. No dia 15 de outubro daquele ano, o Ibovespa recuou 11,39%.
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
SOBRE MICHEL TEMER E O QUADRILHÃO DO PMDB
Devido ao deplorável foro privilegiado, Temer, Moreira Franco e Eliseu Padilha serão julgados sabe lá Deus quando ― certamente não antes de 2019, a não ser que este governo não dure até o apagar das luzes do ano que vem ― afinal, estamos no Brasil, onde até o passado é imprevisível. Os demais integrantes da tal quadrilha do PMDB ― Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures, para citar os mais notórios ―, que não têm prerrogativa de foro, devem responder por seus atos mais cedo, já que o ministro Fachin decidiu remeter ao juiz Sérgio Moro a parte da denúncia por associação criminosa que lhes toca (a parte que versa sobre obstrução à investigação de organização criminosa que envolve Joesley Batista e Ricardo Saud ficará com a Justiça Federal em Brasília).
sábado, 14 de março de 2020
A DESGRACEIRA DEU UMA TRÉGUA (RESTA SABER ATÉ QUANDO) — A MORTE INESPERADA DE GUSTAVO BEBIANNO
Bebianno ocupou por menos de dois meses a Secretaria-Geral da Presidência da República. Foi demitido porque Zero Dois pediu sua cabeça ao papai presidente (detalhes nesta postagem), e o capitão, quiçá por medo da mordida, preferiu não contrariar seu pitbull de estimação. E assim, depois de passar de amigo do peito a inimigo figadal, o ex-auxiliar inaugurou a extensa lista de ministros e membros do primeiro escalão palaciano que foram defenestrados dos respectivos cargos ao longo dos últimos 14 meses.
Magoado e ressentido com o presidente que ajudou a eleger, Bebianno, um arquivo vivo da campanha do capitão (como foi PC Farias na de Fernando Collor, três décadas atrás, e acabou assassinado em 1996, em circunstâncias mal explicadas que até hoje alimentam teorias da conspiração), seria um esqueleto no armário do governo e do clã Bolsonaro não fosse o infarto fulminante que o levou, inesperadamente (e providencialmente, dependendo do ponto de vista de quem conta a história), a comer capim pela raiz na chácara do vigário.
Em outra entrevista, dessa vez ao portal UOL, Bebianno anunciou que processaria Bolsonaro cível e criminalmente. Mas quis o destino que ele não tivesse tempo de cumprir a promessa. Dito isso, passemos ao texto que eu havia preparado para hoje.
A semana que se encerrou ontem (para os efeitos desta retrospectiva, o sábado e o domingo não contam) pareceu mais um teste ergométrico do que qualquer outra coisa.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
WINDOWS 10 ― DESEMPENHO ― EFEITOS VISUAIS
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
AINDA SOBRE A CPI — NHOQUE DA SORTE
Em 1863, no Discurso de Gettysburg, o presidente norte-americano Abraham Lincoln definiu a democracia como o "governo do povo, pelo povo, para o povo". No Brasil, os governantes eleitos pelo povo seguem a ordem alfabética, visando primeiro ao bolso (o próprio).
Curiosamente, o parágrafo único do artigo primeiro da Constituição de 1967 — promulgada durante os anos de chumbo — estabelecia que "todo o poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido”. Na carta de 1988, conhecida como Constituição Cidadã — gestada e parida durante a ressaca da ditadura militar —, o parágrafo único do artigo retrocitado passou a ter a seguinte redação: todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição."
Na cerimônia de promulgação da Carta de 1988, o saudoso
Ulysses Guimarães (que dorme
com os peixes há 29 anos) reconheceu que a Lei não era perfeita — o
que ela própria confessava ao admitir reformas. E com efeito: os
constituintes roubaram o país que tínhamos e nos transformaram em escravos de
nossos “representantes”. Essa caterva, que deveria exercer o poder em nome
do povo (que a elegeu para isso), faz o que quer, quando quer e como quer, sem
prestar contas a ninguém e quase sempre em benefício próprio — seja para
aumentar a burocracia que mantem o status quo, seja para angariar votos
para a próxima eleição, seja para proteger seus asseclas.
A tal Constituição Cidadã não previa a reeleição de presidente e vice. Mas o ego inflado de FHC não coube em "míseros" 5 anos de mandato (mais detalhes nesta postagem). Uma vez aberta a Caixa de Pandora, seguiram-se as reeleições do próprio, de Lula (a despeito do Mensalão) e de Dilma (a despeito do Petrolão).
O impeachment da anta arroganta deu azo à ascensão de Temer — cujo governo acabou quando veio a lume a conversa de alcova do vampiro com o moedor de carne bilionário Joesley Batista, gravada pelo próprio nos porões do Jaburu. Na esteira dessa desgraça, o bolsonarismo boçal derrotou o lulopetismo corrupto no pleito de 2018, e o resultado foi a tempestade perfeita que pandemia tornou pior, com a imprescindível ajuda do mandatário de fancaria. A despeito da atual gestão ser uma extraordinária sucessão de descalabros, o Messias que não miracula continua desafiando a lei da gravidade (com a imprescindível cumplicidade do procurador-geral da República e do réu que preside a Câmara Federal.
Ao longo dos últimos seis meses, a CPI do Genocídio jogou luz sobre a podridão que aflora dos subterrâneos do governo federal. Não bastassem os 140 pedidos de abertura de processos de impeachment em desfavor do obelisco do negacionismo — pedidos esses que o deputado-réu Arthur Lira mantém inacessíveis sob seu buzanfã —, o relatório aprovado por 7 dos 11 membros titulares da comissão (debalde o prodigioso esforço da tropa de choque do governo) recomenda que Bolsonaro seja investigado e, eventualmente, responsabilizado por 10 crimes, bem como o indiciamento de outras 77 pessoas — incluindo ex-ministros, ministros, políticos, servidores públicos, empresários, membros do chamado "gabinete paralelo" — e duas empresas.
No caso de Bolsonaro, as suspeitas de crime comum serão encaminhadas à PGR, as de crime de responsabilidade, à Câmara Federal, e as de crimes contra a humanidade, ao Tribunal Penal Internacional. Detalhe: Lira telefonou duas vezes para alertar o presidente da CPI de que a inclusão dos nomes de deputados bolsonaristas no relatório final da comissão abriria um "perigoso precedente", e que ele reagiria se isso ocorresse. Na visão de sua excelência, "não é adequado senador investigar deputado".
Um grupo de senadores entregou
pessoalmente ao ministro Alexandre de Mores, do STF, e a Augusto
Aras, comandante supremo da PGR, o relatório produzido pela
Comissão. A senadora Simone Tebet disse que sempre foi crítica à
procuradoria e ao trabalho de Aras, mas dessa vez "o
procurador foi firme". Cabe ao Ministério Público promover
a responsabilidade civil ou criminal dos infratores. Caso a denúncia seja
oferecida, os fatos serão analisados pela instância da Justiça competente. Se
um investigado tiver foro privilegiado em âmbito federal — situação que inclui Bolsonaro,
por exemplo —, o foro proporcional é o STF.
O senador Omar Aziz, presidente da CPI, disse
a Aras que "tenha compromisso com a nação: 600 mil vidas não podem
ser engavetadas. Qualquer que seja o argumento, nós estaremos discutindo
publicamente. Os documentos sigilosos são comprometedores e serão
disponibilizados para que possam continuar a investigação". Pela
manhã, durante a audiência, Aziz demonstrou preocupação com declarações dadas por
parlamentares governistas de que Aras iria arquivar o relatório da CPI
num curto prazo, e já havia cobrado o procurador-geral.
O senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI,
disse que os membros da Comissão acertaram com Aras que fariam (como de
fato fizeram) a entrega dos processos às demais instâncias do Ministério
Público. Parte dos senadores receiam que o PGR engavete as sugestões
da comissão, já que ele foi indicado e reconduzido ao cargo por Bolsonaro,
cujo governo é o principal alvo da investigação de irregularidades. Aras
afirmou que fará uma análise independente. E eu acredito em Papai Noel.
Carlos Fernando dos Santos Lima, ex-procurador da Lava-Jato,
também não acredita que Aras fará algo de efetivo sobre o relatório. "Ele
vai possivelmente tocar isso de uma maneira a não dar espaço para que haja
movimentação alternativa, tocando esse inquérito de uma maneira leniente",
declarou o ex-procurador em entrevista ao portal UOL. Aras foi nomeado
para o cargo por ter uma postura passiva em relação à abertura de investigações,
por "representar o não fazer", por subordinar o Ministério
Público aos desejos da política.
"Esta CPI já produziu resultados. Temos denúncias, ações penais, autoridades afastadas e muitas investigações em andamento e agora, com essas novas informações, poderemos avançar na apuração em relação a autoridades com prerrogativa do foro nos tribunais superiores", disse o procurador-geral através de postagem feita por sua assessoria no Twitter. Vale destacar que a Comissão não tem poder para punir suspeitos — o aprofundamento de investigações e indiciamentos contidas no relatório ficará a cargo de órgãos de fiscalização e controle — sobretudo o Ministério Público Federal, por meio da PGR, e o Ministério Público dos Estados, com foco no Distrito Federal e em São Paulo, onde já existem apurações em andamento.
A PGR já abriu 92
investigações preliminares relativas ao presidente da República, mas
não apontou nenhum crime que teria sido praticado pelo mandatário. Numa de suas
manifestações mais polêmicas, a subprocuradora-geral Lindôra Araújo alegou não ter visto crime na decisão de Bolsonaro de não usar máscara e
levantou dúvidas sobre a eficácia do material de proteção, cuja importância é
amplamente propagada por especialistas. De acordo com a jornalista e colunista
do Globo Bela Megale, Aras submete o relatório da CPI à
análise prévia para ganhar
tempo e se blindar com Bolsonaro e Senado.
Em entrevista à recém-inaugurada TV Jovem Pan News, o
"mito" dos bolsomínions disse que "a CPI foi uma palhaçada".
Repetindo o discurso com que tentou desde sempre desacreditar a comissão, sua alteza concentrou as baterias no relator, senador Renan Calheiros, que "agiu
por vingança". Ao ser questionado
sobre 'rachadinha' pelo filho de Paulo Marinho, o capetão simplesmente encerrou a entrevista.
Nesse entretempo, o
TSE rejeitou a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão. Os ministros Luís
Roberto Barroso, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís
Felipe Salomão e Mauro Campbell Marques criticaram o chefe do
Executivo e afirmaram que foi comprovada a existência de um esquema ilícito de
propagação de notícias falsas via WhatsApp no último pleito para beneficiar
Bolsonaro, mas consideraram que não havia gravidade suficiente para
cassar a chapa. Os ministros Sérgio Banhos e Carlos Horbach entenderam
que sequer foram apresentados elementos que permitissem chegar à conclusão de
que houve algum tipo de disseminação de fake news em benefício do atual
presidente.
Barroso, Moraes e Fachin mandaram duros recados a Bolsonaro e afirmaram que, embora o tribunal não tenha imposto pena ao chefe do Executivo neste caso, o julgamento serviu para preparar a corte para 2022, quando o esclarecidíssimo eleitorado canarinho voltará às urnas para escolher presidente e vice, governadores, deputados federais e estaduais e 1/3 dos senadores da República (outros 2/3 foram eleitos em 2018).
Pelo andar da carruagem, essa "festa da democracia" deve ocorrer ainda em meio a pandemia sanitária, sem as reformas estruturantes prometidas, com desemprego, desalento e estagflação, crises hídrica e energética batendo as portas, dólar acima de R$ 5, denúncias de corrupção em todos os escalões do governo (governo esse que diz ter acabado com a Lava-Jato porque "não existe mais corrupção") e uma corja de políticos que só pensam em si mesmos.
EM TEMPO: Se você tem fé, reze por um milagre. Se sua fé não chega a tanto, aproveite que hoje é dia 29 para fazer a simpatia do nhoque. Se não melhorar, piorar também não vai.
E viva o povo brasileiro!











